11.30.06

Manjar Branco com Calda de Ameixa

Publicado em Liberte sua Dadivosa às 1:25 pm pela Dadivosa

Manjar Branco com Calda de Ameixa

  

Inúmeros e variados foram os percalços que me impediam de finalizar tal receita. Como sou obstinada (ou teimosa mesmo, para quem é da família), fui em frente e nem mesmo um quase-incêndio provocado pelo esquecimento dos damascos no fogo deteve-me de apresentar à leitora e ao leitor queridos essa sobremesa tão simples.

Devido a um programa de reorientação alimentar (juro a vocês que é assim que a médica se refere ao regime) de meu consorte, optei por usar adoçante em vez de açúcar e iogurte semi-desnatado à guisa de creme de leite. E foi aprovado com apenas duas ressalvas.

Poderia ter adicionado um pouco mais de adoçante e uns 150 ml a mais de iogurte para ficar mais molinho, mas passo a receita tal e qual para que a leitora e o leitor possam julgar por si mesmos.

Ingredientes:

  • 250 ml de iogurte natural [usei semi-desnatado, caseiro]
  • 200 ml de leite de coco
  • 1 pacote (12 g) de gelatina em pó incolor e sem sabor
  • umas 20 gotinhas de adoçante [use a gosto, pode usar açúcar, entre meia e uma xícara]
  • 5 colheres de sopa de água

Para a calda:

  • 200 g de ameixa preta sem caroço [ vai render bastante calda, mas gosto de ter a mais para comer com iogurte]
  • 2 xícaras de chá de água
  • 1 colher de sopa de adoçante culinário concentrado [diz a embalagem que adoça um litro]

Como fazer:

  1. Aos desavisados vale lembrar que é uma sobremesa que exige tempo de gelificação,  motivo pelo qual aconselho a iniciar sua feitura no dia anterior. Comece colocando a garrafinha de leite de coco de molho em água quente, para amornar, dissolver bem e sair mais facilmente do vasilhame.
  2. Hidrate a gelatina com a água de acordo com as orientações da embalagem e leve-a ao microondas por 15 segundos (ou mais tempo no banho-maria) para dissolver.
  3. Misture o leite de coco morninho à gelatina. Misture, viu? Não é para dar vazão ao ímpeto de bater bolinho, a menos que você queria produzir uma flousse. Se eu me contive, você também conseguirá! :D
  4. Agora incorpore delicadamente o iogurte natural, somente para homogeneizar.
  5. Adoce a gosto e prove.
  6. Deite a misturinha numa forma para gelatina previamente molhada, leve à geladeira e deixe tudo lá por pelo menos 6 horas.
  7. Você já pode fazer a calda também. Basta levar os ingredientes ao fogo baixo numa panelinha e, por favor, vigiar o cozimento. A calda precisa reduzir até mais ou menos a metade do volume para ficar grossinha.
  8. Para servir, desenforme o manjar, decore com a calda e as ameixas e mande a brasa!

 

11.29.06

Genealogia

Publicado em Generalidades, Liberte sua Dadivosa, Recordar é Viver às 10:28 am pela Dadivosa

Possuo toda uma carga genética culinária, uma herança dadivosa que me chegou por parte de mãe e de pai.

São avós, pais e tios, homens e mulheres de toda a sorte de personalidade e interesses. Mas enxergo na maioria deles uma forte relação com o mundo da comida.

Afinal, segundo o ditado, o sapateiro olha pro sapato!

Começo a suspeitar que esse gene tem o poder de se fortalecer a cada grau de descendência, principalmente nos homens. E é sobre eles, os homens dadivosos da família, que quero falar hoje.

.*. Maman .*.

