Torta de Papoula, Cenouras e Chevrotin

A receita é de uma chef que não conhecia, Laurence Salomon, lindamente executada pela Clea Cuisine.

Antes mesmo de continuar a ler, veja aqui as fotos que ela fez, muito apetitosas.

Precisava fazer essa torta, nem que fosse tarde da noite, com sono. E com sono foi, motivo pelo qual não me animei a fazer sequer uma saladinha para acompanhar.

O nome original da receita é “Tarte Pavot aux Carottes et Tomme de Montagne”. Na falta de tomme de montagne, fiz com chevrotin e ficou uma delícia!

Ingredientes:

  • 100 g de queijo de cabra chevrotin em cubinhos de 0,5 cm
  • 3 ovos inteiros
  • 100 ml de leite
  • 3 cenouras médias
  • 2 cebolas médias
  • 3/4 xícara de farinha de trigo integral
  • 2 colheres de sopa de aveia em flocos
  • 1 pitada de grãos de kümmel
  • 2 colheres de café de sementes de papoula
  • 3 colheres de sopa de azeite de oliva
  • sal marinho

Como fazer:

  1. Numa tigela, misture com as mãos a farinha com a aveia, uma colher de café de sementes de papoula e ½ colher de café de sal. Despeje duas colheres de sopa de azeite e dê uma leve mexida (não vai formar massa ainda), depois adicione, aos poucos, mais ou menos duas colheres de sopa de água. O objetivo aqui é apenas fazer com que os farelos da massa se unam, sem encharcar.
  2. Forme uma bola com a massa e deixe-a descansar por meia hora em temperatura ambiente. Parece pouca massa, mas é assim mesmo.
  3. Enquanto aguarda a massa repousar, aproveite para descascar as cenouras e cortá-las em rodelas finas. Leve-as ao fogo com um dedinho de água, adicione uma pitada de sal e deixe-as cozinhando em fogo brando enquanto continua a receita.
  4. Descasque e corte as cebolas em fatias fininhas. Numa frigideira, aqueça uma colher de sopa de azeite deite ali as cebolas. Quando começarem a murchar, adicione uma pitada de sal, o kümmel e misture. Em fogo muito brando elas devem ficar, com a frigideira tampada, até que amoleçam bem (uns 15 minutos).
  5. Preaqueça o forno a 200°C.
  6. Misture o queijo com os ovos e o leite, verifique o tempero e salgue ligeiramente se achar que deve.
  7. Escorra as cenouras numa saladeira e deixe-as esfriar até a temperatura ambiente. Depois leve-as para dentro da mistura de queijo também.
  8. Forre com cuidado uma forma de torta de 18 cm de diâmetro com a massa de papoula. Não é uma torta alta, e a massa deve formar apenas uma fina camada sobre a forma. No meu caso, untei a forma, só para garantir.
  9. Sobre a massa, espalhe as cebolas cozidas (já um pouco frias), depois despeje delicadamente a mistura de cenouras e polvilhe 3 a 4 pitadas de sementes de papoula.
  10. Leve ao forno preaquecido e deixe por 30 minutos a 200°C.

A receita original da chef está aqui.

E segue meu registro fotográfico da fatia solitária:

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Clafoutis de Tomates – Versão I

Clafoutis de Tomates

Clafoutis é mais uma daquelas palavras cuja sonoridade me encanta tanto quanto os sabores da receita.

Enquanto inventava essa versão salgada da sobremesa francesa (que os puristas me perdoem, mas não resisti à vontade de inovar), sussurrava o nome repetidas vezes, pausada e alegremente: clá-fu-tí!

Assim como a ratatouille, o clafoutis já diz a que veio logo na palavra, com suas vogais de alegria e cor.

Originária da região de Limousin, a receita tradicional leva cerejas negras e pode ser comida morna ou fria. O nome vem do occitano (antigo provençal) clafotís, que significa preencher, lotar, encher. A palavra harmoniza, pois, com a coisa: uma massa com consistência de pudim, repleta de cerejas.

Ontem, ao avistar tomatinhos-cereja mui simpáticos, tive o lampejo: porque não testar uma versão salgada para o jantar?

E pus-me a matutar, pois não me lembrava muito bem da receita (é daquelas achamos que sempre saberemos como fazer). Cheguei a um resultado bastante satisfatório, muito embora acredite que da próxima vez farei modificações.

Compartilho com a senhora  e o senhor as medidas exatas que utilizei, à guisa de orientação.

