Creme de Cenoura ‘Concentrado’ com Laranja e Iogurte

Já tinha lido em algum lugar sobre o uso de bicarbonato de sódio para cozinhar cenouras e abóboras… e seu ‘poder’ de concentrar esses sabores. Com todos os (poucos) ingredientes em casa, escolhi a receita de creme de cenoura do blog El Comidista, que adaptei aqui e ali.

Ingredientes (rende 4 porções)

  • 750 g de cenouras
  • 50 g de manteiga (a receita original pede 100g, achei por bem diminuir e funcionou)
  • sal
  • 1/2 colher de chá (rasa) de bicarbonato de sódio
  • 100 ml de água ou caldo caseiro
  • 4 laranjas
  • 1 pote (200g) de iogurte natural não adoçado
  • a erva fresca de sua preferência (no original era coentro, usei cebolinha verde)
  • flor de sal (opcional)

Como fazer:

  1. Descasque e corte as cenouras em rodelas de mais ou menos um centímetro.
  2. Transfira o iogurte para um pote, junte uma pitada de sal e misture com um batedor de arame por mais ou menos um minuto. Reserve na geladeira, coberto com plástico filme, até a hora de servir.
  3. Derreta a manteiga em fogo baixo, numa panela grande de fundo grosso, adicione o bicarbonato,  meia colher de chá rasa de sal (você pode ajustar o sal depois), as cenouras e misture.
  4. Cubra a panela com a tampa e cozinhe, em fogo baixo, por 30 minutos. Dê uma espiada de vez em quando e remexa um pouco as cenouras. Elas formarão uma camada cor de caramelo, é normal.
  5. Desligue o fogo, junte a água ou caldo e triture tudo (com mixer de mão ou no liquidificador, com cuidado).
  6. Na hora de servir, reaqueça a sopa (se for tomá-la quente), junte o suco recém-espremido das laranjas e misture bem. Divida a sopa em quatro tigelas, coloque por cima o iogurte preparado, salpique a cebolinha verde picada e, se quiser, um pouco de flor de sal.

As cenouras ficam incrivelmente doces (quase enjoativas) e o iogurte faz toda a diferença aqui. A receita é tão fácil e prática que vale a pena espremer essas quatro laranjinhas na hora, pois suco de caixinha nesse caso ‘não vai ornar’ :) . Se você achar que não vai dar conta de consumir tudo na hora, guarde a sopa antes de adicionar o suco, para que ele não amargue.

 

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O segredo do iogurte caseiro

A receita de iogurte caseiro está entre as mais visitadas desse blog. Publicada há  quase quatro anos, foi seguida dum breve relato familiar sobre a coalhada seca – o Lábane – e um muito mequetrefemente fotografado tutorial para fazer coalhada seca em casa.

De lá para cá, minha vogra fez 85 anos, trocou o golzinho pelo táxi e deu um tempo na pintura de quadros, mas continua fazendo tricô para “os velhinhos” (muitos deles cronologicamente bem mais jovens que ela) e segue produzindo quase que semanalmente a melhor coalhada seca do mundo para a família toda ( – Fiiilha, fiz seis litros de halib, vai dar um lábane lindo, amanhã vou dividir os potinhos, não esquece de vir buscar!).

Encafifada que ultimamente meus iogurtes caseiros andaram resultando numa coisa meio  clara de ovo, fui ter com a velhinha. Comentei da minha suspeita, esses potes cheios de ingredientes espessantes, estabilizantes e quetais. De cenho franzido reclamava que estava difícil encontrar unzinho só que contivesse apenas o essencial (leite e fermento lácteo) quando ela contou o pulo do gato: - Usa coalhada, fiiiilha. E uma colher de sopa de leite em pó para cada litro de leite. E tem de ser daqueles de saquinho.

Pronto. Esqueçam a receita de quatro anos atrás. Busque um pote de coalhada (fica junto com os iogurtes e a embalagem é quase igual), leia os rótulos para garantir que não há gomas, amidos ou creme de leite na composição, agarre uns leites de saquinho, incremente com o leite em pó e siga o procedimento “de sempre”. Ah, e nada de desnatados ou semi, vá de leite integral que o iogurte fica muito mais gostoso.

Só tome cuidado e não faça como eu, que quase deixei escapar a vasilha da mão, salvei o iogurte a tempo mas não pude evitar um tsunami que espalhou um dos três litros pela porta da geladeira, por debaixo do fogão, nos cabelos, na janela, na parede recém-pintada, por detrás dos armários e por cima do tapete.

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Meu smoothie é quase assim um sorvete…

Chamam  de smoothie a bebida que consiste em fruta + iogurte natural + substância adoçante de sua preferência.

