Bolo de Coco de Liquidificador

Frida late fininho e mexe a pata traseira, sonha o sono dos cães felizes e rompe, querida, o silêncio da casa nesse comecinho de sexta-feira. Sem saber, me faz companhia numa leve e inofensiva insônia produtiva que me leva a, finalmente, começar a desencalacrar fotos e receitas cometidas nas últimas semanas: comidas das mais bobinhas, mas nem por isso menos gostosas, como o ensopado de inspiração toscana, o molho de mostarda pra salada, o purê de batata doce, a torta salgada de restinhos, as inúmeras saladas verdes e coloridas e um único e surpreendentemente molhadinho bolo de liquidificador, receita que devo ter copiado de alguma revista por volta dos 15 anos.

Ingredientes:

  • 2 xícaras de farinha de trigo
  • 1 colher de sopa de fermento em pó
  • 1 pitada de sal
  • 5 ovos
  • 150g de manteiga em temperatura ambiente
  • 1 1/2 xícara de açúcar
  • 200 ml de leite de coco
  • manteiga para untar a forma
  • açúcar de confeiteiro para polvilhar

Como fazer:

  1. Unte uma forma redonda com buraco no meio, de 22 cm de diâmetro (usei uma forma de pão e duas formas de mini-pudim, como essa aí da foto).
  2. Ligue o forno a 180 graus para preaquecer (temperatura média).
  3. Numa tigela grande, peneire a farinha, o trigo e o sal, misture e reserve.
  4. No liquidificador, coloque os ovos, o açúcar, a manteiga e o leite de coco e bata até a mistura ficar bem fofa (uns 4 minutos).
  5. Despeje o creme batido na tigela com os ingredientes secos, misture só para incorporar tudo e deite a massa na forma untada.
  6. Leve ao forno e asse por 35 minutos, ou até o bolo ficar levemente dourado.
  7. Tire do forno, deixe amornar, desenforme, deixe esfriar e polvilhe açúcar de confeiteiro na hora de servir.
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Manteiga de Castanha do Pará

Gosto muito quando um restaurante me inspira a cozinhar, gosto mais quando a ideia é de simples execução e gosto mais ainda quando consigo acertar a mão.

Essa manteiga é jogo rápido, fica uma delícia sobre pão recém-feito ou tostado e tem sido minha companheira no café da manhã. “Aprendi” no Lá da Venda, mistura de restaurante e mercearia de antigamente, coisa bem querida.

Ingredientes: (rende 1 xícara, aproximadamente)

  • 1/2 xícara de castanha do pará picada
  • 1/2 xícara de manteiga com sal em temperatura ambiente (consistência de pomada)

Como fazer:

  1. Num miniprocessador (ou, se não tiver, no liquidificador mesmo), bata a castanha. Primeiro ela formará uma farofinha fina e, de repente, começará a formar uma pasta. É nessa hora que você pode desligar o equipamento, se preferir que sua manteiga tenha mais textura. Se quiser bater um pouco mai, não tem problema.
  2. Misture a manteiga com sal, da boa, nessa pasta de castanha. Sirva como preferir.

As proporções eu fui fazendo a olho mesmo, dá para brincar com a textura e o tipo de castanha, adicionando mais ou menos manteiga de acordo com o gosto do freguês.

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Sopa de Espinafre

Eu leio livros de comida antes de dormir. E por livro de comida entenda-se desde o manual da batedeira nova que ensina a fazer pães e massas e bolos básicos, até as relíquias hedadas das vós, passando por toda sorte de relatos e estudos gastronômicos, impressos em papéis de variadas gramaturas, com capas duras, moles ou perdidas no tempo, nacionais e gringos, biográficos que fazem chorar, burocráticos que ensinam técnicas, com fotos lindas, medonhas ou inexistentes, receitas, receitas, receitas de tudo o que é credo e cor.

