Já faz um tempinho que acompanho uma lista de seis “regras de etiqueta” que vem circulando pelos blogs de moças e jovens senhoras prendadas mundo afora. Foram a Valentina, dona do Trembom, e a Gorete do Feito em Casa que me convocaram a participar também. Depois de ler tantas listas com as quais concordo, fui acometida por duas sensações: a primeira é a de ter várias “irmãs-gêmeas” e a segunda foi a de não ter o que acrescentar acerca dos bons modos à mesa.
Então tive a vontade de falar também sobre algumas coisas que vão além da etiqueta, coisas que costumo fazer antes de levar o alimento à mesa, idiossincrasias. Será que serve? Pelo sim, pelo não, vou misturar as coisas e contar que:
- Atender o celular durante a refeição, seja em casa ou no restaurante, soa para mim como um tremendo desrespeito. Sei que vivemos na era da informação, no mundo conectado 24X7, que o celular é a coleira eletrônica das corporações etc. etc. Mas não consigo entender que um ser humano não se dê o direito de comer sem ser interrompido pelo telefone. Seu ou dos outros.
- Se todo mundo vivesse como eu, seriam necessários dois planetas e meio para dar conta do recado. Descobri isso neste teste. Pelo visto, morar numa metrópole, viver em apartamento, depender de supermercado e não cultivar o próprio alimento foram alguns dos fatores que depuseram contra minha ecoeficiência. Mas tento fazer a minha parte, separando o lixo de casa (principalmente o da cozinha), evitando desperdícios, andando a pé sempre que possível, utilizando eletrodomésticos ecoeficientes, comprando alimentos orgânicos e evitando consumir qualquer coisa de empresas que utilizem mão-de-obra escrava ou infantil, que firam os direitos humanos ou que sejam inimigas do meio-ambiente. Lavo e seco todas as embalagens recicláveis, que depois são amassadas e colocadas em caixas separadas para tetrapack e alumínio, papel, vidro e plásticos.
- Gosto muito de comer à mesa, mas também tenho meus dias de café-na-cama vendo televisão. Numa bem-arrumada bandeja, que fique claro!
- Mais do que ser vítima do atraso de convidados, tenho pavor de me atrasar para algum compromisso ou visitinha. Sou capaz de chegar mais cedo e esperar para dizer que cheguei! Caso me atrase por algum motivo (já aconteceu, malgrado todas as precauções), sempre dou um jeito de avisar antes.
- Tenho um primo que sempre conta, às gargalhadas, que a mãe só nos considerava “gente” depois que fazíamos quinze anos. Antes que pensem que ela é uma jararaca desalmada, deixem-me defendê-la: quando o número de convidados ultrapassava os lugares à mesa, crianças geralmente eram acomodadas numa mesa à parte, a “mesa dos inocentes”. E geralmente eram servidas antes. Assim, os tios, tias, vôs e vós podiam desfrutar a refeição com relativo sossego e bem acomodados. E nós aprendemos a ceder o lugar para os mais velhos.
- Televisão ligada (a não ser no caso do item 3) não orna. Uma musiquinha cai bem, mas notícias, novelas e filmes de explodir me causam indigestão.
Sei que trapaceei um tantinho e fugi um pouco do tema, mas deixo aqui o convite a todos que quiserem falar sobre suas seis regrinhas de etiqueta. Se quiser dar uma espiada nos manuais de boa conduta de outras leitoras e leitores cozinheiros, visitem os links da barra ao lado.
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