Pudim Assado com Banana

Pudim com Banana

Precisava inaugurar minha forma de silicone vermelha com buraco no meio e decoração de gominhos. Ando numa fase “gominhos” desde que adquiri a Tupperware Mágica empregada no Flan de Maracujá.

O único obstáculo, afora a infinidade de receitas possíveis, era acertar na quantidade do preparado, pois a forma é mais larguinha e baixa, parece não dar conta de receitas muito generosas.

Optei então por uma espécie de clafoutis mais consistente, que já havia testado uns anos atrás. A receita veio numa revista para senhoritas preocupadas com a cintura, motivo pelo qual não contém gordura e preconiza ainda o uso de leite de soja e adoçante culinário. Receita light… um pouco demais, até. Como não faço questão nem de um nem de outro, acabei por adaptar a receita ao meu gosto e ao que tinha em casa. Mantive a ausência de gordura, troquei o adoçante por açúcar, usei leite comum com iogurte natura e vingou!

Ingredientes:

  • 2 bananas-prata
  • 3/4 de xícara de farinha de trigo
  • 1/2 xícara de açúcar [no original era adoçante, não recomendo]
  • 1 pitada de sal
  • 4 ovos
  • 1/2 xícara de leite
  • 1/2 xícara de iogurte natural [no original era só leite, mas gosto de misturar iogurte sempre que possível]
  • 1 colher de chá de essência de baunilha
  • 1 colher de chá de fermento em pó [precisar, não precisava, pus somente para testar]
  • canela em pó (opcional)
  • açúcar de confeiteiro para polvilhar

Como Fazer:

  1. Ligue o forno para preaquecer e unte a forma com margarina.
  2. Descasque e corte as bananas em rodelas, depois coloque-as na forma untada. Não é necessário atentar-se à decoração, pois a massa é bastante líquida e vai arruinar o desenho. Apenas cuide para distribuí-las uniformemente
  3. Numa tigela, deite o trigo, o açúcar e o sal. Adicione os ovos e bata com o batedor de arame ou colher de pau até incorporar bem.
  4. Junte o leite misturado com o iogurte e misture, apenas.
  5. Adicione a baunilha e o fermento (se quiser). Está pronta a massa.
  6. Despeje-a na forma, polvilhe com canela e leve ao forno médio. Leva uns 20 minutinhos.
  7. Espere arrefecer um pouco, polvilhe açúcar de confeiteiro e sirva morninho, frio ou gelado.

Há pouco tempo descobri que existem no mundo pessoas que nutrem verdadeira ojeriza pela banana. Se você for uma delas, recomendo substituir as inomináveis pela fruta que mais gostar, desde que macia para cozinhar rápido e pouco ácida para não desonerar a massa.

Silicone: Prós e Contras

Não há como negar que eles são mais vistosos, chamam a atenção e ornam o derredor. Puristas podem até torcer o nariz, mas o silicone não dá sinais de que vá cair em desuso tão cedo.

Sendo uma jovem-senhora-moderna-à-moda-antiga, preciso confessar que gosto muito das coisas mais originais, de raiz, ao mesmo tempo que não resisto a uma novidade, principalmente quando é esteticamente superior!

Espátulas, formas, pincéis e outros utensílios feitos de silicone vêm em uma infinidade de cores e formatos. Antes de adquirir meu primeiro exemplar, há uns 2 anos, fui pesquisar sobre o material para saber se era mesmo seguro para entrar em contato com alimentos.  E descobri que essas belezuras estão, sim, em conformidade com as normas internacionais e são recomendados para o uso culinário.

Isso posto, vamos à lista de PRÓS:

  • São coloridos e têm formatos graciosos.
  • Flexíveis, pode ser amassados para o armazenamento, sem que percam seu formato original.
  • São totalmente antiaderentes, com superfície mais confíavel do que outros revestimentos.
  • Têm microporos que distribuem melhor o calor, evitando que os cozinhados queimem de um lado só.
  • Chegam a durar 30 vezes mais do que as formas convencionais.
  • Não acumulam resíduos, sendo portanto mais higiênicos.
  • São mais fáceis de lavar e conservar.
  • São infinitamente mais eficientes na hora de desenformar, sobretudo para quem não tem muita prática/paciência, como eu.

