04.14.08

Cuca de Ricota e Mel

Publicado em Receitas, Doces, Livros às 7:46 pm pela Dadivosa

A receita da massa de cuca, de primeiro, não deu muitas mostras de que vingaria. Pensei ser o fermento, ou a falta de jeito. Mas ao fim e ao cabo, com a ajuda do truque de deixar uma bolinha de massa em copo d’água indicar, ao chegar à superfície, que a massa havia crescido o tanto necessário, tudo correu bem.

Eis a receita da Carla Pernambuco, com meus pitacos, conforme havia prometido ao Leitor e à Leitora:

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04.13.08

Sábado é dia de Cuca

Publicado em Receitas, Doces, Livros, Recordar é Viver às 7:25 pm pela Dadivosa

De origem alemã, esse bolo-pão com cobertura doce é muito apreciado no Sul do Brasil, onde recebe a alcunha de cuca (ao que tudo indica, uma corruptela de ‘kuchen’).

De origem alemã também era a Vó Nair, exímia fazedora de variadas e aromáticas cucas atraidoras de visitas para o café no meio da tarde. Às vezes ela me deixava descascar, picar e passar em açúcar e canela as bananas da cobertura enquanto preparava a massa úmida. Por maior que fosse a quantidade de tabuleiros a preencher, por mais frenética que fosse a lida de preparar a massa, a farofa, o creme de coco com gemas e o café, a vó não se abalava.

A mansidão de seu andar já cansadinho persistia também na voz e no linguajar. Se o leite transbordasse, sujando todo o fogão enquanto ela tinha as duas mãos na massa (e eu era ainda muito pequena para que ela deixasse chegar perto do fogo), o máximo do mau-humor que deixava escapar era um estalar de língua e um ‘ai, o leite!’. Palavrões e xingamentos não faziam parte de seu falar.

Mas quando a cuca ficava pronta… ah, quando a cuca ficava pronta e o cheirinho de banana com canela, massa de pão fresquinha e coco queimado invadiam e alegravam o mundo ao redor, a vó ficava malina. Nessa hora, costumava proferir uma frase célebre, mezzo-trocadilho-mezzo-piada-interna. Empostava um sotaque alemão que não tinha, punha um olhar maroto e, usando o nome de algum filho, falava:

“Marquinho, não deixa o cuca aí!”

Quando a vó não estava ou não fazia cuca, a gente saía para comprar. Mas tinha de ser cuca verdadeira, não valia ser de padaria. De modo que, logo após o almoço, fazíamos pequenas viagens em busca de alguma ’Cuca da Alemoa’, num raio de 100 a 200 quilômetros de curvilínias estradas de terra batida. E ao chegar lá, após escolher uns quatro ou cinco pedaços de sabores diferentes, quando a moça loira de bochechas rosadas já havia desaparecido para dentro da casa estilo enxaimel, invariavelmente alguém a chamava de volta: “Moça, ô moça… não deixa o cuca aí!” E a moça ficava vermelha e ria um riso gostoso com a cumplicidade de quem também devia ouvir a mesma brincadeira desde sempre.

Ontem me agarrou uma saudade e fiz duas cucas: a primeira foi de ricota e mel (ensinada pela Carla Pernambuco em seu livro Carlota: Balaio de Sabores), depois repeti a massa para essa aí da foto, de uva preta. A receita, comentada, testada e aprovada, vem para a semana.

01.08.08

Talheres de Ouro - Aula de Cozinha

Publicado em Livros às 7:40 pm pela Dadivosa

De todos os livros, fascículos, encartes, folhetos, cadernos e recortes de receitas que compõem minha modesta coleção, são os exemplares de antigamente que me agradam e divertem mais.

Partilho com o Leitor e a Leitora queridos os primeiros parágrafos do capítulo ‘Aula de Cozinha’ do volume primeiro de Talheres de Ouro - Enciclopédia de Arte Culinária, editada em 1969:

“Nove horas! Aula de cozinha! Abrem-se para a senhora as portas de uma escola gastronômica ideal, onde, em pouco tempo, serão aprendidas tôdas aquelas noções úteis e indispensáveis a uma cozinheira perfeita. Se a senhora começou ontem a familiarizar-se com as panelas e com o fogão, nosso curso lhe será muito útil, pois ensinar-lhe-á tudo o que ainda não sabe, desde o A B C da cozinha até os segredos dos pratos mais difíceis. Se possuir já uma discreta ‘cultura’ gastronômica, nossas aulas a ajudarão a completá-la. Se, entretanto, a senhora já for uma bôa cozinheira, poderemos ajudá-la a preencher qualquer lacuna que possa existir e ficaremos muito contentes se pudermos auxiliá-la com nossos ensinamentos.