Vai daí que ontem tinha em mãos o “Vegie Food  - from vegies on the side to the main event”, repleto de receitas simples e honestas com vegetais e fotos lindas igualmente simples e honestas e acordei precisada duma sopa verdolenga. À noite, logo após fazer festinha com a Frida, largar mochila, bolsa, casaco e cachecol, abri a página 126 só para me certificar se a batata era mesmo ralada como lembrava, reduzi e adaptei minimamente os ingredientes e satisfiz o pedido da lombriga leitora com uma sopa/creme de espinafre.

Ingredientes: (para 1)

  • 1 colher de sopa de manteiga
  • 1/4 de xícara de cebola picadinha
  • 1 batata descascada e ralada
  • 1 xícara de folhas de espinafre (apertadas na xícara)
  • 1/2 xícara de talo de espinafre picado
  • 2 xícaras de água ou caldo caseiro de legumes (industrializado é forte demais pra essa sopa delicada)
  • sal e noz-moscada a gosto
  • colherada de coalhada seca (ou creme de leite fresco) para servir

Como fazer:

  1. Derreta a manteiga numa panela (se possível, de fundo grosso) e refogue ali a cebola com uma pitada de sal até murchar.
  2. Adicione os talos de espinafre e a batata ralada, dê um remelexo para aquecer todo mundo (inclusive você mesmo(a), se estiver fazendo muito frio), junte a água ou caldo e deixe ferver por 10 minutos.
  3. Corte em tiras ou rasgue as folhas de espinafre e junte à sopa. Rale um pouquinho de noz-moscada na hora (coisa pouca, pitada mesmo) ali pra dentro da panela. Deixe ferver em fogo baixo, vigiando e remexendo tudo de vez em quando para não grudar no fundo.
  4. Estará pronta quando a batata desmanchar quase toda e o espinafre estiver macio. Sossegue o facho, vá tomar um banho quentinho e deixe a sopa ali, descansando, na panela com o fogo desligado, por uns 15 minutos. S
  5. Voltou? Bata a sopa no liquidificador, devolva-a para a panela para aquecer, salpimente se necessário e sirva com a coalhada ou creme.

Gosta de sopa mais grossinha? Pode brincar com a quantidade de líquido e de batata. Não tem coalhada nem creme fresco? Mande uma colherada de requeijão. O liquidificador passou dessa para melhor? Decida que está a fim de algo mais rústico e devore a sopa aos pedaços.  :)

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Bolo de Cenoura

A receita veio do fichário vermelho, ignoro a procedência e só sei dizer que é a primeira vez que testo esta versão do prosaico e, por isso mesmo, delicioso bolo amarelinho com calda de chocolate. A que conheço desde menina (e que cheguei a modificar levemente aqui), aprendi com a mãe e leva cenouras cozidas, enquanto nesta elas vão cruas mesmo para dentro do liquidificador. Jogo rápido para reinaugurar o forno, sem muita fuzarca e com pouca bateção, que pras pelancas do adeus se acostumarem aos poucos com a crescente atividade físico-culinária.

Ingredientes:
Massa:

  • 3 cenouras grandes
  • 5 ovos
  • 1 xícara de óleo (240 ml)
  • 2 1/2 xícaras de açúcar (450 g)
  • 3 xícaras de farinha de trigo (360 g)
  • 1 colher de sopa de fermento em pó
  • 1 pitada de sal

Cobertura:

  • 8 colheres de sopa de chocolate em pó
  • 8 colheres de sopa de açúcar
  • 2 colheres de sopa de manteiga
  • 4 colheres de sopa de leite

Como fazer:

  1. Ligue o forno para preaquecer. Unte e polvilhe uma assadeira. Raspe as cenouras e pique-as em pedaços.
  2. Prepare a massa: bata no liquidificador o óleo, a cenoura, os ovos e o açúcar até a mistura ficar cremosa e homogênea.
  3. Numa tigela, misture a farinha com o fermento e o sal. Vá despejando ali a mistura cremosa, mexendo cuidadosamente com a colher de pau até incorporar tudo bem.
  4. Despeje a massa na assadeira untada e polvilhada e leve ao forno quente (200ºC) por cerca de 30 minutos (Faça o teste: enfie um palito no meio da massa. Se ele sair limpo, é porque o bolo está pronto). Retire do forno e reserve.
  5. Faça a cobertura: ponha todos os ingredientes numa panela e mexa em fogo médio até levantar fervura. Deixe engrossar em fogo baixo por uns 5 minutos e despeje sobre o bolo ainda morno (gosto de dar umas espetadas no bolo antes, só para a cobertura escorrer em furinhos aleatórios).
  6. Aguente um pouco as pontas, tenha paciência e só corte o bolo quando esfriar, combinado? E cumpra direitinho o prometido, levando para a moça querida do trabalho uns quantos pedaços do bolo que reinaugurou sua cozinha :)
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Bolo de Maçã Caramelada de Liquidificador

Simples e aromática, esta receita de liquidificador disputa com o Bolo de Milho Super Caseiro o posto de melhor bolo que já passou pela minha cozinha. Os ovos caipiras, a manteiga de boa qualidade, o iogurte feito em casa, a farinha de trigo especialíssima (tipo 00) e o clima finalmente um pouco mais fresco e úmido do domingo certamente contribuíram para o sucesso, mas a graça mesmo está na fofura e delicadeza da massa, que não exige prática alguma na cozinha.

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Bolo de Laranja da Preguiçosa

Com o Leitor e a Leitora queridos, com minha cozinha, com meus escritos e com a câmera fotográfica estou em débito há semanas a fio. Nada que possa justificar tamanha ausência, já que o tempo é a gente que faz e jamais me havia agarrado a preguiça de bater um bolinho de madrugada.

Na tentativa de me redimir (um pouco com os leitores e com a cozinha, já com os escritos e com a câmera preciso me entender mais longamente), deixo aqui deliciosa e facílima receita de bolo de laranja que não exige equipamentos sofisticados, experiência, paciência ou habilidade.

Ingredientes:

  • 4 ovos
  • 2 xícaras de açúcar
  • 2 xícaras de farinha de trigo
  • 1 colher de sopa de fermento
  • 1 ½ xícara de suco de laranja
  • 1 xícara de óleo
  • margarina para untar a forma
  • farinha de trigo para polvilhar a forma

Como fazer:

  1. Ligue o forno em temperatura média para preaquecer.
  2. Unte a forma com a margarina e polvilhe-a com farinha de trigo
  3. Leve os ingredientes restantes ao liquidificador (os ovos, o açúcar, o trigo, o suco de laranja, o fermento e o óleo) e bata até ficar homogêneo.
  4. Despeje a massa (fica bem líquida) na forma do bolo e leve ao forno até que, ao enfiar um palito no centro da massa, ele saia limpo.
  5. Se desejar, faça aquela calda do Bolo de Laranja da Vó Nair.

Fotos não há, em parte por esquecimento, em parte porque o bolo ficou delicioso a ponto de nem migalha restar! :)

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Procura-se Picadora

Desde o episódio do gelado de banana venho matutando acerca de qual modelo de processador de alimentos adquirir.

Não gosto desse nome. Processador de Alimentos… um robô sobrancelhudo que sofre de ageusia (aquela doença que provoca a perda do paladar) e cujo único prazer é levar à corte suprema as comidas mais inocentes. Seus alvos preferidos são o Tomate Pelado e a Manga Lasciva. Gosta de acusá-los de atentado ao pudor…

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Sopinha de Feijão

Tenho a impressão de que quase tudo o que provei pode ser considerado comida de memória. Junto com os cheiros, os sons e os sentimentos, o gosto das coisas também imprime marcas na lembrança das pessoas. Podem ser líricas ou tétricas, felizes ou taciturnas, saborosas ou repugnantes, mas lá estão se você souber procurar com o interesse afiado e o coração descerrado.

Por conta do estado de superlotação culinário-afetiva em que se encontra meu sótão, tive imensa dificuldade em escolher uma receita que estivesse à altura do evento de Comida de Memória, tão gentilmente organizado pela Valentina.

Decidi falar daquilo que, para mim, é o melhor tipo de reaproveitamento culinário, vencendo até o atualmente tão incensado (e delicioso) bolinho de arroz: a sopinha de feijão.

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Bolo de Cenoura com Gengibre Superfácil

Bolo de Cenoura com Gengibre

Ao chegar da labuta, tive uma saudade de bolo de cenoura amareliiiiinho-amarelinho com cobertura de chocolate. Todo meu cansaço sumiu como que por encanto quando resolvi me divertir com essa receita simples e tão saborosa.

Ao longo do processo, no entanto, minha Dadivosa empolgou-se sobremaneira, modificando os ingredientes aqui e ali, até que a tradicional mistura de cenoura cozida, óleo, ovos, trigo, açúcar e fermento virou uma outra coisa bem diferente.

Diferente, sim, mas não menos interessante. Espia só:

Ingredientes:

  • 4 cenouras médias descascadas e picadas
  • 1/4 xícara de óleo (era uma xícara, mas como estava no fim completei com leite e ficou bom. Se preferir, use só o óleo e suprima o leite)
  • 3/4 xícara de leite
  • 4 ovos
  • 1/2 colher de sopa de gengibre fresco ralado (sem a casca)
  • 1 xícara de farinha integral
  • 2 xícaras de farinha de trigo (eram três na receita original, mas como quis dar um toque integral, usei só duas)
  • 2 xícaras de açúcar
  • 1 colher de sopa de fermento em pó

Como Fazer:

  1. Ligue o forno para preaquecer.
  2. Leve as cenouras para cozinhar somente com água numa panelinha. Enquanto isso, prepare os outros ingredientes.
  3. Unte uma forma com margarina.
  4. Numa vasilha de bater bolinho, misture todos os ingredientes secos.
  5. No copo do liquidificador, quebre os ovos e despeje o leite, o óleo e o gengibre.
  6. Quando as cenouras estiverem cozidas, escorra-as e passe-as algumas vezes por água fria somente para arrefecer, pois a senhora e o senhor não querem transformar a mistura do bolo numa omelete, não é mesmo?
  7. A cenoura vai para dentro do copo do liquidificador também. Bata a mistura até que fique homogênea.
  8. Colher de pau em punho, vá despejando esse belíssimo líquido naquela vasilha de bater bolinho que já contém todos os secos. Eu faço assim: jogo um pouco do líquido no meio, mexo com a colher em movimentos circulares para incorporar um pouco das farinhas, jogo mais líquido, mexo um tanto mais e assim por diante até ficar lisinho.
  9. Despeje a massa na forma untada e leve ao forno médio. Estará pronto quando, ao enfiar um palito no centro da massa, ele saia limpo. Como minha forma não era tão grande, o excedente da massa foi parar em forminhas de empada. Atenção, pois esses mini-bolos assam bem mais rápido.
  10. Confesso que trepidei com relação à cobertura. Fazer ou não fazer? Para tirar a dúvida, comi um mini-bolo à guisa de teste-piloto. Concluí que não precisava de mais nada. Uma raspinha de laranja, se tivesse em casa, teria sido bem-vinda. Mas precisar, não precisava mesmo.

Da próxima vez, acrescentarei sumo de laranja à massa no lugar do leite e pretendo ousar um pouco mais, incluindo umas especiarias e trocando o açúcar por mel. Por hora, aplacou o desejo e a saudade, foi bem aceito na casa e minha Dadivosa está realizada com sua invencionice.

P.S.: Na foto ele parece meio esverdeado, mas é por conta do reflexo do prato e da pressa em registrar o momento antes que o bolinho se acabasse. Ao vivo ficou bem amarelinho-amarelinho :)

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