Um ano bom

Há mais ou menos um ano, surpresos com a notícia e tristes por não estarem pessoalmente ao meu lado, pai e mãe ouviram o que cabia contar do episódio e, no lugar de opiniões e conjecturas, emitiram um conselho que  virou um lema,  quase um mantra: “Filha, cuida de ti.”

Fui pro Rio-de-Janeiro-gosto-de-você algumas vezes depois disso. Dancei, tomei banho de mar, andei pela areia e vi aquele por do sol, brega de tão lindo, sentada na pedra. Redescobri São Paulo da garoa e dos temporais de verão e fizemos as pazes depois do choque que foi voltar de Madri. Morei três meses num flat sem fogão, descobri que dava pra cozinhar macarrão no micro ondas (ficou bom!), vez por outra ia ler na piscina, comia e dormia pouco. Estava jururu e ganhei todos os melhores colos do mundo.

Encontrei apartamento, saí do emprego sem ter outro em vista, mudei-me trazendo caixas aos poucos com a ajuda de amigas. Não lembro que comida inaugurou o fogão, mas fiz uns pães logo no começo.  Só sei que na primeira leva da mudança, vieram uma mala de roupas, as panelas, cacalhadas de cozinha e livros de comida. Prioridades…

Pulei o Carnaval entre os blocos de rua do Rio, passei a Páscoa com a família, voltei a dançar: ballet clássico e jazz. Voltei também a dormir. Cozinhei pros amigos, que vinham aos poucos, para que coubessem com algum conforto. Botei tabasco demais num gazpacho de melancia e quase matei a convidada. Apesar disso, ela ainda é minha amiga. Tocamos violão, ouvimos música e rimos um pouquinho mais alto e até mais tarde do que o tolerado pelo vizinho de baixo, que ameaçou me denunciar pro condomínio.  Às vezes a gente quebra umas regras,  erra a mão na pimenta, passa um pouco dos limites e tudo bem.

Fui convidada a dar umas aulas de cozinha para gente que eu nunca tinha visto, aceitei, foi lindo, peguei  gosto pela coisa. Sou feliz de avental diante de um fogão, da máquina abrir massa, da batedeira. Se tinha alguma dúvida, ali ela foi embora. E compartilhar o que sei de cozinha além do que está neste site virou um projeto pra 2012.

Encantei-me com uma receita de bolo de laranja sem ovos, enchi-me de coragem, fui fazer, comi, estava ruim, esperei um tempo, pior, não era o que eu pensava ser.  Encantei-me por um moço, aceitei o convite, foi bom, deixou de ser bom, não era quem eu pensava.  Às vezes a gente se apaixona é pela ideia da coisa ou da pessoa e tudo bem.

Resolvi, de uma hora pra outra, fazer uma viagem mais longa. Passei três semanas na Suíça, dei um pulo em Madri. Saí com umas ideias e, chegando lá, tudo aconteceu diferente. E que bom. Comi, cozinhei, cozinharam pra mim, fui mimada, fiz amigos novos que parecia conhecer há 10 anos, conversamos por longas horas sobre aquelas profundezas que estávamos todos vivendo, todos mais ou menos na mesma situação, todos buscando viver de um jeito muito parecido: leve.

Mesmo tendo perdido mais da metade dos ensaios, resolvi participar da apresentação de fim de ano da escola de dança. E não uma, mas duas coreografias totalmente novas pra mim. Primeiro você tenta não cair, depois tenta não esbarrar nas colegas, depois certifica-se de que fez o movimento certo, depois sente a música, depois cuida pra não se emocionar demais e esquecer os passos, no fim dá tudo certo.  No pico dos ensaios, dançava 13 horas por semana, entre sapatilha e sapato de salto. Das pequenininhas aos adultos, turmas de iniciantes (como a minha) a bailarinos e bailarinas mais experientes, dançamos uns 130 alunos, mais ou menos. Na plateia, só gente querida de todos, gente que estava ali com olhos de amor e nem deu muita bola pros micos que pagamos. Foi um dia especial.

Peguei um projeto para fazer, contrato de três meses. Voltei oficialmente a trabalhar, desta vez de casa, no lar-doce-lar, meu home-sweet-office. Com alguma disciplina, arrumo tempo para ver os amigos, dançar, passear, ir ao cinema acompanhada ou comigo mesma, cozinhar alguma coisa de vez em quando, ler na piscina, ouvir música, ganhar os melhores e mais sinceros abraços dos filhos e filhas das amigas, ser paquerada (esses paulistanos andam mais atrevidos ultimamente) e rir muito do que vem acontecendo nos últimos dias.

