
Ao ler o relato da feitura deste majestoso purê, concebido e executado pela Rainha Katita, senti-me tremendamente impelida a testar a feita, passando por cima de toda uma fila imensa de receitas a cozinhar que vou anotando daqui e dali.
Foi amor à primeira vista! Gostaria imensamente de ter uma carne seca para acompanhar a iguaria, mas pus-me a improvisar com o que tinha à mão, pois uma visita ao mercado seria impensável dado meu estado de urgência culinária.
Pretendo repeti-la inúmeras vezes, variando os ingredientes e, quiçá, poder oferecê-la à querida Katita um dia, pessoalmente, como sinal de gratidão e apreço.
Ingredientes:
(para o purê)
- 500 g de abóbora descascada e cortada em cubos
- água o quanto baste para cozinhar a abóbora
- sal a gosto (usei ½ colher de sobremesa)
- 2 colheres de sopa de leite de coco de boa qualidade
- 4 grãozinhos de pimenta-do-reino preta
- 1 dente de alho pequenininho, acho até que era dente de leite
- 1 fiozinho de azeite de oliva
(para a cobertura)
- anéis de alho-poró (creio ter usado mais ou menos duas colheres de sopa)
- duas colheres de sopa de manteiga de garrafa
- flor de sal
Como Fazer:
- Leve a abóbora a cozer com a água e o sal.
- Quando estiver macia, escorra-a. Naquela mesma panela, refogue o alho esmagadinho até dourar. Ponha de volta a abóbora e mexa com a colher de pau. Não precisa passar por espremedor, processador, liquidificador, ou qualquer outro “-dor”.
Se a abóbora for de qualidade e você tiver a paciência de aguardar uns 15 minutos para que ela amacie, o simples mexer com a colher já vai transformá-la em purê.
Não faça como eu, que fui bater-bater-bater e quando dei por mim estava com uma multidão de respingos cor de abóbora na blusa azul-céu. Certamente que, na fúria de testar a receita, olvidei-me de vestir o avental.
Não contente com o estrago, troquei de ferramenta! Passei ao batedor de arame, que imaginei ser mais delicado, mas mantive a empolgação ao mexer e uma boa colherada de purê agarrou-se ao azulejo da cozinha.
Intrépida como sou, não me deixei abater, obviamente, mas o leitor e a leitora não perderão em tomar um pouco de cuidado.
- A abóbora que usei era rica em água, o que exigiu um certo tempo ao lume para secar um pouco. Enquanto isso, e sempre de olho, mexendo de vez em quando, quebre os grãozinhos de pimenta em seu pilão ou mesmo com a lateral da lâmina da faca e junte o tempero ao purê. Lembre-se de mexer de quando em quando, para não grudar na panela.
- Numa frigideirinha, aqueça metade da manteiga de garrafa. Se não tiver, você pode até substituí-la por manteiga comum, ou azeite. Mas aviso que o efeito não será jamais o mesmo. Manteiga de garrafa tem uma alegria ímpar, recomendo a aquisição.
Pois bem, na manteiga de garrafa aquecida, refogue os anéis de alho-poró. Como estava pensando no tanto que gosto do Rainhas do Lar, lembrei-me da querida, chique e famosa Faby e usei flor de sal para dar uma levantada no gostinho. Reserve.
- Desligue o fogo da abóbora, incorpore o leite de coco e prove. No meu caso, não foi necessário adicionar mais nada de sal.
- Transfira essa maravilha para uma vasilha que vá à mesa, coroe com o alho-poró refogado, dê mais um toquinho de flor de sal, regue com a manteiga de garrafa restante e delicie-se.
- Rende aproximadamente uma xícara e meia de purê.
Ao devorar meu potinho, às colheradas, minha cabecinha dadivosa entabulou um sem-fim de possibilidades com a descoberta: com gengibre e especiarias, num escondidinho, com queijo coalho, ladeando um assado, com farofa, recheando uma tapioca… comi sorrindo, tranqüila e feliz, como deve ser!