Os meus, feitos com iogurte natural e fruta congelada, chegam a ter a consistência (e a delícia) quase que de um sorvete. Ao Leitor e à Leitora queridos conto a seguir como se faz smoothie à moda Dadivosa: cremoso e em um minuto!

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Lassi com Cardamomo

Tomei meu primeiro lassi há uns dez anos. Foi sugestão do garçom, compadecido que ficou ao avistar meus olhos em chafariz, a maquiagem prestes a escorrer e as bochechas multicolores que variavam entre o carmesim e o roxo-senhor-dos-passos.

Ele tinha razão, o iogurte é um verdadeiro bálsamo para o palato esfolado, único alívio imediato possível para as intensas chamas de um curry original hot-hot-hot-cinco-pimentas, aquele mesmo que pedi me achando toda valente.

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Sopa Gelada de Pepino

Dê-me limões e farei uma limonada.

Dê-me pepinos e farei um tabule.

Ou, se não quiser esperar o trigo hidratar, uma sopa bem gelada.

Pois cheguei em casa à toda, feito furacão. Nessas horas os cinco sentidos ficam como que batidos no processador, amalgamados, despersonalizados e indistinguíveis.

Não há muito o que se fazer quando a sede se mistura com a fome, os ouvidos não conseguem separar o azedo do doce, as mãos estão atordoadas e a língua parece ter cinqüenta e cinco dedos com as unhas por fazer.

Mas resolvi fazer uma sopa…

Ingredientes: (rende uns 400 ml)

  • 250 ml de iogurte natural caseiro
  • 1 pepino comum, desses vulgares e corriqueiros, dos grandes
  • manjericão (umas duas folhinhas pequenas, só para constar)
  • azeite
  • sal
  • 1/2 limão, talvez bem menos
  • pimenta síria, gengibre em pó, curry, pimenta-do-reino, pimenta calabresa e o que mais lhe aprouver

Como fazer:

  1. A primeira providência é deitar o iogurte num filtro de café, dentro de uma peneira, para deixar escorrer um pouco a água. No meu caso, deixei escorrer uns bons 50 ml.
  2. Lave bem o pepino, corte-o ao meio longitudinalmente e, com uma colher, raspe fora as sementes.
    É uma sensação gostosa, essa de eliminar as sementes dos pepinos. Faz parecer que você até tem algum poder de evitar problemas vindouros com essa pseudo-esterilização.
    Senti pelo fato de não ter mais na geladeira. Poderia brincar por horas e horas, neutralizar uma caixa inteira de pepinos, jogar fora as sementes-ícones da aporrinhação.
  3. Corte as duas barquinhas de pepino em cubos. Não se preocupe (a menos que tenha vontade) com formato e tamanho, pois logo logo eles serão liquidificados.
  4. Bata o iogurte, os pepinos, manjericão, pitada de sal e colher de sopa de azeite no liquidificador até homogeneizar bem.
  5. Leve a mistura ao freezer por 30 a 60 minutos.
    Enquanto isso, tente falar com a companhia telefônica para descobrir o que aconteceu desta vez que não vieram instalar a linha. No meio da ligação, verifique se sua sopa não virou sorbet. Se a demora for grande, pode ser uma boa idéia guardar a vasilha na geladeira para não congelar completamente.
  6. Retire a sopa do freezer e prove. Estará sem gosto e sem graça, parte porque você ainda não adicionou as especiarias todas, parte porque seus sentidos ainda estão embotados.
  7. Pouco a pouco, deixe com os temperos a tarefa de aplacar a confusão sensorial. Uma pitada aqui, outra ali, umas gotas de limão, mais pimenta-síria, um curry, gengibre em pó, porque não?, mais sal, pimenta-do-reino moída na hora, uma calabresa para dar cor, fio de azeite não pode faltar.
  8. Pronto! Quando achar que deve, pare de adicionar coisas e tome sua sopa muito gelada.

As primeiras colheradas poderão parecer meio alienígenas, mas logo os sentidos se põem de volta em seus lugares, a sensação de estar em casa aparece e, se o dia estiver minimamente propício, um gostinho de vitória pode surgir no final.

Vitória de quem deu um nó na amolação e transformou os pepinos numa ceia ligeira.

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O Bolinho das Amoras Submersas

A idéia era fazer uma receita ligeira para ver se a vermelhidão das bochechas dava uma trégua. ( O Leitor e a Leitora queridos que assistiram ao programa devem ter percebido os ganchos que repuxavam meu rosto formando aquela careta congelada, uma verdadeira frozen frown, hei de inventar uma bebida com esse nome!)

Algo me dizia que os vizinhos não aprovariam o som da batedeira à uma e meia da manhã, donde concluí que uma mousse de chocolate não seria o ideal. Torta de limão também exigiria o auxílio do eletrodoméstico, pois já estava eu com bastante sono e exercitar as pelancas do adeus naquele momento para bater na mão as claras em neve não seria tão divertido.

