Só ele se salvou

O macarrão ficou duro demais e o hamburguinho caseiro ficou desabrido, sem sal nem gosto. Gostoso mesmo só o brócolis, assustado em alho e óleo.

Há dias assim mesmo, em que até o mais dadivoso dos cozinheiros se distrai, erra na mão, nos tempos e nos temperos, desaprende o que parecia estar tatuado no DNA, escorrega até em fervura de água. E o brócolis, tão querido e verdolengo, apareceu todo cheio de sabor e autoridade vegetal para avisar que essas coisas são assim mesmo, ora bolas, que vamos que vamos, que cozinhar é uma caixinha de surpresas, que o empaPe é um bom resultado, que umas boas risadas e bonbons podem deixar tudo mais leve e colocar o desastre culinário na devida perspectiva: um convite ao desprendimento.

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Desprendida, ou melhor, desconectada tenho estado por questões de ordem tecnológico-condominiais, de modos que esta cozinha carece de atualização. Oxalá conseguiremos resolver os dilemas com nem tantas horas de espera ao telefone. Ao Leitor e à Leitora queridos que por aqui passam deixo um beijo e a promessa de que tudo voltará ao normal em um ou dois dias. ;***

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Salada de Beterrabas

Salada de Beterraba

Quando o frio lá fora nos faz soltar um riso nervoso para as gélidas folhas verdes da salada, estas beterrabas morninhas acompanham com formosura e exuberância a refeição. Basta cozê-las com casca em água, depois passá-las rapidamente pela água fria enquanto puxa as peles com a faca, picá-las como preferir com a ajuda do garfo para não queimar as mãos e fazê-las descansar bem cobertas até a hora de servir numa vasilha de vidro ou cerâmica com um pouco de vinagre de vinho tinto, sal e pimenta moída na hora. Se desejar, pode adicionar ao tempero fatias fininhas de cebola e ervas frescas. Na hora de servir, um fio de azeite vai bem.

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Estimada Marinha

Que a dadivosice corre no sangue da família, a Leitora e o Leitor queridos já devem ter se dado conta.

São tantas influências deliciosas, tantas pessoas que me fizeram gostar de cozinhar (muito embora não seja lá nenhuma especialista e tenha meus dias de gororoba) que às vezes vem a sensação de que não vou conseguir dar o devido crédito a todas elas enquanto viver.

Dadivosa pra lá de enrustida, Ti’mara – ou Tia Mara, ou Marinha - teima em dizer que não sabe e não gosta de cozinhar, que suas comidas são ruins e que seu talento nesse cômodo da casa se concentra em lavar bem a louça. Um tempo atrás, tomando um café cheiroso na casa dela, travamos o seguinte diálogo:
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Farofa de Pinhão

Farofa de Pinhão

Estão na época, são fáceis de fazer e constituem um belo petisco para reunir pessoas queridas enquanto se joga conversa e as cascas fora. Cozinho o pinhão na água por umas duas horas (ou 40 minutos na panela de pressão), adiciono sal apenas no final, para uma fervura de 5 minutos.

Caso o Leitor e a Leitora tenham exagerado na quantidade, podem usar as sobras para enriquecer o molho de uma carne, ornar uma salada ou para preparar esta farofa.
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