Comida para os tímpanos – Mambo Italiano

Música é comida para os tímpanos. E na gororoba de estilos de meu pequeno acervo tem aquelas que me fazem sorrir também por falarem de cozinha, pratos, preparações e ingredientes.

Com vocês… o Mambo Italiano de Dean Martin :)

 

Mambo Italiano – Dean Martin

(A girl went back to Napoli because she missed the scenery)

(The native dances and the charming songs)

(But wait a minute something’s wrong)

(’cause now it’s)

Hey mambo, mambo Italiano hey hey mambo mambo Italiano

Go go go you mixed up Siciliano

All you Calabrese do the mambo like-a crazy with the

Hey mabo don’t wanna tarantella

Hey mambo no more mozzarella

Hey mambo mambo Italiano try an enchilada with a fish baccala

Hey goomba I love how you dance the rumba

But take some advice paisano learn-a how to mambo

If you’re gonna be a square you ain’t-a gonna go anywhere

Hey mambo mambo Italiano hey hey mambo mambo Italiano

Go go Joe shake like a tiavanna

E lo che se dice you get happy in the pizza when you

Mambo Italiano

 

Hey chadrool you don’t-a have to go to school

Just make it with a big bambino

It’s like vino

Kid you good-a looking but you don’t-a know what’s cooking ’til you

Hey mambo mambo Italiano

Hey hey mambo mambo Italiano

Ho ho ho you mixed up Siciliano

E lo che se dice you get happy in the pizza when you

Mambo Italiano

 

Ficarei muito contente se o Leitor e a Leitora puderem indicar mais algumas aqui, nos comentários. Publicarei com os devidos créditos, obviamente.

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Post adiado é post perdido

Poivre Long

Quando cozinho ainda me acontecem coisas que não me acontecem quando não cozinho. Por mais sumida que andasse, dava sempre um jeito de fazer um chamego no Fogão.

Comprei um acessório de moer que se encaixa na batedeira e desembestei a fazer aquele ragú di carni que aprendi na Toscana, hambúrguer caseiro, inúmeras versões de quibe cru e cozido, rolos e bolinhos de peixe… Uma belezinha, peguei amor, nem ligo de ter de lavar o traste depois, não vivo mais sem.

Reencontrei a balança digital nos cafundós do armário, entre forminhas e formonas de bolo, anotei umas quantidades de ingredientes das receitas testadas pra poder compartilhar com vocês. A bateria acabou ontem, depois de três anos de serviços prestados (lembrar de levar as pilhas comigo para comprar novas).

Farofa de sêmola, já comeram? Derrete na boca , preciosa, tive essa fase e testei várias possibilidades: curry, garam masala, ervas, piment d’espelette, poivre long (na foto), pimenta caiena… em duas semanas acho que fiz uma com cada especiaria da despensa e todas funcionaram deliciosamente. Pelei a ponta da língua experimentando – faz tempo que o contador “Estamos há X dias sem acidentes” não sai do zero. Faz assim: derrete a manteiga em fogo baixo, junta a sêmola, tempera como der na gana, mexe-mexe-mexe-mexe, prova com cuidado e espera esfriar um pouco pra não pelar a língua.

Descobri que preciso de trilha sonora para fazer panquecas. E que uma reboladinha faz toda a diferença na hora de virá-las no ar sem a ajuda de espátulas, sucesso total!

Quiabo Grelhado

Andei numas de espinafre refogado com pinholes ou amêndoas por cima. E arroz de jasmim. E namorado. E filhote (o peixe, que o bebê novo da família está na barriga da Babi, vou ser tia de mais um menino, acabei de saber, estou feliz da vida). Toda a sorte de tortillas, omeletes e ovos escalfados, en cocotte, fritos, mexidos, revirados, pochés. Sopas e caldos, ragú de mil cogumelos (reencontrei também um saquinho de morilles e um de porcini secos), farofa com a farinha de mandioca Marlete que trouxe do Sul (bem fininha), quiabos grelhados (na foto), leite de coco, doce de banana com baunilha de verdade.

Desprovida de um álibi decente para a ausência desde que chamei um rapaz para consertar as encrencas tecnológicas desse blog, só posso dizer que bobeei, deu preguiça, fui cuidar da vida, ver um filme, trabalhar vários fins de semana e fazer nada em plena quarta-feira, livrar-me do maldito futon, escolher sofá, cortar o cabelo, conversar com a mãe, fazer minhas aulas de ballet, sair por aí, ouvir música e cozinhar com o Babbo, passar mais tempo desconectada, olhar dentro do olho e coisas do tipo. E a lista de posts por escrever só aumentava, incluindo a novidade que deixei no ar com a foto do avental, mas essa não posso prometer por enquanto, pois pelas razões acima acabei deixando o assunto meio de lado.

