Aviso

Leitora e Leitor Queridos,

Acabo de voltar de férias e, em vez de contar sobre o que vi, comi e bebi, preciso dar um jeito nessas ervas daninhas que cresceram nos porões deste blog e provocaram mensagens de erro e impossibilidade de comentar.

Agradeço a todos que gentilmente me avisaram do problema. Estou aqui, de chapelão, avental, luvas, pás e ancinho, tentando arrancar essas pestes com a ajuda de um que outro amigo mais esperto.

Um beijo e torçam por mim! ;***

Dadivosa

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¡Dadivosa llegó!

Leitores e leitoras queridos, família, amigos, visitantes ocasionais e enrustidos, passei para dar fé de vida. O vôo foi tranquilo, como de costume não preguei o zóio, larguei as malas no hotel e estava batendo perna até há pouco.

Rapidinho:

  • Suas mensagens queridas deixaram meu coração tremelicando feito flan, emocionei-me deveras e preciso contar para vocês que esse carinho todo me deu uma energia danada para começar essa aventura com o pé direito, nem sei como agradecer! ;***
  • Não anotei, tampouco fotografei o almoço, mas logrei lembrar o nome do restaurante: El Septimo. É fofinho, o vinho da casa é bom e a massa era mirradinha, mas gostosa.
  • Que dia esplendoroso para se chegar! Fez uns 11 graus, mais ou menos, o vento estava de folga e o sol da primavera se fez presente.
  • Tomei um enorme filtrado no Juan Valdez, não sabia que estavam por aqui também e matei a saudade do doce café colombiano.
  • Acabei pedindo um filé de merluza com saladinha e batatas no quarto. Meio queimada, meio sem sal, pero comí todo! hahahah
  • Já estou morrendo de saudades mas, desde que sentei no avião, não chorei nem uma vezinha :)
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A novidade é que…

Foto: Carol Grilo

Foto: Carol Grilo

… embarco amanhã para a Espanha, a trabalho, onde ficarei por doze meses. Senhor Dadivoso vai em seguida e deve acumular muitas milhas de ponte aérea.

Foram seis longos meses desde que o primeiro ingrediente foi acrescentado a essa extraordinária e transformadora receita. De minha parte, creio que será uma experiência incrível, com panelas novinhas e ingredientes maravilhosos a desvendar.

Passarei um mês acampada em hotel, até que encontre uma cozinha para inaugurar. Levo o computador e a câmera para tentar registrar minhas aventuras e compartilhá-las aqui com vocês, Leitores e Leitoras tão queridos.

Mais não posso dizer, seja porque não ousaria aborrecê-los com detalhes burocráticos, seja porque meu coração está dividido, apertado e esperançoso, fragilizado pela saudade antecipada e forte, robusto, pleno de otimismo e animação com o que está por vir.

Deixo-lhes meu beijo mais carinhoso e um hasta luego, pois não tardarei em voltar aqui.

;***

P.S.: As etiquetas da foto foram carinhosamente confeccionadas pela querida Carol Grilo e vão ornar minhas malas :)

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Não é Sopa!

Minha coragem foi para o beleléu quando contaram-me em mais detalhes como seria a intervenção. Perseverei, no entanto, concordei em aproveitar a viagem para arrancar o que me restava de juízo e cá estou, viva e recuperando-me até que bem entre compressas de gelo, medicamentos, vitaminas (muitas), sorvetes (pouquíssimos) e sopas frias.

Andei a sonhar com aquela de grão-de-bico e tomates da Fer, será meu retorno às panelas assim que estiver mais disposta.

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Quase nova

Após breve hospitalização ocasionada por alergia a determinado conservante alimentar, preciso de mais um ou dois dias de descanso culinário para voltar a testar e publicar receitas.

Estão na fila para descarregar as fotos:  sopa de abóbora, o tal risoto de arroz preto, creme de palmito para tomar na xícara e uma torta salgada de liquidificador.

Quase nova, corada e sem enjôos, espero regressar em breve.

;***

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Bad Cooking Day

Dizem que a senhora dona-de-casa deve abster-se de fazer determinadas preparações culinárias quando estiver incomodada (naqueles dias, com problemas de moça) sob pena de desandar toda a receita.

De minha parte, nunca consegui comprovar a relação entre o ciclo hormonal feminino e o (in)sucesso na cozinha, mas de tempos em tempos sou acometida por aqueles dias de comida ruim. Vou toda prestimosa e faceira preparar uma coisinha gostosa e o resultado é deveras embaraçoso:uma papa disforme e um bolo estranho.

Papa disforme foi o que virou meu último arroz com lentilha, ou mjadra, a despeito de já tê-la preparado diversas vezes. A lentilha cozinhou demais, tinha muita água, não sei bem explicar o motivo. Mas não vingou, eis a verdade. Isso aconteceu na segunda-feira.

E ontem cheguei com aquela vontade de assar um bolinho. Só assar mesmo, que a disposição não chegava ao ponto de usar a batedeira. Vou compensar o diacho da mjadra pastosa, pensei. Pus-me a seguir com muito afinco uma receita bastante simples de Bolo de Coco de Liquidificador.

Peneirei duas xícaras de farinha de trigo, uma colher de sopa de fermento, uma pitada de sal e reservei. Bati no liquidificador, por exatos quatro minutos conforme pedia a receita: cinco ovos, 150 g de manteiga em temperatura ambiente, 1 vidrinho de 200 ml de leite de coco, 1 1/2 xícara de açúcar.

Mais fácil, impossível! Agora só precisava misturar os secos com os molhados, né?  E foi fácil mesmo, mas a mistura empelotou! Não me deixei abater: passei a massa (que é bem líquida) por uma peneirinha desfazendo os grumos todos, um a um, para depois despejar tudo com amor numa forma de buraco no meio, untada e enfarinhada.

Forno preaquecido, temperatura média por uns 50 minutos. O bolo cresceu feliz, formando uma crosta morena e lustrosa. Ao retirar do forno, encostei o antebraço esquerdo na grade: ‘pssssss’. Normal, pensei. Apenas mais uma pequena cicatriz doméstica. Lembrei-me da chacina do bolo de milho e dessa vez fui ladina: esperei o bolo esfriar um pouco antes de desenformar. Virei num prato e ficou belíssimo, coisa de fotonovela, amiga :)

Dormi com a sensação de plenitude que só um bolo bem feito pode proporcionar.

Iniciarei um belo dia comendo uma fatia do meu bolinho no café-da-manhã, pensei. Fiz até uma foto, orgulhosa que estava da minha obra.

Mas o bolo não prestou! Ficou esquisito de uma maneira que não sei bem explicar. Meio borrachento, apesar de não ter ficado duro. Macio, com furinhos, boa cor, bem-crescido, gosto normal, mas a textura definitivamente não agradou.

Por isso tudo, estimada leitora prendada e estimado leitor dadivoso, venho por meio desta nota eletrônica solicitar conforto e uma luz para o mistério dos cozinhados mal sucedidos. Pois, apesar de não desistir nunca e manter o avental a postos, duas perguntas não me saem da mente:

Teria a dadivosice me abandonado temporariamente?

Ou estaria eu numa seqüência de Bad Cooking Days?

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