Archive for September, 2006

Tempero de Frango #1

Tuesday, September 12th, 2006

Amiga Leitora Prendada, Amigo Leitor Dadivoso

Inúmeras vezes deparamo-nos com a dúvida cruel do que fazer com aquele peito de frango que já foi descongelado e necessita de cocção ligeira para aplacar a fome pós-labor. E por mais dadivosos que formos, nossa mente criativa e nosso coração generoso por vezes nos falham devido ao extremo cansaço. O que fazer, pois, para o rápido jantar?

Anteontem, tal circunstância de tempo escasso e canseira abundante abateu-se sobre mim e precisei apelar para o prosaico frango grelhado.

No entanto, consegui reunir forças para dar um toque a mais no tempero, o qual divido com vocês:

Para um peito de frango desossado e em filés, usei as raspas de um limão, o suco de meio, uma colher de sopa de azeite de oliva, uma pitada de alecrim fresco e sal. Besuntei cada filé com a mistura, deixando-os descansar por uma meia hora enquanto preparava os acompanhamentos. Em frigideira muito quente e untada com azeite, grelhei os filés como de costume, cuidando para não deixá-los ressecados demais nem (que horror!) crus por dentro.

Ficaram deliciosos! Acompanharam muito bem a saladinha e o arroz branco e constituíram uma refeição leve e reconfortante após um dia de labuta.

;***

Mil-e-uma utilidades

Monday, September 11th, 2006


Copinhos de cachaça estão entre os utensílios mais fofos – e úteis – de um lar dadivoso.
Os meus são multitarefas, multirraciais, multimeios e multidimensionais (no caso de convivas pouco acostumados a sorver bebidas alcoólicas).

Gosto muito de usá-los para colocar:

  • espetinhos/palitos para petiscos
  • molhinhos de salada
  • mini-sobremesas
  • croûtons e triângulos de pão sírio
  • mostarda, catchup e maionese
  • uma vela ou flor pequenininha
  • café!

E você, o que faz com seus copinhos de cachaça?

Mini-sanduíches quentes de salsicha com molho

Monday, September 11th, 2006

Minha idéia era misturar comidinhas mais ou menos cafonas com coisas de festa de criança. Porém, como boa neta da vó Dinah, superestimei o apetite dos comensais e quando os cinco queridos convidados retornaram aos seus lares deparei-me com uns vinte pãezinhos intocados no saco de papel e mais ou menos três quartos do preparado para o cachorro-quente (não gosto desse nome, não) ainda na panela.

Reproduzo aqui a receita completa, que você pode alterar, diminuir e acrescentar ingredientes à vontade. E se sobrar, pode congelar tranquilamente.

Ingredientes:
24 salsichas
1 caixa de purê de tomates (mais ou menos 400g)
1 cebola pequena em fatias finíssimas
1 colher de sopa de óleo
pitada de orégano seco
pitada de manjericão seco
1 colher de sopa de mostarda escura
1 colher de chá de mostarda amarela
1 pitada de sal

Como fazer:
1. Corte as salsichas em rodelinhas e reserve.

2. Aqueça o óleo em uma panela grande (com capacidade para uns 3 litros). Coloque ali a cebola, uma pitada de sal e deixe amolecer em fogo baixo. O sal faz a cebola liberar seus líquidos, evitando que doure ou queime. Nessa receita, a idéia é que a cebola fique muito suave, desaparecendo no molho.

3. Quando a cebola estiver murchinha e macia, adicione as salsichas e refogue um pouco, só para aquecer.

4. Adicione o purê de tomates,  pouco de água (usei uns 200 ml), as mostardas e as ervas.

5. Tampe a panela e deixe cozinhar em fogo baixo, olhando e mexendo de vez em quando só para desencargo de consciência.

6. Estará pronto quando as salsichas estiverem bem inchadas e o molho tiver engrossado um pouco.

Para rechear os pãzinhos, resolvi usar a técnica do buraco-quente (um outro sanduíche que merece ser comentado outro dia). Com uma colher de chá, fiz um buraco num dos lados do pão (como um túnel, só que sem atravessar para o outro lado) e fui colocando as rodelinhas pacientemente por ali. Dá para colocar umas cinco, seis rodelinhas em cada pão. Lembre-se de colocar um pouco de molho junto (mas não demais, para não encharcar).

A vantagem? Fica mais bonito, oras! E não escorre quando a gente morde :)

“Só a areia pra mim, mãe!”