Foi mesmo um ano de rir, de chorar, de chorar de rir. Fiz grandes mudanças, viajei, lembrei de como tenho sorte de ter esses amigos todos e de como a vida é uma delícia, me apaixonei por coisas e pessoas uma e outra vez, desapaixonei do que já não fazia sentido, coloquei a vida toda em perspectiva, deixei um trabalho sem ter outro, descobri que existe amor em SP, trabalhei arduamente nos últimos doze meses para estar aqui, viva e contente no dia do meu aniversário.

É, pai e mãe: eu cuidei de mim!

Abobrinha Marinada

A parte mais difícil da receita foi cortar as abobrinhas sem cortar os dedos na mandoline. Juntei umas ideias daqui e dali e fiquei pensando que poderia ter juntado também uma folha de louro, uns grãos de mostarda… fica para a próxima, ou próximas :)

Ingredientes:

  • 2 abobrinhas
  • 1 colher de sopa rasa de sal
  • 120 ml de azeite de oliva
  • 2 dentes de alho
  • 2 pimentas dedo de moça (ou menos, se preferir)
  • 1 cebola roxa pequena
  • 60 ml de vinagre de arroz
  • + sal a gosto
  • folhas de hortelã para servir

Como fazer:

  1. Lave bem e corte as abobrinhas em fatias de 1 mm, descartando as pontas. Use a mandoline, o processador de alimentos, ou um ralador bem afiado. Se tiver destreza e paciência, pode ser na faca mesmo.
  2. Misture 1 colher de sopa rasa de sal às abobrinhas, envolvendo-as bem. Deite-as num escorredor ou peneira, com um peso em cima, por 30 minutos. Elas vão soltar água.
  3. Enquanto isso, pele os alhos, corte-os ao meio, retire o germe (aquele miolo que começa a brotar) e fatie fininho. Deixe-os mergulhados no azeite, dentro da panela desligada.
  4. Lave bem, corte ao meio e retire as sementes e o cabo das pimentas. Corte-as também em fatias as mais finas que conseguir. Reserve.
  5. Descasque e pique a cebola roxa em fatias finas também. Reserve.
  6. Passados os 30 minutos das abobrinhas, passe-as por água corrente para retirar o sal, escorra-as bem e depois esprema-as delicadamente com as mãos para ajudar a retirar a água.
  7. Ligue o fogo e vigie. Quando o óleo começar a borbulhar ao redor do alho picado, junte as abobrinhas, mexa com cuidado e refogue por 2 minutos, só para aquecer, sem deixar dourar. Desligue o fogo.
  8. Sobre as abobrinhas, junte a cebola, o vinagre, a pimenta e acrescente mais sal, se desejar. Guarde numa vasilha com tampa na geladeira e deixe lá por umas 4 horas. Fica ainda mais gostoso no dia seguinte, ou dois dias depois.
  9. Na hora de servir, salpique hortelã fresca cortada em fatias finas. Fica bom sobre um pão rústico levemente tostado, ou como acompanhamento de um grelhado daqueles de toda vida que a gente faz correndo no meio da semana.

 

Creme de Cenoura ‘Concentrado’ com Laranja e Iogurte

Já tinha lido em algum lugar sobre o uso de bicarbonato de sódio para cozinhar cenouras e abóboras… e seu ‘poder’ de concentrar esses sabores. Com todos os (poucos) ingredientes em casa, escolhi a receita do blog El Comidista, que adaptei aqui e ali.

Ingredientes (rende 4 porções)

  • 750 g de cenouras
  • 50 g de manteiga (a receita original pede 100g, achei por bem diminuir e funcionou)
  • sal
  • 1/2 colher de chá (rasa) de bicarbonato de sódio
  • 100 ml de água ou caldo caseiro
  • 4 laranjas
  • 1 pote (200g) de iogurte natural não adoçado
  • a erva fresca de sua preferência (no original era coentro, usei cebolinha verde)
  • flor de sal (opcional)

Como fazer:

  1. Descasque e corte as cenouras em rodelas de mais ou menos um centímetro.
  2. Transfira o iogurte para um pote, junte uma pitada de sal e misture com um batedor de arame por mais ou menos um minuto. Reserve na geladeira, coberto com plástico filme, até a hora de servir.
  3. Derreta a manteiga em fogo baixo, numa panela grande de fundo grosso, adicione o bicarbonato,  meia colher de chá rasa de sal (você pode ajustar o sal depois), as cenouras e misture.
  4. Cubra a panela com a tampa e cozinhe, em fogo baixo, por 30 minutos. Dê uma espiada de vez em quando e remexa um pouco as cenouras. Elas formarão uma camada cor de caramelo, é normal.
  5. Desligue o fogo, junte a água ou caldo e triture tudo (com mixer de mão ou no liquidificador, com cuidado).
  6. Na hora de servir, reaqueça a sopa (se for tomá-la quente), junte o suco recém-espremido das laranjas e misture bem. Divida a sopa em quatro tigelas, coloque por cima o iogurte preparado, salpique a cebolinha verde picada e, se quiser, um pouco de flor de sal.

