Berinjela Defumada com Molho Oriental

Berinjela Defumada com Molho Oriental

Passei uma época com tremendo banzo de quase tudo o que era “gastronômico”. Na internet, na TV e nos cadernos de comida dos jornais daqui, principalmente (esses últimos, ainda não voltaram a me interessar por completo). Estava achando tudo muito repetitivo e pode até ser que um dos motivos daquela sensação fosse nada menos que a quantidade de horas em que me concentrava no tema. Outro poderia bem ser a moda de comida, ou “tendência”, ou marketing/relações públicas/assessoria de imprensa, ou as leis do mercado, ou tão simplesmente aquela preguiça generalizada que transforma uma coisa que você até gostaria em insuportavelmente ubíqua para, em seguida, pegar uma parte dela (geralmente a menos interessante) e repetir-repetir-repetir, e enfeiar e espalhar feito praga de vitrine de shopping com moda da novela em todos os sites, eventos, entrevistas, blogs, prêmios, concursos “ações em redes sociais” revistas, jornais, televisão. E quem consome/lê vira propagador imediato e a coisa parece não ter fim… até chegar a próxima onda, o que não demora muito, começa tudo de novo, ufa, amarguei.

Por perigo de rabugentice crescente, abstive-me de ler o que pude do que estava nessa grande bolha e não posso dizer que passei por um rehab porque o esforco em buscar informação e entretenimento em outros lugares – pois não deixei de me interessar pelo assunto em si, apenas me cansaram o viés e a repetição – não impediu que um pouco disso sempre chegasse a mim de uma forma ou de outra (ou alguém passou incólume pela carestia do tomate, que deu dinheiro e audiência, foi espremida e explorada à exaustão, sempre no rasinho, e fim virou notícia velha e piada ruim?).

Mas o que se diz, escreve, filma, fotografa, publica e emite sobre comida, seja bom ou ruim, me atrai demaisiado para conseguir ficar longe. E me pego grudada vendo reprise do Que Marravilha! Revanche do Claude Troigros e tenho ganas de fazer babaganoush de jiló só para brincar de queimar a casca na chama do fogão. E não tenho jiló, mas tenho berinjelas, fazia tempo que não chamuscava berinjelas no fogo para sentir depois a polpa macia, defumada, doce e amarguinha ao mesmo tempo.

Berinjelas Chamuscadas

Consciente ou inconscientemente, acrescentei ao doce e ao amargo o salgado, o picante, o ácido, o umami e o… por falta de nome melhor… o levemente alcóolico, ou melhor, o destilado do sochu. Fiz um molho que chamei de oriental. Mas berinjela defumada é coisa séria e muito da boa, vai ficar um espetáculo com qualquer caminho que se resolver seguir: italianado, afrancesado, texmexizado, arabizado, ou até mesmo o que estiver na modinha-féxion-gourmezaria da semana. Sem brincadeira nem julgamento. Mesmo!

Berinjela Defumada com Molho Oriental

Ingredientes:

  • 500 g de berinjelas (usei das minis)
  • 1 colher de chá de gengibre fresco ralado
  • 1 dente de alho pequeno esmagado
  • 1 colher de sopa de limão
  • 1 colher de sopa de shoyu
  • 1 colher de chá de mel
  • 1 colher de sopa de sochu (pode substituir por sakê, ou omitir)
  • 1 colher de sopa de óleo de gergelim claro

Como fazer:

  1. Lave e seque as berinjelas, retire a folha com cuidado e deixe os cabinhos. Coloque uma grade sobre a boca do fogão (ajuda bastante), ligue o fogo e deite ali três ou quatro berinjelas mini ou uma grande. Espere a casca queimar de um lado e vá virando até que ela fique completamente preta. 
  2. Embrulhe bem a berinjela em papel alumínio assim que tirá-la do fogo, deixe-a descansar e repita a operação com as restantes, se for o caso. Deixe-as quietas por uma meia hora.
  3. Abra o papel alumínio. A casca, fininha e esfarelenta, sai com facilidade, é só afastá-la da polpa. Faça isso com delicadeza, deixando a berinjela o mais intacta possível. Arrume as berinjelas em um prato de servir e esmague-as delicadamente com o garfo, achatando-as.
  4. Prepare o molho. Em uma tigela pequena, misture o gengibre, o alho, o suco de limão, o shoyu, o mel, o sochu e o óleo de gergelim. Regue as berinjelas com um pouco do molho. Sirva em temperatura ambiente, como petisco ou entrada.
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Muffin de Bacon

Muffin de Bacon

Muffin é aquela belezura. Fácil e rápido de fazer, suja pouca louça, rende bastante, agrada muita gente, um sucesso. O da vez foi muffin de bacon. Ficou levinho, prometo.

