Nem ferver uma água…

purê de batata instantâneo

Basta ferver a água com sal e manteiga, adicionar leite, misturar o conteúdo do pacote e deixar descansar por meio minuto. Nada de escolher, cozinhar e descascar as batatas (a ordem ao gosto do freguês), passar pelo espremedor, juntar a quantidade desejada de manteiga e/ou leite, temperar, garantir que chegue quente à mesa, sujar louça, respingar fogão, pelar os dedos. Tudo muito rápido, tudo muito simples, tudo muito garantido.

Só que não. Apesar de ter lido as instruções, consegui errar o preparo de um purê de batata instantâneo, uns flocos liofilizados de feitura promissoramente rápida e indolor. Abri o pacote e, ato contínuo, dissolvi o conteúdo em água fria, juntei manteiga e sal, levei ao fogo, mexi, tirei do fogo, acrescentei o leite. E, estranhando a consistência, fui perguntar a quem já tinha feito aquela comida de astronauta. Risos por todo lado. “O 5 de janeiro de 2013 será conhecido como o dia em que a Dadivosa errou um purê de batatas instantâneo!”. Não se pode ganhar sempre…

Mas tinha feito um molho de cogumelos porcini com vinho que foi servido no centro de uma sopa de batatas meio sem gosto e a coisa toda não ficou exatamente ruim. O erro, como mais de uma pessoa apontou ao saber do mau passo instantâneo, foi justamente o fato de ser “instantâneo”. Faço sem problemas um purê do zero, desde a compra das batatas até a limpeza do último pingo de leite no chão. Mas deveria lembrar que em alguns casos sou mesmo à moda antiga. Quando se trata dessas poeiras mágicas industrializadas não sei nem ferver uma água. :)

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Gnocchi

Escarafunchei meus arquivos de fotos dos últimos meses e  não houve maneira de salvar uma que prestasse desses nhoques tão gostosos. De modos que o Leitor e a Leitora querida deverão utilizar de alguma imaginação para visualizar esses bocados macios, verdadeiros travesseirinhos de batata que, complacentes, suportam quase qualquer estrepolia como acompanhamento: manteiga, molhos de queijo, de tomates, tipo pesto, com carne…

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A batata é só uma desculpa

O que eu queria mesmo era dar um oi pro Leitor e pra Leitora queridos, dizer que cheguei bem e viva, que trouxe aquelas panelas coloridas, que a única parte da mudança que desencaixotei decentemente foram as cacalhadas de cozinha, que festejei o fato de cozinhar com fogo novamente, que desta vez, ao chegar em frente ao portão,  a Frida não me sorriu latindo coisíssima nenhuma, ficou com raiva e me ignorou por uma semana, que nesse sol de outono a cidade está mais bonita e que estou sorvendo com gosto e gulodice os carinhos e beijos e abraços, as longas conversas e os cúmplices silêncios.

Queria também contar que tenho muitas saudades de escrever, de compartilhar causos e jogar conversa fora. E que tem uma fila enorme de receitas querendo aparecer por aqui, com um número absurdo de fotos também. Essa aí de cima, que furou a fila, mostra um rasgo na casca das batatas, dá pra ver? Pois então… é que no primeiro dia daquele curso (o mesmo dos raviólis), aprendi a fazer um corte bem superficial na casca da batata antes de colocá-la pra cozinhar. Com a ajuda de um pano de prato limpo e seco, basta puxar a casca que ela sai rapidinho.

Mas a dica da batata foi só uma desculpa… o que eu queria mesmo é contar que estou por aqui e que daqui a pouco tem receita nova.

Estou feliz de ter voltado, Leitor e Leitora queridos! ;***

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Purê de Batata com Wasabi

É daquelas que nem bem receitas são, valem mais como dica. Mas já fiz tantas vezes e acho tão gostoso que quis compartilhar.

As quantidades vão depender do número e da fome dos comensais, fique à vontade para acrescentar e diminuir de acordo com seu gosto e vontade.