As cenouras ficam incrivelmente doces (quase enjoativas) e o iogurte faz toda a diferença aqui. A receita é tão fácil e prática que vale a pena espremer essas quatro laranjinhas na hora, pois suco de caixinha nesse caso ‘não vai ornar’ :) . Se você achar que não vai dar conta de consumir tudo na hora, guarde a sopa antes de adicionar o suco, para que ele não amargue.

 

O gosto do outro

“Cada vez que me besaba me escribía un poema en la boca.” Fermín, o cozinheiro do livro Los Insaciables*, não apenas absorvia os amores e o mundo por seu aguçado paladar. Tinha também o dom de identificar os ingredientes que davam a eles, aos amores e às coisas do mundo, seu gosto particular e único.

Parece que tudo começou quando deu o primeiro beijo de verdade de sua vida. A boca de Clarita tinha sabor de “tostada con jamón y miel”. No mesmo dia, Fermín chegou em casa determinado a recriar o gosto de Clarita. Deu-se por satisfeito às três da manhã, quando à torrada com presunto cru e mel juntou uns grãos de pimenta, uma pitada de noz moscada, um pouco de pimenta vermelha esmagada, meia cebola caramelizada com vinho do porto e queijo fresco.

Ali mesmo, na página 16, uma pergunta-cisma de meses atrás volta a me importunar. Seria o primeiro beijo um caminho sem volta? Refiro-me a todos os possíveis primeiros beijos que se possa experimentar em dia de vida: o primeiro-primeiríssimo, obviamente, e também o primeiro de cada nova paixão, novo amor, atração antiga, namorico de verão, casinho despretensioso, amigo-com-quem-se-dorme etc. etc. etc..

Seriam eles transformadores do curso de uma vida, já que por coisa de segundos a criatura não passou debaixo daquele prédio, naquela rua, naquele instante em que cairia uma gigantesca bigorna A.C.M.E. em sua cabeça? Teriam os primeiros beijos um caráter irreproduzível, dado o conjunto de sentimentos e sensações provocadas, entre arrepios, derretimentos, toques, não-toques, contexto, temperatura, umidade, pressão e, sim, o gosto do outro? É possível rebeijar pela primeira vez a mesma pessoa e derreter-se igual?

Já achei que sim, já achei que não, decidi que não sei. O que sei é que Fermín continuou a beijar Clarita e a voltar pra casa para aprimorar a receita. Descobriu que para ralar a noz moscada devia usar uma faca de serrinha, melhorava o resultado. Juntou também um pouco de sálvia. E sei que Fermín preferia o sabor às palavras: “El sabor no engaña, te llega directo. No te deja un recado en el contestador ni te manda un mensaje en una botella, te toca el paladar y comprendes enseguida.” Saber-se pelo gosto, isso também sei, vale mais do que saber-se pelo que é dito…

Compreender o sabor, saber o gosto do outro é gostar na profundeza. É conseguir entender, num beijo no cangote ou lambida em qualquer parte, do que o outro é feito: fel, coragem, culpa, preguiça, virtude, noites em claro, filmes trash, humor ácido, baunilha, a cozinha (sempre ela), mel, chocolate, lichia… Está tudo ali, disponível pra quem quiser desvendar com o paladar os recônditos, saliências e reentrâncias da companhia da vez, tanto as do tipo imortal-posto-que-é-chama, quanto as do infinito-enquanto-dure.

Fica um pouco mais difícil saber o outro pelo gosto quando não se tem o paladar absoluto e a frieza de Fermín. Pode-se confundir as coisas e os sabores, como daquela vez em encontrei num moço que, nas mesmas coordenadas de longitude e latitude, tinha um sabor de sucrilhos com leite, tal e qual o de um amor antigo. Antes mesmo que ele me seduzisse com suas artimanhas, senso de humor, personalidade, gestos e carinhos, deixei-me conquistar. Pelo gosto que era do outro.

*Los Insaciables é o primeiro romance de Jakob Gramss. Comprei em Madri, em meio a tantos outros que me fizeram  ter de comprar uma mala extra. Estou lendo muito aos poucos, pois não quero que acabe. Mais ou menos aquele ‘não querer que acabe’ do primeiro beijo, ou de um abraço de despedida. 

Pão de Leite


Num misto de atenção redobrada, paciência, intrepidez e talvez alguma sorte, ando acertando a mão com pães, finalmente. Este veio de The Mixer Bible, livro dedicado a receitas para se fazer com determinada marca de batedeira. Originalmente, é chamado de Farmhouse White Bread, mas pra mim é pão de leite mesmo :)

Eis a receita adaptada:

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Quase notícias

Nem posso dizer que tenho cozinhado pouco (na minha casa e fora dela), mas ando bastante ocupada com assuntos não pertencentes ao perímetro do fogão, o que às vezes me faz esquecer que ainda tenho uma Dadivosa dentro de mim.

