Procura-se Picadora

Desde o episódio do gelado de banana venho matutando acerca de qual modelo de processador de alimentos adquirir.

Não gosto desse nome. Processador de Alimentos… um robô sobrancelhudo que sofre de ageusia (aquela doença que provoca a perda do paladar) e cujo único prazer é levar à corte suprema as comidas mais inocentes. Seus alvos preferidos são o Tomate Pelado e a Manga Lasciva. Gosta de acusá-los de atentado ao pudor…

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Sopinha de Feijão

Tenho a impressão de que quase tudo o que provei pode ser considerado comida de memória. Junto com os cheiros, os sons e os sentimentos, o gosto das coisas também imprime marcas na lembrança das pessoas. Podem ser líricas ou tétricas, felizes ou taciturnas, saborosas ou repugnantes, mas lá estão se você souber procurar com o interesse afiado e o coração descerrado.

Por conta do estado de superlotação culinário-afetiva em que se encontra meu sótão, tive imensa dificuldade em escolher uma receita que estivesse à altura do evento de Comida de Memória, tão gentilmente organizado pela Valentina.

Decidi falar daquilo que, para mim, é o melhor tipo de reaproveitamento culinário, vencendo até o atualmente tão incensado (e delicioso) bolinho de arroz: a sopinha de feijão.

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Bolo de Cenoura com Gengibre Superfácil

Bolo de Cenoura com Gengibre

Ao chegar da labuta, tive uma saudade de bolo de cenoura amareliiiiinho-amarelinho com cobertura de chocolate. Todo meu cansaço sumiu como que por encanto quando resolvi me divertir com essa receita simples e tão saborosa.

Ao longo do processo, no entanto, minha Dadivosa empolgou-se sobremaneira, modificando os ingredientes aqui e ali, até que a tradicional mistura de cenoura cozida, óleo, ovos, trigo, açúcar e fermento virou uma outra coisa bem diferente.

Diferente, sim, mas não menos interessante. Espia só:

Ingredientes:

  • 4 cenouras médias descascadas e picadas
  • 1/4 xícara de óleo (era uma xícara, mas como estava no fim completei com leite e ficou bom. Se preferir, use só o óleo e suprima o leite)
  • 3/4 xícara de leite
  • 4 ovos
  • 1/2 colher de sopa de gengibre fresco ralado (sem a casca)
  • 1 xícara de farinha integral
  • 2 xícaras de farinha de trigo (eram três na receita original, mas como quis dar um toque integral, usei só duas)
  • 2 xícaras de açúcar
  • 1 colher de sopa de fermento em pó

Como Fazer:

  1. Ligue o forno para preaquecer.
  2. Leve as cenouras para cozinhar somente com água numa panelinha. Enquanto isso, prepare os outros ingredientes.
  3. Unte uma forma com margarina.
  4. Numa vasilha de bater bolinho, misture todos os ingredientes secos.
  5. No copo do liquidificador, quebre os ovos e despeje o leite, o óleo e o gengibre.
  6. Quando as cenouras estiverem cozidas, escorra-as e passe-as algumas vezes por água fria somente para arrefecer, pois a senhora e o senhor não querem transformar a mistura do bolo numa omelete, não é mesmo?
  7. A cenoura vai para dentro do copo do liquidificador também. Bata a mistura até que fique homogênea.
  8. Colher de pau em punho, vá despejando esse belíssimo líquido naquela vasilha de bater bolinho que já contém todos os secos. Eu faço assim: jogo um pouco do líquido no meio, mexo com a colher em movimentos circulares para incorporar um pouco das farinhas, jogo mais líquido, mexo um tanto mais e assim por diante até ficar lisinho.
  9. Despeje a massa na forma untada e leve ao forno médio. Estará pronto quando, ao enfiar um palito no centro da massa, ele saia limpo. Como minha forma não era tão grande, o excedente da massa foi parar em forminhas de empada. Atenção, pois esses mini-bolos assam bem mais rápido.
  10. Confesso que trepidei com relação à cobertura. Fazer ou não fazer? Para tirar a dúvida, comi um mini-bolo à guisa de teste-piloto. Concluí que não precisava de mais nada. Uma raspinha de laranja, se tivesse em casa, teria sido bem-vinda. Mas precisar, não precisava mesmo.

Da próxima vez, acrescentarei sumo de laranja à massa no lugar do leite e pretendo ousar um pouco mais, incluindo umas especiarias e trocando o açúcar por mel. Por hora, aplacou o desejo e a saudade, foi bem aceito na casa e minha Dadivosa está realizada com sua invencionice.

