Improviso de uma segunda-feira véspera de estreia de Brasil na Copa, a cebola roxa e a abóbora do fundo da gaveta foram tostadas ao forno e, reformadas e revigoradas, pedem umas folhas verdes, uma massa rápida, um pedaço de queijo, um risoto básico ou apenas uma salsinha como testemunha dessa belezura. Coisa de meia hora de labor (se tanto!), espia:
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Gnocchi
Escarafunchei meus arquivos de fotos dos últimos meses e não houve maneira de salvar uma que prestasse desses nhoques tão gostosos. De modos que o Leitor e a Leitora querida deverão utilizar de alguma imaginação para visualizar esses bocados macios, verdadeiros travesseirinhos de batata que, complacentes, suportam quase qualquer estrepolia como acompanhamento: manteiga, molhos de queijo, de tomates, tipo pesto, com carne…
Ravióli Recheado de Espinafre e Ricota

Na foto dá pra ver que tem ravióli de tudo que é tamanho, quantidade de recheio, formato e acabamento. É porque foram feitos a dezoito mãos, mãozinhas e manzorras, no primeiro dia do curso que inventei de fazer no meu restinho de férias (preparem-se, tem muita receita vindo por aí).
Ao contemplar a cena, Alberto, o professor, abriu um sorrisão e disse que isso era comida de verdade, que a irregularidade fazia parte do charme da coisa e que o mais importante era que a massa tivesse a mesma espessura em todos eles (isso sim, tinha). E foi esse o clima do primeiro, do segundo e do terceiro dia do curso. Gente de verdade fazendo comida de verdade e se divertindo a cada virada de vinho na mesa (adivinha quem foi? ), transbordamento de creme fervendo (essa não fui eu), truques, dicas, descobertas e aventais-sapatos-caras-mangas-olhos sujos de trigo.
A culpa é do Né!

Foi o tio por parte de marido que provocou a cisma ao comentar sobre um molho de calabresa que todos comeram, repetiram, se lambuzaram e apelaram ao pãozinho francês quando a massa acabou. A despeito dos protestos da esposa (que cozinha uma barbaridade e esteve ali ao lado o tempo todo para garantir que nada viesse a desandar), bateu o pé e atribuiu ao seu preciso corte da linguiça e à sua perfeita mescla de temperos o sucesso da empreitada. Era dele, portanto, o mérito do jantar e não se falava mais nisso.
De fato, ninguém mais questionou, novos assuntos e risadas surgiram à mesa, o sorvete foi servido, os olhinhos começaram a pescar, um bocejo aqui outro ali denunciaram a hora da soneca e o domingo seguiu tranquilo. Tranquilo para quase todos, exceto para mim, que não parava de pensar no tal molho. E sonhei com ele na soneca, e sonhei com ele mais tarde, e não sosseguei até fazer o dito-cujo, logo eu, que nem sou muito fã de calabresa. Pois ficou foi um espetáculo, comi, repeti, só não apelei para o pão porque não tinha em casa, arruinei qualquer intenção de começar a semana na sopinha e a culpa é toda do Né
Ingredientes (para dois)
- 1 colher de sopa de azeite
- cerca de 1 xícara de chá de linguiça calabresa (portuguesa também fica boa) em fatias finas
- 1/2 cebola cortada em tiras beeeeem fininhas
- 1 colher de sopa rasa de açúcar
- 1/2 xícara de chá de vinho tinto
- 1 lata de tomate pelado
- pitadinha (inha mesmo) de nada de ervas secas: manjericão, salsinha e orégano (erva-doce também deve ornar)
- sal só se precisar (pra mim não careceu)
Como fazer
- Leve a linguiça para fritar rapidamente no azeite até dourar. Junte a cebola, deixe murchar um pouco, adicione o açúcar e mexa até a cebola dourar.
- Adicione o vinho e deixe evaporar um pouco, raspando bem aquele fundo grudadinho.
- Junte os tomates pelados, quebrandos-o um pouco com a colher de pau.
- Tempere levemente com as ervas e deixe apurar. Se necessário for, junte um bocadinho de água.
- Sirva com talharim al dente ou polenta, acompanhe com umas folhas de rúcula se gostar e, sem a menor culpa, mande às favas qualquer idéia de começar a semana na salada e na sopinha.
Para variar o macarrão de sempre…
Voltei com Bucatini ao Molho de Anchovas e Farelo de Pão Tostado com Endro

Após ser prometida para o superbacana evento de um ano do Cuecas na Cozinha, quase perder-se na câmera desenganada, bater à porta por semanas inteiras sem lograr minha atenção e minguar num computador morto-vivo, finalmente vem à baila a receita -capa da Revista Gourmet que me fez até aceitar a idéia de cozinhar com – e comer! -anchovas.
De tudo o mais gostoso é a cobertura de pão ralado. No site Epicurious, os garfinhos se dividem entre os que veneram e os que abominam a receita. De minha parte, até repetiria a feita, com mais anchovas, talvez, menos cebolas, quem sabe, e um bocadinho mais de tempo livre ao redor para refletir e escrever com calma. Ao Alessander, deixo meu sincero pedido de desculpas pelo furo. Ao Leitor e à Leitora queridos, aí vai a receita da revista com um caloroso “estou voltando”
Orzo Rosado ou Risoni Rosé

Orzo (ou Risoni) é um macarrão em formato de arroz. O delicioso casamento desses dois carboidratos reconfortantes se comporta muito bem nas invencionices culinárias de última hora, como é o caso desta receita:
Conchiglioni com Ricota

Ssshhhhh… com a barriga quentinha e a esperar a hora certa de ir ao forno, as conchas de massa recheadas parecem dormir recostadas umas nas outras, um tanto exaustas pela função de sair da caixa, cair n’água pelando, rebolar no escorredor e assustar-se com a água fria antes de receber o recheio para poder pousar num lençol de azeite.
Em minha primeira incursão nesse tipo de massa, inspirada pela receita do Rainhas, fiz questão de medir e anotar as quantidades que intentei acrescentar a olho para poder dividir com o Leitor e a Leitora queridos caso a receita vingasse. Ei-la, pois!
Talharim Caseiro na Manteiga com Sálvia

Gosto muito de sálvia e acho que pouco mais é preciso para formar uma refeição saborosa e reconfortante. O próprio título já entrega a receita, mas decidi detalhar um tanto mais os ingredientes e preparo a seguir…
Como fazer macarrão caseiro
Sem delongas, vou contar ao Leitor e à Leitora queridos a receita para massas caseiras, com fotos pouco legíveis e um tanto envoltas em nuvens de fumaça mas ao mesmo tempo razoavelmente didáticas.