Sinto falta de vocês, leitora e leitor queridos, por isso passo agora pra contar que:

  • Comprei um moedor de carne, daqueles de encaixar na batedeira. Continua na caixa, deve dar o ar da graça em 2012.
  • Meio sem querer, tenho acertado a mão nos pães.
  • Mais sem querer ainda –  e com pesar – fiz uma cuca de goiabada bem mais ou menos, que pegou no fundo, ressecou, a farofa ficou doce demais. Acontece.
  • Consegui acomodar quatro litros de sorvete no mini-congelador, em formas, forminhas e formões. Usei duas bandejas como prateleiras. Uma delas não sai mais, vai morar ali dentro.
  • Parti um radicchio ao meio e cozinhei em um dedo de água, sal e manteiga. Foi meu jantar agorinha mesmo.
  • Confirmei que as coisas (e eu) entram (entramos) nos eixos quando volto a cozinhar.
  • Cortei dedos e queimei a mão algumas vezes, nada grave. E faz tempo que não quebro nada em casa (não espalhem!).
  • As lichias começaram a aparecer outra vez, tenho uma caixa delas na geladeira. Vez ou outra tiro a sorte grande, que é quando a semente é mais estreita e a polpa mais carnuda.
  • Na geladeira também tem salada lavada, mamão, ameixa preta, ricota, manteiga, queijos (parmesão, grana padano, de cabra fresco, de cabra curado), iogurte e não muito mais.
  • The Table Comes First é meu novo livro de cabeceira. Estou apaixonada, leio de pouquinho em pouquinho e com aperto no coração, como naqueles intermináveis abraços e repetidos beijos de despedida.
  • Deixei grão de bico de molho em água e sal (uma colher de sopa pra cada litro) por 8 horas, cozinhei, escorri bem, tirei as cascas todas, passei numa mistura de azeite, sal, pimentón dulce, pimentón picante e tostei no forno até ficar crocante.
  • Minha máquina de esticar massa foi encontrada e voltou pra minha cozinha, depois de um ano de separação.
  • Daqui a oito dias, café do Babbo e comida da Mãe!

Tu me sabes…

- Tu me sabes.

- É, eu te sei.

(A gente se sabe e,  no momento, não careço de mais nada.)

Não é sempre que nos vemos, mas cada vez – como se fosse a derradeira, e um dia ela chega! –  é gostoso como sempre foi, como dar boa noite e bom dia num espaço de 3 horas, como aliviar a tensão de um dia esquisito ou dividir pequenas alegrias, partilhar segredos, receitas e planos, ganhar e dar colo, fazer macarrãozinho com manteiga RONI e parmesão, passar um café, olhar os livros trazidos da viagem, sussurrar palavras doces e chulas e bobagens e grandes questões da humanidade, o vazio do universo e o espaço infinito…

Pouco se me dá se não temos um do outro toda a atenção do mundo, se não somos vistos passeando de mãos dadas pela praça e que nossa história seja mais bem privada e não tenha um nome certo.  Ela é escrita a lápis, como as últimas receitas que registrei no caderno novo, em meio às incertezas que acolhi e respeito como parte da vida impermanente. Importa mesmo é se saber desse jeito e sentir juntos o aquecer e arrefecer das poucas e sempre últimas horas.

Não há poder, nem comando, nem chefia, nem submissão.  Também não há contrato. Ele não é só meu. Não sou só dele. Saio por aí, passo horas envolvida em outros temas, esticando-me, dobrando-me e permanecendo nas pontas dos pés sob a mira daqueles espelhos todos. Saio pra jantar longe dele, na maioria das vezes. Diz ele que tem ciúmes, eu rio e faço de conta que acredito.

Fosse um moço, não seria alto nem baixo demais, magro nem gordo demais. Misturado ao povaréu de São Paulo, andaria com as costas eretas, príncipe desencanado de camisa xadrez, calça jeans, tênis e uma barba de três dias.

Mas ele não é gente.  Não é gente, tampouco coisa, embora às vezes brinquemos que somos objeto um do outro.  Ele está mais para… por falta de palavra melhor… um signo, uma representação, um tema, uma ideia, vá lá…

Não se pode ter ciúmes de uma cozinheira eventual. Sobretudo esta, sobretudo por nos sabermos assim.  E se cuando cocino me pasan cosas, é sempre diante de ti e de tuas distintas materializações que elas acontecem, na minha casa e na de outrem. Sou feliz ao teu lado, fazendo sopa ou assando um bolo e nessas horas não careço de mais nada. Conheço tuas manhas e bocas, gosto do teu cheiro e sinto tua presença ao virar-me de costas, de avental e vestido. E tu me sabes como ninguém mais, Fogão.