Gazpacho de Melocotón

November 12th, 2009

Lembrete para mim mesma: Se for beber aquela tacinha de vinho, morrendo de fome enquanto prepara a receita, não fotografe. E se for fotografar a receita, morrendo de fome, mesmo tendo bebido aquela tacinha de vinho, verifique luz e foco… pelo menos.

E com essa foto malacabada, deixo aqui a com pêssegos,  segunda colocada da enquete, que me foi gentilmente presenteada pelo leitor que atende pelo codinome de Anxiño, via este comentário.

  • Cubra o fundo de uma panela com azeite de oliva e ali refogue em fogo baixo uma chalota e dois alhos porós (parte branca) com uma pitada de sal até amolecer.
  • Adicione 1 litro de caldo natural de galinha e deixe ferver.
  • Junte 4 pêssegos bem maduros (dos amarelos) sem casca e em cubos e cozinhe por 10 minutos.
  • Bata tudo muito bem com o mixer de mão (com cuidado, pois poderá espirrar) ou liquidificador. Coe e leve à geladeira para esfriar.
  • Enquanto a sopinha esfria, faça as virutas de jamón: numa frigideira antiaderente, leve fatias de presunto cru em fogo baixo até ficarem sequinhas e crocantes. Reserve.
  • Para servir, arrume nos copinhos o gazpacho, polvilhe uma pitadinha de nada de noz moscada ralada na hora, decore com as virutas de jamón e uma folhinha de menta.

Eu gostei dela assim, um pouco mais pastosa… mas se quiser uma consistência mais leve, pode afiná-la com água gelada até dar o ponto desejado.

Só dá ela…

November 1st, 2009

E foi a batata mesmo que ganhou a enquete, seguida de perto pelo pêssego. Vou publicar as três receitas, na ordem de pontuação.

Compartilho com o leitor e a leitora queridos uma versão do meu petisco madrilenho preferido, aquele me que puxa o zóio na hora de ler o cardápio e que, na sua ausência, me faz pedir-por-favor-seu-garçom se não tem como preparar uma porçãozinha.

Com vocês… Las Patatas Bravas!

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Prorrogação

October 30th, 2009

Meuzamô :)

Vou publicar aqui as três receitas da enquete, uma de cada vez, por ordem de votação (está uma briga boa entre a batata e o pêssego). Minha intenção era fechar o placar hoje, mas a semana me deu um baile. São quase duas da manhã da quinta-feira e a cabeça-corpo-e-membros (e o zóio!) não estão querendo cooperar, pedem desesperadamente por um colchão, um travesseiro e um edredom.

Em outras palavras, estou só o pó (ou “hecha polvo”, como se diz em espanhol) e embora tenha já testado as três receitas e feito umas quantas fotos, a correria não me deixou parar umas horinhas em casa pra me dedicar a contar as experiências com todo o cuidado, tranquilidade e atenção que vocês merecem.

Vocês me perdoam? É que vou precisar prorrogar pro fim de semana para poder fazer a coisa direitinho…

Interatividade Vegetal

October 27th, 2009

Leitora e Leitor queridos, estou cá com três receitas na boca do gol, sem saber muito bem qual delas publicar primeiro. Portanto, peço licença para fazer uma consulta e descobrir por qual ingrediente vossos coraçõezinhos batem mais forte:

A) Pêssego

B) Cenoura

C) Batata

O ingrediente mais citado nos comentários é o que vai protagonizar a próxima receita, que publicarei até a sexta-feira, combinado?

Um beijo ;***

(Peço perdão pela enquete torta… é que não descobri ainda como se faz uma de verdade por aqui).

.*.Atualização.*.

Contaremos também com a participação dos queridos leitores e leitoras do Twitter, já que divulguei a proto-enquete pelo @dadivosa.

Saudade não cozinha feijão

October 21st, 2009

O nome dela era Pilar, o que só descobri na despedida, e tem 74 anos, o que descobri mais ou menos na metade do caminho. Estava na minha frente, cabelos brancos, ralos e curtinhos, casaco bege como o meu, metro e meio, esperando para atravessar a rua, quando desatou a chover uma água fina e gelada. O homem de terno preto fumava entre nós duas, impaciente. Me enchi de coragem e, num ato tremendamente egoísta nesse dia tão estranho,  perguntei baixinho se ela não queria uma carona debaixo da minha sombrinha vermelha. Ela riu um riso tranquilo de vó e atravessamos com cuidado.

Falamos das obras que estão por quase todas as partes de Madri e da necessidade de andar atentas (eu sobretudo, diga-se de passagem, já que dois sábados atrás me estabaquei na rua de novo), da Gripe Aquela Inominável e da reação da vacina e do fato dela não ter problemas respiratórios, e de ela não precisar porque era para grávidas e velhos,  e de eu observar que ela não me parecia nada grávida e de rirmos muito e ela por fim dizer que “vacina é coisa pros fracos”. Para onde a senhora vai, não quero molestar, vou até El Corte Inglés e não tenho pressa, pego o ônibus 21 minha querida, então a senhora vai comigo até lá. Ofereci o braço, “claro, já somos amigas!”, sorriu.

