11.24.06
Purê de Abóbora com Leite de Coco

Ao ler o relato da feitura deste majestoso purê, concebido e executado pela Rainha Katita, senti-me tremendamente impelida a testar a feita, passando por cima de toda uma fila imensa de receitas a cozinhar que vou anotando daqui e dali.
Foi amor à primeira vista! Gostaria imensamente de ter uma carne seca para acompanhar a iguaria, mas pus-me a improvisar com o que tinha à mão, pois uma visita ao mercado seria impensável dado meu estado de urgência culinária.
Pretendo repeti-la inúmeras vezes, variando os ingredientes e, quiçá, poder oferecê-la à querida Katita um dia, pessoalmente, como sinal de gratidão e apreço.
Ingredientes:
(para o purê)
- 500 g de abóbora descascada e cortada em cubos
- água o quanto baste para cozinhar a abóbora
- sal a gosto (usei ½ colher de sobremesa)
- 2 colheres de sopa de leite de coco de boa qualidade
- 4 grãozinhos de pimenta-do-reino preta
- 1 dente de alho pequenininho, acho até que era dente de leite
- 1 fiozinho de azeite de oliva
(para a cobertura)
- anéis de alho-poró (creio ter usado mais ou menos duas colheres de sopa)
- duas colheres de sopa de manteiga de garrafa
- flor de sal
Como Fazer:
- Leve a abóbora a cozer com a água e o sal.
- Quando estiver macia, escorra-a. Naquela mesma panela, refogue o alho esmagadinho até dourar. Ponha de volta a abóbora e mexa com a colher de pau. Não precisa passar por espremedor, processador, liquidificador, ou qualquer outro “-dor”.
Se a abóbora for de qualidade e você tiver a paciência de aguardar uns 15 minutos para que ela amacie, o simples mexer com a colher já vai transformá-la em purê.
Não faça como eu, que fui bater-bater-bater e quando dei por mim estava com uma multidão de respingos cor de abóbora na blusa azul-céu. Certamente que, na fúria de testar a receita, olvidei-me de vestir o avental.
Não contente com o estrago, troquei de ferramenta! Passei ao batedor de arame, que imaginei ser mais delicado, mas mantive a empolgação ao mexer e uma boa colherada de purê agarrou-se ao azulejo da cozinha.
Intrépida como sou, não me deixei abater, obviamente, mas o leitor e a leitora não perderão em tomar um pouco de cuidado. - A abóbora que usei era rica em água, o que exigiu um certo tempo ao lume para secar um pouco. Enquanto isso, e sempre de olho, mexendo de vez em quando, quebre os grãozinhos de pimenta em seu pilão ou mesmo com a lateral da lâmina da faca e junte o tempero ao purê. Lembre-se de mexer de quando em quando, para não grudar na panela.
- Numa frigideirinha, aqueça metade da manteiga de garrafa. Se não tiver, você pode até substituí-la por manteiga comum, ou azeite. Mas aviso que o efeito não será jamais o mesmo. Manteiga de garrafa tem uma alegria ímpar, recomendo a aquisição.
Pois bem, na manteiga de garrafa aquecida, refogue os anéis de alho-poró. Como estava pensando no tanto que gosto do Rainhas do Lar, lembrei-me da querida, chique e famosa Faby e usei flor de sal para dar uma levantada no gostinho. Reserve. - Desligue o fogo da abóbora, incorpore o leite de coco e prove. No meu caso, não foi necessário adicionar mais nada de sal.
- Transfira essa maravilha para uma vasilha que vá à mesa, coroe com o alho-poró refogado, dê mais um toquinho de flor de sal, regue com a manteiga de garrafa restante e delicie-se.
- Rende aproximadamente uma xícara e meia de purê.
