
Quando a vó Dinah morreu, eu tinha 4 para 5 anos. Éramos muito grudadas e a mãe conta que ela gostava muito de mim porque eu era quietinha e companheira. Lembro de assistir ao Sítio do Picapau Amarelo enquanto ela fazia tricô ou lia a Contigo.
Quando ela tava no hospital, minha tia deu um jeito de me esconder debaixo duma maca. Assim eu podia visitar a vó. Eu pedia pra ela apertar a minha mão pra dor ir embora. E ela choraaaava…
Vó Dinah cozinhava bem e muito. A família era grande, sempre tinham uns agregados, o vô tinha padaria e ela ainda cismava em fazer a comida para os padeiros todos. Mandava sobremesa e tudo!
Até que um dia soube que misturaram o pudim de leite com arroz e feijão. Pra quê?! Diante de tamanha ofensa, ela simplesmente parou de mandar comida. Deve ter feito um escarcéu, que ela era bem brava!
Tenho lembrança de passar o domingo (pra mim parecia o dia inteiro, mas devia ser umas poucas horas) ao lado dela enquanto ela fazia macarrão. Eu podia brincar com uma bolinha de massa e um toquinho de cabo de vassoura. Quando ela terminava de cortar e estender a pasta pra secar, vinha pro meu lado fazer vários modelos de chapéu com a massinha pra “vestir” o cabo da vassoura. Não lembro se ela desenhava olhinhos e boquinha, ou se eu que imaginava.
Engraçado que não me lembro do gosto do macarrão pronto, só de como ela fazia.