Agora a lista de CONTRAS, totalmente baseada em minha experiência pessoal e intrasferível:

  • Toda essa flexibilidade nas formas de bolo e de pão pode constituir um problema para mãos aparvalhadas como as minhas. É preciso um cuidado extra no manuseio para não derramar toda a massa pelo chão da cozinha, escorregar e quebrar um dente (felizmente não aconteceu… ainda!).
  • Ainda sobre a flexibilidade, é sempre bom valer-se de um tabuleiro tradicional para levar o bolinho ao forno e para servir de base durante o cozimento. Fica mais fácil para transportar e, no caso das forminhas de muffin, evita que cantinhos da forma escorreguem pela grade.
  • Pode ser implicância minha, mas sinto que o silicone libera um leve odor de plástico, sobrepondo-se de certa maneira ao cheirinho bom do bolo.
  • Custam mais caro.

No frigir dos ovos, posso dizer que vale o investimento de siliconar a cozinha, mas é bom ter alguns itens de alumínio como apoio.

Dicas de conservação para formas de silicone:

  • É recomendável que você unte a forma com margarina na primeira e segunda vez que for utilizá-la. Depois não será mais necessário
  • Para lavar, utilize sempre a parte macia da esponja, pois o lado abrasivo pode arruinar a superfície lisa da forma. Caso algum respingo de massa queime nas laterais, basta deixar um pouquinho de molho na água.
  • Procure usar sabão neutro, daqueles em pedra, pois alguns detergentes também são muito abrasivos.
  • Muito embora algumas marcas aleguem que seus utensílios podem ir à lava-louças, não gosto de arriscar.
  • Em hipótese alguma deixe de desenformar o bolinho ou o pão, para não correr o perigo de um assaltante de cozinha desavisado passar a faca para roubar um naco e acabar arruinando seu belo utensílio!

O Martírio do Elevador

Couriers-motociclistas são xingados durante o dia e esperados ansiosamente ao cair da noite, não é mesmo?

Quer dizer, são esperados quando é a nossa pizza que ele traz, pois é de amargar chegar em casa faminta, ver que o moço acabou de entregar a encomenda e ter de subir nove andares num elevador repleto daquele cheirinho inconfundível!

Ainda mais para mim, que demoro mais tempo decidindo que sabor pedir do que a pizzaria leva para entregar. Ou seja, de 20, 30 minutos, o processo passa para uma hora, facilmente.

Foi por isso que na última sexta-feira (é o pior dia, sempre) inventei às pressas um aplacador de fome quase instantâneo que não se compara a uma redonda, mas foi rapidíssimo de fazer, não exigiu cocção e ainda por cima ficou saboroso.

Sanduíche Aberto de Salmão Defumado

Ingredientes:

  • 2 fatias de pão integral
  • lábane (coalhada seca) o quanto baste para besuntar o pão
  • pepino japonês (meio já está bom)
  • alcaparras a gosto
  • salmão defumado (usei dois filés)
  • pimenta-do-reino moída na hora

Como fiz:

  1. Mal abri a porta e já fui ligando o forno.
  2. Coloquei o salmão num pratinho e desfiei um pouco os filés.
  3. Lavei e cortei em rodelinhas o pepino.
  4. Taquei as fatias de pão no forno somente para aquecerem um pouquinho. Se preferir, use a torradeira.
  5. Tirei o pão do forno, passei o lábane nas fatias, depois veio o pepino, o salmão, a pimenta e as alcaparras, só pra fazer uma graça.
  6. Comi sorrindo e cheguei até a esquecer aqueles segundos torturantes dentro do elevador :)

Gostaria muito de ter adicionado umas gotas de limão para quebrar um pouco a untuosidade do peixe, mas ficará para a próxima vez.

Dadivosa no Jornal

O Estado de São Paulo publicou hoje, no caderno TV&Lazer, uma matéria sobre blogs culinários, lindamente ilustrada pela foto das Rainhas do Lar Faby e Katita.

O Dadivosa foi citado também, assim como o Mixirica e o Chucrute com Salsicha . Preciso confessar que agarrou-me uma emoção tremenda ao ver nossos blogs impressos em papel-jornal:)

Recomendo fortemente a visita a essas meninas queridas, que estão desde sempre na lista de Blogs de Comida que leio diariamente, me inspiram e são uns amores.