Receita de Muffin de Bacon

Ingredientes

  • 100 g de bacon picado em cubos bem pequenos
  • 2 xícaras de farinha de trigo
  • 1 colher de sopa (rasa) de fermento em pó
  • 1/2 colher de chá de sal
  • 1 colher de sopa (rasa) de açúcar
  • 1 xícara de leite
  • 2 ovos
  • azeite de oliva
  • manteiga para untar as formas (caso não use as de papel)
  • queijo ralado para polvilhar (opcional)

Como fazer

  1. Ligue o forno para preaquecer a 220°C. Unte as formas de muffin. Se for usar as de papel, não precisa untar, apenas coloque-as na forma de metal.
  2. Leve uma frigideira ao fogo brando com um fio de azeite, coloque ali o bacon e deixe dourar e derreter a gordura. Ele vai pular de vez em quando, cuidado!
  3. Escorra o bacon em uma peneira, reservando a gordura da frigideira. Deixe o bacon sobre papel toalha para secar um pouco.
  4. Em uma tigela grande, peneire a farinha, o fermento, o sal e o açúcar.
  5. Meça a gordura do bacon. Você vai usar duas colheres de sopa. Caso não tenha o suficiente, complete com azeite.
  6. Misture aos secos a gordura, o leite, os ovos e o bacon. Não precisa bater, apenas incorporar todos os ingredientes. Quanto menos mexer, mais fofinho fica. Pode deixar alguns grumos, não tem problema.
  7. Coloque a massa nas formas. Sabe aquelas colheres boleadoras de sorvete que tem uma alavanca? São ótimas para porcionar a massa sem fazer sujeira. Essa receita da certinho 12 colheres daquelas.
  8. Polvilhe queijo ralado sobre os muffins ainda crus.
  9. Leve ao forno e fique de olho. Dependendo do seu equipamento, pode levar de 15 a 25 minutos.
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Bolo de Baunilha de Verdade

Fosse uma pessoa, enfiaria um saco de pão na cabeça, ficaria trancado no quarto, choraria no chão da cozinha depois de escorregar as costas pela porta da geladeira, faria votos de clausura.

Ficou um filhote de cruz-credo, do avesso, infotografável, o pobre bolo de baunilha de verdade que testei já depois da meia-noite para um evento que farei na sexta. E a culpa não foi da receita, que a receita é das boas, apesar de tão diferente no modo de fazer. Nem do meu sono, que esse chegou já era quase dia. O desastre aconteceu simplesmente porque ignorei regra básica e tentei tirá-lo da forma ainda quente. Estava com a cabeça em outra coisa, às vezes acontece.

Desmoronou em partes, ficou irremediavelmente mal diagramado, assimetricamente escangalhado, com as vergonhas e entranhas ao léu. Mas ficou gostoso!

Fosse uma pessoa, diria que é sangue bom, gente fina, bacana, interessante, intrigante, tem personalidade e beleza interior!

Receita de Bolo de Baunilha de Verdade

Ingredientes:

  • 240 ml de leite integral
  • 4 claras
  • 1 ovo inteiro
  • as sementes de duas favas de baunilha
  • 315 g de farinha de trigo, peneirada
  • 300 g de açúcar
  • 20 g de fermento em pó
  • 5 g de sal
  • 170 g de manteiga sem sal, cortada em cubos

Como fazer:

  1. Com todos os ingredientes em temperatura ambiente, preaqueça o forno a 180°C. Unte e enfarinhe duas formas redondas de aproximadamente 20 cm de diâmetro.
  2. Em um recipiente junte 1/4 do leite com a baunilha, as claras e o ovo, batendo até homogeneizar. Reserve.
  3. Agora é que a receita fica diferente, mas tenha fé que funciona mesmo. Na tigela da batedeira, misture todos os ingredientes secos até incorporá-los bem. Ligue a batedeira em velocidade baixa, acrescente a manteiga e bata por uns 30 segundos. Acrescente os 3/4 do leite e bata em temperatura média por um minuto e meio, mais ou menos. Vai formar um creme fofo.
  4. Com uma espátula, raspe as paredes da tigela e misture a massa. Repita três vezes o seguinte procedimento: crescente 1/3 da mistura de leite e ovos, bata por meio minuto. E a massa está pronta.
  5. Divida a massa entre as duas formas preparadas e asse por 25 a 35 minutos. O tempo vai depender do seu forno. A partir dos 25 minutos, já pode abrir o forno para fazer o teste do palito (espete um palito no meio da massa, se sair limpo o bolo está pronto).
  6. Recheie/cubra com o que quiser. Eu recheei e cobri um dos bolos com ganache de chocolate e creme de avelã. E o outro voltou para a forma depois do acidente estético. Sim, não contente em destruir um, fui lá e desenformei o outro bolo ainda quente.

Receita foi uma mistura de várias daqui

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O que é que a banana tem?

Banana – Dadivosa

É amor em penca e só depois de mulher feita encontrei gente que não a suporta, meia dúzia de gatos pingados para confirmar a regra. Na receita de hoje a banana é grelhada em beurre noisette, uma manteiga aquecida até ficar marrom e liberar um cheirinho de avelã. É fácil, é simples, é barato, é prosaico, até. Mas olha, é bem bom!

Como fazer Beurre Noisette (ou manteiga marrom, ou brown butter, ou mantequilla avellana, vocês entenderam)

Ingredientes:

  • manteiga sem sal

Como fazer:

  1. Leve a manteiga ao fogo em uma panela de fundo claro, para que seja mais fácil perceber a mudança de cor. Fique vigiando que é coisa rápida.
  2. Deixe em fogo médio a baixo. Ela vai espumar e crepitar e estalar. É a água da manteiga indo embora.
  3. Vá girando a panela (ou mexendo com uma colher de pau). A manteiga vai mudar de cor. Quando estiver bronzeada, marrom claro, retire imediatamente do fogo e, com cuidado, passe por uma peneira para outro recipiente por dois motivos: 1) se continuar na panela quente ela vai continuar a escurecer e virar outra coisa (beurre noir, a versão mais amarga e escura, ou queimar) e 2) ao passar com cuidado pela peneira você separa os eventuais resíduos sólidos que possam ter queimado um pouco mais.
  4. Empregue (nos livros de receita da vó sempre tinha um “empregue”, adoro!) ou armazene na geladeira. Pode usar quente sobre aves, peixes e carnes, sozinha ou para compor molhos, em receitas de bolos, madeleines, financiers e o que mais quiser, pode usar fria (fica com cara e cor de doce de leite como na foto a seguir) sobre um pão quentinho com uma pitada de flor de sal, ou para grelhar banana :)

Beurre Noisette – Dadivosa

Banana Grelhada com Beurre Noisette (para dois)

Ingredientes:

  • 2 bananas-prata maduras
  • 2 colheres de chá de beurre noisette (ou manteiga marrom, ou brown butter, ou mantequilla avellana, aquela coisa toda)
  • açúcar de confeiteiro para polvilhar
  • sorvete ou creme de leite batido para servir (opcional)

Como fazer:

  1. Descasque e corte as bananas ao meio, no sentido do comprimento.
  2. Aqueça a manteiga em uma frigideira antiaderente.
  3. Grelhe as bananas na manteiga, em fogo médio, até dourar, dos dois lados.
  4. Transfira para o recipiente onde vai servi-las e polvilhe açúcar de confeiteiro.
  5. E é só. Se quiser, sirva com uma bola de sorvete de creme ou creme de leite batido.

 

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Borscht Gelado da Ana (ou quase) – Sopa Fria de Beterraba

Borscht Gelado/ Sopa Fria de Beterraba

Borscht Gelado/ Sopa Fria de Beterraba

Alardeei pelo Twitter e Facebook e, não estivesse convalescendo naquele e nos três seguintes dias, teria dado pulos e feito uma dancinha para comemorar o fato de encontrar a receita de meu borscht preferido, a sopa fria de beterraba da Ana Kaufmann, do restaurante ak/vila.

Precisei fazer adaptações, é verdade. Estava, como disse, convalescendo*, e não me dispus a descer e subir e cruzar a avenida e comprar creme de leite fresco e descer e subir de novo para fazer uma sopa gelada de beterraba que me nutrisse e aplacasse o desconforto de uma chatíssima cirurgia odontológica (pouparei leitor e leitora de quaisquer descrições sórdidas).