Post adiado é post perdido, a coisa toda fica meio fragmentada e sem emoção, esfria apesar dos instantâneos que jogo entre fotos de pés e coisas aleatórias e cantos da minha casa no Instagram (como @dadivosa, apesar de tudo), nas atualizações do Facebook do Blog ou permeando as ultimamente raras conversas pelo Twitter (como @dadivosa também, que minha tentativa de separar perfis foi infrutífera). Mas o Fogão e eu engatamos nova paixão, o que sempre me anima a sacudir a preguiça, lembrar da senha, renovar meus votos e resgatar, ainda que com um salpicado de coisas não ditas, o hábito de escrever aqui.

* Tem um creme/flan de gengibre prestes a aparecer por aqui, receita de dia dos namorados que deixei passar. Esqueci de fotografar. Mas como agradou e há pedidos de bis, Fogão e eu lembraremos de registrar o momento.

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Quase notícias

Nem posso dizer que tenho cozinhado pouco (na minha casa e fora dela), mas ando bastante ocupada com assuntos não pertencentes ao perímetro do fogão, o que às vezes me faz esquecer que ainda tenho uma Dadivosa dentro de mim.

Sinto falta de vocês, leitora e leitor queridos, por isso passo agora pra contar que:

  • Comprei um moedor de carne, daqueles de encaixar na batedeira. Continua na caixa, deve dar o ar da graça em 2012.
  • Meio sem querer, tenho acertado a mão nos pães.
  • Mais sem querer ainda –  e com pesar – fiz uma cuca de goiabada bem mais ou menos, que pegou no fundo, ressecou, a farofa ficou doce demais. Acontece.
  • Consegui acomodar quatro litros de sorvete no mini-congelador, em formas, forminhas e formões. Usei duas bandejas como prateleiras. Uma delas não sai mais, vai morar ali dentro.
  • Parti um radicchio ao meio e cozinhei em um dedo de água, sal e manteiga. Foi meu jantar agorinha mesmo.
  • Confirmei que as coisas (e eu) entram (entramos) nos eixos quando volto a cozinhar.
  • Cortei dedos e queimei a mão algumas vezes, nada grave. E faz tempo que não quebro nada em casa (não espalhem!).
  • As lichias começaram a aparecer outra vez, tenho uma caixa delas na geladeira. Vez ou outra tiro a sorte grande, que é quando a semente é mais estreita e a polpa mais carnuda.
  • Na geladeira também tem salada lavada, mamão, ameixa preta, ricota, manteiga, queijos (parmesão, grana padano, de cabra fresco, de cabra curado), iogurte e não muito mais.
  • The Table Comes First é meu novo livro de cabeceira. Estou apaixonada, leio de pouquinho em pouquinho e com aperto no coração, como naqueles intermináveis abraços e repetidos beijos de despedida.
  • Deixei grão de bico de molho em água e sal (uma colher de sopa pra cada litro) por 8 horas, cozinhei, escorri bem, tirei as cascas todas, passei numa mistura de azeite, sal, pimentón dulce, pimentón picante e tostei no forno até ficar crocante.
  • Minha máquina de esticar massa foi encontrada e voltou pra minha cozinha, depois de um ano de separação.
  • Daqui a oito dias, café do Babbo e comida da Mãe!
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Meus Dez Utensílios Indispensáveis: 1 – Microplane

Meu ralador preferido, em três poses

Inauguro minha lista de dez mais queridos utensílios com o Ralador Microplane que vive pendurado acima da pia, companheiro de muitos anos, viagens e mudanças.  Chegamos a morar por três meses num hotel que só tinha microondas, onde aqueci água pro café, assei batatas e aprendi a cozinhar macarrão como se fosse na panela. E um macarrãozinho com manteiga boa e queijo ralado na hora sabe reconfortar, aquece a barriga e acalma os nervos.

