Batatas não Fritas

Em minha humilde opinião de quem não faz parte do fã-clube das friturinhas, essas batatas reinam. Fáceis de fazer, com poucos ingredientes envolvidos, o trabalho maior é sempre esperá-las corar ao forno pelos poucos minutos regulamentares.

Recomendo ao Leitor e à Leitora queridos que tentem repetir a feita em casa, talvez aproveitando a facilidade da receita para se aventurar em outros temperos. Fica uma delícia com Lemon&Pepper, por exemplo.

Continue reading

Share

É Batata!

A expressão “ser batata” significa não falhar, não deixar de ocorrer. Nos contos de Nelson Rodrigues poderia indicar a capitulação de uma pequena difícil, a suspeita de uma traição de longa data, um palpite para o jogo do bicho, ou a parte final de algum aforismo de botequim.

Lembrei-me dessa frase durante a mudança – aqui pouparei o Leitor e a Leitora dos detalhes enfadonhos. Descobri,  no sábado, que passaria o feriado sem gás encanado, portanto sem poder instalar o fogão e sem banho quente. Minha Dadivosa em chamas, doida para bater um bolinho, já começava a dar sinais de abstinência. Saladas, carpaccios, sanduíches e outras coisas práticas não deram conta nem de uma fração ínfima de meus ímpetos de cozinhar.

Fazer bolinho no microondas também estava fora de cogitação, pois as formas de silicone que lá dentro podem ser usadas estavam naquela caixa imensa sobre a qual o carregador singelamente escreveu “tapoé”.

Tampouco me apetecia fazer algo elaborado ou que exigisse muitos ingredientes, dada a circunstancial frugalidade da despensa e a canseira monstra em que me encontrava. É batata!, pensei.

E batata foi, meus queridos!

Batatas Assadas de Microondas

Ingredientes: (para dois)

  • 2 batatas lavadas bem grandes
  • papel toalha
  • azeite o quanto baste
  • queijo cottage o quanto baste (usei uns 400 g)
  • cebolinha verde fininha (ciboulette)
  • sal e pimenta-do-reino a gosto

Como fazer

  1. Lave e seque as batatas. Faça furos por toda a superfíciecom a ponta do garfo.
  2. Dobre dois pedaços de papel toalha (ou guardanapo de papel) em quatro e posicione-os em lados opostos no prato do microondas. Deite ali suas batatas.
  3. Ligue o aparelho por dois minutos em potência alta. Com uma luva, faça uma rotação nas batatas, de forma que o lado que estava virado para o centro do prato fique para o lado de fora. Ligue-o por mais dois minutos.
  4. Novamente com a luva, vire as batatas para que a parte de baixo fique para cima. Mais dois minutos de cozimento.
  5. Espete as batatas com o garfo. Se não estiverem macias (as minhas não estavam), vá testando de dois em dois minutinhos (sempre virando nos intervalos). Confesso que trapaceei nessa parte e mandei três minutos de uma vez. Funcionou.
  6. Faça um corte em formato de cruz e abra um pouco as batatas. Cuidado com o vapor! Polvilhe sal e pimenta, regue com azeite, amasse um pouco o miolo com o garfo, coloque o queijo, a cebolinha e sirva.

As batatas assadas no microondas, que a partir de hoje chamarei simplesmente de Nelson Rodrigues, não falham. Ficam tão gostosas quanto as de forno e cozinham em bem menos tempo.

O recheio pode variar de acordo com a criatividade, o bolso, a disposição, o tempo e o apetite do cozinheiro. Para um melhor resultado, adicione uma boa dose de vida como ela é.

Share

Salada Pintadinha de Batatas

A época é festiva e estamos todos envolvidos com mil eventos sociais. São almoços, jantares, happy-hours, ceias, drinks, brunchs, churrascos e rega-bofes em geral que nos  adicionam bordinhas recheadas à cintura e enchem o coração de alegria.

Mas hei de confessar, querida leitora e querido leitor, que sou acometida por um mal quase tão arrebatador quanto a vontade de bater um bolinho: a vontade de comer minha comida.

Muitos poderão estranhar, afinal, não raro ouvimos falar de exímios cozinheiros que sequer provam o que comem, numa espécie assim de desprendimento total entre sua arte e a própria fome.

Como sabem, não tenho a cozinha como profissão, tampouco sou daquelas culinaristas espetaculares, ou mesmo divas-chefs-gastrônomas, pois vivo queimando as receitas, desonerando a maionese, olvidando-me de colocar sal no arroz etc.

Mas tenho essa coisa, essa necessidade-vontade de comer um ovo frito que seja, um sanduíche de atum, qualquer coisa que tenha sido preparada naquele instante. E para isso preciso eu ser a cozinheira mesmo, não tem muito jeito.

Creio que a necessidade esteja muito mais ligada ao ato de ir para a cozinha do que à vontade de comer meus próprios cozinhados. Mas ela existe. E é tão forte quanto o ímpeto de bater bolinho.