Fato é que ficou deliciosa, ajudou-me na recuperação, viveu bem por 3 dias na geladeira, e repetirei usando o creme assim que der.

Receita de Sopa Gelada de Beterraba

Ingredientes:

  • 250 g de beterrabas sem casca
  • 150 g de cenoura sem casca
  • 100g de tomate sem pele e sem sementes
  • 170 g de iogurte natural (e mais para servir)
  • suco de 1/2 limão tahiti
  • açúcar, sal e endro picado (dill) a gosto

Como fazer:

  1. Coloque a beterraba, a cenoura e o tomate em uma panela pequena. Cubra com água fria e leve ao fogo até a beterraba e a cenoura ficarem macias. Escorra reservando a água do cozimento.
  2. Bata os sólidos no mixer de mão ou liquidificador com 100 ml do líquido reservado. Tempere com sal e açúcar e leve para gelar.
  3. Sirva com uma colherada de iogurte e dill (endro) picado.

A receita original do Borscht Gelado da Ana Kaufmann está aqui. Obrigada, Ana!

* Estava, não estou mais. Um fim de semana de molho, com sopas frias, iogurte, frutas, antibiótico, analgésico sublingual (que bela invenção!) e muito sono depois, estou seminova em bom estado :)

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Por quê?

Coração ao vinho

Porque sim. Para distrair, passar o tempo, brincar. Inventa, cozinha, conta, escreve, compartilha, mostra aí.

Para mostrar coisas que são o que são, mas que podem revelar segredos para quem souber olhar e sentir. Para dar sentido ao mil-folhas de alegrias, desassossegos, intimidades e acontecimentos indizíveis. Para esquecer.

De todos os portos, daqueles braços, dos arrozes insossos, dos bolos solados. A gente não se esquece de nada não, a gente se acostuma, como diz o Jacques Brel. Por costume. Como rotina necessária. Um hábito de higiene.

Para limpar o entulho de pensamento, faxinar a cabeça, desapegar de receitas e histórias e saudades que vivem no lado de dentro, mas chega uma hora em que precisam ganhar mundo. Porque receitas e histórias e saudades encarceradas assim, ignoradas assim, são bem capazes de cavar um túnel, passar por vasos e veias, grudar nas artérias e arruinar o coração.

Porque no fim das contas é ele quem manda nisso aqui. É o coração quem inventa, cozinha, conta, escreve, compartilha, mostra aí. E se calhar de aparecer um vinho para amolecer as saudades e uma mini salada de cebola com hortelã para refrescar as ideias, tanto melhor.

 Receita de Coração de Galinha com Vinho

Ingredientes:

  • 300 g de coração de galinha muito limpos (sem vestígios de artérias ou pelancas)
  • 150 ml de vinho tinto
  • 2 dentes de alho espremidos
  • 2 folhas de louro
  • 1 galho de alecrim fresco
  • 1 colher de sopa de azeite
  • 1 colher de sopa de manteiga
  • sal e pimenta a gosto

Para a mini salada:

  • 1 cebola (se tiver da roxa, melhor ainda)
  • gelo
  • folhas de hortelã
  • 1 limão tahiti

Como fazer:

  1. Faça uma marinada misturando o coração, o vinho, o alho, o louro, o alecrim, um pouco de sal e de pimenta. Deixe descansar por 30 minutos.
  2. Aqueça no fogo forte o azeite e a manteiga em panela de fundo grosso. Enquanto isso, retire os corações da marinada com uma escumadeira e reserve-os separados, corações de um lado, líquido do outro.
  3. Doure os corações na manteiga. Acrescente o líquido da marinada. Abaixe o fogo e, vigiando de vez em quando, acrescentando um pouco mais de água quando o líquido secar, deixe cozinhar por uma hora. Corrija sal e pimenta.
  4. Meia hora antes de servir, corte a cebola em fatias finas, deixe no gelo com um pouco de água. Elas ficarão mais crocantes e suaves. Passada meia hora, escorra-as e misture com a hortelã rasgada grosseiramente e o sumo do limão.
  5. Sirva os corações sobre uma polenta mole, como a da foto, ou o que achar por bem (com purê de batatas fica muito bom). Cubra com um pouco da mistura de hortelã e cebola, polvilhe flor de sal.
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Patê Feito em Casa

Patê Feito em Casa – Dadivosa

Na casa da mãe uma época foi moda um patê feito em casa delicioso, quase uma terrine, que a gente cortava em fatias, comia com pão no café da tarde, tinha fígado que eu sei, sempre gostei de fígado.