Falaremos pormenorizadamente de todos os alimentos e dos sistemas de cozimento mais apropriados para cada um dêles. Nós a orientaremos nas compras, ensinando como distinguir certo tipo de carne de outro ou os diferentes tipos de peixe. Ensinaremos os têrmos mais usados na cozinha, compilando um verdadeiro dicionário gastronômico. Indicaremos a época de determinadas frutas e verduras. Faremos, enfim, com que a senhora esteja em condições de aprender tôdas as pequenas coisas que a mulher deve conhecer antes de desenvolver suas funções de cozinheira.”

09.21.07

Eu vou!

Publicado em Livros, Liberte sua Dadivosa às 9:21 am pela Dadivosa

 A Tatu convidou, as Rainhas convocaram, e eu deixo aqui também o recado: Não percam o lançamento do livro da Tatu Damberg, aquela mesma que produziu lindamente as receitas do Papel Manteiga para Embrulhar Segredos.

Estarei lá!

08.24.07

Mais amor vegetal

Publicado em Generalidades, Livros às 12:02 pm pela Dadivosa

Mini-comidas de tudo o que é credo e cor, apetitosamente crocantes, morninhas e tentadoras na forma de mini-croissants, quiches-bebês, sanduíches micros, petit-fours, petits-de-toda-sorte…

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04.26.07

Simples ou Importante?

Publicado em Livros às 11:08 am pela Dadivosa

“Talheres de Ouro” traz diversas sugestões para os jantares da senhora dona-de-casa das décadas de 50 e 60.

Prometo investigar melhor de que eram compostos os tais Minestrone Futurista e Camarão Vestido :)

04.04.07

O Prefácio Perfeito

Publicado em Livros às 9:24 am pela Dadivosa


(clique na imagem para ampliar)

Peço licença à M.F.K. Fisher e faço minhas as palavras dela.

Fer, obrigada por me enviar esse tesouro ;***

02.07.07

Da Cozinheira Enamorada

Publicado em Livros, Dicas às 4:12 pm pela Dadivosa

Já ouvi dizer que botar sal demais na comida é sinal de cozinheira apaixonada. Discordo, pois acho que o enamoramento (seja ela por gente, bicho, coisa ou comida) é potencializador de sensibilidade, não combina com comida salgada demais. Há que diga que a paixão embota os sentidos, eu acredito que os aviva e revigora.

Um coração poeirento necessita de muito tempero para acordar, ao passo que um amor à flor da pele faz acender na língua o mais ínfimo grânulo da flor do sal.

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02.01.07

Como Ficar Contente com um Amor Vegetal

Publicado em Generalidades, Livros, Liberte sua Dadivosa, Vídeos às 9:04 pm pela Dadivosa

Acho que foi no Chucrute com Salsicha que li pela primeira vez sobre minha escritora de comida favorita, a M.F.K. Fisher. Se não foi, ficará sendo, pois toda vez que leio algo sobre ela, é da Fer que me lembro.

Fisher fala de amor e de comida, da mistura dos dois e de suas implicações. Concordo com muitas das visões dela sobre esses assuntos e chego a reler diversas vezes o mesmo parágrafo, ora rindo e balançando a cabeça, ora com o coração apertado e ao mesmo tempo egoisticamente agradecido por não ter vivido em tempos de guerra.

E foi justamente em plena crise da guerra que ela produziu sua primeira obra: “Como Cozinhar um Lobo”, um tratado sobre como matar a fome em tempos de escassez.

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11.09.06

Papel Manteiga para Embrulhar Segredos

Publicado em Livros às 8:55 am pela Dadivosa

Acabei de ler meu exemplar, lindamente autografado pela Cris Lisbôa e pela Tatu.

Posso contar para vocês que a combinação de cartas para a Bisa com receitas cheias de significado é mais que encantadora. O livro me levou pra longe no tempo e no espaço, coisa que só bons livros sabem fazer. Ao ler as cartas, ficava tentando adivinhar qual seria a receita, quais os ingredientes eleitos e os “porquês” da escolha…

E não é só para quem sabe/gosta de cozinhar, não! Garanto que até a pessoa mais avessa aos dotes culinários vai se deleitar. Dadivosa recomenda fortemente!

A capa, ainda mais linda ao vivo, é criação da Mariana Newlands, que fotografou as louças de sua avó. Veja o projeto todo da capa aqui e aproveite para espreitar as outras capas, ilustras e fotos.

Cris e Tatu, o lançamento foi esplendoroso, vocês são lindas e guardarei meu Papel com Manteiga com muito carinho e orgulho, pois ele será presenteado à minha bisneta quando ela começar a bater seu primeiro bolinho.

;***

P.S.: Estará nas livrarias a partir do dia 13/11.

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