Meu avô materno, o Vô Alfredo, não fazia nem café, como quase todos os homens de sua geração. Mas teve uma padaria por muitos anos. Quer dizer, “muitos anos” pra ele, que era empreendedor nato, não sossegava o facho e já morou por toda parte, teve madeireira, peixaria…

Os tios, talvez pela influência da Vó Dinah, já se saíram bem mais prendados. Churrascos, peixes, pizzas, pães, assados… cada um com seu dom.

Tio Ricardo e tio Renato são os mais talentosos, em minha opinião totalmente parcial e coruja de sobrinha-fã, corroborada por outros membros da família. Falarei bastante sobre esses dois por aqui, pois são influências poderosas na minha personalidade cozinheira (e em todo o resto também!).

Por enquanto, fica registrado que:

  •  Tio Ricardo morou lá em casa uns meses, na época em que eu aprendi a ler e era dele a coleção de Revistas MAD que devorei antes mesmo de ir pra escola. Se a vista não me pisca, foi ele quem batizou um prato clássico da família, a Batata Urgente. Foi também ele que uma vez me pediu para fazer uma receita francesa de torta de cebolas como presente de aniversário. 
  •  Tio Renato tem um talento para produzir um jantar em minutos, uma sopinha da meia-noite num estalar de dedos e é campeão nos pratos com frutos do mar.

.*. Babbo.*.

Da família do Babbo, a saga dos homens dadivosos tem início com o Vô Juju. A lembrança mais remota que tenho dele deve ser por volta dos quatro, cinco anos, quando íamos para a casa da praia.

Ele sentava com a gente no degrauzinho da porta e nos dava carne de siri que ele mesmo pescava, cozinhava e tirava da casca. Parecíamos passarinhos, com a boca aberta esperando que ele checasse se não havia nenhum vestígio de cartilagem antes de nos dar um bocadinho.

Até hoje não sei comer siri cozido no bafo, pois não herdei a paciência do Vô Juju para tirar as carninhas de dentro da casca. Talvez aprenda para fazer isso com o meu espetáculo de sobrinho ou com meus filhinhos e netos.

O Vô Juju tinha nos fundos da casa uma oficina de marcenaria e pouco invadia a cozinha da Vó Nair, mas era tão prendado e dadivoso que passou essas características para os filhos.

O Babbo conta que, ao chegar faminto da faculdade, metia-se na cozinha para providenciar um bom prato de arroz com ovo. Ganhou até o apelido de Lagarto por causa disso.

Ele pertence a uma geração que não tem problemas em lavar uma louça ou fazer um almocinho. Do vô Juju herdou a paciência e o cuidado no preparo dos ingredientes.

É capaz de picar quuiiiiilos de carne para estrogonofe sorrindo e cantando, deixando os cubinhos todos milimetricamente idênticos. Preciso pedir algumas receitas que ele andou aprimorando nos últimos tempos para reproduzir, fotografar e contar aqui também.

Os outros irmãos também não ficam para trás. Dois deles ganham o troféu dadivoso(depois do Babbo, é claro, em minha opinião totalmente parcial e coruja de filha-fã): Tio Marquinho, que faz uns pães divinos, e Tio Amilton, meu padrinho.

Esse último eu chamava de “Tí Mito”. Mas agora que sua primeira netinha vai nascer, fui obrigada a rebatizá-lo (carinhosamente e com todo o respeito) de “Vô Mito”. Entre suas receitas mais famosas estão o arroz de carreteiro e o coelho assado, que todos os sobrinhos já comeram pensando que fosse frango.

.*. Dos dois .*.

Sou a filha mais velha e dois anos depois de mim veio o único menino da casa, o Mano. Ele faz o pudim de leite mais gostoso do planeta e ainda manda ver no bife à milanesa, na lasanha de panqueca e um montão de outras coisas.

Casou-se com a Joice, super prendada e querida, o que leva a crer que Dudu, meu espetáculo de sobrinho, além de lindo-loiro-sapeca-inteligente e querido, vai gostar de cozinhar também.

