O segredo do iogurte caseiro

A receita de iogurte caseiro está entre as mais visitadas desse blog. Publicada há  quase quatro anos, foi seguida dum breve relato familiar sobre a coalhada seca – o Lábane – e um muito mequetrefemente fotografado tutorial para fazer coalhada seca em casa.

De lá para cá, minha vogra fez 85 anos, trocou o golzinho pelo táxi e deu um tempo na pintura de quadros, mas continua fazendo tricô para “os velhinhos” (muitos deles cronologicamente bem mais jovens que ela) e segue produzindo quase que semanalmente a melhor coalhada seca do mundo para a família toda ( – Fiiilha, fiz seis litros de halib, vai dar um lábane lindo, amanhã vou dividir os potinhos, não esquece de vir buscar!).

Encafifada que ultimamente meus iogurtes caseiros andaram resultando numa coisa meio  clara de ovo, fui ter com a velhinha. Comentei da minha suspeita, esses potes cheios de ingredientes espessantes, estabilizantes e quetais. De cenho franzido reclamava que estava difícil encontrar unzinho só que contivesse apenas o essencial (leite e fermento lácteo) quando ela contou o pulo do gato: - Usa coalhada, fiiiilha. E uma colher de sopa de leite em pó para cada litro de leite. E tem de ser daqueles de saquinho.

Pronto. Esqueçam a receita de quatro anos atrás. Busque um pote de coalhada (fica junto com os iogurtes e a embalagem é quase igual), leia os rótulos para garantir que não há gomas, amidos ou creme de leite na composição, agarre uns leites de saquinho, incremente com o leite em pó e siga o procedimento “de sempre”. Ah, e nada de desnatados ou semi, vá de leite integral que o iogurte fica muito mais gostoso.

Só tome cuidado e não faça como eu, que quase deixei escapar a vasilha da mão, salvei o iogurte a tempo mas não pude evitar um tsunami que espalhou um dos três litros pela porta da geladeira, por debaixo do fogão, nos cabelos, na janela, na parede recém-pintada, por detrás dos armários e por cima do tapete.

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Como fazer arroz soltinho

O Leitor e a Leitora certamente já tiveram seus episódios de arroz ‘unidos venceremos’, quando os grãos se agarram em longos abraços e beijos apaixonados. Dentro de minhas panelas, é freqüente observar que eles fizeram juras de amor eterno até que a boca os separe, ou simplesmente resolveram fazer uma festinha daquelas e estão num agarramento generalizado. Essa saliência toda não é de todo má, pois já vi o olho de muito conviva brilhar de desejo ao equilibrar na colher placas brancas e fumegantes da mais coesa papa.

Há dias, entretanto, que se quer algo mais relaxado, sem compromisso ou amarras, algo assim como um flerte assanhado, uma admiração a distância ou amor platônico entre os grãos cozidos. Em momentos assim, ponho água para ferver, adiciono sal, despejo o arroz cru e cozinho como se fosse macarrão, provando de vez em quando para não perder o ponto. Uso uma peneira grande para escorrer e sirvo os grãos assim, soltinhos, solteiros, desimpedidos e contentes com sua individualidade.

Namoricos de verão, amizades coloridas, rolos, ficantes, pretês, paqueras, tico-tico-no-fubá… as variações desse arroz soltinho são quase tão numerosas quanto os nomes atribuídos aos relacionamentos despretensiosos. Para variar a receita, pode-se:

  • Dissolver na água um caldo de galinha ou legumes
  • Temperar a água do cozimento com uma folhinha de louro, um dente de alho, ou especiarias mil, como cardamomo, canela, anis estrelado
  • Regar com azeite do bom e salpicar pimenta moída na hora
  • Mesclar ervas frescas picadinhas ao arroz pronto
  • Envolvê-los todos num molho bem encorpado
  • Na hora de servir, coroar o arroz já escorrido com um pedacinho de manteiga e vê-la derreter de amores por esses indivíduos tão independentemente bem-resolvidos
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Iogurte Caseiro

(*receita atualizada em 30/07/2010*)

Ingredientes:

  • 1 copo de iogurte natural (200 ml) em temperatura ambiente (*use coalhada e evite aquelas que contém qualquer coisa além de leite e fermento lácteo no rótulo*) 
  • 1 litro de leite (*de saquinho, integral*)
  • (*1 colher de sopa de leite em pó*)

Como fazer:

  1. Leve o leite ao fogo até ferver e deixe amornar.
  2. Agora é que vem o pulo do gato. Seja com fermentos prontos, com um potinho comprado no supermercado, ou com uma “matriz” reservada de outra receita, é a temperatura do leite que vai determinar se mágica vai ou não vai acontecer. A temperatura correta, pelo que dizem meus manuais, deve estar entre 43 e 45 graus centígrados. Menos do que isso, os lactobacilos nem sentem cosquinhas e vão preferir ficar hibernando. Mais do que isso, você mata os bichinhos de calor. Você pode, então, usar um termômetro culinário, ou seu dedinho (limpo, claro), que é o método que vou explicar a seguir:
  3. Coloque o dedo indicador no leite morno. Ele deve estar quente, mas não muito. Se você sentir o calor e conseguir manter o dedo no leite por 10 segundos, é porque a temperatura está correta.
  4. Retire uma concha do leite morno, dissolva ali o leite em pó, misture bem com a coalhada. Despeje essa mistura no leite morno e misture mais uma vez. Guarde numa vasilha de vidro ou cerâmica (se não tiver, até plástico resolve), cubra e leve a um lugar quentinho e ao abrigo da luz. Se preferir, pode embrulhar o pote com panos de prato para proteger.
  5. Deixe o preparado no forno desligado da noite para o dia, depois guarde na geladeira.

Dadivosa Adverte!
Eesta não é uma receita 100% à prova de erro. São muitas as variáveis que influenciam na coagulação do leite, então não se acanhe se não acertar de primeira. Vale a pena tentar de novo, pois depois de acertar o ponto você não vai querer mais comprar iogurte pronto não.

Agora, se você acha esse negócio de enfiar dedo em leite uma trabalheira dos infernos, muita ciência pra pouco resultado, recomendo comprar pelo menos um termômetro culinário (custa 10, 15 reais).

P.S.1: O motivo da atualização está neste post
P.S.2: Apesar de nunca ter usado os tais bichinhos ou o kefir, nem saber que cara têm, deixo abertos os comentários para o caso de ter alguma serventia a quem doa-procura.

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