Dia Feliz!

Não tenho palavras para descrever o almoço com a Fer e com as jovens-senhoras-modernas que participaram do encontro, a saber:

O leitor e a leitora queridos devem conhecê-las quase todas de minhas recomendações de leitura. Pois reforço a dica, que os relatos do encontro estão um mais querido do que o outro.

A mãe da Fer, Dona Odete, me deixou com o coração quentinho, pois me lembrou um pouco a Vó Dinah, com seus cabelos pretos e seus olhos de amor. Agarrou-me uma emoção imensa!

Obrigada, queridas, pelo dia feliz!!!!

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Coroa Delicada

Coroa Delicada

Aquele legume injustiçado que atende pelo simpático nome de chuchu tem em mim uma fã.

Sim, querida leitora e querido leitor, eu acredito que o fruto dessa trepadeira tem gosto. É delicado, bem verdade, mas não deve ser menosprezado!

Até porque, sendo a palavra também um apelido carinhoso, sinônimo de “queridinho”, “preferido” e “amorzinho”, entre outros carinhos, a coisa não poderia ser ruim, não é mesmo?

A receita a seguir é um acompanhamento aprazível e versátil, que fica pronto em menos de uma hora, não exige vigilância e tem um efeito visual bastante belo.

Poderia ter usado cenouras, batatas, mandioquinhas, ervilhas, vagens, brócolis, couve-flor… mas escolhi o chuchu por seu sabor sutil e por suas baixíssimas calorias, característica muito em voga neste período que antecede as festas.

O leitor e a leitora não devem dar crédito àquele tão démodé preconceito contra o machucho, pois até mesmo o Sr. Dadivoso, até então inimigo declarado do legume, não só aprovou como pediu mais de minha recém-inventada iguaria.

Ingredientes:

  • 2 chuchus descascados e picados em cubinhos
  • sal a gosto
  • 2 ovos
  • ½ xícara de queijo ralado [usei de pacotinho mesmo]
  • 1 cebola picadinha
  • 1 colher de sopa de salsa picadinha [usei desidratada]
  • 1 pitadinha de nada de orégano [ não muito, senão ele se empolga e grita muito]
  • 1 colher de sopa de um bom azeite de oliva
  • 1 xícara de farinha de trigo
  • 200 ml de iogurte natural  [usei do meu caseiro, semidesnatado]
  • ¼ xícara de azeitonas verdes picadas
  • pimenta-do-reino moída na hora a gosto

Como fazer:

  1. Leve o legume para cozer em água e sal.
  2. Ligue o forno para preaquecer.
  3. Unte uma forma de buraco no meio com margarina e polvilhe-a com farinha de trigo. Reserve-a.
  4. Numa vasilha, deite os ovos, o queijo ralado, a cebola, a salsa, o orégano, o azeite, a farinha de trigo, o iogurte e as azeitonas. Mexa com uma colher, assim, displicentemente, até que os ingredientes se entendam bem. Adicione um pouco de pimenta e prove.
  5. Quando o chuchu estiver macio e ceder ao espetar de um garfo, escorra-o, passe-o por água corrente até arrefecer bem e leve-o à massa, fazendo com que ele também participe da confraternização de ingredientes que você acabou de promover.
  6. Leve todos àquela forma bonita que você untou e enfarinhou e asse em forno moderado por cerca de meia hora.
  7. Retire do forno e deixe descansar por uns 10 minutos. Desenforme e sirva.

.*. Uma dica Dadivosa .*.
Muitas senhoras e senhores têm asco daquela viscosidade que se desprende quando descascamos o chuchu. Eu evito o incômodo trabalhando o legume sob um fio de água corrente. Experimente! Suas mãos sentirão a diferença.

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Flousse aux Mûres

Flousse aux Mûres

Apetece-me batizar meus cozinhados, sobretudo quando parecem que sairão de um jeito e o destino (meu eufemismo preferido para o atabalhoamento) dá conta de modificar o resultado, às vezes até produzindo algo melhor do que o planejado.