Por enquanto, o que ele mais gosta é de bater com as panelas e brincar de arrastar as tampas no chão :D

11.28.06

Abricó Estorricado

Publicado em Generalidades às 8:44 am pela Dadivosa

Eis que inventei uma espécie de manjar branco usando um pacote de gelatina sem sabor, 250 ml de iogurte natural, 1 vidro de leite de coco e açúcar.

Refreei meus instintos de bater bolinho para não transformar a mistura em outra flousse e depositei tudo com carinho em minha Tupperware Mágica para formar uma bela sobremesa.

Era preciso produzir uma calda bonita e azedinha-doce para acompanhar. Levei ao fogo 150 gramas de damascos turcos com duas xícaras de açúcar e uma colher generosa de mel de abelhas orgânico.

Começo a suspeitar que algum gene piromaníaco andou se fortalecendo em mim por esses dias, pois não obstante a quantidade de visitas à cozinha para verificar o cozimento, uma fumaça preta tomou conta da casa.

Ao correr para a cozinha, aos tropicões, dei-me conta do estrago. Os damascos, pobrezinhos, agarravam-se a um fundo de panela, que mais parecia um mar de lava preta, agonizando e falando com a voz embargada e sumida: “socooooorro…”

Mais que depressa desliguei o fogo, passei a mão num garfo e resgatei as frutas do triste fim, desgrudando-as da panela e depositando-as numa maca, digo, numa vasilha de vidro.

Levei a panela quase em chamas para a área de serviço, abri a torneira e produzi um fumacê ainda maior.

Após gargalhadas e correrias para fechar a porta da cozinha e abrir todas as janelas, o saldo:

  • Os abricós, malgrado o socorro, não sobreviveram.
  • O manjar continua na forma, à espera de um molhinho supimpa.
  • A casa, mesmo com todas as janelas abertas, cheira a queimado até agora.
  • E a dóga, testemunha de meus inúmeros percalços culinários, só balança a cabeça: “Tsc tsc tsc, esta louca ainda vai botar fogo na casa!”

P.S.: O leitor e a leitora devem lembrar do episódio do gergelim, decerto. Além desses, queimei ainda um panelão de grão-de-bico não tem nem um mês.

11.27.06

Meus problemas acabaram!

Publicado em Dicas, Utensílios às 9:26 am pela Dadivosa

Raspa-raspa

A leitora e o leitor que me acompanham há alguns dias já puderam notar que cozinhar me traz sossego e me regarrega as baterias.

E como jovem-senhora-moderna-à-moda-antiga, também zelo por minhas unhas, que procuro manter sempre feitas e pintadas. No entanto, conformava-me com o fato de que bater bolinho e ter unhas impecáveis não são os dois hábitos mais compatíveis do mundo.

Não raros são os dias em que, ao abrir uma prosaica caixinha de leite, o tetrapack trisca em minha unha e acabo por arruinar a manicure. Que amofinação!

Pois meus problemas acabaram quando adquiri esta prática ferramenta de matéria plástica à qual já imputei inúmeros usos.

Trata-se de um quadrado de vértices arredondados,  rígido e afinado nas pontas, cuja utilização recomendada pelo fabricante é auxiliar na remoção de sujidades teimosas das panelas sem necessidade de esfregar com lã de aço.

Projetado especialmente para itens de teflon, meu raspa-raspa (é o nome oficial!) tem servido também para:

  • levantar pontas de embalagem de leite,
  • abrir o papelão do pacote de café e da caixa de aveia,
  • levantar a pontinha do alumínio do copo de requeijão…

…tudo sem relar no esmalte nem quebrar pontinhas de unha!

Custou uma bagatela de três dinheiros e já me trouxe retorno sobre o investimento quando evitei a primeira lasca no indicador :D

11.25.06

Bolo de Cenoura com Gengibre Superfácil

Publicado em Doces às 8:22 am pela Dadivosa

Bolo de Cenoura com Gengibre

Ao chegar da labuta, tive uma saudade de bolo de cenoura amareliiiiinho-amarelinho com cobertura de chocolate. Todo meu cansaço sumiu como que por encanto quando resolvi me divertir com essa receita simples e tão saborosa.

