Comendo as Panelas

Das suculentas e fofas mini-abóboras recorte a tampa e retire as sementes com uma colher. Leve para cozinhar no vapor por uns 20 minutos. Recheie com colheradas de carne moída refogada , um punhado de cheiro verde e salpique pedaços de ovo cozido só pra fazer graça.

Não tem ou não gosta de carne moída? Use aquele restinho de frango ao curry, recicle o guisado, refogue um pouco de camarão com leite de coco, dê providência no picadinho de tresontonte, inclua um bocado de arroz cozido por baixo, um tico de queijo por cima, um belisco de pimenta no meio… já fiz de um tudo com “as bóbra“, divirto-me com as possibilidades de transformá-las em panelinhas comestíveis.

Abóbora e Cebola Roxa Assadas

Improviso de uma segunda-feira véspera de estreia de Brasil na Copa, a cebola roxa e a abóbora do fundo da gaveta foram tostadas ao forno e, reformadas e revigoradas, pedem umas folhas verdes, uma massa rápida, um pedaço de queijo, um risoto básico ou apenas uma salsinha como testemunha dessa belezura. Coisa de meia hora de labor (se tanto!), espia:

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Gnocchi

Escarafunchei meus arquivos de fotos dos últimos meses e  não houve maneira de salvar uma que prestasse desses nhoques tão gostosos. De modos que o Leitor e a Leitora querida deverão utilizar de alguma imaginação para visualizar esses bocados macios, verdadeiros travesseirinhos de batata que, complacentes, suportam quase qualquer estrepolia como acompanhamento: manteiga, molhos de queijo, de tomates, tipo pesto, com carne…

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Ravióli Recheado de Espinafre e Ricota

Na foto dá pra ver que tem ravióli de tudo que é tamanho, quantidade de recheio, formato e acabamento. É porque foram feitos a dezoito mãos, mãozinhas e manzorras, no primeiro dia do curso que inventei de fazer no meu restinho de férias (preparem-se, tem muita receita vindo por aí).

Ao contemplar a cena, Alberto, o professor, abriu um sorrisão e disse que isso era comida de verdade, que a irregularidade fazia parte do charme da coisa e que o mais importante era que a massa tivesse a mesma espessura em todos eles (isso sim, tinha). E foi esse o clima do primeiro, do segundo e do terceiro dia do curso. Gente de verdade fazendo comida de verdade e se divertindo a cada virada de vinho na mesa (adivinha quem foi? ), transbordamento de creme fervendo (essa não fui eu), truques, dicas, descobertas e aventais-sapatos-caras-mangas-olhos sujos de trigo.

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Sopa de Lentilhas Brancas

Acho que foi na semana em que voltei de férias, numa correria danada, ainda com as malas por desfazer e sem dormir direito há dias. Olhei pela janela e vi gordos e vagarosos flocos de neve que caíram por não mais que alguns minutos. A grande nevada aconteceu enquanto eu estava fora, o que aconteceu naquele dia foi uma raspa de tacho da onda de frio de janeiro. Mas bastou pro cérebro fazer uma bela pausa contemplativa e voltar com a lembrança de que tinha em casa um pacote fechado de lentilhas brancas, compradas num surto consumista numa loja de produtos indianos (junto com feno grego, asafoetida, lentilhas amarelas e vermelhas, arroz basmati branco e integral, pasta de tamarindo, sementes de nigella etc etc etc)

Por casualidade, encontrei uma inspiradora receita no La Tartine Gourmande, um dos blogs de comida mais bonitos que costumo visitar. Desci pro super que fica aberto até a madrugada, comprei as verduras e esqueci dos ovos e dos tomates, me virei com o que tinha, deixei a sopa no fogo e fui tomar banho, secar cabelo, ver email, assistir ao final dum filme… sei que  a sopa ficou pronta mesmo quase meia garrafa de vinho e duas horas depois (não me acerto com esse fogão!), mas valeu a espera.

Ingredientes: (rende 4 porções honestas)

  • 1 colher de chá de manteiga
  • 1 colher de chá de azeite
  • 1/2 cebola em cubos pequenos
  • 1 dente de alho picado
  • 1 talo de salsão picado
  • 1 folha de louro
  • 1 talo de alho poró picado (só a parte branca)
  • 2 cenouras em rodelas
  • 1 pedaço de mais ou menos 5 cm de linguiça defumada picante em rodelas
  • 1 xícara de lentilha branca
  • 1 litro de água
  • sal a gosto
  • pimentón picante (páprica) e azeite para servir

Como fazer:

  1. Derreta a manteiga junto com o azeite e refogue ali a cebola com uma pitada de sal até murchar. Junte o alho, a cenoura, o salsão, o alho poró, o louro e a liguiça e refogue mais uns 10 minutos, com outra pitada de sal, em fogo baixo (se seu fogão for menos preguiçoso que o meu, fique de olho! é só para murchar um pouco as verduras).
  2. Enquanto isso, lave e escorra a lentilha.
  3. Junte as lentilhas ao refogado, acrescente a água (usei fria mesmo), e deixe tudo ali até amolecer.
  4. Corrija o sal e sirva com um salpicado de páprica picante e um fio de azeite. (no dia seguinte fica mais gostoso ainda, vai por mim!)

Televisão de Cachorro


Disparado o mais fácil, mais saboroso e mais caro frango que assei na vida. De lá de dentro da geladeira do supermercado me sussurrou que era limpinho, não havia tomado hormônios, pesava 1,700 kg… e que seria meu por 15 euros. Quinze euros pelo franguinho caipira espanhol.

Morrendo de medo de estropear tão valioso ingrediente, desafiei o bom senso e em vez de esquartejar o bicho para diluir o risco, tomei o caminho oposto e resolvi, porque era domingo, assar tudo de uma só vez.

Deixei meu sedutor amigo fora da geladeira por uma hora para que se preparasse psicologicamente, preaqueci o forno a 220 graus, lavei e sequei o bicho, besuntei sua pele e entranhas com 50 gramas de manteiga, depois massageei sua pele e cavidade com a mistura de sal, pimenta moída na hora e ervas finas secas (1 colher de chá de cada).

Deitei o frango de ladinho numa forma justa para seu tamanho, tornozelos cruzados e amarados, forneei por 20 minutos, virei o bicho pro outro lado, mais 20 minutos, finalizei com 20 minutos de barriga pra cima (o frango, não eu, já que estava entretida consertando umas coisas no furdunço desse blog). A cada virada, mais uma besuntada com os sucos e manteiga do cozimento.

Já fora do forno, fiz para ele uma cabaninha com papel alumínio e deixei que descansasse por 10 minutos. O resultado foi uma pele dourada, um aroma irresistível e uma carne suculenta, macia, fresca e saborosa.  Não careceu de longas marinadas nem espetos giratórios, o danado se bastou!

Servi a televisão de cachorro para minha companhia mais constante (eu mesma) com um talharim adornado pelo molho que se formou no fundo da forma.