Berinjela Defumada com Molho Oriental

Berinjela Defumada com Molho Oriental

Passei uma época com tremendo banzo de quase tudo o que era “gastronômico”. Na internet, na TV e nos cadernos de comida dos jornais daqui, principalmente (esses últimos, ainda não voltaram a me interessar por completo). Estava achando tudo muito repetitivo e pode até ser que um dos motivos daquela sensação fosse nada menos que a quantidade de horas em que me concentrava no tema. Outro poderia bem ser a moda de comida, ou “tendência”, ou marketing/relações públicas/assessoria de imprensa, ou as leis do mercado, ou tão simplesmente aquela preguiça generalizada que transforma uma coisa que você até gostaria em insuportavelmente ubíqua para, em seguida, pegar uma parte dela (geralmente a menos interessante) e repetir-repetir-repetir, e enfeiar e espalhar feito praga de vitrine de shopping com moda da novela em todos os sites, eventos, entrevistas, blogs, prêmios, concursos “ações em redes sociais” revistas, jornais, televisão. E quem consome/lê vira propagador imediato e a coisa parece não ter fim… até chegar a próxima onda, o que não demora muito, começa tudo de novo, ufa, amarguei.

Por perigo de rabugentice crescente, abstive-me de ler o que pude do que estava nessa grande bolha e não posso dizer que passei por um rehab porque o esforco em buscar informação e entretenimento em outros lugares – pois não deixei de me interessar pelo assunto em si, apenas me cansaram o viés e a repetição – não impediu que um pouco disso sempre chegasse a mim de uma forma ou de outra (ou alguém passou incólume pela carestia do tomate, que deu dinheiro e audiência, foi espremida e explorada à exaustão, sempre no rasinho, e fim virou notícia velha e piada ruim?).

Mas o que se diz, escreve, filma, fotografa, publica e emite sobre comida, seja bom ou ruim, me atrai demaisiado para conseguir ficar longe. E me pego grudada vendo reprise do Que Marravilha! Revanche do Claude Troigros e tenho ganas de fazer babaganoush de jiló só para brincar de queimar a casca na chama do fogão. E não tenho jiló, mas tenho berinjelas, fazia tempo que não chamuscava berinjelas no fogo para sentir depois a polpa macia, defumada, doce e amarguinha ao mesmo tempo.

Berinjelas Chamuscadas

Consciente ou inconscientemente, acrescentei ao doce e ao amargo o salgado, o picante, o ácido, o umami e o… por falta de nome melhor… o levemente alcóolico, ou melhor, o destilado do sochu. Fiz um molho que chamei de oriental. Mas berinjela defumada é coisa séria e muito da boa, vai ficar um espetáculo com qualquer caminho que se resolver seguir: italianado, afrancesado, texmexizado, arabizado, ou até mesmo o que estiver na modinha-féxion-gourmezaria da semana. Sem brincadeira nem julgamento. Mesmo!

Berinjela Defumada com Molho Oriental

Ingredientes:

  • 500 g de berinjelas (usei das minis)
  • 1 colher de chá de gengibre fresco ralado
  • 1 dente de alho pequeno esmagado
  • 1 colher de sopa de limão
  • 1 colher de sopa de shoyu
  • 1 colher de chá de mel
  • 1 colher de sopa de sochu (pode substituir por sakê, ou omitir)
  • 1 colher de sopa de óleo de gergelim claro

Como fazer:

  1. Lave e seque as berinjelas, retire a folha com cuidado e deixe os cabinhos. Coloque uma grade sobre a boca do fogão (ajuda bastante), ligue o fogo e deite ali três ou quatro berinjelas mini ou uma grande. Espere a casca queimar de um lado e vá virando até que ela fique completamente preta. 
  2. Embrulhe bem a berinjela em papel alumínio assim que tirá-la do fogo, deixe-a descansar e repita a operação com as restantes, se for o caso. Deixe-as quietas por uma meia hora.
  3. Abra o papel alumínio. A casca, fininha e esfarelenta, sai com facilidade, é só afastá-la da polpa. Faça isso com delicadeza, deixando a berinjela o mais intacta possível. Arrume as berinjelas em um prato de servir e esmague-as delicadamente com o garfo, achatando-as.
  4. Prepare o molho. Em uma tigela pequena, misture o gengibre, o alho, o suco de limão, o shoyu, o mel, o sochu e o óleo de gergelim. Regue as berinjelas com um pouco do molho. Sirva em temperatura ambiente, como petisco ou entrada.
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Patê Feito em Casa