Ao longo do processo, no entanto, minha Dadivosa empolgou-se sobremaneira, modificando os ingredientes aqui e ali, até que a tradicional mistura de cenoura cozida, óleo, ovos, trigo, açúcar e fermento virou uma outra coisa bem diferente.

Diferente, sim, mas não menos interessante. Espia só:

Ingredientes:

  • 4 cenouras médias descascadas e picadas
  • 1/4 xícara de óleo (era uma xícara, mas como estava no fim completei com leite e ficou bom. Se preferir, use só o óleo e suprima o leite)
  • 3/4 xícara de leite
  • 4 ovos
  • 1/2 colher de sopa de gengibre fresco ralado (sem a casca)
  • 1 xícara de farinha integral
  • 2 xícaras de farinha de trigo (eram três na receita original, mas como quis dar um toque integral, usei só duas)
  • 2 xícaras de açúcar
  • 1 colher de sopa de fermento em pó

Como Fazer:

  1. Ligue o forno para preaquecer. 
  2. Leve as cenouras para cozinhar somente com água numa panelinha. Enquanto isso, prepare os outros ingredientes.
  3. Unte uma forma com margarina.
  4. Numa vasilha de bater bolinho, misture todos os ingredientes secos.
  5. No copo do liquidificador, quebre os ovos e despeje o leite, o óleo e o gengibre.
  6. Quando as cenouras estiverem cozidas, escorra-as e passe-as algumas vezes por água fria somente para arrefecer, pois a senhora e o senhor não querem transformar a mistura do bolo numa omelete, não é mesmo?
  7. A cenoura vai para dentro do copo do liquidificador também. Bata a mistura até que fique homogênea.
  8. Colher de pau em punho, vá despejando esse belíssimo líquido naquela vasilha de bater bolinho que já contém todos os secos. Eu faço assim: jogo um pouco do líquido no meio, mexo com a colher em movimentos circulares para incorporar um pouco das farinhas, jogo mais líquido, mexo um tanto mais e assim por diante até ficar lisinho.
  9. Despeje a massa na forma untada e leve ao forno médio. Estará pronto quando, ao enfiar um palito no centro da massa, ele saia limpo. Como minha forma não era tão grande, o excedente da massa foi parar em forminhas de empada. Atenção, pois esses mini-bolos assam bem mais rápido.
  10. Confesso que trepidei com relação à cobertura. Fazer ou não fazer? Para tirar a dúvida, comi um mini-bolo à guisa de teste-piloto. Concluí que não precisava de mais nada. Uma raspinha de laranja, se tivesse em casa, teria sido bem-vinda. Mas precisar, não precisava mesmo.

Da próxima vez, acrescentarei sumo de laranja à massa no lugar do leite e pretendo ousar um pouco mais, incluindo umas especiarias e trocando o açúcar por mel. Por hora, aplacou o desejo e a saudade, foi bem aceito na casa e minha Dadivosa está realizada com sua invencionice.

P.S.: Na foto ele parece meio esverdeado, mas é por conta do reflexo do prato e da pressa em registrar o momento antes que o bolinho se acabasse. Ao vivo ficou bem amarelinho-amarelinho :)

11.24.06

Purê de Abóbora com Leite de Coco

Publicado em Salgados às 8:35 am pela Dadivosa

Purê de Abóbora com Leite de Coco

  

Ao ler o relato da feitura deste majestoso purê, concebido e executado pela Rainha Katita, senti-me tremendamente impelida a testar a feita, passando por cima de toda uma fila imensa de receitas a cozinhar que vou anotando daqui e dali. 