E contei que peguei a sombrinha na última hora, porque tinha ouvido na TV que ia chover, ela contou que sabia mas não pegou a dela, pois sabia também que tudo se acerta e que ora-veja, o anjo da guarda dela era bem esperto e tinha me deixado ali de presente-carona. E eu perguntei como ela ia fazer entre o ônibus e a casa, e ela me disse que não me preocupasse que alguém ajudaria, como sempre, que as coisas se ajeitam como sempre e desejou que meus dias em seu país fossem agradáveis, encantadores.

Tive vontade de entrar naquele ônibus, ir pra casa dela, ganhar colo e comida de vó, já que eu não tinha nada que fazer no El Corte Inglés coisíssima nenhuma. Será que ela faria uma sopa quentinha, um chá, sacaria um cozido com grão-de-bico àquelas alturas do campeonato, uma lasanha congelada, um banquete, uns biscoitos adormecidos? Entrei no supermercado do El Corte Inglés só porque então lembrei que precisaria comer, mas mal pisei e dei meia-volta , espreitei pela esquina e vi que ela estava bem abrigada, embaixo da marquise. Atravessei a rua. Aproveitei que já chovia mesmo e mandei a brasa nos efeitos especiais estilo Emília do Sítio do Picapau Amarelo, com o rímel escorrendo cara abaixo.

Pulei o segundo, o terceiro e entrei no quarto mercado do caminho, o que fica embaixo do meu prédio. Foram uns 20 minutos perambulando pelas parcas gôndolas, em trajetória caótica, tropecenta e indecisa, até pescar uns camarões e uma seleta de legumes da porta de congelados. Vou me arranjar com um couscous.

Calei o soluço, falei com o Mano rapidinho já que ele precisava anestesiar um gato, conversei com meu amor, reativei os soluços, troquei emails com a Chiquita e me dei conta que, por mais que meu dia não tenha sido assim o mais bacanudo de todos os tempos, o que eu chorava pra fora era a saudade.

Uma saudade que, segundo a mãe do Xico Sá, não cozinha feijão.

Não cozinha feijão, mas refogou os camarões em azeite, juntou os legumes, pitada de sal, umas ervas de provença, um bocadinho de vinho branco e xícara de caldo de galinha, apagou o fogo, juntou o couscous, tampou 5 minutos e serviu regado com azeite.

Não cozinha feijão, mas passou uns bons minutos de braço dado com a Pilar, que não sei se é vó de alguém e tampouco me importa, já que senti como se minha fosse,

Não cozinha feijão mas olha, se o tanto de água que chorei hoje fosse parar ali na panela, renderia era um bom caldo.

Tomates com Segredo

October 5th, 2009

Vê-se que estão desnudos, escancarados para o mundo, expostos, indefesos e devassáveis, prontos para receber na carne viva os dentes daquele que intentar desvendar seus segredos.

Pode ser que o detetive em questão não chegue a lograr seu intento e necessite de uma, duas, oito provas mais para chegar a uma conclusão. Pode ser que nem chegue, caberá ao Leitor e a Leitora revelar ou não o ingrediente invisível que veste os tomates pelados.

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Pintxo de Tortilla de Arroz

October 1st, 2009

Na falta de batatas, refoguei no azeite uma xícara de arroz já cozido, misturei na cumbuca com três ovos batidos rapidamente com o garfo, juntei sal e pimenta, devolvi a mistura pra frigideira, baixei o fogo, esperei cozinhar quase totalmente, virei no prato, devolvi para a frigideira até dourar o outro lado, cortei em pedacinhos, espetei num pão adornado com uma colherada de molho de tomate com ‘pimentón picante’ e estavam feitos os pintxos de tortilla de arroz que devoramos assistindo TV num dos sempre insuficientes e lindos dias em que ele está aqui comigo e essa casa atinge a categoria de lar-doce-lar.

Ajo Blanco

September 25th, 2009

Embora leve alho no nome, essa prima branquela do Gazpacho não costuma ser muito forte. Tem como base amêndoas cruas, pão dormido, azeite, vinagre de jerez e água filtrada ou mineral geladinha.

A receita original, do livro “Cocina de Temporada para Inexpertos”, levava um ovo e oito (oito!) gordos e egocêntricos dentes de alho para quatro porções. Fiz metade da receita, adaptando uma coisa daqui e dali, nada de ovo, um só alho.

Vamos a ela:

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Aviso

September 21st, 2009

Leitora e Leitor Queridos,

Acabo de voltar de férias e, em vez de contar sobre o que vi, comi e bebi, preciso dar um jeito nessas ervas daninhas que cresceram nos porões deste blog e provocaram mensagens de erro e impossibilidade de comentar.

Agradeço a todos que gentilmente me avisaram do problema. Estou aqui, de chapelão, avental, luvas, pás e ancinho, tentando arrancar essas pestes com a ajuda de um que outro amigo mais esperto.

Um beijo e torçam por mim! ;***

Dadivosa

Gazpacho

September 7th, 2009

Diz que ele é como escova de dente, traseiro e molho de tomate: cada um com seu cada qual. E depois de provar alguns gazpachos por aí (de restaurantes bacanas aos comedores da fiiiirrrrma), de espiar receitas várias e de arriscar em casa uma que outra versão, posso dizer agora também tenho meu preferido: saboroso o suficiente para ser memorável, suave o suficiente pra não ser “inesquecível”.

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