//Aqui inicia um pequeno momento discurso-de-oscar//

Aproveito para agradecer:

  • ao marido que me atura, sem reclamar, nos meus bad-cooking-days
  • aos meus leitores e leitoras queridos
  • e ao Daniel, do É Isso, que gentil e inocentemente ofereceu um espaço para hospedar o Dadivosa sem saber que acabaria por despertar o monstro blogueiro culinário que existe em mim :)

//Fim do momento discurso-de-oscar//

Na capa do caderno, uma imagem em miniatura das Brevidades:

Dadivosa no Jornal de Hoje

E a matéria:

Dadivosa no Jornal de Hoje

As Palavras e as Coisas

Ratatouille Serelepe

Não lembro mais onde li que as línguas faladas nos lugares mais quentes da terra tendem a apresentar muitas vogais. Lenda ou não, acredito de verdade que essas cinco letrinhas conferem cor e alegria ao falar.
Foi pensando nisso que me dei conta, enquanto picava as abobrinhas, de que a palavra ratatouille tem todas as vogais dentro dela! Vai ver é por isso que cor e alegria não faltam a essa receita, que tem verde, tem branco, tem vermelho, tem amarelo, tem roxo…

Concluí que, ao contrário das brevidades, que devem ser apreciadas com mansidão, este é um bom exemplo de coisa que combina com a palavra, de comida cujo nome já anuncia os sabores.

Alguns chegam a alegar que se pode produzir uma ratatouille a partir de quaisquer legumes que estiverem à mão. Eu, todavia, tenho pra mim que a combinação de cebola-pimentão-abobrinha-beringela-tomate é tão perfeita que não deve ser estragada com variações demasiadas. Acho que uma batata, embora deliciosa, não ornaria jamais! Ficaria lá boiando, perdida, inconveniente, até.

Serelepe, outra palavra de que gosto muito, foi como resolvi batizar meu tempero recém-inventado. Achei que a pimenta calabresa, com seu ardidinho matreiro, combinou muito bem com todos os legumes.

O leitor e a leitora podem produzir sua própria mistura, combinando temperos variados, sem esquecer de batê-los bem com o sal grosso num almofariz. Esse procedimento faz toda a diferença, pois ativa o perfume das ervas e especiarias empregadas.

E como todas as receitas aqui têm a intenção maior de despertar a Dadivosa que existe em você, fique à vontade para dar vazão à criatividade ao preparar sua própria cozedura.

Ingredientes básicos:

  • 1 cebola grande
  • 1 pimentão amarelo
  • 1 abobrinha grande ou duas médias
  • 1 beringela de bom tamanho
  • tomates sem pele [usei uns dez, caseiros, dos que não vêm de dentro da latinha]
  • um bom azeite, o quanto baste para refogar

Ingredientes do tempero Serelepe, todos secos:

  • Orégano [bem bastante]
  • Manjericão [menos]
  • Alecrim [tiquinho]
  • Louro [uma folha das pequenas]
  • Pimenta calabresa [usei bastante e gostei, mas é prudente tomar cuidado]
  • Sal grosso [foi uma colher de sopa, mais ou menos]

Como fazer:

  1. Gosto de começar esta receita picando todos os legumes em quadrados de mesmo tamanho. A única exceção é a beringela, que pico só na hora de incorporar ao refogado para que ela não escureça.
  2. Leve ao fogo uma panela grande com azeite. Costumo usar o tanto de cobrir levemente o fundo.
  3. Quando o azeite estiver aquecido, junte as cebolas e mexa de vez em quando, até que fiquem transparentes.
  4. Pique a beringela e adicione. Mexa mais um tanto, até que murche um pouco e esteja aquecida.
  5. Nessa hora, coloque em seu pilãozinho os ingredientes do tempero serelepe e vá misturando/batendo, entre uma adição e outra dos legumes, até que o preparado se reduza a quase pó. O sal precisa ser grosso para ajudar a triturar as ervas, a folha de louro e a pimentinha.
  6. Hora das abobrinhas, que devem ser incorporadas também até ficarem quentinhas e perderem um pouco da água.
  7. Finalmente, adicione o pimentão amarelo. O objetivo de adicionar os legumes um a um é dar tempo para que cada um seja aquecido e solte um pouco de seus sucos sem formar um aguaceiro na panela.
  8. Quando a mistura estiver bem calorosa novamente, vem um momento mágico. A adição do tempero serelepe! Faça-o cair em chuva sobre os legumes e, com a colher de pau, incorpore essa poeira aromática de modo que ela envolva cada um dos quadradinhos.
    O perfume estava tão bom, mas tão bom, que me fez roubar várias abobrinhas e berinjelas semi-cruas. Precisei me recompor para conseguir terminar a receita.
  9. Adicione os tomates pelados cortados grosseiramente, misture tudo novamente e cubra a panela. Daqui para frente, mais uns 15 minutos dão cabo do cozimento. Não é necessário adicionar água, muito menos (que horror) qualquer tipo de purê ou pasta de tomate. Os legumes se bastam, como falei.