Foi amor à primeira vista! Gostaria imensamente de ter uma carne seca para acompanhar a iguaria, mas pus-me a improvisar com o que tinha à mão, pois uma visita ao mercado seria impensável dado meu estado de urgência culinária.
Pretendo repeti-la inúmeras vezes, variando os ingredientes e, quiçá, poder oferecê-la à querida Katita um dia, pessoalmente, como sinal de gratidão e apreço.

Ingredientes:

(para o purê)

  • 500 g de abóbora descascada e cortada em cubos
  • água o quanto baste para cozinhar a abóbora
  • sal a gosto (usei ½ colher de sobremesa)
  • 2 colheres de sopa de leite de coco de boa qualidade
  • 4 grãozinhos de pimenta-do-reino preta
  • 1 dente de alho pequenininho, acho até que era dente de leite :)
  • 1 fiozinho de azeite de oliva

(para a cobertura)

  • anéis de alho-poró (creio ter usado mais ou menos duas colheres de sopa)
  • duas colheres de sopa de manteiga de garrafa
  • flor de sal

Como Fazer:

  1. Leve a abóbora a cozer com a água e o sal.
  2. Quando estiver macia, escorra-a. Naquela mesma panela, refogue o alho esmagadinho até dourar. Ponha de volta a abóbora e mexa com a colher de pau. Não precisa passar por espremedor, processador, liquidificador, ou qualquer outro “-dor”.
    Se a abóbora for de qualidade e você tiver a paciência de aguardar uns 15 minutos para que ela amacie, o simples mexer com a colher já vai transformá-la em purê.
    Não faça como eu, que fui bater-bater-bater e quando dei por mim estava com uma multidão de respingos cor de abóbora na blusa azul-céu. Certamente que, na fúria de testar a receita, olvidei-me de vestir o avental.
    Não contente com o estrago, troquei de ferramenta! Passei ao batedor de arame, que imaginei ser mais delicado, mas mantive a empolgação ao mexer e uma boa colherada de purê agarrou-se ao azulejo da cozinha.
    Intrépida como sou, não me deixei abater, obviamente, mas o leitor e a leitora não perderão em tomar um pouco de cuidado.
  3. A abóbora que usei era rica em água, o que exigiu um certo tempo ao lume para secar um pouco. Enquanto isso, e sempre de olho, mexendo de vez em quando, quebre os grãozinhos de pimenta em seu pilão ou mesmo com a lateral da lâmina da faca e junte o tempero ao purê. Lembre-se de mexer de quando em quando, para não grudar na panela.
  4. Numa frigideirinha, aqueça metade da manteiga de garrafa. Se não tiver, você pode até substituí-la por manteiga comum, ou azeite. Mas aviso que o efeito não será jamais o mesmo. Manteiga de garrafa tem uma alegria ímpar, recomendo a aquisição.
    Pois bem, na manteiga de garrafa aquecida, refogue os anéis de alho-poró. Como estava pensando no tanto que gosto do Rainhas do Lar, lembrei-me da querida, chique e famosa Faby e usei flor de sal para dar uma levantada no gostinho. Reserve.
  5. Desligue o fogo da abóbora, incorpore o leite de coco e prove. No meu caso, não foi necessário adicionar mais nada de sal.
  6. Transfira essa maravilha para uma vasilha que vá à mesa, coroe com o alho-poró refogado, dê mais um toquinho de flor de sal, regue com a manteiga de garrafa restante e delicie-se.
  7. Rende aproximadamente uma xícara e meia de purê.

Ao devorar meu potinho, às colheradas, minha cabecinha dadivosa entabulou um sem-fim de possibilidades com a descoberta: com gengibre e especiarias, num escondidinho, com queijo coalho, ladeando um assado, com farofa, recheando uma tapioca… comi sorrindo, tranqüila e feliz, como deve ser!