Lembra como era bom, mãe? Nunca mais fiz, tia Vânia que ensinou, acho. Pedi a receita, ela não tinha mais, ia pedir de novo. E agora, como faz para matar a vontade? Faz assim, ó: consulta quatro livros, duas revistas, larga tudo e resolve fazer como deu na telha. E não tem nada a ver com o patê da mãe, mas ficou um espetáculo. Comi com pão feito em casa também, aquele sem sova, receita aqui.

Ingredientes: (rende aproximadamente 400 g)

  • 250 g de fígado de galinha, limpo, livre de qualquer pele, membrana, veia (comprei extra limpo, mas ainda precisei remover umas coisinhas)
  • sal e pimenta-do-reino moída na hora a gosto
  • 1 colher de chá de óleo vegetal neutro (canola, girassol, coco)
  • 125 g de manteiga sem sal em temperatura ambiente
  • 2 colheres de sopa de cebola picada muito miúda
  • 1 dente de alho pequeno, picado miúdo com a faca
  • 50 ml de Pedro Ximénez (se não tiver, pode usar porto, ou conhaque)
  • 2 colheres de sopa de salsinha fresca picada bem miúda (opcional)

Como fazer:

  1. Inspecione o fígado mais uma vez. Sério, faz diferença. Tem umas partes que, se não retiradas, amargam. Se estiver bem limpo, tempere levemente o fígado com sal e pimenta (pouco, vamos acertar o tempero depois).
  2. Em uma frigideira grande, derreta uma colher de sopa de manteiga com o óleo vegetal. Quando estiver bem quente, coloque o fígado para cozinhar muito rapidamente. Três minutos de um lado, dois do outro são o suficiente, eles devem ficar rosados por dentro. Cuidado para não superlotar a frigideira. Se necessário, faça o trabalho em mais vezes. Retire os fígados da frigideira e reserve-os.
  3. Nessa mesma frigideira, em fogo baixo, refogue a cebola, mexendo sempre, até murchar. Acrescente o alho picado, mexa por mais um minuto, junte o vinho e deixe evaporar o álcool. Desligue o fogo.
  4. Em um processador ou liquidificador, bata os fígados com o refogado de cebola até formar uma pasta. Corrija o sal e a pimenta. Deixe esfriar um pouco. Se quiser, é nessa hora que você deve colocar a salsinha.
  5. Quando a mistura estiver em temperatura ambiente, incorpore a manteiga usando um batedor, colher, garfo ou colher de pau até o patê ficar homogêneo. Leve à geladeira no pote que preferir e consuma no dia seguinte, vai estar mais gostoso.
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Receita de Pão sem Sova

Bastam fermento, água, sal, farinha e cinco minutos com a mão na massa para ter pão caseiro quentinho e crocante todos os dias. Testei a promessa do livro “Artisan Bread in Five Minutes a Day” há bastante tempo, que dá uma receita de pão sem sova que você mistura, deixa crescer e depois guarda na geladeira por até duas semanas para ir assando sempre que quiser.

O Livro: Artisan Bread in Five Minutes a Day

O livro explica a técnica, os porquês, os senões, as variações e as mil firulas que você pode empregar nesta que, para mim, é mais fácil ainda do que receita de pão de liquidificador. E ainda suja bem menos louça, o que nunca é ruim.

Os cinco minutos por dia, como vocês podem imaginar, é o tempo “ativo” da coisa. O que o título chamativo não conta, e que você deve ficar de olho, é que o pão vai precisar de uns 40 minutos para crescer, uns 30 minutos para assar e mais o tempo de esfriar (mas quem é que em sã consciência faz um pão cheiroso desses de casquinha crocante e tem a força de vontade de esperar esfriar?).

A receita mãe é a que segue, com meus comentários e simplificações.