Patê Feito em Casa – Dadivosa

Na casa da mãe uma época foi moda um patê feito em casa delicioso, quase uma terrine, que a gente cortava em fatias, comia com pão no café da tarde, tinha fígado que eu sei, sempre gostei de fígado.

Lembra como era bom, mãe? Nunca mais fiz, tia Vânia que ensinou, acho. Pedi a receita, ela não tinha mais, ia pedir de novo. E agora, como faz para matar a vontade? Faz assim, ó: consulta quatro livros, duas revistas, larga tudo e resolve fazer como deu na telha. E não tem nada a ver com o patê da mãe, mas ficou um espetáculo. Comi com pão feito em casa também, aquele sem sova, receita aqui.

Ingredientes: (rende aproximadamente 400 g)

  • 250 g de fígado de galinha, limpo, livre de qualquer pele, membrana, veia (comprei extra limpo, mas ainda precisei remover umas coisinhas)
  • sal e pimenta-do-reino moída na hora a gosto
  • 1 colher de chá de óleo vegetal neutro (canola, girassol, coco)
  • 125 g de manteiga sem sal em temperatura ambiente
  • 2 colheres de sopa de cebola picada muito miúda
  • 1 dente de alho pequeno, picado miúdo com a faca
  • 50 ml de Pedro Ximénez (se não tiver, pode usar porto, ou conhaque)
  • 2 colheres de sopa de salsinha fresca picada bem miúda (opcional)

Como fazer:

  1. Inspecione o fígado mais uma vez. Sério, faz diferença. Tem umas partes que, se não retiradas, amargam. Se estiver bem limpo, tempere levemente o fígado com sal e pimenta (pouco, vamos acertar o tempero depois).
  2. Em uma frigideira grande, derreta uma colher de sopa de manteiga com o óleo vegetal. Quando estiver bem quente, coloque o fígado para cozinhar muito rapidamente. Três minutos de um lado, dois do outro são o suficiente, eles devem ficar rosados por dentro. Cuidado para não superlotar a frigideira. Se necessário, faça o trabalho em mais vezes. Retire os fígados da frigideira e reserve-os.
  3. Nessa mesma frigideira, em fogo baixo, refogue a cebola, mexendo sempre, até murchar. Acrescente o alho picado, mexa por mais um minuto, junte o vinho e deixe evaporar o álcool. Desligue o fogo.
  4. Em um processador ou liquidificador, bata os fígados com o refogado de cebola até formar uma pasta. Corrija o sal e a pimenta. Deixe esfriar um pouco. Se quiser, é nessa hora que você deve colocar a salsinha.
  5. Quando a mistura estiver em temperatura ambiente, incorpore a manteiga usando um batedor, colher, garfo ou colher de pau até o patê ficar homogêneo. Leve à geladeira no pote que preferir e consuma no dia seguinte, vai estar mais gostoso.
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Abobrinha Marinada

A parte mais difícil da receita foi cortar as abobrinhas sem cortar os dedos na mandoline. Juntei umas ideias daqui e dali e fiquei pensando que poderia ter juntado também uma folha de louro, uns grãos de mostarda… fica para a próxima, ou próximas :)

Ingredientes:

  • 2 abobrinhas
  • 1 colher de sopa rasa de sal
  • 120 ml de azeite de oliva
  • 2 dentes de alho
  • 2 pimentas dedo de moça (ou menos, se preferir)
  • 1 cebola roxa pequena
  • 60 ml de vinagre de arroz
  • + sal a gosto
  • folhas de hortelã para servir

Como fazer:

  1. Lave bem e corte as abobrinhas em fatias de 1 mm, descartando as pontas. Use a mandoline, o processador de alimentos, ou um ralador bem afiado. Se tiver destreza e paciência, pode ser na faca mesmo.
  2. Misture 1 colher de sopa rasa de sal às abobrinhas, envolvendo-as bem. Deite-as num escorredor ou peneira, com um peso em cima, por 30 minutos. Elas vão soltar água.
  3. Enquanto isso, pele os alhos, corte-os ao meio, retire o germe (aquele miolo que começa a brotar) e fatie fininho. Deixe-os mergulhados no azeite, dentro da panela desligada.
  4. Lave bem, corte ao meio e retire as sementes e o cabo das pimentas. Corte-as também em fatias as mais finas que conseguir. Reserve.
  5. Descasque e pique a cebola roxa em fatias finas também. Reserve.
  6. Passados os 30 minutos das abobrinhas, passe-as por água corrente para retirar o sal, escorra-as bem e depois esprema-as delicadamente com as mãos para ajudar a retirar a água.
  7. Ligue o fogo e vigie. Quando o óleo começar a borbulhar ao redor do alho picado, junte as abobrinhas, mexa com cuidado e refogue por 2 minutos, só para aquecer, sem deixar dourar. Desligue o fogo.
  8. Sobre as abobrinhas, junte a cebola, o vinagre, a pimenta e acrescente mais sal, se desejar. Guarde numa vasilha com tampa na geladeira e deixe lá por umas 4 horas. Fica ainda mais gostoso no dia seguinte, ou dois dias depois.
  9. Na hora de servir, salpique hortelã fresca cortada em fatias finas. Fica bom sobre um pão rústico levemente tostado, ou como acompanhamento de um grelhado daqueles de toda vida que a gente faz correndo no meio da semana.

 

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Tomates com Segredo

Vê-se que estão desnudos, escancarados para o mundo, expostos, indefesos e devassáveis, prontos para receber na carne viva os dentes daquele que intentar desvendar seus segredos.

Pode ser que o detetive em questão não chegue a lograr seu intento e necessite de uma, duas, oito provas mais para chegar a uma conclusão. Pode ser que nem chegue, caberá ao Leitor e a Leitora revelar ou não o ingrediente invisível que veste os tomates pelados.

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Pintxo de Tortilla de Arroz

Na falta de batatas, refoguei no azeite uma xícara de arroz já cozido, misturei na cumbuca com três ovos batidos rapidamente com o garfo, juntei sal e pimenta, devolvi a mistura pra frigideira, baixei o fogo, esperei cozinhar quase totalmente, virei no prato, devolvi para a frigideira até dourar o outro lado, cortei em pedacinhos, espetei num pão adornado com uma colherada de molho de tomate com ‘pimentón picante’ e estavam feitos os pintxos de tortilla de arroz que devoramos assistindo TV num dos sempre insuficientes e lindos dias em que ele está aqui comigo e essa casa atinge a categoria de lar-doce-lar.

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Idéia para um Petisco Ligeiro

Com um cortador de biscoitos ou aro, fazem-se bonitas rodelinhas em fatias cruas de uma abóbora bem doce.

À frigideira, chapa quente ou grill chique elas são levadas para tomar uma cor e amaciar a polpa.

Sobre cada uma, flor de sal, pimenta-do-reino e uma fatia de queijo de cabra. Os exemplares da foto foram feitos com o cremoso Chabichou (veja o que foi escrito sobre ele neste post).

Um raminho de endro ou dill arrematam com cor e sabor. O queijo é bastante untuoso, mas se for do desejo do Leitor e da Leitora um fio de azeite pode ser derramado ao final.

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Pasta de Ricota Multiprática

Estava a relutar se deveria ou não publicar o que não chego a considerar uma receita propriamente dita… estaria mais para uma dica doméstica. Além disso, olvidei-me de registrar a feita da última vez e não tenho imagens no momento.

Mas creio que o Leitor e a Leitora hão de entender e aceitar minha promessa de publicar uma foto mais tarde.