Ingredientes:

  • 5 colheres de sopa rasas de farinha de trigo
  • 1/2 colher de chá de sal
  • 3 ovos
  • 3 colheres de sopa de um bom azeite
  • 250 ml de leite morno
  • 400 g de tomates-cereja (tudo bem, umas 300 se descontarmos os que comi e os que se lançaram da bancada para o chão, num ato de desespero)
  • margarina para untar o refratário
  • queijo ralado para polvilhar (pouco mesmo)
  • pimenta-do-reino
  • orégano seco
  • manjericão seco

Como fazer:

  1. A primeira providência é ligar o forno para preaquecer e levar os tomatinhos para um banho demorado a fim de livrá-los de qualquer sujidade.
  2. Numa vasilha de bater bolinho, peneire a farinha de trigo. Caso seja acometida(o) por uma preguiça intensa, desista da receita. É fundamental peneirar o trigo para deixar a massa mais levinha. E o clafoutis é tão simples e rápido de fazer que vale a pena peneirar só esse tantinho.
  3. Adicione o sal à farinha de trigo, junte um ovo inteiro, duas gemas e o óleo. Reserve as claras para usar depois. Mexa a mistura com uma colher de pau para incorporar bem. Vai ficar um pouco duro, mas é assim mesmo.
  4. Junte o leite muito aos pouquinhos, mexendo a massa vigorosamente com um batedor de arame para garantir que nenhum gruminho se formará. Nesse ponto, realizei-me, pois achei que estava batendo um bolinho :)
  5. Quando terminar de adicionar o leite, bata as duas claras reservadas em picos firmes.
  6. Incorpore as claras à massa líquida com carinho.
  7. Unte um refratário com manteiga ou margarina, polvilhe um nadinha de queijo ralado no fundo, só para fazer uma bossa, acomode os tomatinhos e tempere-os com a pimenta, o orégano e o manjericão (não carecede mais sal).
  8. Sobre os tomatinhos, despeje a massa. Polvilhe com mais um nadinha de queijo ralado e leve ao forno muito baixo por uns 30 minutos.
  9. Sirva quente, morno ou frio.

Os tomatinhos eclodem lindamente, seja no forno, seja na sua boca, provocando uma mistura mui delicada de sabores e texturas. Da próxima vez, suprimirei o majericão, pois ele resolveu aparecer muito. Também tentarei adicionar noz moscada à massa.

P.S.: Publiquei uma receita de clafoutis de banana uns tempos atrás. Para encontrá-la, digite uma palavra-chave no quadrinho do canto superior direito e depois clique em “pode bisbilhotar!”.

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Coroa Delicada

Coroa Delicada

Aquele legume injustiçado que atende pelo simpático nome de chuchu tem em mim uma fã.

Sim, querida leitora e querido leitor, eu acredito que o fruto dessa trepadeira tem gosto. É delicado, bem verdade, mas não deve ser menosprezado!

Até porque, sendo a palavra também um apelido carinhoso, sinônimo de “queridinho”, “preferido” e “amorzinho”, entre outros carinhos, a coisa não poderia ser ruim, não é mesmo?

A receita a seguir é um acompanhamento aprazível e versátil, que fica pronto em menos de uma hora, não exige vigilância e tem um efeito visual bastante belo.

Poderia ter usado cenouras, batatas, mandioquinhas, ervilhas, vagens, brócolis, couve-flor… mas escolhi o chuchu por seu sabor sutil e por suas baixíssimas calorias, característica muito em voga neste período que antecede as festas.

O leitor e a leitora não devem dar crédito àquele tão démodé preconceito contra o machucho, pois até mesmo o Sr. Dadivoso, até então inimigo declarado do legume, não só aprovou como pediu mais de minha recém-inventada iguaria.

Ingredientes:

  • 2 chuchus descascados e picados em cubinhos
  • sal a gosto
  • 2 ovos
  • ½ xícara de queijo ralado [usei de pacotinho mesmo]
  • 1 cebola picadinha
  • 1 colher de sopa de salsa picadinha [usei desidratada]
  • 1 pitadinha de nada de orégano [ não muito, senão ele se empolga e grita muito]
  • 1 colher de sopa de um bom azeite de oliva
  • 1 xícara de farinha de trigo
  • 200 ml de iogurte natural  [usei do meu caseiro, semidesnatado]
  • ¼ xícara de azeitonas verdes picadas
  • pimenta-do-reino moída na hora a gosto

Como fazer:

  1. Leve o legume para cozer em água e sal.
  2. Ligue o forno para preaquecer.
  3. Unte uma forma de buraco no meio com margarina e polvilhe-a com farinha de trigo. Reserve-a.
  4. Numa vasilha, deite os ovos, o queijo ralado, a cebola, a salsa, o orégano, o azeite, a farinha de trigo, o iogurte e as azeitonas. Mexa com uma colher, assim, displicentemente, até que os ingredientes se entendam bem. Adicione um pouco de pimenta e prove.
  5. Quando o chuchu estiver macio e ceder ao espetar de um garfo, escorra-o, passe-o por água corrente até arrefecer bem e leve-o à massa, fazendo com que ele também participe da confraternização de ingredientes que você acabou de promover.
  6. Leve todos àquela forma bonita que você untou e enfarinhou e asse em forno moderado por cerca de meia hora.
  7. Retire do forno e deixe descansar por uns 10 minutos. Desenforme e sirva.

.*. Uma dica Dadivosa .*.
Muitas senhoras e senhores têm asco daquela viscosidade que se desprende quando descascamos o chuchu. Eu evito o incômodo trabalhando o legume sob um fio de água corrente. Experimente! Suas mãos sentirão a diferença.

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Torta Folhada com Batata e Cenoura


Ingredientes:

  • massa folhada pronta (usei meio pacote)
  • 1 pacote de mini-cenouras
  • 2 batatas grandes
  • 2 colheres de sopa de azeite de oliva
  • 100 g de queijo gruyère ralado no ralo grosso
  • 100 ml de creme de leite fresco
  • 2 ovos
  • noz-moscada
  • pimenta branca
  • sal
  • manteiga para untar
  • salsinha para polvilhar

Como fazer:
1. Ferva as cenouras por 2 a 3 minutos em uma panela com água e sal. Escorra-as imediatamente e jogue-as em uma vasilha com água e gelo, para parar o cozimento.
2. Descasque as batatas e corte-as em fatias finas. Coloque-as em uma panela com o azeite em fogo baixo, e vá cozinhando aos poucos, sem deixar dourar.
3. Acenda o forno para pré-aquecer.
4. Unte com manteiga uma forma retangular e deite ali a massa. Cuide para que as bordinhas fiquem levantadas. Se precisar, coloque mais massa. Fure o fundo da massa com um garfo e reserve.
5. Bata o creme de leite com os ovos, adicione uma pitada de sal (prefiro usar sal marinho), pimenta branca moída na hora e noz-moscada, também ralada na hora.
6. Comece a montar a torta: coloque as batatas sobre a massa, espalhando com cuidado. Por cima das batatas, polvilhe o queijo. Derrame o creme com cuidado e por cima coloque as cenourinhas. Polvilhe com a salsinha e leve ao forno (180 graus) por no mínimo meia hora. Estará pronto quando o recheio inchar um pouquinho e as bordas da massa estiverem douradas e crocantes.

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Clafoutis de Banana

Ingredientes
Massa:
5 colheres de sopa de farinha de trigo
5 colheres de sopa de açúcar
3 ovos
2 colheres de sopa de manteiga sem sal derretida em banho-maria
200 ml de leite quente
sal

Recheio:
3 bananas
canela a gosto

Manteiga sem sal para untar e açúcar de confeiteiro o quanto baste

Como fazer:

Acenda o forno.

Unte um pirex com a manteiga e polvilhe o fundo e os lados com bastante açúcar de confeiteiro (mais ou menos meia xícara).

Peneire a farinha de trigo sobre uma tigela, junte ali o açúcar, uma pitada de sal e misture.

Incorpore um ovo inteiro e duas gemas, mexendo bem com um batedor de mão.

Sem parar de bater, adicione a manteiga derretida (morninha, não pode ser quente).

Junte o leite quente, em fio, mexendo sempre. A massa vai ficar bem líquida.

Em outra tigela, acrescente uma pitada de sal às duas claras restantes e bata-as em neve firme. Envolva, delicadamente, as claras em neve na massa líquida.

Corte as bananas em rodelas e coloque-as na forma untada e polvilhada. Polvilhe canela sobre as bananas.

Derrame a massa sobre as bananas e leve o clafoutis ao forno médio por 30 minutos. Ele vai crescer e ficar moreninho.

Retire do forno, polvilhe com açúcar de confeiteiro e sirva morno. Ele vai baixar um pouco e ficar com consistência de pudim, muito levinho.