Receita de Pão sem Sova

Ingredientes:

  • 3 xícaras de água morna
  • 1 1/2 colheres de sopa de fermento biológico seco (fermento para pão, pode ser aqueles de envelope)
  • 1 1/2 colher de sopa de sal granulado (você pode moer o sal grosso, ou usar sal fino reduzindo a quantidade pela metade)
  • 6 1/2 xícaras de farinha de trigo
  • farinha de milho ou trigo para polvilhar (quando for assar)

Como fazer:

  1. Em uma vasilha de plástico com tampa (não pode ser tampa hermética) e capacidade para uns 6 litros, coloque a água e em seguida o fermento. Não precisa nem misturar.
  2. Despeje a farinha de uma só vez e coloque o sal por cima.
  3. Mexa com uma colher de pau até que os ingredientes se incorpore e só. Nem pense em sovar. A massa é bem mole e pegajosa mesmo.
  4. Cubra levemente a vasilha e deixe a massa crescer, abrigada do vento, por umas duas horas. Não precisa ficar de olho, nem checar se a massa dobrou de volume. Parece que falta algum pulo do gato nessa receita, mas tenha fé que é assim mesmo.
  5. Leve a massa para a geladeira e deixe ali por pelo menos 3 horas. A partir desse momento, já dá para assar o pão, mas fiz o teste e não recomendo. O melhor mesmo é deixar a massa dormir na geladeira, fica bem mais fácil de manusear.

    A massa ao sair da geladeira.

  6. No dia seguinte, ou quando resolver assar o pão, retire a massa da geladeira, polvilhe levemente as mãos e a superfície da massa e puxe a quantidade desejada (recomendo o equivalente a uma laranja por vez, é mais fácil de lidar, principalmente no começo), corte com uma faca de serra afiada.
  7. Estique a massa com as mãos mesmo, nem precisa colocar numa superfície enfarinhada, e vá dobrando as extremidades para baixo, formando uma bola. É coisa de 30 segundos, lembre-se que é um pão sem sova. Aqui, o livro fala daquelas pás ou discos usados para colocar pizza em forno a lenha. Para quem, como eu, não tem nem um nem outro, basta polvilhar um pouco de farinha de milho ou trigo na forma e colocar a bola de massa ali com bastante cuidado.

    Como moldar o pão.

  8. Deixe o pão descansar por 40 minutos antes de assar. Novamente, não precisa ficar naquela torcida pra crescer, fazer mandinga, essas coisas.
  9. Quando faltarem 20 minutos para o pão terminar de descansar, ligue o forno em temperatura alta e, na grade mais baixa, deixe uma forma ou tabuleiro grande (vazio mesmo).
  10. Passados os 40 minutos regulamentares de descanso, polvilhe o pão com mais uma camada fina de farinha de milho ou trigo e, com uma faca bem afiada (serrinha funciona bem), faça leves cortes na superfície.

    Minha massa de hoje, descansada, polvilhada e marcada.

  11. Coloque o pão no forno e, num movimento rápido e cuidadoso, jogue o equivalente a uma xícara de água quente sobre aquela forma que estava aquecendo na grade mais baixa e feche o forno imediatamente. O vapor criado vai ajudar a formar a crosta crocante desse pão.
  12. Asse o pão em temperatura alta por 20 minutos, baixe para média e asse por mais 10 minutos (isso é a média, tudo vai depender do seu forno). Retire do forno e espere esfriar… se puder!

    Eu comi foi puro mesmo, a gula era tanta que a foto ficou ruim :)

A massa crua vive por duas semanas na geladeira, em vasilha de plástico tampada (não pode ser hermética, pois ela está viva mesmo, respira e tudo). A cada dia o sabor vai ficando um pouquinho mais intenso. E você também pode assar todos os pães de uma só vez, congelar e colocar direto no forno quando quiser :)

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Risoto de Açafrão… com Vodca!

Risoto de Açafrão com Vodca

Não sei vocês, mas minhas malas sempre voltam com quilos de ingredientes do lugar visitado. Antes eu tinha aquele contraproducente apego que fazia com que eles ficassem lá na despensa, esperando a validade vencer. Não mais, Leitor e Leitora. Não mais!

Transformo a pena de usar a lembrança da viagem em comida boa. Porque mesmo quando a geladeira está parca (e às vezes justamente nesses momentos), corro para os tesouros guardados nas prateleiras.

Também não me avexo com a falta de vinho branco. Ando cozinhando com outras bebidas e já fiz arroz com cachaça, com gim (estou devendo a receita) e agora… com vodca.