Pois ontem, às três da tarde, com o estômago nas costas e depois de ter zanzado atrás de apartamento, resolvi ir para casa cozinhar em vez de entrar no restaurante e ser muito bem servida obrigada.

Fiz tudo rápido e muito simples, receitas que em breve estarão por aqui. A primeira delas foi uma invenção que devo repetir, pois resultou leve e muito saborosa.

Ingredientes:

  • 2 batatas grandonas
  • 1 folha de louro
  • água para cozer as batatas
  • 2 colheres de sopa de iogurte natural [usei daquele que faço em casa]
  • 1 colher de sopa de maionese light
  • 1 colher de sopa de azeite de oliva
  • sementes de papoula
  • sal

Como fazer:

  1. Leve uma chaleira ao fogo com água para cozer as batatas.
  2. Descasque as batatas e corte-as em cubinhos pequenos. Fiz assim para que elas cozinhassem mais rápido e recomendo, pois ficam mais bonitinhas mesmo.
  3. A essa altura, a água deve estar quase fervendo. Deite os cubinhos na panela com o louro, tempere com um pouco de sal e despeje a água fumegando. Acredite, esse processo vai agilizar o cozimento e seu estômago roncante vai agradecer!
  4. Enquanto a batata cozinha você pode ocupar-se do resto da refeição.
  5. Escorra as batatas e deite-as num refratário ou vasilha grande e rasa para esfriarem mais rápido.
  6. Faça o molhinho: misture o iogurte, o azeite e a maionese até que vire um creminho homogêneo. Incorpore as sementinhas de papoula, corrija o sal, misture às batatas e sirva.

.*. Atualização .*.

A Eliana, leitora querida e bloogueira prendada, já vez a salada e fotografou. Vejam que linda!

Share

Bataturgente

Bataturgente

Outro dia contei à leitora e ao leitor o quanto os homens da família são dadivosos, cada um a sua maneira.

As mulheres também o são, salvo que em maior número e grau, motivo pelo qual necessitarei de muitos relatos para dar conta de falar de todas, ainda que superficialmente.

Fascina-me também a capacidade que corre na família para dar nomes às coisas, colocando apelidos que sempre combinam e “pegam”.

Existe uma receita muito apreciada na casa de mamãe que, se a vista não me pisca, foi batizada por um representante masculino do clã dos Dadivosos.

O nome, bastante conhecido da família, agora estará nos domínios da rede mundial de computadores para ser reproduzido em outros lares também: bataturgente.

Assim mesmo, tudo junto, falando rapidinho: bataturgente!

A autoria é nebulosa, não sei precisar se o termo foi cunhado pelo tio Ricardo ou pelo Babbo. Fato é que harmoniza com a rapidez do preparo e tem um quê de “ai que fome, preciso de alguma coisa rápida e gostosa para deixar a barriga quentinha”.

Tampouco a quantidade de ingredientes é muito precisa. A personalidade dessa batatinha reside num toque final do preparo, sendo importante usar uma panela com tampa para o feito.

Ingredientes:

  • batatas descascadas e cortadas em cubos
  • sal o quanto baste para cozinhar as batatas
  • água o quanto baste para cozinhar as batatas
  • manteiga a gosto
  • salsa picadinha

Como fazer:

  1. Cozinhe as batatas em água e sal, depois escorra-as rapidamente.
  2. Devolva-as para a panela ainda quentes (que deve ter uma tampa, lembre-se), com o fogo desligado.
  3. Coloque a manteiga (mais um menos uma colherada para cada 4 batatas pequenas ou 2 médias) e a salsa sobre as batatas.
  4. E o pulo do gato vem agora: tampe a panela, cubra-a com um pano de prato e, segurando bem a tampa, sacuda-a para cima e para baixo. Isso mesmo, faça um remelexo com a panela por uns 10 segundos, ouvindo um barulhinho macio e gostoso.
  5. Abra a tampa, retire as batatas da panela, que se despedaçaram um pouco e foram envolvidas pela manteiga, e sirva imediatamente.

Na casa da mãe, a bataturgente é acompanhada de bife acebolado, arroz branco e salada de tomate-alface, consistindo na clássica “comidinha urgente” preparada na hora, com ingredientes frescos e com gostinho de família reunida.

P.S.: Peço desculpas pela foto desmaiada, que tão pouco valoriza as batatinhas. Hesitei muito em publicá-la, mas creio que sirva pelo menos como ilustração do formato.

Share

Batatinhas em Conserva


Gosto muito de batatas, especialmente no formato de acepipes. Por isso sou apaixonada por essas batatinhas pequenas, que uns chamam de batata-bolinha, outros de baby-potatoes, outros ainda de new-potatoes.

