Meu Segundo Caderno de Receitas

Eu devia ter uns 14 anos. Essa receita de molho para salada era da Suely, a mãe de amiga mais prendada que já conheci.
“Tia” Suely fazia tricô, patchwork, coisas com feltro e receitas super exóticas (pelo menos eram exóticas pra mim, que naquela época não sabia o que eram páprika, água de rosas e cardamomo). Com tantos talentos juntos ela era assim, uma espécie de super-pool-do-flickr-numa-só!
Às vezes ela pedia (ou deixava) pra Letícia e eu ajudarmos com alguma coisa, tipo colar sianinhas em prendedores de roupa, ou decorar com lantejoulas uns sininhos de feltro que ela fazia. Nos sentíamos superimportantes!
Essa receita ela passou pra mãe num papel de carta simples, com caligrafia super caprichada e eu resolvi copiar no meu segundo caderno. Nunca fiz esse molho de salada, e acho que a mãe também não.
Mas fico feliz de ter copiado pelas lembranças gostosas que ela traz.

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Meu primeiro caderno de receitas


Eu devia ter uns oito ou nove anos. Lembro do dia em que recortei a foto do rótulo de creme de leite que a vó Nair usou pra fazer gelatina com pêssego e copiei a receita com a letra mais redonda que eu conseguia fazer.

Eu passava tardes inteiras copiando receitas daqueles livrinhos tipo “100 receitas de …” que o vô trazia pra ela toda vez que passava na banca da praça pra comprar suas histórias de faroeste.

Hoje tenho todos eles comigo: o “Receitas do Meu Lar”, o “Receitas Econômicas” e a série de “100 receitas” de salgadinhos, docinhos, arroz, massa, carnes, legumes…

Tenho ainda uns papeizinhos onde ela anotava a lápis a receita de alguma amiga (geralmente bolos e doces),  a brochura que veio com o super liquidificador Wallita, os folhetos da União, da Nestlé…

PS.: Esses livros, cadernos e papéis são o meu tesouro dadivoso ;)

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