
Um dia ainda hei de ter a pachorra de listar as façanhas culinárias de maman. Algumas não são lá muito gloriosas, como a fuzarca de louças, panelas, facas, talheres e cascas que fica a pia ao término da cozinhança, o caos organizado da geladeira ou aquela história do caldo de peixe sem peixe que volta e meia o tio reconta.
Mas a mãe tem assim um jeito de cozinhar inimitável e delicioso, com pratos e proezas de se tirar o chapéu, como a habilidade para preparar uma jantinha urgente em poucos minutos para marido, filhos, genros, noras, neto, irmão, agregados e quem calhar de aparecer de última hora, o amor de cada bolo de laranja batido à mão pro café da tarde, o carinho disfarçado nas camadas da lasanha, a sabedoria em forma de molho escurinho da galinha caipira em panela de ferro, o bife à milanesa, as ceias de natal, o amendoim açucarado da páscoa, o ovo frito, as verdurinhas…
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