
Acabei de preparar meu primeiro bacalhau que, como é de conhecimento do Leitor e da Leitora, era meu Si Bemol – aquela nota que por um tempo me dava medo e que evitava a ponto de não tocar no violão as músicas que a tinham em sua composição.

Acabei de preparar meu primeiro bacalhau que, como é de conhecimento do Leitor e da Leitora, era meu Si Bemol – aquela nota que por um tempo me dava medo e que evitava a ponto de não tocar no violão as músicas que a tinham em sua composição.

Em minha humilde opinião de quem não faz parte do fã-clube das friturinhas, essas batatas reinam. Fáceis de fazer, com poucos ingredientes envolvidos, o trabalho maior é sempre esperá-las corar ao forno pelos poucos minutos regulamentares.
Recomendo ao Leitor e à Leitora queridos que tentem repetir a feita em casa, talvez aproveitando a facilidade da receita para se aventurar em outros temperos. Fica uma delícia com Lemon&Pepper, por exemplo.
A expressão “ser batata” significa não falhar, não deixar de ocorrer. Nos contos de Nelson Rodrigues poderia indicar a capitulação de uma pequena difícil, a suspeita de uma traição de longa data, um palpite para o jogo do bicho, ou a parte final de algum aforismo de botequim.
Lembrei-me dessa frase durante a mudança – aqui pouparei o Leitor e a Leitora dos detalhes enfadonhos. Descobri, no sábado, que passaria o feriado sem gás encanado, portanto sem poder instalar o fogão e sem banho quente. Minha Dadivosa em chamas, doida para bater um bolinho, já começava a dar sinais de abstinência. Saladas, carpaccios, sanduíches e outras coisas práticas não deram conta nem de uma fração ínfima de meus ímpetos de cozinhar.
Fazer bolinho no microondas também estava fora de cogitação, pois as formas de silicone que lá dentro podem ser usadas estavam naquela caixa imensa sobre a qual o carregador singelamente escreveu “tapoé”.
Tampouco me apetecia fazer algo elaborado ou que exigisse muitos ingredientes, dada a circunstancial frugalidade da despensa e a canseira monstra em que me encontrava. É batata!, pensei.
E batata foi, meus queridos!
Batatas Assadas de Microondas
Ingredientes: (para dois)
Como fazer
As batatas assadas no microondas, que a partir de hoje chamarei simplesmente de Nelson Rodrigues, não falham. Ficam tão gostosas quanto as de forno e cozinham em bem menos tempo.
O recheio pode variar de acordo com a criatividade, o bolso, a disposição, o tempo e o apetite do cozinheiro. Para um melhor resultado, adicione uma boa dose de vida como ela é.
A época é festiva e estamos todos envolvidos com mil eventos sociais. São almoços, jantares, happy-hours, ceias, drinks, brunchs, churrascos e rega-bofes em geral que nos adicionam bordinhas recheadas à cintura e enchem o coração de alegria.
Mas hei de confessar, querida leitora e querido leitor, que sou acometida por um mal quase tão arrebatador quanto a vontade de bater um bolinho: a vontade de comer minha comida.
Muitos poderão estranhar, afinal, não raro ouvimos falar de exímios cozinheiros que sequer provam o que comem, numa espécie assim de desprendimento total entre sua arte e a própria fome.
Como sabem, não tenho a cozinha como profissão, tampouco sou daquelas culinaristas espetaculares, ou mesmo divas-chefs-gastrônomas, pois vivo queimando as receitas, desonerando a maionese, olvidando-me de colocar sal no arroz etc.
Mas tenho essa coisa, essa necessidade-vontade de comer um ovo frito que seja, um sanduíche de atum, qualquer coisa que tenha sido preparada naquele instante. E para isso preciso eu ser a cozinheira mesmo, não tem muito jeito.
Creio que a necessidade esteja muito mais ligada ao ato de ir para a cozinha do que à vontade de comer meus próprios cozinhados. Mas ela existe. E é tão forte quanto o ímpeto de bater bolinho.
Pois ontem, às três da tarde, com o estômago nas costas e depois de ter zanzado atrás de apartamento, resolvi ir para casa cozinhar em vez de entrar no restaurante e ser muito bem servida obrigada.
Fiz tudo rápido e muito simples, receitas que em breve estarão por aqui. A primeira delas foi uma invenção que devo repetir, pois resultou leve e muito saborosa.
Ingredientes:
Como fazer:
.*. Atualização .*.
A Eliana, leitora querida e bloogueira prendada, já vez a salada e fotografou. Vejam que linda!