Um bolinho de mui rápida execução foi a escolha. A quantidade seria o suficiente para o tabuleiro pequeno, ocupando mais ou menos metade do copo do liquidificador, para não levar mais do que alguns segundos para bater. Ficaria bonito com amoras por cima, que explodiriam tingindo a massa de um roxo forte.

Antes mesmo de reunir os ingredientes, já havia batizado a feita:
Bolinho Ronnie Von“.
Apropriado e simpático, pensei.

Ingredientes:

Para a massa…

  • 3 ovos em temperatura ambiente
  • 1/2 xícara de chá de iogurte natural [usei do que faço em casa]
  • 1/2 colher de chá de essência de baunilha (opcional)
  • 1 xícara de chá de açúcar
  • 2 colheres de sopa de manteiga sem sal em temperatura ambiente
  • 1 1/2 xícara de chá de farinha de trigo
  • 1 colher de sopa de fermento em pó

Para a cobertura (ou recheio)…

  • um punhado de amoras [Não sei bem precisar a quantidade, usei meio pacote das congeladas. Se tiver o privilégio de uma amoreira nos arredores, experimente colher as frutinhas, pintando de roxo-escuro as pontas dos dedos e a língua, porque você não vai mesmo resistir]
  • açúcar cristal para polvilhar

Como fazer:

  1. Ligue o forno em 180 graus para preaquecer.
  2. Unte um tabuleiro pequeno com manteiga ou margarina. Reserve.
  3. Coloque os ingredientes da massa no copo do liquidificador, na seqüência em que são apresentados. Bata por alguns segundos somente para misturar. Desligue. Abra o copo para conferir e, caso encontre pedaços de farinha de trigo, raspe as beiradas e ligue novamente por uns três segundos.
    Lembre-se de não fazer barulho, pois são quase duas da manhã e o vizinho nada tem a ver com seus ímpetos de cozinheiro insone.
  4. Despeje a massa no tabuleiro, espalhando-a com cuidado.
  5. Posicione as amoras sobre massa à sua moda.
    Tive a vontade e a paciência de parti-las ao meio e organizá-las em alas, todas com o lado cortado para baixo. Deveria ter feito uma foto, de tão bonito que ficou.
  6. Salpique açúcar cristal por cima de tudo, sem exagerar, e leve ao forno.
    Fiquei imaginando uma bela crosta dourada entremeada pelos riozinhos de suco e pelas amoras. Mas a impermanência, que é uma moça ardilosa, achou por bem se manifestar.
    E assim que o bolo começou a crescer, todas as amoras, numa espécie de nado sincronizado com coreografia única e irreversível, mergulharam para o fundo, transformando toda aquela organização artificial e previsível em entropia.
    O bolo não vai sair como o esperado, pensei. Será preciso rebatizá-lo.
  7. Trinta e cinco minutos foram a conta para que, ao enfiar um palito no meio do bolo e retirá-lo rapidamente, sua superfíce se mostrasse limpa e seca.
    A crosta doirada e o vapor doce que se desprendia foram irresistíveis. Tasquei um pedaço do bolo ainda pelando para saber como havia ficado.
  8. Poderia jurar que as amoras estavam aninhadas no meio da massa, mas haviam se acomodado no fundo da forma, tal e qual aqueles bolos de banana caramelada… ah, se eu soubesse antes!

Poderia ter feito tudo ao contrário: açúcar cristal cobrindo a forma untada, depois as amoras e a massa por cima.

Mas meu bolinho soube bem, apesar do seu jeito acanhado. E teve suas semelhanças com o minha aparição no programa, que poderia ter sido mais participativa. Quem sabe menos acabrunhada e caretilda.

Mas a natureza seguiu seu curso e o que tinha por destino se encolher de timidez, para o fundo do sofá e da massa se dirigiu. O que não significa, em absoluto, que não tenha resultado gostoso apesar de tudo.

Mas eu bem levei uma bronca da Vogra por não ter contado na TV que aprendi com ela a fazer o lábane!

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Iogurte com Maracujá de Verdade

  • 1 pote de iogurte natural
  • polpa de 1/2 maracujá de verdade
  • mel, açúcar ou o adoçante de sua preferência

Corte o maracujá e retire metade da polpa. Adoce como preferir e derrame sobre um bom iogurte natural (muito melhor se for caseiro). Pode comer com as sementinhas e tudo, não tem problema.

Bom para o final de uma segunda-feira (ou terça, ou quarta…) de (in)tensa atividade intelectual, ou para aqueles dias em que a barriga precisa de algo leve, natural e calmante para ajudar a “chegar em casa”, mas o corpo pretende ficar longe do caloredo do fogão e não há tempo nem ingredientes para se produzir uma sopinha.

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