Dias atrás resolvi “me-auto-lançar-me-a-mim-mesma” o desafio: reproduzir em casa as famosas batatinhas da Dona Marina. Trata-se da vó da prima do meu marido e para esse grau de parentesco eu não consigo criar um nome adequado (ainda). Chamo-a, então, de Vó Marina, pois sou fominha e tenho essa tendência a acreditar que as avós de todo o mundo são um pouco minhas também.

Fui fazendo sem muita medida e vou tentar explicar aqui da melhor forma possível, mas essa é daquelas receitas que não tem medida mesmo, vale o gosto da(o) cozinheira(o).

Ingredientes:

  • batatas pequeninas com casca e tudo
  • vinagre branco
  • cheiro verde (usei só salsinha)
  • alecrim fresco
  • pimenta calabresa (pode ser qualquer uma, ou nenhuma)
  • sal

Como fiz:

  1. Com uma escovinha reservada para esse fim, esfreguei as batatinhas para tirar a terra.
  2. Levei as ditas para uma fervura em água e sal e fiquei atenta para que não cozinhassem demais, pois o processo ainda continuaria depois de retirá-las do fogo. Foi coisa de poucos minutos.
  3. Escorri a água e deitei as batatinhas, ainda fumegantes, numa tigela de vidro com uma mistura de vinagre (foi mais ou menos uma xícara), salsinha, alecrim e pimenta calabresa (bastante). Coloquei um tequinho de nada de sal e cobri a vasilha.
  4. Quando as batatinhas arrefeceram, juntei um pouco de água filtrada à mistura, somente para cobrir tudo. Um pouco mais de sal para corrigir (não muito, porque ainda vai curtir) e geladeira.
  5. Resisti à tentação e comi somente no dia seguinte, quando já estavam mais curtidinhas.

Seria muita pretensão da minha parte achar que ficaram iguais às da Vó Marina, que além das batatinhas faz antepasto de berinjela, massa caseira, pimentão recheado e mais um monte de coisas boas, mas ficaram bem gostosas!

Share

Sopa de Alface Dadivosa


Estava há dias matutando sobre como usar toda aquela alface que chega com a cesta dos orgânicos. Fui pesquisar na minha mini-biblioteca: nos livros da vó, nos franceses, nos de R$ 1,99, nas revistas, nos recortes e nos cadernos. Achei algumas coisas interessantes, como mousse quente, suflê e refogado. Mas estava com vontade mesmo era de uma sopinha cremosa. Ontem, com o frio que fazia em São Paulo, resolvi botar a Dadivosa pra trabalhar e criar uma receita nova…

A receita rende 500ml, que eu devorei sozinha ;)

Ingredientes:
1 pé de alface
1 batata grande
½ colher de sopa de manteiga
1 xícara de chá de caldo de legumes caseiro aquecido(O industrializado não serve, porque mata todos os outros sabores. Se não tiver, pode usar água mesmo)
1/2 xícara de chá de água
Sal

Para servir (opcional):
1 ovo cozido em fatias
páprica
azeite de oliva
pão sírio integral

Como fazer:

  1. Lave bem a alface e descarte todas as folhas que estiverem machucadas, amareladas, secas ou feias. Seja implacável! Retire o talo das folhas, como se estivesse preparando couve (se não souber como faz, pode perguntar pra mim). Corte as folhas em tiras e reserve.
  2. Descasque e corte a batata em cubos bem miudinhos (para que cozinhem mais rápido).
  3. Leve a manteiga ao fogo baixo numa panela e, quando derreter, adicione as batatas. Coloque uma pitada de sal, assim as batatas começarão a liberar um pouco de água e não vão fritar.
  4. Quando o refogado estiver bem aquecido, adicione o caldo. Se você usar caldo de caixinha ou tablete, a receita vai ficar com gosto de sopa pronta e vai perder a delicadeza. Caso não tenha caldo de legumes ou frango caseiro, pode usar água mesmo.
  5. Deixe a batata em fogo baixo, até amaciar um pouco e engrossar o caldo.
  6. Adicione as folhas de alface e mexa delicadamente até elas murcharem. Tome cuidado para não deixar a alface queimar ao entrar em contato com os lados da panela. Quando a as folhas estiverem bem murchinhas e incorporadas ao caldo, tampe a panela e deixe ferver em fogo baixo por uns 10 minutos.
  7. Bata no liquidificador até virar um creme. Deve levar uns dois minutos para que todos os pedacinhos de alface desapareçam. Experimente e acerte o sal. Resista à tentação de usar pimenta nessa receita. Acredite, eu testei das duas formas e sem pimenta fica bem mais gostoso, dá pra sentir melhor os sabores da manteiga, da batata e da alface (sim, alface tem gosto!).
  8. Sirva com fatias de ovo cozido por cima, uma pitada de páprica e um fio de azeite por cima. Com o pão sírio, faça triângulos, toste rapidinho no forno e sirva à parte.
Share