Foi assim com minha primeira flousse, a sobremesa que era para ser um flan mas ficou com jeito de  mousse.

Decidida a repetir a feita, desta vez com mais sabor, para elaborar um docinho leve e sem açúcar para fechar o domingo, fui preparar um pequeno agrado para o fim do dia.

Fiquei tão faceira com a cor, da textura e o sabor de minha flousse que, após batizá-la, decidi que ela é forte candidata a se tornar um clássico de minha cozinha.

O leitor e a leitora podem  substituir, nesta e noutras receitas, os itens marcados como “diet” pelos ditos “normais” sem medo de errar. As quantidades equivalentes de açúcar, tentarei estimá-las todas à guisa de orientação.

Ingredientes:

  • 1 pacotinho de gelatina diet sabor amora
  • 250 g de amoras (usei das congeladas)
  • 1 pacotinho (12 g) de gelatina sem sabor incolor
  • 5 colheres de sopa de água
  • 500 ml de iogurte natural (usei do meu caseiro, semi-desnatado)
  • 1 ½ xícara de água morna
  • 20 gotas de adoçante (pode usar meia xícara de açúcar, se preferir)

Como fazer:

  1. A primeira providência é levar as amoras ao fogo com a água, por tempo suficiente para amolecê-las um pouco. Não é necessário ferver.
  2. Hidrate a gelatina sem sabor nas cinco colheres de sopa de água, seguindo as indicações da embalagem. Faça isso numa cremeira de vidro, pois em seguida você deve levá-la ao microondas por 15 segundos ou ao banho-maria para dissolver bem a mistura.
  3. No copo do liquidificador, vão as amoras com a água ainda quente, a gelatina sem sabor, o pó da gelatina de amora e o adoçante. Bata bata bata bata bem atééééé não mais ouvir barulhinhos de sementes de amoras espocando aqui e ali.
  4. Numa vasilha de bater bolinho, despeje o iogurte natural e mexa-o apenas para deixá-lo mais homogêneo. Vá despejando ali a mistura do liquidificador e mexendo bem com a colher. Veja que redemoinho maravilhoso que se forma, quase um cata-vento roxo-avermelhado no iogurte branquinho.
  5. Se quiser, coe a mistura, mas eu bem gosto da texturinha da fruta que aparece na flousse, pois sempre ficam uns pedacinhos.
  6. Despeje tudo numa bela forma de gelatina previamente molhada, se quiser desenformar. Você pode optar também por usar tigelinhas individuais, ou uma grande de vidro.
  7. Leve à geladeira, deixe solidificar por umas seis horas e sirva. Cheguei a ensaiar um zabaione amarelinho para acompanhar, mas além de não ter vingado, a flousse aux mûres é uma sobremesa deveras emancipada que não carece tanto assim de acompanhamentos.

P.S.: Notem que o topo da flousse está, por assim dizer, um pouco descabelado. É que a gelatina teimou em agarrar-se à tampinha em formato de coração, exigindo de minha parte uma operação cirúrgica para separá-las. Nem a tampa nem a gelatina saíram machucadas e a flousse teve alta essa manhã.

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Coisas Queridas – Canecas

Caneca Unicef

Não existo sem antes sorver um canecão de café preto. É um prazer inenarrável ao qual me dedico todas as manhãs. E o ritual fica ainda mais gostoso quando passo o café na hora, direto para dentro de uma das minhas canecas preferidas.

Com as constantes mudanças, algumas quebraram-se, outras decidiram por ficar onde estavam. É que às vezes, ao contrário de mim, elas criam raízes, apegam-se aos lugares e não arredam o pé, digo, a asa.

As mais queridas de todas são as da Unicef. Não só por serem lindas e funcionais, nem só por serem produtos de uma instituição de ajuda às crianças. O motivo principal é o fator Dona Gerda.

Para encurtar um pouco a conversa, ela foi apresentada à mãe por uma amiga em comum. Filha de alemães, casada com um militar brasileiro, tinha três filhos. A mais velha, Érika, o do meio, Martin, e a caçula-temporã, Mariane, que nasceu no mesmo dia e ano que eu.

Brincávamos que éramos gêmeas-separadas, que tínhamos duas mães, chamávamos uma à outra de “mana”, passávamos a noite inteira conversando, íamos juntas à praia, brincávamos de escritório e salão de beleza…

Mas eu estava falando mesmo era da Dona Gerda. Ela era Bandeirante, condecoradíssima, cheia de flâmulas, distintivos, medalhas e trevos da amizade. Eu achava aquilo tão lindo! Não intentava ser Bandeirante, sabia que aquela disciplina toda não combinaria comigo, mas gostava de ver os eventos e cheguei a ir a algumas reuniões junto com a Mariane.

Além das intensas atividades ligadas ao bandeirantismo, Dona Gerda cuidava de um quiosque da Unicef. Se a vista não me pisca, ela era uma espécie assim de central de abastecimento e controle. Em outubro/novembro chegavam os catálogos e semanas depois começavam a aportar as encomendas. Caixas e caixas de papel de carta, camisetas, joguinhos educativos, enfeites, agendas e as canecas. Ah, as canecas!

Foi ela quem me deu a primeira, com estampa de arabescos mui delicados, desenho feito por uma moça da Turquia. Um tempo depois, já maiorzinha, todo ano eu comprava uma. Poucas vezes falhei, fosse porque estava longe e não achava um quiosque da Unicef, fosse porque os modelos não me apeteciam.

Dona Gerda foi uma influência poderosíssima em minha personalidade cozinheira. Senti-me deveras importante quando, aos nove anos, ela me pediu que escrevesse os rótulos para suas geléias de pitanga.

E ela era brava, mas nem ralhou comigo quando quebrei a jarra de vidro de sua cafeteira. Acho que ela já sabia que meus ímpetos de bater bolinho seriam mais fortes do que o medo de destruir a cozinha :D

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Pão de Ervas da Andréa Espínola

Pão de Ervas

Dia desses, ao fazer uma escavação arqueológica em minha bolsa, deparei-me com um pedaço de papel coalhado de garatujas em caneta cor-de-rosa. O título dizia “Pão de Ervas – Andréa Espínola – Rainhas”.

Lembrei-me que, meses atrás, numa de minhas diversas visitas diárias ao Rainhas do Lar, havia anotado a lista de ingredientes muito às pressas e o modo de fazer assim pela metade, pois queria muito fazer a receita.

Não sei por que raios não imprimi ou copiei pro computador, mas lembro-me muito bem da decepção que me assolou quando constatei que meus tabletinhos de fermento já tinham cruzado Cabo da Boa Esperança. Não pude fazer o pão e o papel anotado ficou lá, no buraco-negro de minha bolsa, à espera de um milagre.

Pois sua hora chegou! E deste dia não passaria, pois tinha comprado fermento fresquíssimo e até uma farinha especial para pães. Lembrei-me de que a receita era grande, então resolvi fazer somente metade. A original você pode ver aqui. E aqui está o relato da Rainha Faby.

Preciso lembrar de evitar fazer meias receitas… não pela matemática, com a qual nunca tive problemas, mas pelo meu já conhecido avoamento. Tudo porque, após deitar os ovos, as ervas, óleo, sal e açúcar no copo do liquidificador, um telefonema-convite para “comer um japinha” com a amiga querida me fez interromper temporariamente a feitura do pão.

Na volta, com a barriga quentinha, o coração contente e a vontade de terminar a receita, recomecei a lida de onde havia parado. Peguei o líquido de dentro da geladeira, pus no copo do liquidificador, juntei o fermento esfarelado, a água morna, bati tudo e incorporei na farinha peneirada.

