Tomates Assados de Microondas

O retorno ao lar ainda não se deu por completo, devo informar ao Leitor e à Leitora. Inúmeros são os motivos para o adiamento da confecção do bolinho inaugural, alguns compreensíveis, outros não. Todos enfadonhos e irrelevantes por agora, entretanto.

Algo mais imediato, espontâneo e despreocupado pode ajudar nos momentos desidiosos que sucedem o desfazer das malas. É o caso de meus tomates,  que no lugar de serem coroados ao forno com um manto provençal de pão ralado, alhos e cheiros verdes, foram levados sem cerimônia ao forno de microondas.

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Meu Pequeno Almoço

Bastante já discorri sobre a banana, que para mim é o amor que dá em penca.

Hoje cuidei de me preparar uma banana diferente que resultou numa daquelas comidas de deixar a barriga quentinha. Foi meu café-da-manhã.

O doce da fruta me basta, motivo pelo qual não usei nenhum tipo de edulcorante no preparo. O Leitor e a Leitora podem adicionar açúcar a gosto. Se preferir mel, dispense a canela.

Banana para o pequeno almoço

  • 1 banana-prata grande
  • 1 colher de sopa de aveia em flocos (use mais ou menos, se preferir)
  • canela para polvilhar
  • açúcar (opcional, prefiro sem)

Como fazer:

  1. Descasque a banana, deite-a num prato de sobremesa e leve-a ao microondas por um minuto.
  2. Com o garfo achate um pouco a banana, polvilhe canela e a aveia.
  3. Coma com cuidado, pois estará bem quente.
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Arroz Integral no Microondas

O primeiro microondas que vi na vida foi na casa da Dona Gerda (aquela das canecas da Unicef). Ele tinha o acabemento em madeira, era grande e a programação era feita por um botão de girar, como um dial.

Dona Gerda fazia muitas coisas deliciosas naquele eletrodoméstico. Aliás, tudo o que ela cozinhava era muito gostoso.

Ela, também, era uma mulher-moderna-à-moda-antiga. Tinha os utensílios mais recentes, geralmente vindos da Alemanha, mas não dispensava a panela de pedra-sabão para fazer seu arrozinho branco. Prática e pouco dada a desperdícios, Dona Gerda vez em quando aparecia com alguma novidade culinária confeccionada em seu microondas com cara de rádio antigo.

Mas eu sempre preferi o fogão, mesmo. Microondas, em meus domínios, estava restrito às tarefas de descongelar, requentar, derreter.

Ontem, no intuito de quebrar mais um tabu culinário, cozinhei meu primeiro arroz de microondas. Seguindo as orientações da Andréa, que por sua vez me descreveu o processo utilizado por sua mãe. Funcionou, foi muito simples e ficou gostoso.

Ingredientes:

  • 1 xícara de arroz integral já lavado
  • 3 xícaras de água
  • sal o quanto baste (não usei, pois queria comer com gersal depois)
  • 1 tigela redonda refratária com capacidade para umas 5 xícaras

Como fazer:

  1. Despeje o arroz, a água e o sal na tigela. Programe o microondas por 15 minutos em potência alta. Não precisa cobrir.
  2. Findo esse tempo, mexa o arroz com uma colher e deixe cozinhar por mais cinco minutos. Fiz isso mais umas duas ou três vezes, sempre verificando o cozimento. Se preferir (ou se o arroz estiver já quase sequinho), vá de dois em dois minutos.
  3. Deixei descansar uns dez minutos, depois afofei o arroz com o garfo.

Minha irmã Babi encontrou, no final do ano passado, um caderno de receitas só com comidas de microondas. Ele deve datar do final dos anos 80. Não sei o que me deu para copiar um caderno inteiro de uma só vez (a letra está muito uniforme, a tinta da caneta é a mesma), sendo que não consigo me lembrar de ter feito nenhuma daquelas receitas. Vai ver ainda não tínhamos o utensílio em casa. Agora, com essa pequena restrição de combustível encanado, o tal caderno bem pode me ser útil.

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É Batata!

A expressão “ser batata” significa não falhar, não deixar de ocorrer. Nos contos de Nelson Rodrigues poderia indicar a capitulação de uma pequena difícil, a suspeita de uma traição de longa data, um palpite para o jogo do bicho, ou a parte final de algum aforismo de botequim.

Lembrei-me dessa frase durante a mudança – aqui pouparei o Leitor e a Leitora dos detalhes enfadonhos. Descobri,  no sábado, que passaria o feriado sem gás encanado, portanto sem poder instalar o fogão e sem banho quente. Minha Dadivosa em chamas, doida para bater um bolinho, já começava a dar sinais de abstinência. Saladas, carpaccios, sanduíches e outras coisas práticas não deram conta nem de uma fração ínfima de meus ímpetos de cozinhar.

Fazer bolinho no microondas também estava fora de cogitação, pois as formas de silicone que lá dentro podem ser usadas estavam naquela caixa imensa sobre a qual o carregador singelamente escreveu “tapoé”.

Tampouco me apetecia fazer algo elaborado ou que exigisse muitos ingredientes, dada a circunstancial frugalidade da despensa e a canseira monstra em que me encontrava. É batata!, pensei.

E batata foi, meus queridos!

Batatas Assadas de Microondas

Ingredientes: (para dois)

  • 2 batatas lavadas bem grandes
  • papel toalha
  • azeite o quanto baste
  • queijo cottage o quanto baste (usei uns 400 g)
  • cebolinha verde fininha (ciboulette)
  • sal e pimenta-do-reino a gosto

Como fazer

  1. Lave e seque as batatas. Faça furos por toda a superfíciecom a ponta do garfo.
  2. Dobre dois pedaços de papel toalha (ou guardanapo de papel) em quatro e posicione-os em lados opostos no prato do microondas. Deite ali suas batatas.
  3. Ligue o aparelho por dois minutos em potência alta. Com uma luva, faça uma rotação nas batatas, de forma que o lado que estava virado para o centro do prato fique para o lado de fora. Ligue-o por mais dois minutos.
  4. Novamente com a luva, vire as batatas para que a parte de baixo fique para cima. Mais dois minutos de cozimento.
  5. Espete as batatas com o garfo. Se não estiverem macias (as minhas não estavam), vá testando de dois em dois minutinhos (sempre virando nos intervalos). Confesso que trapaceei nessa parte e mandei três minutos de uma vez. Funcionou.
  6. Faça um corte em formato de cruz e abra um pouco as batatas. Cuidado com o vapor! Polvilhe sal e pimenta, regue com azeite, amasse um pouco o miolo com o garfo, coloque o queijo, a cebolinha e sirva.

As batatas assadas no microondas, que a partir de hoje chamarei simplesmente de Nelson Rodrigues, não falham. Ficam tão gostosas quanto as de forno e cozinham em bem menos tempo.

O recheio pode variar de acordo com a criatividade, o bolso, a disposição, o tempo e o apetite do cozinheiro. Para um melhor resultado, adicione uma boa dose de vida como ela é.

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