Zuppa di Farro, Sopa de Espelta

Quase que se pode comer esta sopa a garfadas. Ela fica melhor no dia seguinte, vive bem na geladeira em pote fechado, vai ao congelador com muita dignidade e, tépida ou pelando, pode ser regada com azeite, salpicada de pimenta, coroada de queijo ralado. Se bobear, vai ao forno com pão ralado para tostar.

Daquelas que a gente faz um panelão e fica triste quando acaba, começa a ter saudade, sabe como é?

Ingredientes

  • 3 colheres de sopa de azeite de oliva
  • 100 g de pancetta picada (se não tiver, substitua por bacon ou lombo defumado)
  • 1 xícara de chá de cebola picada
  • 1 xícara de chá de cenoura picada
  • 1 xícara de chá de aipo picado
  • 3 dentes de alho picados
  • 200 g de espelta
  • 1 lata de tomates pelados (faça uns cortes neles com faca de serrinha, ainda dentro da lata)
  • água fervente
  • 1 lata de feijão cannellini ou borlotti (peso líquido 240g)
  • sal e pimenta-do-reino a gosto
  • 1 colher de sopa de sálvia fresca picada
  • 1 colher de sopa de alecrim fresco picado

Como fazer

  1. Em panela grande e funda, preferencialmente de fundo grosso, doure a pancetta no azeite.
  2. Adicione a cebola, a cenoura e o aipo (gosto de picá-los bem miúdos, com calma e paciência) e mexa. Quando estiverem macios e dourados, junte o alho e deixe dourar.
  3. Junte a espelta/trigo vermelho e os tomates e cubra tudo com água fervente, ultrapassando a mistura em dois dedos.
  4. Deixe ferver em fogo baixo, vigiando, mexendo e adicionando mais água se pegar no fundo, por pelo menos 1 hora, até o grão amaciar.
  5. Junte o feijão, enxaguado e escorrido, sal, pimenta, a sálvia e o alecrim. Misture bem e deixe apurar por uns 10 minutos.
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Um jantar completo para quatro, em meia hora

Você pode seguir o menu tal e qual, ou usá-lo de inspiração e acrescentar ingredientes, substituir temperos, incluir uma proteína cozinhada por você, comprada na rotisserie ou trazida por um conviva prendado. É tudo descomplicado e não carece de cozinha profissional, tampouco utensílios e panelas especiais.

Meu intuito, besta de tão simples, é pegar na mão do Leitor e da Leitora em distintos graus de Dadivosidade e destrinchar o processo de preparar um jantar para quatro pessoas em trinta minutos, da lista de compras à seqüência de preparo.  Se o formato apetecer e as dicas forem de serventia, ficarei bem feliz!

Coloque seu avental da sorte e vamos…

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Pão Rápido de Banana, Aveia e Nozes

Já contei pra vocês que andei comprando uma máquina de pão? Pois então. Comprei depois de muito espiar pela internet e pelas casas dos outros, topar com aqueles comerciais medonhos, refletir se de fato usaria ou se depois do primeiro mês não ter onde guardar o trambolho inútil.

Comprei não sem antes tentar sovar a massa no muque aquelas tantas vezes com a cabeça já no provável desastre panificante, será que vai embatumar, tá bom de trigo, porque não cresce logo, se já nem sempre dá certo com esse fermento seco instantâneo, imagina se eu resolver fazer pão de verdade, daqueles com fermento puro-sangue, passado adiante por gerações, ao qual as pessoas dão nome e sobrenome, fermento que precisa ser carinhosa e muito corretamente alimentado, pois qualquer deslize pode ser fatal, Messiê Levain bate as botas, come grama pela raiz, abotoa o terno de madeira, zé fini, caput!

Enquanto matutava sobre a real necessidade de uma maquineta que só mistura os ingredientes, fica morna pra massa crescer e depois se esquenta ao ponto de assar um bloco quadradão e sem personalidade e perguntava pra consciência se devia adquirir a geringonça, relatos do alheio me atiçavam a cobiça e todo um mundo de pães infalíveis, fáceis, quentinhos, lascivos e disponíveis se apresentava ali adiante.

Sucumbi num calorento sábado à tarde. Passei numa loja dessas de eletrodomésticos, me recusei a fazer mais um tenebroso cadastro “pra tá sempre ficando sabendo das nossas promoções”, peguei um táxi dali até em casa porque o céu desaguou quando eu saía meio que arrastando aquele caixote imenso.

A máquina vem com um livreto de receitas, que eu já tinha visto. Para quem não possui o equipamento, as instruções não ornam, chegam a dar raiva: coloque os ingredientes na ordem indicada, aperte o botão tal até chegar no tipo 9, selecione a quantidade de massa como II, escolha a cor da casca, aperte iniciar/parar.