A Elizabeth David recomenda que as beringelas sejam picadas com bastante antecedência, salpicadas com sal, levadas a uma peneira e cobertas com um prato pesado para fazer escorrer todo o líquido. Confesso que não me dou a essa trabalheira, principalmente porque, quando resolvo sapecar uma ratatouille, o resultado precisa vir rápido :)

A ratatouille, pra mim, é comparável em versatilidade ao refogadinho de carne moída, pois é bem capaz de:

  • servir de molho para uma massa curta,
  • fazer companhia a um arroz e um assado,
  • virar recheio de torta,
  • ir parar dentro de um pão árabe para um lanche rápido,
  • transformar-se, quando fria, em hors d’oeuvre…
    … ou mesmo reinar sozinha no prato, coberta apenas por um fio de azeite.

Reza a lenda que outra vantagem desse colorido preparado é que ele sobrevive muito bem ao ser reaquecido após uns dias de geladeira. Sinceramente, não sei precisar quantos, pois em casa nunca dura mais de 24 horas ;)

Arroz Pingueiro

A idéia partiu da Rainha Clau, moça prendada e conhecedora de beberagens. Dia desses, finalmente, pude comprovar os benefícios organolépticos de se adicionar um trago de cachaça para variar o arroz do diário.

Trata-se de uma pequena, porém astuta, adição de aguardente na hora de refogar o arroz. Neste dia, utilize alho, mas achei bastante dispensável.

Deixarei aqui um relato breve do preparado, muito embora cada cozinheiro(a) possa ter sua maneira de cozinhar arroz. Como sempre, fique à vontade para fazer do jeito que lhe aprouver.

Ingredientes:

  • 1 colher de sopa de óleo
  • 1 dente de alho esmagado 
  • 1 xícara de arroz lavado e escorrido
  • 1/4 de xícara de cachaça 
  • 2 1/2 xícaras de água
  • sal o quanto baste

Como Fazer:

  1. Leve a água ao fogo para ferver. Quando as primeiras bolinhas começarem a aparecer, inicie o passo 2. 
  2. Numa panela pequena, leve o óleo para aquecer. Não deixe ficar fumegante, basta aquecer levemente, coisa de poucos segundos.
  3. Deite o alho para alourar, cuidando para que não queime.
  4. Adicione os grãos de arroz escorridos e mexa com sua colher de pau.
  5. Rapidamente, despeje a cachaça e continue mexendo. Não se assuste se ficar inebriado(a) com o aroma, é o álcool que está se despedindo da mistura em forma de vapor.
  6. Quando secar, adicione a água, que a essa altura deve estar fervendo de ansiedade para juntar-se ao refogado aromático.
  7. Dê mais uma mexidinha com a colher de pau, só para garantir que nenhum grão ficará grudado no fundo da panela. Abaixe o fogo e coloque a tampa meio de ladinho, para não abafar demais.
  8. Os tempos de cozimento do arroz podem variar em função da sua bateria de cozinha e da pujança do bico do fogão. Entretanto, fazer arroz não é uma tarefa que permite ausências prolongadas. Recomendo espreitar de vez em quando, só para garantir.
  9. Desligue o fogo quando, entre os grãos, puder ver uns buraquinhos com quase nada de água. Agora sim, cubra a panela com a tampa e deixe o arroz descansar por uns 10 minutinhos. Essa providência evita que ele se queime e ajuda a soltar os grãos, principalmente quando utilizam-se aquelas panelas de inox com fundo triplo, que de tão boas às vezes me pregam peças.

Como bem disse a Clau, não se sente um gosto definido de cachaça, mas a bebida empresta ao arroz o seu elã, fato que me inspira a, da próxima vez, empregar alguma vodca flavorizada.

Papel Manteiga para Embrulhar Segredos


Acabei de ler meu exemplar, lindamente autografado pela Cris Lisbôa e pela Tatu.

Posso contar para vocês que a combinação de cartas para a Bisa com receitas cheias de significado é mais que encantadora. O livro me levou pra longe no tempo e no espaço, coisa que só bons livros sabem fazer. Ao ler as cartas, ficava tentando adivinhar qual seria a receita, quais os ingredientes eleitos e os “porquês” da escolha…

E não é só para quem sabe/gosta de cozinhar, não! Garanto que até a pessoa mais avessa aos dotes culinários vai se deleitar. Dadivosa recomenda fortemente!

A capa, ainda mais linda ao vivo, é criação da Mariana Newlands, que fotografou as louças de sua avó. Veja o projeto todo da capa aqui e aproveite para espreitar as outras capas, ilustras e fotos.

Cris e Tatu, o lançamento foi esplendoroso, vocês são lindas e guardarei meu Papel com Manteiga com muito carinho e orgulho, pois ele será presenteado à minha bisneta quando ela começar a bater seu primeiro bolinho.

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P.S.: Estará nas livrarias a partir do dia 13/11.