Crema Catalana

E agora o Leitor e a Leitora queridos vão ter de me aguentar, pois desembestei, abri a porteira, estou com a macaca e resolvi dar vazão às receitas e causos que estavam na fila há meses. Começo com o preparado do livro “Cocina de Temporada para Inexpertos”, que driblou meu receio e me fez comprar (e finalmente usar!) o maçarico culinário. Quem não dispuser do utensílio não deve se acanhar, há sempre um truquinho a aprender.

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Pudim de Café

Era assinante e está em São Paulo a derradeira edição da Gourmet. A equipe não sabia que a revista ia fechar, então dá aquela sensação de “normalidade” pré hecatombe. Como sempre, tem matérias bem feitas e receitas que, pelo menos comigo, sempre dão certo. Essa aqui, que se chamava Café au Lait Pudding no original, teve suprimidos o açúcar do creme (não precisava nem um pouco) e o extrato de baunilha (muita coisa ali, já) e incluído um toque de chocolate em pó (só pra fazer uma graça). Continue reading

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Posso fazer uns brigadeiros…

… pois encontrei leite condensado (em latas de 740g), um chocolate em pó que funciona bem e o granulado, que aqui ganha o nome de fideos de chocolate.

Os da foto foram pro domingo de Páscoa.

.*.  Atualização .*.

Olhando os comentários, fiquei com a impressão de que havia dito não ter encontrado o leite condensado… pois li e reli e reforço que sim, queridos, eu encontrei o dito, em todos os mercados por onde estive, diga-se :)

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Azeitonas de Páscoa

Nem só de bacalhau e petiscos vivem as gorditas olivas em época de Semana Santa. Essas daí – pasmem, meus queridos – são doces, feitas de chocolate. O ‘caroço’ é um crocante recheio de praliné envolto em delicado wafer.

Diz a embalagem:

Aceitunas Sevillanas

Centro crujiente hecho de finísimo hojaldre, relleno de praliné y cubierto de chocolate negro o blanco

Deliciosas até para quem não se empolga muito com doces. Na Pasteleria Mallorca tem.

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Bolo de Nozes com Damasco e Ameixa


Leitor e Leitora queridos, antes de deixar aqui as instruções para essa delícia de bolo, um alerta: muito desvelo ao lançar-se de última hora à receita não testada da revista para coroar o jantar das visitas. Olhovivo, farofino e, se possível for, um pouco mais de tempo e um Plano B são como canja de galinha. Mal não vão fazer.

Eis que o menu era de comidas arabinhas (já feitas e refeitas um bocado de vezes, daqui a pouco mais listo todas), queria uma novidade para a sobremesa e corri ao socorro de uma Claudia Cozinha Coleção Volta ao Mundo. Falta-me agora a pachorra necessária para relatar as duas tentativas desastrosas de fazer um Sorvete de Misk muito do bonitoso que estava na revista. Limito-me pois a registrar que aquele raio de receita estava errada, devia ter confiado em meus instintos, em minha fajutérrima arabicidade derivada de matrimônio, em minha modesta-mas-limpinha experiência culinária.

Experiência essa que nem precisou se manifestar na confecção do bolo de nozes, pois uma leitura atenta (o olhovivo que precedeu o farofino, somados ao tempo hábil para um Plano B, lembram?) foi suficiente para detectar que o raio havia caído pelo menos duas vezes na mesma revista e também esta receita continha erros. Agarrou-me a véia reclamenta e resmunguei, onde já se viu, que desserviço para as novas dadivosas que estão à espera de uma receita de bolo que lhes fale ao coração para sair da toca, já pensou a frustração em seguir receita errada logo na primeira vez, a pessoa se desengana duma vida de possibilidades na cozinha, espécie de trauma culinário mais desnecessário, coisamaisfeia!

Mas o bolo ficou uma delícia, ao fim e ao cabo de algumas horas. Omiti umas coisas, corrigi outras, anotei o passo a passo e segue sem mais delongas a receita que pretendo repetir no fim de semana. Continue reading

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O Sorvete da Vó Dinah, só que de roupa nova

Quem disse que só se faz sorvete com maquininha, hein? Mais uma vez a receita do sorvete da vó Dinah foi levada a um almoço de domingo na casa dos tios e primos ‘por parte de marido’, só que de roupa nova, enformada como um pudim. Mais uma vez escolhi os melhores ovos caipiras, peneirei as gemas, bati as claras em neve, deixei a forma dormir no congelador e protegi a sobremesa com um pano de prato branquinho (daqueles com barra de crochê que a mãe fez) até chegar ao destino.