Outro dia contei à leitora e ao leitor o quanto os homens da família são dadivosos, cada um a sua maneira.
As mulheres também o são, salvo que em maior número e grau, motivo pelo qual necessitarei de muitos relatos para dar conta de falar de todas, ainda que superficialmente.
Fascina-me também a capacidade que corre na família para dar nomes às coisas, colocando apelidos que sempre combinam e “pegam”.
Existe uma receita muito apreciada na casa de mamãe que, se a vista não me pisca, foi batizada por um representante masculino do clã dos Dadivosos.
O nome, bastante conhecido da família, agora estará nos domínios da rede mundial de computadores para ser reproduzido em outros lares também: bataturgente.
Assim mesmo, tudo junto, falando rapidinho: bataturgente!
A autoria é nebulosa, não sei precisar se o termo foi cunhado pelo tio Ricardo ou pelo Babbo. Fato é que harmoniza com a rapidez do preparo e tem um quê de “ai que fome, preciso de alguma coisa rápida e gostosa para deixar a barriga quentinha”.
Tampouco a quantidade de ingredientes é muito precisa. A personalidade dessa batatinha reside num toque final do preparo, sendo importante usar uma panela com tampa para o feito.
Ingredientes:
Como fazer:
Na casa da mãe, a bataturgente é acompanhada de bife acebolado, arroz branco e salada de tomate-alface, consistindo na clássica “comidinha urgente” preparada na hora, com ingredientes frescos e com gostinho de família reunida.
P.S.: Peço desculpas pela foto desmaiada, que tão pouco valoriza as batatinhas. Hesitei muito em publicá-la, mas creio que sirva pelo menos como ilustração do formato.

Gosto muito de batatas, especialmente no formato de acepipes. Por isso sou apaixonada por essas batatinhas pequenas, que uns chamam de batata-bolinha, outros de baby-potatoes, outros ainda de new-potatoes.
Dias atrás resolvi “me-auto-lançar-me-a-mim-mesma” o desafio: reproduzir em casa as famosas batatinhas da Dona Marina. Trata-se da vó da prima do meu marido e para esse grau de parentesco eu não consigo criar um nome adequado (ainda). Chamo-a, então, de Vó Marina, pois sou fominha e tenho essa tendência a acreditar que as avós de todo o mundo são um pouco minhas também.
Fui fazendo sem muita medida e vou tentar explicar aqui da melhor forma possível, mas essa é daquelas receitas que não tem medida mesmo, vale o gosto da(o) cozinheira(o).
Ingredientes:
Como fiz:
Seria muita pretensão da minha parte achar que ficaram iguais às da Vó Marina, que além das batatinhas faz antepasto de berinjela, massa caseira, pimentão recheado e mais um monte de coisas boas, mas ficaram bem gostosas!

Estava há dias matutando sobre como usar toda aquela alface que chega com a cesta dos orgânicos. Fui pesquisar na minha mini-biblioteca: nos livros da vó, nos franceses, nos de R$ 1,99, nas revistas, nos recortes e nos cadernos. Achei algumas coisas interessantes, como mousse quente, suflê e refogado. Mas estava com vontade mesmo era de uma sopinha cremosa. Ontem, com o frio que fazia em São Paulo, resolvi botar a Dadivosa pra trabalhar e criar uma receita nova…
A receita rende 500ml, que eu devorei sozinha
Ingredientes:
1 pé de alface
1 batata grande
½ colher de sopa de manteiga
1 xícara de chá de caldo de legumes caseiro aquecido(O industrializado não serve, porque mata todos os outros sabores. Se não tiver, pode usar água mesmo)
1/2 xícara de chá de água
Sal
Para servir (opcional):
1 ovo cozido em fatias
páprica
azeite de oliva
pão sírio integral
Como fazer: