Vão-se os amores, ficam os sabores…

De plena fervura, em banho-maria, fritos em óleo quente, gelados e refrescantes, platônicos, impossíveis, proibidos, cafonas, de vanguarda, testados, consumados, irreproduzíveis, densos, adolescentes, fáceis, previsíveis, de execução difícil, enlatados ou passados na manteiga.

Existe um paralelo entre as receitas e os fascínios amorosos, creio eu.

Aqui, entenda fascínio amoroso como um grande alguidar de barro onde cabem desde os namoricos da infância até as mais adultas fantasias, dos relacionamentos profundos e duradouros aos encontros de olhar na escadaria do metrô.

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Wraps de Salmão com Cream Cheese e Alcaparrinhas

Wraps são lanches rápidos feitos com pão-folha (ou equivalente) e enrolados em forma de charutinho.

Muito práticos e versáteis, podem ser quentes ou frios, leves ou substanciosos, frugais ou metidos-a-besta, dependendo do gosto, do tempo, do apetite e do bolso do freguês.

Após bebericar e papear por algumas horas com a amiga querida, acabei por olvidar-me de inserir as folhas verdes nesses exemplares da foto, gafe devidamente corrigida na leva seguinte.

A falta de alface não causou grande prejuízo no sabor, fato que agradará sobremaneira aquele leitor menos afeito às verdosidades.

Como sempre, fique à vontade para adaptar as quantidades de acordo com o número e o apetite de seus convivas.

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Petit Gateau de Canela com Gelado de Banana

Juntei duas idéias fabulosas na feitura dessa sobremesa ligeira e digna de repeteco(s).

O gateau é daquelas receitas que, de tão simples, chegam a causar desconfiança. Só não me ocorreu suspeitar do sucesso porque a autora - Luna, do Quiche de Macaxeira – deixou tudo muito bem fotografado e descrito aqui.

Segui à risca as recomendações, sendo que o leite em pó de que dispunha era desnatado (tanto melhor, não?). Meu forno, porém, anda preguiçoso. Deveria ter deixado o bolinho assar um pouco mais, um ou dois minutos, talvez. É que ficaram tão molinhos que não foi possível removê-los dos ramequins.

Assim como a Luna, também não tinha sorvete em casa. Para ser franca, não sou muito fã de sorvetes industrializados, acho-os meio enjoativos e gordurentos. À caça de uma receita de sorvete de banana que pudesse reproduzir em casa em poucas horas, encontrei esta maravilha no Panelinha.

Trata-se de, simplesmente, processar bananas congeladas. Que boa idéia, pensei. Não tenho um processador, mas quem se importa?

Deixo aqui minha versão do gelado de banana, com adaptações e um pouco de história.

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Pita Caprese

Inspirada neste escrito do Comes&Bebes, preparei um lanche rápido, fresco e delicioso. Batizei-o de Pita Caprese, pois consiste num pão árabe integral coberto com:

  • excelente azeite
  • rodelas de tomate
  • pedaços de mussarela fresca
  • flor do sal
  • pimenta-do-reino moída na hora
  • folhas de mini-manjericão

Se quiser, leve ao forno rapidamente para deixar o pão mais crocante. Ou use pão-folha e faça um charutinho simpático :)

Prosit!

Ricardo, do recém-nascido e apetitoso Ceguinho no Churrasco, encontrou um glossário mui completo com termos de culinária em alemão, inglês, português e espanhol. Um verdadeiro tesouro!

O site é fácil de navegar e, além das palavras, traz fotos de cada um dos alimentos, o que ajuda bastante.

Basta clicar em “Glossar” para ver tabelas com nomes de:

  • Teilstücke vom Rind: cortes de carne
  • Getreide (cereais)
  • Obst (frutas)
  • Gemüse (legumes)
  • Kräuter & Gewürze (temperos e ervas)
  • Pilze (cogumelos)
  • Samen & Nüsse (sementes e nozes)

Os cortes de carne têm equivalentes da Alemanha, do Brasil e da Argentina. Já as plantas vêm com o nome científico também, para não ter erro!

Visite o site em: www.chefkochbuch.de.

Um brinde ao Ricardo pela dica maravilhosa!

Salada de Laranja com Canela

Herdei de meu pai, o Babbo, uma paciência incrível para descascar laranjas. Faço-o com maestria, sem bagunça nem chacina. Nem pareço eu!

A técnica consiste em retirar a casca toda de uma só vez, formando uma linda espiral. Depois retira-se, com velocidade de prestidigitador, toda a pele branca e amarga, penúltimo vestígio da interface da laranja com o mundo.

Deixa-se intacta a membrana fina que reveste os gomos, podendo-se retirar as sementes com um golpe certeiro da faca afiada ou, numa versão mais selvagem, com uma mordida voraz.

A salada a seguir foi preparada para o evento da Colher de Tacho e pode ser montada aos gomos, cubos ou rodelas, mas confesso que prefiro essas últimas.

Ingredientes: (por porção)

  • 1 laranja-pera bem madura, suculenta e geladinha
  • 1 colher de chá de açúcar (não deixe de usar, eu que não gosto de açúcar, aprovei)
  • 1/2 colher de sopa de água de flor de laranjeira (encontrada em supermercados e lojas de produtos árabes)
  • canela a gosto

Como fazer:

  1. Descasque a laranja retirando toda a pele branca e corte-a em rodelas. Retire as sementes.
  2. Disponha as fatias sobre um prato raso, preferencialmente sem sobrepô-las, pois elas deverão estar livres para receber a festa de sabor que vem a seguir.
  3. Polvilhe as fatias com o açúcar. Não exagere, use somente a quantidade indicada para não mascarar os outros sabores.
  4. Regue a laranja com a água de flor de laranjeira, cuidando para que cada fatia receba sua porção dessa chuvinha mágica. Aqui, também, um exagero pode tornar a salada repugnante, enjoativa.
  5. Polvilhe tudo com canela a gosto e sirva. Não espere muito tempo, pois a laranja oxida rápido e nada se compara ao frescor da fruta recém-cortada!

Para baixar um vídeo com outra técnica de descascar laranja, clique aqui.

Sonho de Consumo: Governanta

Cansam-me sobremaneira certas interações do cotidiano doméstico.

Contrataria imediatamente um serviço que me entrevistasse uma única vez e desse conta de minhas preferências e necessidades domésticas, desde que eu não precisasse “interagir”.

Seria uma espécie de agência de serviços do lar, com um bom acordo de nível de serviço, idoneidade e capricho acima de qualquer suspeita.

A comunicação com a Central, quando necessária, poderia ser feita por e-mail, SMS, telefone ou programas de mensagem instantânea e as tarefas ocorreriam no período em que não estou em casa, sem necessidade de orientação ou supervisão.

Como ainda não vi tal maravilha, sonho em  ter uma governanta, cujos papel e encanto foram bem explicados pela Danuza Leão:

“(…) Contratar, ensinar como a casa funciona e demitir, quando for o caso. É ela quem vai ensinar onde são guardadas as bandejas, o que combina com o quê, qual a travessa do arroz, o ponto certo do rosbife, se o café é fraco ou forte…

(…) E como fazer entender, sem verbalizar, que a geléia de morango (nacional) ela pode usar – e abusar -, mas que a inglesa, de pétalas de rosa, não pode? E o problema social, como fica? E a culpa? Para isso, só contando com uma governanta.”

O texto da Danuza foi publicado na Revista Cláudia e pode ser lido na íntegra aqui.