11.23.06

Flan + Mousse = Flousse

Publicado em Doces às 6:23 am pela Dadivosa

Flan-mousse de iogurte

O excesso de zelo na cozinha, querida leitora e querido leitor, pode trazer resultados inesperados.

Veja que uma receita de flan de iogurte e mel, ao ser executada com fervor, acabou por transformar-se numa espécie de mousse, um castelo prestes a desmantelar-se a qualquer momento.

Feliz ou infelizmente, tive tempo de capturar um instantâneo desta singela sobremesa, doravante chamada pelo carinhoso apelido de “flousse”.

Minha flousse foi elaborada a partir de uma receita que levava creme de leite fresco, que não tinha em casa no momento e acabei por usar somente o iogurte natural. Se preferir adicionar umas calorias à sobremesa, experimente usar metade de iogurte, metade de creme de leite.

Minha idéia inicial era fazer uma calda de pitangas, que devo testar em breve, mas acabei por usar amoras congeladas. 

A flousse não é a coisa mais esplendorosa do mundo em termos de sabores, mas serviu ao propósito de adoçar o bico sem agregar centímetros à cinturinha. É, portanto, um fecho delicado para refeições idem.

Ingredientes:

  • 1 envelope (12 g) de gelatina em pó sem sabor
  • 1/4 de xícara de água
  • 500 ml de iogurte natural (ou 250 ml de iogurte + 250 ml de creme de leite fresco)
  • 2 colheres de sopa de mel
  • 1 colher de chá de essência de baunilha (ou menos, se preferir)

Para a Calda:

  • 1 xícara de amoras congeladas + algumas inteiras para decorar
  • 1/2 xícara de água
  • açúcar a gosto (usei duas colheres de sopa, pois não sou muito formiga)

Como Fazer:

  1. Hidrate a gelatina com a água em uma vasilha de vidro ou refratário, de acordo com as instruções da embalagem.
  2. Enquanto isso, leve o iogurte e o mel ao fogo para aquecer, sem deixar ferver.
  3. Leve a gelatina ao microondas por 15 segundos para derreter, ou derreta-a em banho-maria.
  4. Quando a misturinha de iogurte estiver quente, coloque-a numa vasilha média, adicione a gelatina e coloque a vasilha média dentro de uma grande, cheia de gelo, para acelerar a gelificação.
    Foi aqui, amiga(o), que me empolguei!
    Na receita original recomendava-se mexer a mistura até ficar com consistência de clara de ovo crua. Mexer, não bater!
    Mas nããão!!!! Meus instintos de bater bolinho por vezes sobrepujam a precaução de ler atentamente as receitas e pus-me a girar vigorosamente o batedor de arame como se estivesse a produzir claras em neve. Foi mais forte do que eu. À medida que a mistura esfriava transformava-se numa linda nuvem. E eu, extasiada, contemplava e batia mais. Mas sigamos com a receita.
  5. Caso opte pelo creme de leite fresco, bata-o em chantili antes de adicioná-lo à misturinha. Como usei somente iogurte, não precisei bater nada. Incorporei à mistura e levei à geladeira em forminhas individuais.
  6. Para a calda, leve as amoras com a água e o açúcar ao fogo e deixe ferver por uns cinco minutos. Bata no liquidificador, coe se preferir e decore a flousse. Use as amorinhas restantes para decorar.

11.22.06

Arroz de Castanha de Caju e Cenoura

Publicado em Salgados às 8:19 am pela Dadivosa

Arroz de Castanha de Caju e Cenoura

O marido, incentivador e cobaia de minhas experiências culinárias, inúmeras vezes é o responsável pelos lampejos que antecedem a confecção de algum prato. Seja por trazer um ingrediente, um novo livro de culinária, uma receita anotada no papel, ou por lançar-me um desafio.

Esta receita foi inspirada na mescla de duas outras que tenho anotadas em meu fichário vermelho e teve como inspiração as deliciosas castanhas de caju trazidas pelo consorte diretamente de Natal.