O queijo sai em fitas delicadas, botem reparo

Com ele ralo queijos, temperos (canela, gengibre, noz-moscada…) e faço raspas de frutas cítricas para receitas doces e salgadas. É uma mão na roda… e às vezes um naco de mão, dedo e unha a menos. O bicho é afiado e competente, mas é preciso cuidado: nada de se debruçar sobre o cabo, pressionar demais o alimento ou apoiar a lâmina com muita força. Com o costume, percebi que me machuco muito menos com ele do que com aqueles raladores grandalhões de quatro lados…

Nos Estados Unidos, um grater/zester Microplane vale pouco mais de 10 dólares, lembrancinha batuta e fácil de trazer/pedir para os amigos. Ao avistar um exemplar desses no Brasil, o Leitor e a Leitora devem segurar a periquita do consumo e avaliar se vale mesmo a pena: por essas bandas, chegam a custar sete vezes mais.

 

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De Castigo

Vai daí que aquela rama de salsa crespa, semi-desmaiada, aquela mesma, que foi esquecida fora d’água em dias de tempo seco por demais, não foi desperdiçada.

Amarrei-lhe um barbante nos pés juntos, pendurei todo mundo de cabeça para baixo na prateleira e depois de uma semana a “peça decorativa” perde uns galhinhos a cada vez que invento uma cozinhança. Esfrego umas quantas folhas entre os dedos e alegro o que estiver na mira. É a redenção da salsa crespa, que sai do castigo para ornar e perfumar omeletes, risotos, sopas rápidas, guisadinhos e gororobas mil. Um castigo temporário, portanto, bem melhor do que o fundo do lixo.

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De cabo a rabo, sem vergonha

Peninhas no uniforme. A galinha é generosa. Galinha no terreiro é comida no pé. Onde foi parar a galinha inteira? Bicho que a gente não dá nome a gente pode comer. A gente não gosta de desperdício. A morte não pode ser em vão. Uma natureza horta.

Decifro as poucas garatujas largadas na caderneta aos primeiros minutos da aula Cozinha sem vergonha: galinha de cabo a rabo”, com Neide Rigo, Mara Salles e Ana Soares,  que aconteceu sábado no evento Paladar Cozinha do Brasil. E enquanto aperto os olhos pra decidir se aqueles morrinhos significam um ‘n’ ou ‘rr’, me arrependo de não ter levado a câmera, já que foi tudo tão lindo, e desarrependo em seguida, já que o Leitor e a Leitora não devem ter muita dificuldade para encontrar registros por aí e as fotos não iam mesmo prestar, dado meu grau de completo embasbacamento diante daquelas três.

Vi a semelhança antes da diferença e o que registrei primeiro não foi a bandana amarela da Mara, o turbante preto e branco da Neide e o cabelo curtinho branco e preto da Ana,  mas o arranjo de penas de galinha (carijó?) no uniforme das três, que mais tarde percebi terem uma gargantilha de prata como suporte. Notei também a mesma pontinha de timidez nas vozes do jogral/abertura com palavras e expressões galináceas que teve tripa, coração, sangue, lágrima, pena, que pena!

Enquanto passava o vídeo introdutório,  minha cabeça brincava de encontrar pares. Nas cenas do sítio em Fartura, encontrou a Vó Nair e a tia Noêmia correndo atrás das galinhas, sapecando e puxando as penas, desprendendo ovinhos ainda não postos que seriam disputados na canja e todo o respeito que tinham com os bichos e as plantas. Nas  imagens do abatedouro, encontrou o relato chocado da primeira visita que meu irmão fez a um desses frigoríficos grandões, ainda estudante de Veterinária.

A gente não gosta de desperdício“, não lembro mais quem foi que disse e pouco importa. Essas três mulheres geniais pesquisaram, foram a campo, destrincharam, despelaram, dissecaram e compreenderam a galinha em toda sua generosidade (a delas e da penosa). Contaram uns causos e lançaram a isca pras minhas lombrigas ao anunciar que rolaria um “Caldo Perfumoso” transformado em “Canja Voadora” (de asas)  para a platéia.

Espera, que baguncei a cronologia. Antes de começar o cozinhê, agradeceram pela inspiração e homenagearam Nina Horta com muitas dúzias de ovos carimbados com os dizeres “Natureza Horta“. Achei lindos os ovos, que estavam cozidos e foram distribuídos ao final. Mas me arrepiei mesmo com a presença da Nina, que nunca havia visto assim de perto. Numa fileira mais ao fundo, com os cabelos quase todos brancos reunidos num coque no topo da cabeça, sorriu querida atrás dos óculos negros ao receber as efusivas palmas do povaréu.

O ovinho, em casa, aninhado num crochê que ganhei da madrinha

Elas iam se revezando na explicação de cada prato, cúmplices e gentis, fazendo questão de dizer o quê tinha sido ideia de quem. Mas na minha cachola, aquilo não fazia a menor diferença. As três se completaram lindamente nesse trabalho (dizem que no ano passado, quando falaram sobre o Amargo, foi igual de bom).

