12.05.06
Coisas Queridas - Canecas

Não existo sem antes sorver um canecão de café preto. É um prazer inenarrável ao qual me dedico todas as manhãs. E o ritual fica ainda mais gostoso quando passo o café na hora, direto para dentro de uma das minhas canecas preferidas.
Com as constantes mudanças, algumas quebraram-se, outras decidiram por ficar onde estavam. É que às vezes, ao contrário de mim, elas criam raízes, apegam-se aos lugares e não arredam o pé, digo, a asa.
As mais queridas de todas são as da Unicef. Não só por serem lindas e funcionais, nem só por serem produtos de uma instituição de ajuda às crianças. O motivo principal é o fator Dona Gerda.
Para encurtar um pouco a conversa, ela foi apresentada à mãe por uma amiga em comum. Filha de alemães, casada com um militar brasileiro, tinha três filhos. A mais velha, Érika, o do meio, Martin, e a caçula-temporã, Mariane, que nasceu no mesmo dia e ano que eu.
Brincávamos que éramos gêmeas-separadas, que tínhamos duas mães, chamávamos uma à outra de “mana”, passávamos a noite inteira conversando, íamos juntas à praia, brincávamos de escritório e salão de beleza…
Mas eu estava falando mesmo era da Dona Gerda. Ela era Bandeirante, condecoradíssima, cheia de flâmulas, distintivos, medalhas e trevos da amizade. Eu achava aquilo tão lindo! Não intentava ser Bandeirante, sabia que aquela disciplina toda não combinaria comigo, mas gostava de ver os eventos e cheguei a ir a algumas reuniões junto com a Mariane.
Além das intensas atividades ligadas ao bandeirantismo, Dona Gerda cuidava de um quiosque da Unicef. Se a vista não me pisca, ela era uma espécie assim de central de abastecimento e controle. Em outubro/novembro chegavam os catálogos e semanas depois começavam a aportar as encomendas. Caixas e caixas de papel de carta, camisetas, joguinhos educativos, enfeites, agendas e as canecas. Ah, as canecas!
Foi ela quem me deu a primeira, com estampa de arabescos mui delicados, desenho feito por uma moça da Turquia. Um tempo depois, já maiorzinha, todo ano eu comprava uma. Poucas vezes falhei, fosse porque estava longe e não achava um quiosque da Unicef, fosse porque os modelos não me apeteciam.
Dona Gerda foi uma influência poderosíssima em minha personalidade cozinheira. Senti-me deveras importante quando, aos nove anos, ela me pediu que escrevesse os rótulos para suas geléias de pitanga.
E ela era brava, mas nem ralhou comigo quando quebrei a jarra de vidro de sua cafeteira. Acho que ela já sabia que meus ímpetos de bater bolinho seriam mais fortes do que o medo de destruir a cozinha ![]()



Akemi said,
December 5, 2006 at 9:22 am
Dadi, acertou mesmo que eu iria adorar este post! Que canequinha mais liiiiinda! Amei!!!! E esta história da dona Gerda é de uma singeleza só! Como te disse, só conhecia os cartões da Unicef, eu realmente adorei esta canequinha, é uma pena que não tenha por estes lados onde moro. Essa parte de criar raízes bateu direitinho comigo!
Karla said,
December 5, 2006 at 11:41 am
Dadi, estudei num colégio de freiras alemãs, vindas pro Brasil no pós guerra e tenho maravilhosas lembranças de todas elas, especialmente de Ir. Benícia que com seus famosos Nicolaus, um biscoito de gengibre e especiarias feitos no Natal e Páscoa, despertou-me a vontade de aprender a cozinhar desde cedo.
Beijo
Regina said,
December 5, 2006 at 1:29 pm
Dadivosa,
linda sua caneca e ainda com dupla função
bjs
Karla said,
December 5, 2006 at 2:30 pm
Não podia deixar de comentar que amei o post e a d. Gerda, uma fofa, assim como as canecas com dupla função como bem disse a Regina.
Beijo
renata lampião said,
December 5, 2006 at 2:30 pm
Dadivosa, ainda nao vi a história da Dona Gerda mas que canequinha mais fofa. Faz tempo não vou a Unicef ver as novidades. Essa eu preciso ter rs. Parece artigo de conto de fada. bjinhos
Dadivosa said,
December 5, 2006 at 4:35 pm
Akemi, essa semana fui espreitar os modelos num quiosque aqui perto de casa e não são assim tão queridos. Quem sabe no ano que vem, né?
Karla, e você conseguiu a receitinha dos biscoitos de gengibre da Irmã?
Regina, estou super lerda hoje… o que seria a dupla função?
renata, é bem antiguinha, e as novas não são tão bonitas, mas não desisti e farei uma diligência em outros quiosques para verificar
;***
Cris said,
December 6, 2006 at 9:29 am
Dadivosa:
Que caneca fofa. Adorei a história da D. Gerda. São pessoas que a gente nunca vai esquecer, né? Eu tenho uma canequinha igual, que comprei há anos de uma promoção que a Unicef fez para funcionários do banco Itaú. Comprei essa e mais uma, além de alguns jogos americanos. Nunca mais vi umas tão bonitinhas!
Beijos,
Cris
Regina said,
December 6, 2006 at 9:30 am
Dadi,
servir um cafezinho quente e ainda fazer uma boa ação (unicef)
Anna Tavares said,
December 6, 2006 at 12:01 pm
Dadi
Simplesmente adoro canecas!!! São minha paixão. Todo santo dia pela manhã se eu não degustar um café com leite bem quentinho na minha caneca, o meu dia não está completo.
Tenho uma que trouxe dos USA, que amo de paixão.
Bjs
Anna Tavares
Dadivosa said,
December 6, 2006 at 2:29 pm
Cris, ainda falarei mais da Dona Gerda por aqui. Sobre as canequinhas da Unicef, lá isso é bem verdade… faz um tempo que não encontro estampas originais.
Regina, é claro! Que cabecinha, a minha, né?
Anna, a gente sempre tem umas preferidas, né? Essas da Unicef, pra mim, têm o tamanho ideal para começar o dia
Beijos
;***
sonianovaes said,
December 7, 2006 at 4:56 pm
Dadi
Sou apaixonada por canecas…as de Minas então nem se fala…trago de todas as cores e tamanhos…de ágata…he!he!
Quando vc vier na minha casa…vou passar para vc um cafézinho moído na hora…orgânico e mineiro…vai amarrrr…
Sobre o Encontro comentarei no meu blog…foi bárabaro adorei conhecer todas voces…
Beijos no coração…
Sonia Novaes
Rejane said,
December 7, 2006 at 6:15 pm
Fim de semana passado fizemos um amigo oculto entre amigos e os presentes eram… CANECAS!!!! Cada uma mais linda que a outra, a minha bem coloridinha com um alto relevo de vaquinha atrás de uma cerquinha, coisa mais fofa!! rsrsrs
valentina said,
December 8, 2006 at 7:43 pm
Que linda caneca, Dadi! Estas crianças sÃo doces, meigas. Deve dar ate prazer tomar algo nesta caneca.
Dadivosa » Arroz Integral no Microondas said,
February 22, 2007 at 7:58 am
[…] O primeiro microondas que vi na vida foi na casa da Dona Gerda (aquela das canecas da Unicef). Ele tinha o acabemento em madeira, era grande e a programação era feita por um botão de girar, como um dial. […]