P.S.: Na foto ele parece meio esverdeado, mas é por conta do reflexo do prato e da pressa em registrar o momento antes que o bolinho se acabasse. Ao vivo ficou bem amarelinho-amarelinho :)

Bolo Rubi


Tomei conhecimento deste bolo de coloração ímpar num livreto editado pelo Senac com receitas saudáveis e muito baratas utilizando ingredientes de fácil obtenção para qualquer família brasileira.

O nome original não era assim tão pomposo e tive receio de que o título pudesse espantar aqueles leitores mais gastronomicamente ortodoxos, de forma que o batizei carinhosamente de Bolo Rubi, alcunha bastante mais meiga e aprazível.

Apesar de ter ido às compras exclusivamente para confeccioná-lo, olvidei-me de trazer laranjas, o que me obrigou a modificar um pouco a receita, como poderão ver nas observações. O resultado final não foi prejudicado, mas recomendo que você faça com a quantidade solicitada de suco (um copo) espremido na hora.

Sem mais delongas, deixo aqui minha própria versão da receita:

Ingredientes:

  • 1 copo (250ml) de suco de laranja [como só tinha uma laranja em casa, espremi a dita e arranjei-me completando o copo com água]
  • 4 xícaras de beterrabas picadas [orgânicas de preferência, bem lavadas, sem caules nem raízes, mas pode ser com um pouco da casca que faz bem]
  • 3 ovos [claras e gemas separadas]
  • 2 xícaras de açúcar  [achei muita coisa e cortei para uma]
  • ¾ xícara de óleo
  • 3 xícaras de farinha de trigo
  • 1 colher de sopa de fermento

[Opcional: calda de chocolate multiprática para cobertura ou açúcar de confeiteiro para polvilhar ou a cobertura que você preferir]

Como fazer:

  1. Ligue o forno na temperatura média para preaquecer.
  2. Unte a(s) forma(s) com margarina e polvilhe-a(s) com farinha de trigo.
  3. Coloque no copo do liquidificador o suco de laranja e as beterrabas. Bata bem até virar uma pasta. Na receita dizia que viraria um suco, mas acho improvável dada a quantidade da raiz tuberosa em comparação com o líquido. Reserve a papinha no copo do aparelho mesmo.
  4. Numa tigela grande, bata as gemas com o açúcar. A mistura formará uma espécie de gemada um pouco dura. Deite ali o óleo e bata com a colher de pau até ficar bem homogêneo, um pouco mais claro e fofo.
  5. A esse preparado amarelinho, vá deitando aos poucos a mistura de beterraba e misturando com a colher de pau. Pare um pouco e contemple: a cor não é espetacular? Não faça como eu! Mexa com cuidado e sem fazer muita balbúrdia para não respingar a massa rubra na roupa, no chão, nos olhos da cã companheira que assisita a tudo atentamente…
  6. Agora coloque a farinha aos poucos, sempre misturando com delicadeza até incorporar bem.
  7. Numa tigela menor, bata as claras em neve. Como na maioria das vezes sou uma jovem senhora à moda antiga, preferi fazer isso com um batedor de arame, ou fouet.
  8. Dotada de minúcia e paciência, coloque as claras na massa e vá mexendo de baixo para cima até misturar bem. Acrescente o fermento, misture e deite na(s) forma(s).
  9. Neste momento você notará que a quantidade de massa poderia bem servir para dois bolos de tamanho médio para grande. Aliás, da próxima vez devo fazer somente a metade da receita, pois a iguaria rendeu tanto que pude preencher seis forminhas de muffins mais uma forma de aro (daquelas com buraco no meio, de fazer pudim de leite).
  10. Leve ao forno, que já está preaquecido na temperatura média. Estarão prontos quando, ao enfiar um palito no meio, este saia limpo. Os muffins levaram exatos 40 minutos. O bolo grande levou uma hora.
  11. Espere esfriar um pouquinho, desenforme e aplique a cobertura que mais lhe aprouver. Pincelei uma finíssima camada de geléia de framboesas e polvilhei com açúcar de confeiteiro.

Estou aqui com a mente dadivosa a fervilhar com idéias de novas coberturas, mas vou deixar a estimada leitora decidir com o quê este bolinho sabe melhor ;)

Marronzinho Ligeiro (ou Brownie de Liquidificador)


Nada lisonjeia mais um(a) cozinheiro(a) do que a solicitação, por parte de um ente querido, de confeccionar determinada especialidade. Na semana passada, após um delicioso almoço em família, meu primo “por parte de esposo”, perguntou, com a queridice que lhe é tão natural:
- Quando é que você vai trazer de novo aquele brownie com calda, hein?
Ao que eu, repleta de contentamento, respondi:
- Semana que vem, sem falta!

Promessa feita, promessa paga. E como não poderia deixar de ser, divido com vocês a receitinha.

