A vida nas grandes cidades muitas vezes não mais comporta a aquisição de dezenas de jogos de jantar, dúzias de panelas e centenas de utensílios eletrônicos.
A opção por habitar apartamentos urbanos limita-nos violentamente o espaço para utensílios da cozinha, obrigando-nos, por vezes, a refrear instintos consumistas tão singelos quanto adquirir o último modelo de grill-família-super-jumbo-com-espátula-e-termostato.
Mas descobri uma saída, estimada leitora, para driblar a falta de espaço e ainda assim obter um aparelho multiprático para grelhar carnes com perfeição, doirar aquele queijinho coalho, sapecar legumes como berinjelas e abobrinhas etc.
Trata-se da rústica e funcional chapa de ferro, utensílio que, embora essencial, até ontem não havia adentrado meu lar. Mediante o pagamento de cinqüenta dinheiros, granjeei um belo exemplar de formato quadrado, na cor das asas da graúna, munida de canaletas laterais para escorrer eventuais gotículas de gordura, com cabo anatômico de madeira e tamanho ideal para ir ao bico do fogão.
Caso deseje comprar sua própria chapa de ferro, a senhora dona de casa deve procurar por uma peça que tenha sido previamente tratada, para evitar aqueles procedimentos infindáveis antes-durante-depois do uso.
Eu mesma estive diante de uma chapa bonitinha porém ordinária, que exigia uma esfrega com inhame ou casca de mamão (!) e mais uma lista recomendações a ser cumprida como ritual todas as vezes para o resto de nossos dias. Custava a metade do preço, mas sua manutenção seria um enfado, sem dúvida.
À inauguração de minha chapa quente compareceram espetinhos de queijo coalho, dois bifes de alcatra e algumas pétalas de cebola. Todos resultaram excepcionalmente apetitosos.
Após a refeição, a chapa já morninha foi esfregada sem esforço com esponja e sabão, depois banhada em água corrente e levada ao lume para secar completamente. E depois de fria, pude acomodá-la com folga num cantinho da prateleira das panelas, sem causar estorvo algum em minha cozinha de apartamento.