Receita de Risoto de Açafrão com Vodca

Ingredientes: (para dois)

  • 75 g de manteiga gelada
  • 1 xícara de arroz para risoto (arbóreo, carnaroli, ou mesmo o espanhol bomba, que foi o que usei)
  • 600 ml de caldo de legumes caseiro*
  • 150 mg açafrão moído ou 250 mg de pistilos de açafrão
  • 100 ml de vodca aromatizada de limão
  • 100 g de queijo grana padano ou parmesão ralado fino na hora
  • sal
  • presunto cru, lascas de grana padano ou parmesão e vinagre balsâmico e pimenta moída na hora para servir

 Como fazer:

  1. Aqueça o caldo de legumes.  Dissolva o açafrão no caldo e reserve.
  2. Em fogo brando, derreta 25 g de manteiga em uma panela (uso sempre uma frigideira grande e funda, acho melhor para mexer). Junte o arroz e mexa com a colher de pau. Quando todos os grãos tiverem sido cobertos pela manteiga, acrescente a vodca (ou o vinho) e mexa até o álcool evaporar. Tempere com uma pitada de sal, mas não exagere, deixe para acertar no final.
  3. Coloque metade do caldo no arroz, mexa um pouco e deixe. Não é preciso ficar mexendo o tempo todo, mas se quiser, é um bom momento pra pensar na vida. Vá acrescentando o restante do caldo, pouco a pouco, até o arroz ficar no ponto (cozido, mas ainda um pouco resistente. Normalmente as embalagens de arroz indicam o tempo de cozimento. Os que já fiz variaram entre 17 e 20 minutos. Importante: o arroz continua a cozinhar, mesmo depois de desligado o fogo. Não deixe o arroz secar completamente, ainda precisaremos finalizar e ele vai secar mais um pouco quando for para o prato. O ponto certo vai depender do seu gosto, eu normalmente deixo o equivalente a uma concha de líquido. Desligue o fogo.
  4. Acrescente a manteiga e mexa até que ela se incorpore bem. Junte o queijo, mexa até derreter. É nessa hora que você vai acertar o sal, por  e sirva em seguida, coberto com o presunto cru, as lascas de queijo, umas gotas de balsâmico e pimenta moída na hora.

*Use caldo caseiro, é sempre melhor. Se não tiver, dá para resolver levando ao fogo por uns 30 minutos legumes picados grosseiramente (1 cenoura, 1 alho poró, 1 talo de salsão) e uma cebola espetada com 2 cravos e 1 folha de louro em um litro de água. Eu gosto de sempre colocar alguma acidez no caldo, seja com 2 colheres de sopa de vinho branco ou 1/2 colher de sopa de vinagre de vinho branco ou de maçã. Mas se quiser meeesmo usar o industrializado, dissolva só meio cubinho na água quente, para que o gosto não predomine e mate o açafrão!

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Berinjela com Ervas

Berinjela com Ervas – Dadivosa

Nem chegaria a ser uma receita, mas como sei que há Leitores e Leitoras que estão começando a gostar de cozinhar, tentarei ser o mais exata que puder.  Essas berinjelas grelhadas no forno ficam prontas em uma hora, com o mínimo de trabalho. Podem ser guardadas na geladeira por um ou dois dias, ou mesmo no freezer (testei e funcionou muito bem!)

Receita de Berinjela ao Forno com Ervas

Ingredientes: (4 porções como acompanhamento)

  • 10 a 12 mini berinjelas (usei das redondas, mas a outra também serve)
  • 1 cabeça de alho inteira
  • 4 colheres de sopa de azeite
  • 1 colher de sopa da mistura de ervas secas que preferir (usei manjerona, salsa, manjericão e alecrim)
  • sal e pimenta a gosto (usei ambos moídos na hora)

Como fazer:

  1. Ligue o forno para preaquecer.
  2. Unte uma forma ou tabuleiro com a metade do azeite. Precisa ser grande o suficiente para que caibam as metades das berinjelas em uma única camada.
  3. Lave e corte as berinjelas no sentido do comprimento. Disponha-as na forma preparada, lado cortado para cima. Tempere com o sal, depois a pimenta, as ervas e o restante do azeite.
  4. Corte a cabeça de alho* pela metade, separe os dentes e espalhe-os pela forma, com casca e tudo, entre as berinjelas.
  5. Leve ao forno a 180ºC por 30 minutos. Vire as berinjelas, deixando a parte cortada para baixo, e asse por mais 30 minutos.

*Não se assuste com a quantidade de alho, ele vai assar lentamente e vai ficar macio e mais suave, quase doce. Mesmo assim, como está quase inteiro, fica fácil de identificar na hora de se servir ;)

 

 

 

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