Ao devorar meu potinho, às colheradas, minha cabecinha dadivosa entabulou um sem-fim de possibilidades com a descoberta: com gengibre e especiarias, num escondidinho, com queijo coalho, ladeando um assado, com farofa, recheando uma tapioca… comi sorrindo, tranqüila e feliz, como deve ser!



Akemi said,
November 24, 2006 at 8:54 am
Como sempre não pude deixar de rir com seu entusiasmo em mexer seus cozidos, bolos, flousses, etc….rs
Mas este purê me encheu a boca d’água! Qui dilícinha! Pena não ter manteiga de garrafa, mas que vou fazer, vou sim!
Katita said,
November 24, 2006 at 9:04 am
Dadi, o bacana do teu blog é que além de dadivoso, ele é literário de gosto ora arcaico ora machadiano (tenho certeza que você aprecia Machado), o que pra mim é sinônimo da fina flor da formosura linguística … sim, porque a nossa ferramenta de trabalho eletrônico é a palavra escrita, e você a maneja como nenhuma outra rainha do lar que eu jamais tenha conhecido.
Quanto ao purê, eu tenho certeza que o seu ficou muito mais saboroso ainda que o meu, por conta do ingrediente especial que só você o possui: a dadivosidade.
Encantada,
Katita
Dadivosa said,
November 24, 2006 at 9:33 am
Akemi, ocorreu-me agora que deve ficar muito gostoso com óleo de gergelim no lugar da manteiga de garrafa. Talvez seja bom diminuir um pouquinho a quantidade e só. Ficará nipo-brasileiro
Katita, agarrou-me uma emoção!
;***
Karla said,
November 24, 2006 at 10:41 am
Tenho manteiga de garrafa!!!
Seus post nos enchem de vontade de ir pra cozinha, Dadi. Amo-os.
No post da Katita coloquei uma receita de Caldo de abóbora com leite de coco e camarão que é tãaaao boooommm, mas quando quero variar troco o camarão por carne seca refogada na manteiga de garrafa. Fica uma delícia.
Beijo
Ana said,
November 24, 2006 at 11:15 am
Dadivosa,
A foto é realmente de dar água na boca!!!
Que abóbora você usou? Pode ser qualquer uma???
Infelizmente aqui onde moro também não tenho manteiga de garrafa, mas vou seguir seu exemplo e improvisar com uma manteiga mineira mesmo!
beijo,
Daniela said,
November 24, 2006 at 11:24 am
Não tenho manteiga de garrafa e adotarei a idéia do óleo de gergelim.
Farei depois que a gripe que se apaixonou por mim passar pois não sinto o gosto de absolutamente nada.
Beijocas
Silvia Arruda said,
November 24, 2006 at 11:44 am
Dadi, ao ver o purê de abóbora com leite de coco no Rainhas do Lar hoje de manhã eu também fiquei atentada a fazê-lo. Sei perfeitamente o que sentiu…
E, mais uma vez, apavorando nas fotos, hein?? Nos textos, nem preciso falar…. ô mulherada blogueira que escreve bem, sô!!
Bjocas
Dadivosa said,
November 24, 2006 at 11:52 am
Karla, você não imagina como fico feliz quando as leitoras e leitores me contam que saem daqui com vontade de cozinhar, pois é esse justamente o objetivo: libertar a dadivosa que existe em cada um!
Ana, eu não sei dizer exatamente qual foi. Acho que se chama “abóbora seca”, mas tenho certeza de que fica bom com qualquer espécie. E use manteiga mineira que vai ficar bom sim! Aliás, não conheço nenhum ingrediente mineiro que não seja um espetáculo…
Dani, é esse tempo doido! Vê se melhora dessa gripe, por favor. Fique boazinha logo que estou com saudades de você e duas receitas no Fouet.
Silvia, você não vai se arrepender. É muito simples, fácil, rápido e o sabor é inesquecível! Faz a gente ficar com a barriga e o coração quentinhos
Beijos
;***
Maria Helena said,
November 24, 2006 at 1:07 pm
A-do-rei. Maravilhoso e simples, como eu gosto… hehe
Vou fazer com certeza…olha, a minha listinha do que “tenho” que fazer só aumenta…rs… Mas essa será tbm “passada na frente” da lista, e logo.