A mistura ficou muito mole e suspeitei de que algo havia dado errado na proporção. Mas é claro! “Olvidei-me de cortar pela metade a quantidade de água!”, exclamei em voz alta, arriscando ser advertida por violar a lei do silêncio.

O que seguiu, amiga leitora e amigo leitor, foi uma sucessão de eventos acelerados e desconexos. Esfarelei o resto do fermento, juntei a outra metade dos ovos e até hoje não me lembro se completei a proporção de farinha. Só sei que não completei a outra metade do óleo, coisa que me lembrei quando o pão já estava no forno e era tarde demais.

Levei a massa (que é linda, por sinal) a crescer. E ela cresceu. E cresceu. E antes que a danada se alastrasse por toda a cozinha, acudi prontamente com uma outra forma menor, deitando nela um terço da massa.

Levei os pães ao forno, mas não há meio de precisar quanto tempo ficaram lá, pois meus olhinhos já estavam pesados de sono. Só sei que em determinado momento desliguei o fogo, fui dormir e minutos depois acordei assustada só para levantar da cama e constatar que sim, eu tinha mesmo desligado o forno.

Fui conferir o resultado somente no dia seguinte, no café-da-manhã. Talvez não precisasse ter separado as formas, talvez devesse ter seguido a receita à risca, ou pelo menos anotado direito qual a “metade” que eu havia feito. O pãozinho ficou mais magro e baixinho, mas no fim, deu tudo certo. O sabor e a textura ficaram um esplendor.

Acho que tive mais sorte do que juízo :D

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Anti-leite-derrameitor

Anti-leite-derrameitor

Rainha Katita noticiou que uma famosa marca de leite finalmente aderiu às práticas e higiênicas (mas não muito ecologicamente corretas) tampinhas plásticas em suas embalagens longa-vida.

Acontece que a solução não resolve meu problema (e o de algumas outras jovens senhoras estabanadas), pois ora aperto demais a embalagem e provoco um chafariz que bate no teto não sem antes passar por meus olhos, ora trisco a manicure para levantar a pontinha do plástico, ora escangalho o lacre de papel alumínio e preciso fazer uso da faca.

Tudo mudou quando adquiri meu primeiro exemplar do magnífico anti-leite-derrameitor, dispositivo de funcionamento mui simples e inteligente. Dotado de uma ponta em forma de parafuso vazado, o utensílio permite que a leitora e o leitor perfurem a embalagem sem derramar uma gota sequer de líquido.

Os cuidados com higiene, obviamente, são fundamentais:

  • Independentemente da maneira que escolher para furar sua caixinha de leite, lembre-se de lavá-la antes de abrir. Isso mesmo, a poeira e as sujidades dos supermercados não merecem habitar sua casinha, muito menos seu organismo.
  • O anti-leite-derrameitor deve ser lavado com água e sabão neutro e passado em água quente sempre sempre. Para evitar ter de fazer esse processo naquela manhã corrida em que você está semi-atrasado para o trabalho, faça como eu: tenha sempre dois ou três exemplares lavadinhos e sequinhos aguardando entrar em ação.

Custa menos de dois dinheiros e pode ser encontrado em magazines de utensílios domésticos, feiras livres, camelôs e lojinhas de tranqueiras para o lar.

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Dezembro é mês de…

  • Abobrinha
  • Alho nacional
  • Alcachofra
  • Alface
  • Almeirão
  • Batata
  • Beterraba
  • Brócolis
  • Catalonha
  • Cebola
  • Cenoura
  • Couve
  • Couve-flor
  • Espinafre
  • Milho verde
  • Palmito
  • Pepino
  • Quiabo
  • Rabanete
  • Repolho
  • Salsa
  • Salsão
  • Tomate
  • Vagem
  • Abacaxi
  • Banana-maçã
  • Banana prata
  • Coco-verde
  • Figo
  • Laranja
  • Limão
  • Manga
  • Mamão
  • Mamão Havaí
  • Maracujá
  • Melancia
  • Melão
  • Pêssego
  • Uva Itália
  • Uva Niágara
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