Ingredientes:

  • 6 ovos (clara e gema separadas)
  • 1 lata de leite condensado
  • 2 vezes a mesma medida da lata de leite integral
  • 1 lata de creme de leite
  • 6 colheres de sopa rasas de açúcar
  • 4 colheres de sopa cheias de achocolatado em pó e mais ou menos 2 colheres de sopa de água para formar a calda

Como fazer:

  1. Comece fazendo o creme amarelinho do fundo. Gosto de passar as gemas por uma peneira para retirar delas aquela membrana e evitar que o doce tenha gosto de ovo. Sobre as gemas, numa leiteira ou panelinha, acrescente o leite condensado e o leite. Mexa bem para dissolver e leve ao fogo brando, mexendo sempre, somente até a mistura engrossar feito mingau, sem deixar ferver.
  2. Deixe esse creminho amornar um pouco.
  3. Bata as claras em neve. Na falta de uma batedeira, ou mesmo de um batedor manual de arame, não se acanhe! Passe a mão em dois garfos e chacoalhe as pelancas do adeus.
  4. Às claras, adicione as colheres de açúcar e misture. Some a esse suspiro o creme de leite sem soro, misturando bem. Para retirar o soro do creme de leite, abra a lata (sem sacudir, mexer ou virar muito), enfie uma faca entre o creme e a parede da lata para deixar o ar entrar e, ainda com a faca ali dentro, incline a lata para deixar escorrer o soro.
  5. Sabe o creme amarelinho que estava amornando? Pois, será reunido a esse das claras, é só mexer delicadamente para homogeneizar.
  6. Misture o achocolatado com a água e, com a ajuda de uma colher, ‘unte’ uma forma de buraco no meio com essa mistura. Pode deixar o restante no fundo da forma. Aviso que a receita rende muito mesmo, pode ser que sua forma de pudim não dê vazão. Recrute então outros potinhos, forminhas e o que tiver vontade. Sua lombriga agradecerá o fato de que, duas horas depois, os potinhos menores estarão prontos para um ataque de gula!
  7. Deixe no congelador dum dia pro outro. Para desenformar, deixe em temperatura ambiente por uns 10 a 15 minutos e passe uma faca rente à forma (se ainda estiver congelado, umedeça um pano de prato com água quente e envolva o fundo e os lados da forma por um minutinho), desenforme e corte em fatias para servir.
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Muffin de Chocolate com Banana

Sobrou só um ovo em casa e tem ganas de bater um bolinho rápido? Experimente esta receita de muffin, que vi no site de uma marca, mas acabei usando o chocolate de outra :)

Não carece de batedeira nem muitos utensílios, é daquelas receitas boas para fazer com crianças, que podem ajudar a picar a banana, peneirar e separar os ingredientes, misturar os líquidos, raspar a tigela… porque não resisti, deixei sobrar de propósito, comi bem umas duas colheradas e arrisco que a massa crua chega a ser quase mais gostosa do que o bolinho!

Ingredientes:

  • 2 xícaras de farinha de trigo
  • 1 xícara de açúcar
  • 2 colheres de sopa de chocolate em pó daquele dos padres ou similar, não recomendo substituir por achocolatados)
  • 1/2 colher de sopa de fermento em pó
  • 1 colher de chá rasa de canela em pó
  • 200g de iogurte natural
  • 1 ovo
  • 1/2 xícara de óleo de canola (manteiga sem sal derretida também deve funcionar)
  • 2 bananas-nanicas

Como fazer:

  1. Ligue o forno para preaquecer. A receita original fala em 180 graus, mas em casa tive de aumentar para 240.
  2. Peneire os ingredientes secos numa tigela.
  3. Em outra, misture o iogurte, o ovo e o óleo com o garfo mesmo só até homogeneizar. Junte essa mistura aos secos e dê uma revolvida de leve, nada de ficar batendo! É só meia-volta mesmo, não faz mal que não tenha misturado.
  4. Descasque e pique as bananas e junte-as à mistura. Dê mais uma mexida, somente para incorporar. O segredo de um muffin fofinho é esse, não bater muito nem usar batedeira. Se a massa tiver uns gruminhos, tanto melhor!
  5. Distribua a massa nas forminhas e asse até que ao espetar um palito no centro da massa ele saia limpo. Diz a receita original que rende 12 muffins. Dos meus, foram 15, uns mais parrudinhos, outros mais modestos, todos bem apanhados e cheirosos.
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