O primeiro microondas que vi na vida foi na casa da Dona Gerda (aquela das canecas da Unicef). Ele tinha o acabemento em madeira, era grande e a programação era feita por um botão de girar, como um dial.
Dona Gerda fazia muitas coisas deliciosas naquele eletrodoméstico. Aliás, tudo o que ela cozinhava era muito gostoso.
Ela, também, era uma mulher-moderna-à-moda-antiga. Tinha os utensílios mais recentes, geralmente vindos da Alemanha, mas não dispensava a panela de pedra-sabão para fazer seu arrozinho branco. Prática e pouco dada a desperdícios, Dona Gerda vez em quando aparecia com alguma novidade culinária confeccionada em seu microondas com cara de rádio antigo.
Mas eu sempre preferi o fogão, mesmo. Microondas, em meus domínios, estava restrito às tarefas de descongelar, requentar, derreter.
Ontem, no intuito de quebrar mais um tabu culinário, cozinhei meu primeiro arroz de microondas. Seguindo as orientações da Andréa, que por sua vez me descreveu o processo utilizado por sua mãe. Funcionou, foi muito simples e ficou gostoso.
Ingredientes:
- 1 xícara de arroz integral já lavado
- 3 xícaras de água
- sal o quanto baste (não usei, pois queria comer com gersal depois)
- 1 tigela redonda refratária com capacidade para umas 5 xícaras
Como fazer:
- Despeje o arroz, a água e o sal na tigela. Programe o microondas por 15 minutos em potência alta. Não precisa cobrir.
- Findo esse tempo, mexa o arroz com uma colher e deixe cozinhar por mais cinco minutos. Fiz isso mais umas duas ou três vezes, sempre verificando o cozimento. Se preferir (ou se o arroz estiver já quase sequinho), vá de dois em dois minutos.
- Deixei descansar uns dez minutos, depois afofei o arroz com o garfo.
Minha irmã Babi encontrou, no final do ano passado, um caderno de receitas só com comidas de microondas. Ele deve datar do final dos anos 80. Não sei o que me deu para copiar um caderno inteiro de uma só vez (a letra está muito uniforme, a tinta da caneta é a mesma), sendo que não consigo me lembrar de ter feito nenhuma daquelas receitas. Vai ver ainda não tínhamos o utensílio em casa. Agora, com essa pequena restrição de combustível encanado, o tal caderno bem pode me ser útil.