Ingredientes:

  • 1 xícara de arroz lavado e escorrido
  • 1 colher de sopa cheia de manteiga de boa qualidade (a margarina aqui não dá o mesmo resultado)
  • 1 fio de óleo
  • 1 cebola média bem picadinha
  • 1 dente de alho beeeeeeem picadinho
  • 1 cenoura grande ralada
  • 1 ½ xícara de água
  • 1 xícara de suco de laranja
  • ½ xícara de castanha de caju torrada
  • sal a gosto (usei uma colher de sobremesa rasa)

Como Fazer:

  1. Junte a água e o suco de laranja e leve ao fogo.
  2. Leve a manteiga com um tantinho de nada de azeite para aquecer. A função do óleo é evitar que a manteiga queime muito rápido.
  3. Refogue ali a cenoura, a cebola, o sal e o alho até amolecer. Junte o arroz e mexa mais um pouco para refogar também.
  4. A essa hora, a misturinha de água e suco deve estar fervendo. Junte ao refogado, mexa para desgrudar o  arroz, junte as castanhas e abaixe o fogo.
  5. O tempo de cozimento do arroz varia enormemente. Portanto, recomendo apenas tampar parcialmente a panela e deixar em fogo baixo, sob sua vigilância. Quando aparecerem os furinhos na superfície do arroz e a água tiver quase secado, cubra com a tampa, desligue o fogo e deixe descansar assim por uns 10 minutos antes de servir.

Resista à tentação de adicionar qualquer outro tempero, pois a combinação de manteiga, cebola, alho, cenoura, suco de laranja e castanha resulta tremendamente agradável.

11.21.06

Pesto de Nozes sem Alho

Publicado em Salgados às 8:49 am pela Dadivosa

Tem dias em que, além de bater um bolinho, agarra-me uma vontade de bater temperos no pilãozinho. Foi por isso que ontem, em pleno feriado em São Paulo, pus-me a preparar uma receita ultra-rápida e saborosa para o almoço.

Comprei um belo maço de manjericão fresco, pus água a ferver para a massa curta e atirei-me ao prazer da batucada aromática.

Subverti a receita original, no entanto:

  • Tenho uma certa aflição de comer alho cru e evito-o sempre que posso. Acho que no pesto, particularmente, fica muito pesado e indigesto. Pulei essa parte.
  • Troquei os pinoles por nozes e o sabor ficou ótimo. Da próxima vez tentarei com castanha de caju.
  • O parmesão da receita original foi suprimido por pura falta de memória. Olvidei-me de comprá-lo quando fui buscar o manjericão, mas não achei que fez muita falta no resultado final, pois as nozes deram uma textura interessantíssima.

A receita fiz a olho, não tem muito como precisar os ingredientes. Mas tentarei dar as indicações para que a leitora e o leitor pelo menos tenham um guia de como fazer.

Ingredientes:

  • um punhado generoso de folhas frescas e lavadas de manjericão (deve ter dado umas 40 folhas)
  • 1/4 xícara de nozes
  • 6 grãos de pimenta-do-reino branca
  • 1 colher de chá de sal grosso
  • 2 colheres de sopa de azeite para misturar e mais (a gosto) para finalizar

Como Fazer:

  1. Leve todos os ingredientes ao pilãozinho e entregue-se àquele bate-soca-esmaga terapêutico com vontade.
  2. O sal grosso ajuda a triturar as folhinhas, parece mágica!
  3. Prove para ver se está de acordo com seu gosto, adicionando mais deste ou daquele ingrediente,se preferir. Normalmente utiliza-se mais azeite, mas minha idéia era obter um molho mais levinho. Faça o seu como preferir.
  4. Quando escorrer a massa, que deve estar al dente, lembre-se de guardar um pouco da água quente (umas duas colheres de sopa servem). Ela vai ajudar a envolver melhor o molho. No meu caso, coloquei essa água dentro do pilãozinho, junto com o pesto, e em seguida misturei tudo à massa.
  5. O processo todo levou uns 20 minutos, desde a hora em que coloquei a água para ferver. Muito prático, não? E não suja quase nada de louça, ponto fundamental quando se está com preguiça, sem assistente, ou ambos :)