Do curanchim (sobre, rabicó), anotei que “precisa temperar bem, colocar todos bem juntos numa assadeira para a gordura derreter e fazer uma espécie de confit. O tempero foi sal, alho, gengibre e shoyu. Forno a 180 graus, por 20 minutos.” Foi servido com uma pimentinha, espetado num palito, ficou quase sem gordura. E eu, que nunca tinha comido essa parte, gostei bastante.

Daí pra frente, Leitor e Leitora queridos, foi balançar de cabeça concordando com elas, boca aberta com as peripécias, murmúrios de “gênia!” pra quem tava do lado, risos, sorrisos e lembranças de vó, de vez em quando uma pergunta mental (cadê essa canja que não chega??) e quase nada de anotações na caderneta.

Comi salada de sangue frio (solidificado, em tirinhas, com ervas da horta, flor de sal e raspas de limão), moqueca de pé, canapé de juízo (isso mesmo, o cerebrinho, que achei meio com gosto de quase nada), matulinha de miúdos, chorizo com arroz e a perfumosa canja voadora, feita com quirera, canjica, arroz basmati e leite de coco, um dia me animo a fazer.

A pasta de papelão que nos esperava em cada cadeira tinha dentro muitas das receitas, que essas três não são de esconder o jogo. Compartilharam, contentes, suas astúcias e experiências, entremeadas de um vocabulário tão perfumoso quanto aquela canja, vindo da fala dos antigos, inventado na hora, típico duma região, referente a uma erva ou ingrediente pra mim desconhesquecido. Ana, Mara e Neide estavam se divertindo ali com a gente e a gente com elas.

Foi como se estivessem revivendo aquelas descobertas todas, ao amarrar uma palha de milho pra fazer uma colherinha de servir angu coroado com crista, ao contar que os antigos faziam manjar com o colágeno da ave (que também pude provar e ficou empatado no primeiro lugar com a canja e a moqueca), ao quase fechar os olhos pra dizer como é bom chupar um pé de galinha… como se fosse um pirulito… um PÉrulito, caramelado e perfumoso, laqueado, oferecio num cone de celofane pelo moço animado que carregava um tabuleiro pendurado no pescoço. Deve ter rendido lindas fotos, esse encontro.

De presente, além dos ovos da natureza horta, um farnelzinho/matulinha/marmitinha de lata amarrado com um pedaço de pano branco com os dizeres “boa viagem” e uma porção de farofa com coxa de galinha (que abri e devorei assim que cheguei em casa, tão rápido que me agarrou um ataque de soluço) , e um saquinho com… bem, não tem outro nome mesmo… titica de galinha pra plantar sem saber exatamente o que vai brotar, pois “vai depender de que sementes elas comeram”, explicou a Neide.

A matula de farofa com galinha

Ao final, deixei a timidez e a vergonha dentro da cadernetinha e fui lá dar um beijo nelas, como todos estavam fazendo. Aproveitei pra me identificar pra Neide, que só conhecia pelo Come-se e já era muito fã. E já que minha bicho-do-matose estava menos pronunciada, respirei fundo e fui tietar a Nina Horta.

Pouparei o Leitor e a Leitora do relato de meu diálogo aparvalhado. O bom de estar emocionada daquele jeito é que não faço ideia do que disse, do tamanho do mico que paguei. Só lembro de ter contado com uma forcinha da Faby - que me encheu de coragem – e de ter beijado e abraçado a Nina, que reconheceu meu codinome cozinheiro e me fez agarrar uma tremedeira nas pernas que ainda volta cada vez que espio o papel.

Para quem quiser saber mais sobre as receitas e descobertas do trio, recomendo muitíssimo a visita ao blog da Neide, que publicou um vasto e profundo material. E agora, mesmo certa de que não logrei fazer jus à lindeza do dia, despeço-me do Leitor e Leitora queridos com um vasto sorrisão abestado antes de embarcar em sono profundo com essa caderneta na mesa de cabeceira, que amanhã acordo com as galinhas.

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Sal, pimenta e curativos

Uma das primeiras fotos que fiz no curso de cozinha toscana, enquanto rezava para não sair dali de ambulância, ralar ou picar os dedos, quebrar alguma louça, virar azeite fervendo em mim mesma (ou em alguém!), me sapecar no forno ou escorregar e dar com a cara na quina da mesa. Correu tudo bem, em três dias só virei uma taça de vinho e fiz voar a tampa do processador.

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