De Castigo

Vai daí que aquela rama de salsa crespa, semi-desmaiada, aquela mesma, que foi esquecida fora d’água em dias de tempo seco por demais, não foi desperdiçada.

Amarrei-lhe um barbante nos pés juntos, pendurei todo mundo de cabeça para baixo na prateleira e depois de uma semana a “peça decorativa” perde uns galhinhos a cada vez que invento uma cozinhança. Esfrego umas quantas folhas entre os dedos e alegro o que estiver na mira. É a redenção da salsa crespa, que sai do castigo para ornar e perfumar omeletes, risotos, sopas rápidas, guisadinhos e gororobas mil. Um castigo temporário, portanto, bem melhor do que o fundo do lixo.

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Orgulhosa de Si

Feliz com o que a natureza lhe deu, a Salsinha Crespa brilha em sua abundância encaracolada.

Jamais pensou em alisar-se.

Sabe tirar proveito de seus encantos: a textura crocante e tenra, o perfume delicado e brejeiro, o vigor da tez verdejantemente encantadora.

Freqüenta guarnições, saladas, sanduíches, guisadinhos, bouquets-garni e canjas com igual desenvoltura e elegância.

Nasceu para lembrar a cozinheira da delícia de ser o que se é.

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Beurre Maître D’Hôtel…


… é o nome oficial da manteiga com salsa.

Esta da foto eu fiz assim:

Peguei 1 pacote (200g) de uma boa manteiga sem sal, em temperatura ambiente (consistência de pomada), misturei mais ou menos 1/2 xícara de folhas de salsa orgânica muito bem picadinhas, raspas de 1/2 limão e algumas gotinhas do suco. Depois espalhei a “massa” num pedaço de papel-filme, enrolei num tubinho e levei ao freezer.

As fotos que fiz do rolinho ficaram horrendas, mas no Flickr da elskermeg tem uma ótima. Aliás, se tiver um tempinho, dê uma olhada nas fotos de comida que ela faz.

Usei parte de meu beurre maître d’hôtel para besuntar um chester recheado e ficou delicioso. Você pode guardar o rolinho no freezer e ir fatiando pequenas moedas à medida que precisar.

Fica gostoso pra passar no pão, na torrada, pra finalizar grelhados, crepes e o que mais você tiver vontade.

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