11.20.06

Quibes Assados que Parecem Fritos

Publicado em Salgados às 5:03 pm pela Dadivosa

Quibes Assados que Parecem Fritos

Gosto muito de utilizar pimenta síria em pratos árabes, seja como parte integrante da receita, seja como pozinho mágico para ornar um arroz na hora de servir. 

Também conhecida como ba-har, ou bhar, a pimenta síria é um composto bem equilibrado que leva: pimenta-da-jamaica, pimenta-do-reino preta e branca, canela, cravo e noz-moscada.
 
Nesta receita de quibe, ela cumpriu muito bem seu papel de conferir um gostinho das arábias sem brigar com os sabores da carne e da hortelã.

Muito embora exija um preparo antecipado, pois o trigo precisa ser demolhado por uma horinha, pelo menos, a leitora e o leitor poderão perceber que é muito fácil e prático produzir esses deliciosos bolinhos. As quantidades a seguir servem quatro pessoas como prato principal.

Ingredientes:

  • 1 xícara de trigo para quibe
  • 4 xícaras de água
  • 600 g de carne moída sem gordura (usei patinho)
  • 1 cebola grande
  • 2 dentes de alho
  • 2 colheres de sopa de hortelã
  • 1 colher de chá (bem cheia) de pimenta síria
  • 1 colher de sopa rasa de sal
  • 1 colher de sopa de cebolinha verde picada
  • suco de 1 limão verde
  • azeite de oliva para untar a forma

 Como Fazer:

  1. Coloque o trigo em uma vasilha e cubra com a água. Deixe assim, descansando, por pelo menos uma hora.
  2. Escorra muito bem o trigo, que a esta hora deve estar intumescido e bem mais macio, apertando-o bem com as mãos. Reserve.
  3. Ligue o forno na temperatura máxima para preaquecer.
  4. No liquidificador, bata a cebola, o alho, a hortelã, a pimenta, o sal, a cebolinha e o suco de limão. Utilize a tecla de pulsar para facilitar o trabalho. Não é necessário adicionar mais líquidos, pois a própria água contida na cebola já é suficiente. 
  5. Numa tigela grande, coloque a carne moída, recém saída da geladeira, o trigo espremido e o temperinho do liquidificador.
    Neste momento, a senhora ou o senhor deverá usar as mãos para garantir que a mistura ficará perfeita, que nenhuma porçãozinha de carne ficará órfã de sabor. Na verdade, a maneira tradicional de temperar o quibe é passar a carne o trigo e os temperos pela máquina de moer. Como não disponho de tal equipamento e tenho a impressão de que se tivesse seria capaz de revestir os azulejos da cozinha com respingos mil, usei essa técnica mais simples, porém não menos eficaz.
  6. Unte uma forma grande com um pouco de azeite de oliva. Utilizei uma redonda revestida de teflon e foi na medida. Com as mãos, molde os quibes no formato que desejar: oblongos, esféricos, achatados ou “freestyle”, caso não tenha muita habilidade.
    O importante é que saiam mais ou menos do mesmo tamanho para cozerem por igual. Vá acomodando os quibes na forma untada. 
  7. Regue as belezinhas com um fio de azeite, ou, caso esteja num dia mais contemplativo, unte-as uma a uma com as mãos mesmo. 
  8. Leve ao forno quente e mantenha os sentidos em alerta para não queimar. Estarão prontos quando crepitarem no fundo e estiverem dourados. Na dúvida, faça o sacrifício de abrir uma das bolinhas e comê-la para certificar-se de que está bem cozida.

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