É de bom alvitre informar, no entanto, que não se trata de uma receita de brownie tradicional, pois não vai chocolate em barra, por isso batizei o preparado com o nome carinhoso de Marronzinho Ligeiro.

Ingredientes:

  • 4 ovos
  • 1 ½ x. de açúcar
  • 1 colh. (chá) de essência de baunilha (opcional)
  • ¼ x. de água
  • 150 g de manteiga
  • ½ x. de farinha de trigo
  • ¾ x. de chocolate em pó (uso aquele dos padres, sabe?)
  • 1 xícara de nozes picadas (para misturar no final)

Como fazer:

  1. Ligue o forno para preaquecer.
  2. Unte uma forma de 18 cm X 24 cm com manteiga.
  3. Reserve as nozes para misturar à massa depois. Você pode usá-las picadinhas ou inteiras, vai do gosto do freguês. Neste aí da foto, preferi arrumá-las delicadamente, às metades, sobre a massa antes de assar.
  4. Vá colocando no liquidificador os ingredientes na ordem indicada (primeiro os ovos, depois o açúcar…), com exceção das nozes. Ligue e bata até ficar homogêneo. Se quiser, pode usar um mixer mesmo.
  5. Misture as nozes à massa (ou não!), deite a mistura sobre a forma untada e leve ao forno moderado para baixo. A receita não leva fermento, não se trata de erro ao copiar a receita, que fique claro.
  6. Estará pronto quando, ao enfiar um palito no centro da massa, ele sair limpinho. Ele vai crescer um pouco e depois vai abaixar. Não se assuste, é normal que ele encolha um pouco ao sair do forno, chegando mesmo a se desgrudar das laterais da forma.
  7. Agora é só regar com a…

Calda de Chocolate Multiprática!

Ingredientes:
(para 1 xícara de calda)

  • ¼ x. de manteiga
  • ¼ x. de leite
  • ¼ x. de chocolate em pó
  • ¼ x. de açúcar

Como fazer:
Leve tudo ao fogo baixo, mexendo com a colher de pau. Fique de olho para a mistura não subir demais ao ferver e verifique a consistência com a colher. Quando engrossar, estará pronto. Fica deliciosa com sorvete, sobre o bolo de cenoura, na nega maluca, com crepes…
Se desejar, pode aumentar a receita da calda, bastando para isso manter a mesma proporção entre os ingredientes.

É preciso relatar que logrei meu intento de presentear a todos com uma sobremesa gostosa. A iguaria foi acompanhada de um sorvete de creme e todo mundo mandou a brasa!

;***

Uma dica rápida


Quando usar seu liquidificador para preparar massas e bolos, lembre-se sempre de despejar primeiro todos os líquidos da receita, para só depois deitar os ingredientes secos no copo.
Ao adotar esse procedimento simples você evita que a massa embole nas pás e também mantém o corte das lâminas.

Pão de Liquidificador

Tenho assim uma espécie de paúra de fazer pão. Falta-me a paciência de ficar sovando a massa, acho. Ou a disciplina de seguir com cuidado as proporções das receitas.
Com isso, de cada cinco tentativas, apenas uma vinga e pode ser digna de continuar na cozinha após sair do forno.
Mas a receita que compartilho com vocês, amigas leitoras prendadas e amigos leitores dadivosos, é totalmente à prova de desastres culinários. A massa cresce linda e feliz e tudo o que você precisa fazer é cuidar do forno.

Ingredientes:
1 x cha de óleo
1 x chá de açúcar
3 ovos
1 colher de chá de sal
1 litro de água morna
30g de fermento biológico fresco
1 kg de farinha de trigo

Como fazer:

  1. Bater tudo no liquidificador (precisa ser em duas vezes, senão não cabe).
  2. Despejar em fôrma grande de pão, untada com óleo, cobrir com plástico-filme e com um pano de prato.
  3. Esperar crescer por mais ou menos 20 minutos e levar ao forno preaquecido em temperatura média para baixa até dourar.

Dessa vez fui prudente, esperei o pão esfriar para tirá-lo da forma e deu tudo certo. Fiz apenas metade da receita, que rendeu um pão bem grande.

Não sei se alguém quer saber, mas vou contar como fiz para medir a metade de 3 ovos. Quebrei-os um a um, para certificar-me de que estavam bons, e despejei numa jarrinha medidora. Mexi ligeiramente com o garfo, só para misturar a clara e a gema, marquei a medida que alcançaram e despejei a metade no liquidificador :)

.*. Atualização .*.

Tinha esquecido de contar que essa receita foi retirada de um livretinho de banca de jornal, com 16 páginas, em formato A5, que custou R$ 0,99!

O título é Receitas com Pão de Forma, da coleção Puro Sabor, Editora Alto Astral. Na contracapa tem essa receita mágica para a senhora dona de casa preparar seu próprio pão.