A receita original, da região de Limousin, na França, é feita com 500 g de cerejas. Fiz com banana por pura preguiça de descaroçar as bichinhas. Mas fica super gostoso… e bonito… daqui a pouco subo as fotos dele.

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Torta Salgada de Liquidificador

Fiz ontem à noite, com recheio de sardinha (a pedidos). Nem gosto de sardinha, mas sabe que ficou bom?
A receita da massa é prática e combina bem com qualquer recheio: presunto e queijo, seleta de legumes, franguinho desfiado…

Ingredientes
Massa:
2 xícaras de chá de leite
1 xícara de chá de água
50g de queijo parmesão ralado
1 colher de chá de sal
1 xícara de chá de óleo
3 ovos
1/2 xícara de chá de maizena
2 xícaras de chá de farinha de trigo
1 colher de sopa de fermento em pó
(margarina para untar a forma)

Recheio:
2 colheres de sopa de azeite de oliva
1 cebola média picada
1 lata (250g) de sardinha
1 xícara de azeitonas verdes sem caroço picadas em lascas
aproximadamente 1 xícara de chá de purê de tomate sem tempero
Pimenta do reino moída na hora a gosto (usei 1/2 colher de chá)

Cobertura:
1 a 2 tomates cortados em rodelas muuuuuito fininhas
1/2 colher de sopa de orégano

Acessórios:
Liquidificador
Forma grande, do tipo tabuleiro (a minha tem uns 35cm por 25cm)
Guardanapo ou toalha de papel para ajudar a untar a forma

Como fazer
1. Abra a lata de sardinhas (há!) e limpe-as bem. Isso significa passar uma faquinha (sem serra) delicadamente por cima delas para tirar qualquer vestígio de escamas, abri-las com cuidado e retirar a espinha. Não precisa picar nem “desfiar” as sardinhas, deixe assim mesmo.
2. Acenda o forno para aquecer.
3. Agora vamos começar a fazer o recheio. Coloque o azeite em uma frigideira grande e funda, aqueça em fogo baixo, jogue as cebolas ali e vá mexendo de vez em quando até que elas murchem bem, sem deixar dourar.
3. Coloque as sardinhas na frigideira, dê uma boa mexida com a colher de pau para refogar e também quebrar os filés.
4. Quando estiverem aquecidas,vá colocando o purê de tomate aos poucos para que ele se incorpore à cebola e à sardinha. O molho fica espesso mesmo. Se ficar muito líquido, deixe mais um tempo no fogo para evaporar a água, mexendo sempre.
5. Coloque as azeitonas no molho, ainda com o fogo ligado.
6. Tempere com a pimenta e desligue. Não precisa usar sal, pois a sardinha e a azeitona já são salgadas. Não vale a pena colocar muitos outros temperos diferentes. A graça desse recheio é que ele fica suave e não enjoa. Reserve o recheio na frigideira mesmo.
7. Chegou a hora da massa… coloque todos os ingredientes no copo do liquidificador e bata na velocidade máxima até que a massa fique homogênea. Se um pouco de farinha ou maizena grudar no copo, desligue o liquidificador, raspe com cuidado os cantinhos com uma colher de pau, tampe novamente e torne a bater. A massa fica bem líquida.
8. Unte a forma com margarina.
9. Despeje metade do recheio na forma.
10. Com cuidado e paciência, coloque o recheio sobre a massa. Como a massa é líquida e o recheio é mais pesadinho, precisa ir devagar… o que eu faço (e nem dá tanto trabalho assim) é ir pegar o recheio aos poucos, com uma colher, e deixando cair sobre a massa aos pouquinhos. Não é legal encostar a colher na massa, senão vira uma cacaca, mas também não pode jogar o recheio lá do alto, sacou?
11. Depois de colocar o recheio, tá na hora de cobrir a torta. Aproxime o copo do liquidificador da forma da torta e vá derramando o restante da massa, também com cuidado, para cobrir o recheio.
12. Pegue as fatias de tomate e deite-as sobre a torta, uma a uma, devagar, para elas não afundarem.
13. Pegue o orégano, esfregue-o entre as palmas das mãos e vá pulverizando sobre a torta. Isso serve para ativar o sabor dele. Se jogar direto também funciona, mas não fica tão delicado e gostoso.
14. A essa hora, o forno deve estar bem quente. Coloque a torta para assar e deixe por uma meia hora, ou até a superfície dela ficar moreninha.

A receita original, que testei duas vezes, ficava muito salgada. Ontem resolvi usar uma colher de chá de sal (no lugar uma de sopa, como pedia a receita) e funcionou!

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