Trata-se de uma base muito prática, como o próprio nome diz, que pode ser acrescida do sabor desejado, bastando para isso adicionar os ingredientes e fazer trabalhar mais um pouco nosso amigo liquidificador.

Ingredientes para a pasta básica:

  • 500 g de ricota fresca picada
  • 250 ml de iogurte natural [usei do caseiro, como sempre]
  • pitada de sal

Como fazer:

  1. Levam-se os ingredientes ao liquidificador e bate-se na velocidade que preferir (já fiz no modo pulsar, no 1, no 2, no 3… sempre com bons resultados) até que a mistura fique homogênea. Rende uns 600 ml.

Mil cores e sabores podem ser acrescidos à mistura básica, ou não. Gosto muito dessa pastinha para comer assim, neutra, com uma boa torrada. Mas também me encantam as possibilidades cromáticas, veja só minhas preferidas:

  • Para um lilás apetitoso: acrescente azeitonas pretas e faça mais um “whiiiiiiizzzz” no liquidificador.
  • Para um verde hipotizante: duas colheres de sopa de salsinha e cebolinha em uma xícara da mistura básica e bata por alguns segundos para processar.
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Batatinhas em Conserva


Gosto muito de batatas, especialmente no formato de acepipes. Por isso sou apaixonada por essas batatinhas pequenas, que uns chamam de batata-bolinha, outros de baby-potatoes, outros ainda de new-potatoes.

Dias atrás resolvi “me-auto-lançar-me-a-mim-mesma” o desafio: reproduzir em casa as famosas batatinhas da Dona Marina. Trata-se da vó da prima do meu marido e para esse grau de parentesco eu não consigo criar um nome adequado (ainda). Chamo-a, então, de Vó Marina, pois sou fominha e tenho essa tendência a acreditar que as avós de todo o mundo são um pouco minhas também.

Fui fazendo sem muita medida e vou tentar explicar aqui da melhor forma possível, mas essa é daquelas receitas que não tem medida mesmo, vale o gosto da(o) cozinheira(o).

Ingredientes:

  • batatas pequeninas com casca e tudo
  • vinagre branco
  • cheiro verde (usei só salsinha)
  • alecrim fresco
  • pimenta calabresa (pode ser qualquer uma, ou nenhuma)
  • sal

Como fiz:

  1. Com uma escovinha reservada para esse fim, esfreguei as batatinhas para tirar a terra.
  2. Levei as ditas para uma fervura em água e sal e fiquei atenta para que não cozinhassem demais, pois o processo ainda continuaria depois de retirá-las do fogo. Foi coisa de poucos minutos.
  3. Escorri a água e deitei as batatinhas, ainda fumegantes, numa tigela de vidro com uma mistura de vinagre (foi mais ou menos uma xícara), salsinha, alecrim e pimenta calabresa (bastante). Coloquei um tequinho de nada de sal e cobri a vasilha.
  4. Quando as batatinhas arrefeceram, juntei um pouco de água filtrada à mistura, somente para cobrir tudo. Um pouco mais de sal para corrigir (não muito, porque ainda vai curtir) e geladeira.
  5. Resisti à tentação e comi somente no dia seguinte, quando já estavam mais curtidinhas.

Seria muita pretensão da minha parte achar que ficaram iguais às da Vó Marina, que além das batatinhas faz antepasto de berinjela, massa caseira, pimentão recheado e mais um monte de coisas boas, mas ficaram bem gostosas!

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Pão de Queijo* (para iniciantes e não-iniciados)

Ingredientes:

  • 3 xícaras de polvilho doce
  • 1 xícara de leite
  • 1 xícara de óleo
  • 1 xícara de queijo ralado
  • 1 colher (chá) de sal
  • 3 ovos

Como fazer:
Bater todos os ingredientes no liquidificador e colocar em um tabuleiro grande untado com um pouquinho de óleo.
Deixar assar até que a massa cresça e fique sequinha.
Obs.: caso queira, pode colocar a massa em forminhas pequenas (de empada) untadas com óleo.

*A receita, mineira, me foi passada pela Krisla e chamava-se originalmente “Biscoito Fofão”.

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