Ingredientes (para uma porção):

  • 3 batatas pequenas
  • sal
  • 1 colher de chá de manteiga (usei com sal)
  • 1/2 colher de chá de pasta de wasabi (ou a gosto)

Como fazer:

  1. Descasque e pique as batatas e leve-as a cozinhar em água e sal.
  2. Escorra e esprema as batatas (pode juntar uma colher de sopa da água do cozimento, ou leite, ou creme de leite), incorpore a manteiga, misture o wasabi, prove (coloque um tiquinho a mais de wasabi, se quiser, mas pegue leve) e sirva. Minha combinação preferida é com salmão grelhado (mal passado no meio) e um salpico de pimenta-do-reino moída na hora e gergelim tostado.
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Só dá ela…

E foi a batata mesmo que ganhou a enquete, seguida de perto pelo pêssego. Vou publicar as três receitas, na ordem de pontuação.

Compartilho com o leitor e a leitora queridos uma versão do meu petisco madrilenho preferido, aquele me que puxa o zóio na hora de ler o cardápio e que, na sua ausência, me faz pedir-por-favor-seu-garçom se não tem como preparar uma porçãozinha.

Com vocês… Las Patatas Bravas!

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Patatas Bravas

Em primeiro plano, o aïoli (aquela espécie de maionese montada na base de bastante alho e azeite de oliva) e o molho que lhe confere a “braveza”, feito com tomates e pimentón (páprika) picante.

As da foto foram consumidas na cafeteria do Reina Sofía, após enfrentar muita muvuca da gringaiada que, como eu, aproveitou o sábado pra ir ao museu. O café, felizmente, não teve acotovelamentos. E se as patatas estavam bravas e o aïoli pungente, o clima estava ameno e o ambiente, tranquilo.

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Batatas Gratinadas com Shiitake

Dizem que o bom mesmo para fatiar regular e finamente qualquer vegetal é a tal da mandoline, espécie de ralador manual afiadíssimo que, nas espécies mais garbosas, exibe sua lâmina ultra-cortante enquanto equilibra as patinhas delgadas sobre a bancada da cozinha e oferece seus préstimos a criaturas bastante menos estabanadas do que eu. No fim de semana uma dessas me capturou a atenção pela vitrine. Cheguei mais perto, peguei a caixa, olhei, namorei, bisbilhotei e resolvi que só ia comprar um utensílio de tamanha periculosidade quando conseguisse a proeza de não me cortar com minhas facas cegas por três meses.

Para cortar essas batatas assim, quase transparentes de tão finas, empreguei uma prosaica faquinha serrilhada de churrasco, daquelas com cabo de madeira, com a ponta meio torta e os dentes meio gastos. Logrei meu intento e, por hoje, nada de lascas nas falanges, furos nas pontas dos dedos ou manicure arruinada. Imbuída de tanta concentração para não decepar os dedos, optei por uma receita muito fácil, rápida e rasteira:

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Uma espécie assim de melhor amiga

De inquestionável versatilidade, a batata encara inúmeros estilos culinários com elegância, segura as pontas do aprendiz de cozinheiro, salva almoços e jantares, restabelece convalescentes (seja nas sopas e papinhas, seja no truque dos antigos que usavam suas rodelas cruas na testa para curar enxaqueca), conforta o coração partido, dá a maior força em programas atléticos (na rua, na academia, na quadra, no xadrez…),  faz companhia na hora da ressaca, embala o sábado à noite, topa qualquer parada ou, como diz meu Babbo, vai do triângulo ao piano.

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Batatas não Fritas

Em minha humilde opinião de quem não faz parte do fã-clube das friturinhas, essas batatas reinam. Fáceis de fazer, com poucos ingredientes envolvidos, o trabalho maior é sempre esperá-las corar ao forno pelos poucos minutos regulamentares.

Recomendo ao Leitor e à Leitora queridos que tentem repetir a feita em casa, talvez aproveitando a facilidade da receita para se aventurar em outros temperos. Fica uma delícia com Lemon&Pepper, por exemplo.

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