É mais ou menos o que dizia o modo de fazer desse pão rápido de banana, mas como a massa usa fermento de bolo (daquele branquinho mesmo), não precisa crescer antes, não tem ponto de sova nem nada, já fiz um parecido antes de ter a máquina e deu muito certo, achei por bem deixar a receita. Fica mais compacto, feito um pão integral. É úmido, perfumado e bem moreninho por causa do açúcar mascavo. Uma belezura e nem precisa de máquina pra fazer!

Ingredientes:

  • 1 xícara de banana amassada com o garfo
  • 2 ovos
  • 3 colheres de sopa de manteiga derretida
  • 1 xícara de açúcar mascavo
  • 1/2 xícara de nozes picadas
  • 1 xícara de farelo de aveia
  • 1 1/2 xícara de farinha de trigo
  • 1/2 colher de chá rasa de sal
  • 1 colher de chá de canela em pó
  • 1 colher de chá de bicarbonato de sódio
  • 1 colher de sopa de fermento em pó (químico)

Como fazer:

  • Ligue o forno para preaquecer. Unte uma forma de pão.
  • Misture a banana, os ovos e a manteiga (pode usar um garfo, a batedeira ou uma colher de pau) e reserve. Em outra tigela, misture os demais ingredientes (açúcar, nozes, aveia, trigo, sal, canela, bicarbonato e fermento). Junte os secos com os molhados, mexendo até incorporar. Despeje na forma, leve ao forno médio até que, enfiando um palito na massa, ele volte limpo.

.*. Atualização .*.
Comprar ou não comprar uma máquina de pão?

Ao Leitor e Leitora queridos que suspiram ao ver a maquineta na TV, com aquele pão recém-assado que derrete a manteiga a metros de distância, que sonham em jogar todos os ingredientes ali e acordar com o perfume de pão caseiro, àqueles que cobiçam tal eletrodoméstico e precisam de ajuda para decidir se vale a pena comprar uma máquina de pão, sinto dizer que decidir por vocês não posso, mas de bom grado deixo aqui algumas observações:

  1. Se possível, visite alguma loja que vende o equipamento. Abra a caixa, repare nas dimensões, entenda o funcionamento com o vendedor.
  2. Verifique se tem onde apoiar e ligar a geringonça. Uma vez que você já sabe as dimensões e o peso dela, já pode imaginá-la em sua cozinha. Ela balança um pouco enquanto está misturando a massa, é bom que a superfície onde ela vai trabalhar seja firme.
  3. Veja também onde ela vai morar. É normal que role uma empolgação inicial, mas a menos que a família seja numerosa e a produção seja diária, pode ser que você precise “estacionar” o aparelho em algum lugar.
  4. A máquina mistura, sova, faz crescer 2 vezes e assa o pão num formato meio paralelepípedo, que é o tamanho do recipiente interno dela. É possível usá-la somente para sovar a massa, que pode ser retirada e assada em outras formas e formatos num forno convencional. Confesso que não usei esse artifício. Quando ligo a máquina é mesmo pra jogar ali os ingredientes sem interagir muito no processo.
  5. O livro de receitas que acompanha o produto diz que é possível sovar massa de macarrão, fazer geléia, bolos e algumas sobremesas. Até agora, só testei pães mesmo.
  6. Não é por falta de equipamento que você vai deixar de se aventurar! A máquina pode bem ser uma comodidade…mas essa receita que escolhi compartilhar, de pão rápido de banana,  pode muitíssimo bem ser feita com uma vasilha grande, uma colher de pau e poucos minutos. E tem outras receitas por aqui, espia:
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Bolo de Coco de Liquidificador

Frida late fininho e mexe a pata traseira, sonha o sono dos cães felizes e rompe, querida, o silêncio da casa nesse comecinho de sexta-feira. Sem saber, me faz companhia numa leve e inofensiva insônia produtiva que me leva a, finalmente, começar a desencalacrar fotos e receitas cometidas nas últimas semanas: comidas das mais bobinhas, mas nem por isso menos gostosas, como o ensopado de inspiração toscana, o molho de mostarda pra salada, o purê de batata doce, a torta salgada de restinhos, as inúmeras saladas verdes e coloridas e um único e surpreendentemente molhadinho bolo de coco de liquidificador, receita que devo ter copiado de alguma revista por volta dos 15 anos.

Ingredientes:

  • 2 xícaras de farinha de trigo
  • 1 colher de sopa de fermento em pó
  • 1 pitada de sal
  • 5 ovos
  • 150g de manteiga em temperatura ambiente
  • 1 1/2 xícara de açúcar
  • 200 ml de leite de coco
  • manteiga para untar a forma
  • açúcar de confeiteiro para polvilhar

Como fazer:

  1. Unte uma forma redonda com buraco no meio, de 22 cm de diâmetro (usei uma forma de pão e duas formas de mini-pudim, como essa aí da foto).
  2. Ligue o forno a 180 graus para preaquecer (temperatura média).
  3. Numa tigela grande, peneire a farinha, o trigo e o sal, misture e reserve.
  4. No liquidificador, coloque os ovos, o açúcar, a manteiga e o leite de coco e bata até a mistura ficar bem fofa (uns 4 minutos).
  5. Despeje o creme batido na tigela com os ingredientes secos, misture só para incorporar tudo e deite a massa na forma untada.
  6. Leve ao forno e asse por 35 minutos, ou até o bolo ficar levemente dourado.
  7. Tire do forno, deixe amornar, desenforme, deixe esfriar e polvilhe açúcar de confeiteiro na hora de servir.
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De Manga e Amoras (e do que tinha em casa)

Ia chamar de crumble, aquela sobremesa com fruta embaixo e farofinha crocante em cima, mas acho que não é pra tanto. Um improviso, isso sim, um arremedo pouco doce de qualquer coisa de fruta por baixo e algo crocante por cima, pois havia manga picada na geladeira, amoras no congelador e uns biscoitos japoneses pedindo pelamor que alguém desse um sentido para suas efêmeras existências. A receita serviu um casal no jantar e ainda virou parte do café-da-manhã-pra-nós-dois-te-fazer-um-carinh0-e-depois.

Ingredientes:

  • manteiga para untar a forma
  • 2 xícaras de manga picada
  • 1 xícara de amora congelada
  • 1 xícara de biscoitos esmigalhados (usei Sembei)
  • 4 ou 5 castanhas-do-pará picadas
  • 2 ‘fatias’ de manteiga gelada (1/2 cm) picadas
  • 1 colher de sopa de açúcar demerara ou cristal

Como fazer:

  1. Ligue o forno para aquecer, ou aproveite o embalo das beterrabas.
  2. Unte uma forma pequena com manteiga. Deite ali os pedaços de manga e as amoras.
  3. Por cima, espalhe o biscoito picado e as castanhas, distribua os pedaços de manteiga e polvilhe o açúcar.
  4. Leve ao forno até as frutas aquecerem bem. Sirva morno ou em temperatura ambiente. No dia seguinte, as sobras combinam muito bem com uma cumbuca de iogurte natural caseiro.

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Beterrabas Assadas com Gorgonzola

Ingredientes:

  • 6 beterrabinhas orgânicas lavadas, com casca
  • 1 folha de louro
  • azeite
  • sal e pimenta a gosto
  • 2 colheres de sopa de queijo gorgonzola esmigalhado
  • 2 colheres de sumo de limão (usei siciliano, cravo também deve ficar bom)
  • folhas de rúcula para ornar, se tiver

Como fazer:

  1. Ligue o forno. Num papel alumínio, vai um fio de azeite, o louro, as beterrabas, pitada de sal e de pimenta-do-reino moída na hora. Feche bem o papel alumínio, formando um pacotinho, e leve-o ao forno dentro de uma forma.
  2. Deixe as beterrabinhas lá, por coisa de 40 minutos, espetando de vez em quando. Tire-as do forno quando estiverem macias.
  3. Abra o papel alumínio com cuidado. Se estiver numa onda mais… como dizer… rústica, pule para o passo número 4. Caso contrário, espete uma beterraba por vez num garfo e, com a ajuda de uma faca e cuidado, raspe a casca fora.
  4. Corte cada beterraba em quatro pedaços, disponha-os sobre a rúcula, regue com o suco de limão e, enquanto ainda quente, cubra-os com o gorgonzola.
  5. Um bocadinho mais de sal, pimenta e azeite, se desejar. Sirva ainda morno, como entrada.
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Lulas Assustadas

Pá-pum, sem muita cozinhagem, que lula é feito camarão, carece de um fogo forte e decidido, até embaçar a carne e só. Basta um susto, BUUUUU. SHHHHH. Um tempero e um chamego. A receita a seguir é para 2 porções.

Ingredientes:

  • 2 colheres de sopa de azeite de oliva
  • 400 g de lulas pequenas, já limpas, passadas por água corrente, escorridas e cortadas em rodelas (usei os tentáculos também)
  • 1 dente de alho em lâminas muito finas (use a faca mais afiada que tiver)
  • 5 azeitonas picadas (descarte os caroços)
  • 1 xícara de tomates-cereja cortados ao meio
  • raspas de 1 limão siciliano
  • sal e pimenta-do-reino a gosto
  • rodelas de batatas cozidas para guarnecer

Como fazer:

  1. Leve uma frigideira grande com azeite à boca de fogo mais atrevida que tiver. Quando o azeite estiver bem quente (vai começar a sair fumacinha), jogue ali, de uma vez, as lulas. Sshhshhhhhhhhshhhh.
  2. Salpique o sal, a pimenta, as raspas de limão, junte o alho e remexa um pouco. Adicione os tomates e as azeitonas.
  3. Estará pronto quando as lulas ficarem foscas.
  4. Sirva sobre rodelas de batatas cozidas em água e sal, ou um arroz branco. Das poucas preparações que podem levar menos tempo para fazer do que para comer. Pá-pum. Jantinha urgente em menos tempo do que pedir uma pizza. BUUUU! Assustou, comeu.

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