
Quando a mãe me levava com ela ao centro da cidade, era mandatório parar na Panificadora Brasília para um lanche. Bombas de chocolate, croissants, bolos, tortas, brigadeiros, sonhos, balas e sorvetes não eram páreo para minha iguaria preferida.

Quando a mãe me levava com ela ao centro da cidade, era mandatório parar na Panificadora Brasília para um lanche. Bombas de chocolate, croissants, bolos, tortas, brigadeiros, sonhos, balas e sorvetes não eram páreo para minha iguaria preferida.

Encantam-me os nomes das coisas, isso desde sempre. Ontem dei-me conta de que ou a criatividade para batizar frutas e legumes anda em baixa, ou essas plantas fecundam-se em encontros às vezes improváveis, formando nomes compostos um tanto surpreendentes.
Banana-maçã, abóbora-moranga, tomate-caqui, umbu-cajá, laranja-pêra, banana-figo, tomate-cereja, feijão-aspargo, batata-aipo, limão-cravo, hortelã-pimenta, abóbora-laranja…

O acaso é ingrediente constante nos domínios de minha cozinha. Ora produz grudes intragáveis, ora desanda o pão, ora obriga-me a deitar fora a receita, ora revela-se uma gostosa surpresa.
O bolo a seguir, cuja receita apanhei numa embalagem de coco ralado, acabou por revelar-se delicioso, malgrado meu total esquecimento de um elemento quase indispensável: o trigo.

Esses preparados de milho para polenta são como crianças precoces. Podem transformar-se com rapidez e graça, absorvendo informações em velocidade impressionante enquanto amadurecem e ganham corpo. São o ingrediente ideal para confeccionar uma refeição prática, substanciosa e cheia de personalidade.
Babbo toca violão muito bem. Autodidata e eclético até não mais poder, vai de pérolas do cancioneiro popular ao rock inglês, passando pelas melodias francesas dos anos dourados, pela bossa nova e pela Arca de Noé de Vinícius.
Embora eu tivesse o disco, preferia as interpretações do Babbo para o pato pateta, o leão-leão-leão-és-o-rei-da-criação…
Datam dessa mesma época minhas primeiras experiências na cozinha da vó Dinah e nas performances musicais.
Com quatro anos, a vó me deixava brincar com a massa de macarrão e ser sua sous-chef. E com quatro ou cinco anos foi registrado em fita cassete meu primeiro dueto com o Babbo. A música também era de Vinícius, em parceria com Tom Jobim, mas não falava de porquinhos que iam pro céu, nem de casas muito engraçadas.
O Daniel do É Isso, que gentilmente hospeda Dadivosa em seus domínios, acabou de enviar essa maravilha.