Oito.

Um é o cara. O primeiro, o único, o melhor. O mais solitário, um café e a conta, a saideira.

Dois é casal, parzinho, duo, díptico, dupla, olhos, orelhas, mãos, pernas.

Três é realeza, triunvirato, número primo, tríade, trindade, pai-filho-espírito-santo, sangue-suor-e-lágrimas.

Quatro é marcação de tempo, estações, cantos do mundo, patas, apoio.

Cinco é redondo, só mais cinco minutinhos, top five, outro primo, uma mão cheia.

Seis é metade, meio ano, meia dúzia. Seis graus de separação entre mim e qualquer vivente da face da terra.

Sete é cabalístico. Dias da semana, pecados capitais, cores do arco-íris, notas musicais, conta de mentiroso, sete léguas, sete vidas, sétima arte.

Oito é o quê? Octópode? Dois terços de um ano? Bola oito?

Bobagem. Oito trabalha na profundeza e na imensidão.

Oito deitado é infinito, matemático e filosófico (matemática é filosofia e vice-versa, em meu humilde entendimento de filha e irmã de matemáticos que filosofam), laço que se encerra em si mesmo. Finge ser banal na gravação da aliança, na tatuagem de amor-eterno-amor-verdadeiro-fulano, na bola preta da sinuca, no quadradinho de oito do funk carioca. Oito deitado, com um lado aberto, vira rabisco de peixe.

Com um oito de pé começa-se a desenhar um gato. Ou um gordinho. Ou uma mulher grávida. Um oito de pé também é laço que se encerra em si mesmo. Cérebro e vísceras. Razão e instinto. Cabeça e barriga. O que governa e de onde sai a fome. O que traduz em pensamento aquilo que se passa nas entranhas.

A l i m e n t o

C o z i n h a r

E s c r e v e r

D a d i v o s a

Oito letras.

Omeunome tem oito letras.

Omeuamor tem oito letras.

Oito.



5 comentários em “Oito.

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