
Acabei de preparar meu primeiro bacalhau que, como é de conhecimento do Leitor e da Leitora, era meu Si Bemol – aquela nota que por um tempo me dava medo e que evitava a ponto de não tocar no violão as músicas que a tinham em sua composição.

Acabei de preparar meu primeiro bacalhau que, como é de conhecimento do Leitor e da Leitora, era meu Si Bemol – aquela nota que por um tempo me dava medo e que evitava a ponto de não tocar no violão as músicas que a tinham em sua composição.

Quatro maçãs pequeninas descascadas, sem caroço, em cubinhos, vão para o processador ou liquidificador com meia xícara de açúcar.
Já pastosas, são acompanhadas por uma pitada de canela em pó e um cravo-da-índia na panelinha.
Ao fogo ficam por dez minutos, não mais. O cravo se despede e vai procurar outras paragens, enquanto o purê de maçã arrefece e ganha mundo, tomando mil formas e funções: recheio de bolo, cobertura de sorvete, ingrediente de torta, companhia de waffles e panquecas, incremento de mingau, lanchinho da meia-noite… aqui, oferece-se exclusivamente para o Leitor e a Leitora queridos, posando para a foto todo abusado no fundo dum copinho simpático, coberto por iogurte natural caseiro e cremoso e polvilhado com um nadinha de canela.

Atiçou-me a cobiça a polenta da Eliana, que serviu de inspiração para uma versão mais fresca – pois ainda não posso ingerir coisas muito quentes – e atrevida, porque já estou a me sentir semi-nova.
A receita a seguir fica pronta em 10 minutos e funciona bem como prato único ou como acompanhante da aperitivagem camarada em happy-hours caseiros.

Eis que na correria da vida lá fora, um dia antes do dia D, juntei panelas e temperos e carnes e legumes e utensílios e preparei três sabores diferentes de sopas, que a priori me apeteceram já pelo nome:
Esperava, com isso, dar certo aconchego aos dias de dieta líquida. Qual nada! Nenhuma delas, nem a substanciosa carne, nem a atrevida abóbora, nem a delicada mandioquinha me agradou o paladar. Um pouco pela temperatura – gelada, nada condizente com o frio da barriga e de fora dela - um pouco pela falta de inspiração maternal na hora da cocção, outro tanto por ter ignorado os princípios básicos da comida restituidora, errei na mão e tive de engolir muito a contragosto o resultado. Ruins não ficaram, mas faltou-lhes um quê de carinho.
Redimi-me hoje, com a simplicidade de uma canja daquelas que só a mãe (ou a gente, quando tem o firme propósito de auto-mimar-se) sabe fazer.
Ingredientes (para duas canecas):
Como fazer:
Minha coragem foi para o beleléu quando contaram-me em mais detalhes como seria a intervenção. Perseverei, no entanto, concordei em aproveitar a viagem para arrancar o que me restava de juízo e cá estou, viva e recuperando-me até que bem entre compressas de gelo, medicamentos, vitaminas (muitas), sorvetes (pouquíssimos) e sopas frias.
Andei a sonhar com aquela de grão-de-bico e tomates da Fer, será meu retorno às panelas assim que estiver mais disposta.