Beijocas!!!
gyan said,
November 24, 2006 at 2:08 pm
desculpe a minha santa Egnorancia, mas o que é “flor de sal”?
Anacris said,
November 24, 2006 at 4:19 pm
Dadivosa, cheguei aqui via Dauro Veras e estou lambendo os beiços, tanto com as receitas quanto com as palavras.
Ganhasse uma fã, de letras e panelas.
Beijos.
Luciana said,
November 24, 2006 at 10:08 pm
Dadi, suas fotos ficam, a cada dia que passa, mais matadoras!
Vitor Hugo said,
November 25, 2006 at 2:22 am
Dadivosa gosta de remexer massas pelo jeito, heheheh. Pelos menos é o que parece.
A receita parecer ser muito apetitosa (adoro abóbora refogada), mas tenho certos probleminhas com leite de coco não muito legais.
Fiquei com fome agora, hahahah.
Mónica said,
November 25, 2006 at 6:53 am
as suas fotos são deliciosas! Parabéns…
Ana said,
November 26, 2006 at 1:01 am
Adorei a receita, esta com uma cor linda o seu pure!!
Estou com umas 8 xicaras de pure de abobora no freezer. Assei uma grandona outro dia, processei e congelei o pure de abobora purinho.
Vou fazer essa sua receita, com o leite de coco, parece ser uma combinacao deliciosissima! Pena q nao tenho a manteiga de garrafa….
Mas sei q abobora com alhho porro eh uma combinacao deliciosissima, pois aprendi fazer uma sopa com esses dois ingredientes que fica demais! Alias, esta ppstada a receita la no meu blog se vc tiver vontade de olhar!
Ana
valentina said,
November 26, 2006 at 7:31 am
Dadi, sua intrépida, que maravilha de receita. Apesar de todas as atribulações na sua cozinha dadivosa nada a fez arrefecer.Fico feliz pois assim posso ler esta grande narrativa. E esta troca entre voce e Katita aqui nos comentários me encantou. Trarei uns machados para ca quando for para o Natal pois o meu portugues necessita de um cuidado imensto.Esta pobre o danado.Ainda bem que tenho leituras como as tuas.rss
Dadivosa said,
November 27, 2006 at 10:10 am
Maria Helena, minha lista também só faz aumentar! Mas resolvi que as receitas-elas-mesmas que decidirão a prioridade, sem que eu imponha obrigações de hierarquia, cronologia ou ordem alfabética
Ficou bem mais gostoso assim!
Gyan, respondi por e-mail, mas acho que vale deixar aqui a referência. A Katita do Rainhas do Lar (de novo elaa!) fez um post bastante esclarecedor sobre a flor de sal aqui, ó: http://www.rainhasdolar.com/index.php?itemid=921#c
Anacris, seja muito bem-vinda! Obrigada pela visita e pelo comentário. Fique à vontade por aqui
Vitor Hugo, se você não quiser empregar o leite de coco, pode usar creme de leite.
Mónica, obrigada ;***
Ana, nunca congelei purê de abóbora, gostei muito da idéia! Vou espiarei sua receitinha sim, certamente, pois seu blog é delicioso!
Valentina, dizem que as palavras relacionadas à comida são as mais lembradas por expatriados recém-chegados. Ora, se o vocabulário gastronômico ajuda a aprender um idioma, também deve servir para mantê-lo vivo em nossa mente, não? Além dos machados, experimente levar para casa também uns livros de receitas
Beijos
;***
ellen said,
May 18, 2007 at 5:38 pm
Onde poderia encontrar um manteira mais artesanal caseira mineira daquelas da melhor qualidade?
Obrigada, preciso muito dessa sugestao.