Thursday, September 7th, 2006

Um dia falo mais sobre as modas culinárias de maman. Tivemos verdadeiras eras dedicadas a frango com catupiry, língua ensopada com ervilhas, camarão na moranga, batata-palha, patês, bolos invertidos, lasanhas, chuchu-cheio…o engraçado é que muitas dessas coisas ela simplesmente cansou de fazer, enjoou, desgostou. Mas alguns preparados resistem aos caprichos novidadeiros e atingem a condição de “comida-ícone-da-ruth”.

O “Repolho com Areia” é uma dessas. E ontem, num arroubo de saudade e nostalgia, resolvi reproduzir a receita em casa. Ficou igual, igualzinho, sem tirar nem pôr.

Mas antes que pensem que minha progenitora saiu de um livro do Garcia Márquez e nos alimentava com terra, deixem-me explicar do que se trata a iguaria: corta-se um pedaço de repolho (metade, 1/4, depende da quantidade e apetite dos comensais), coloca-se a cozinhar em caldo de carne ou galinha (nesse pode usar o industrializado que não vai ficar ruim) e quando estiver tenro deita-se sobre uma travessa repleta de uma farofa crocante e delicada que chamamos carinhosamente de…

…Areia!
Ingredientes (para 2 xícaras, mais ou menos):
2 pães velhos (velhos mesmo, já durinhos)
2 boas colheres de sopa de manteiga
sal a gosto

Como fazer:
O pão precisa virar uma farinha grossa, então rale no ralador ou passe no processador. Gosto mais do ralador porque ele deixa uns pedacinhos mais crocantes. Se não tiver pão velho, pode dar uma leve secada no forno antes de empregar. Se quiser, pode usar farinha de rosca pronta, mas não posso me responsabilizar se não ficar igual ao da mãe, tá?
Derreta a manteiga numa frigideira mais fundinha. Não deixe queimar, mantenha em fogo brando só até espumar.
Adicione a farinha de pão e mexa, remexa, revolva, misture, saracoteie, vire e revire até começar a dourar. Essa proporção de manteiga é perfeita pra deixar a farofa ao mesmo tempo úmida e crocante.
Corrija o sal e sirva.

Você pode colocar essa areinha ao redor do repolho cozido (e muuuito bem escorrido) ou couve-flor, usá-la para polvilhar uma massa, ou guarnecer qualquer outro prato de sua preferência. Babi, Ju e Mano só comiam pura :)

Um varal na despensa

Wednesday, September 6th, 2006

A querida leitora Karen, do delicioso blog culinário Kafka na Praia, anda incomodada com o alto grau de utilização de prendedores de roupa para fechar embalagens de comida. Ela escreve:

“Qual é a sua solução para os prendedores? Atualmente há mais sendo usados no meu armário do que no varal!”

Conforme mencionado anteriormente, Dadivosa também já teve o mesmo problema, mas hoje sua despensa é mais organizada e higiênica. Tudo graças aos apetrechos simples e baratinhos que mostrarei a seguir:

 

Para embalagens cuja abertura fica maior, como arroz, trigo, massas etc. costumo usar esse “Fecha-tudo”, que é vendido em diferentes tamanhos e cores. Não consigo me lembrar quantos vinham no pacote, mas deviam ser uns quatro ou cinco. Comprei num supermercado, mas já vi em banquinhas de rua e lojas de R$ 1,99.

 

 

Essas frutinhas simpáticas funcionam exatamente como os pregadores de roupa e servem muito bem para aberturas e embalagens menores. São vendidos às dúzias, em diferentes cores. Um pacotinho custou pouco mais de três reais numa loja de utilidades domésticas.

Em feirinhas de artesanato você também encontra prendedores de madeira decorados, feitos justamente para esse fim.

Mas… se você não quiser investir nessas gracinhas, pelo menos cuide para que o prendedor de roupa usado na despensa seja novinho e exclusivo para embalagens de alimentos. Isso porque aqueles que ficam no varal acabam enferrujando e acumulando sujidades, o que não combina nadinha com comida boa, não é mesmo?

Bate-soca-esmaga

Tuesday, September 5th, 2006


Pode ser de madeira, de pedra ou como este meu pequenino, de porcelana.
Pouco importa o material, na verdade. Porque quando se trata de dar sabor aos nossos cozinhados, nenhum utensílio doméstico ou maravilha da indústria dos temperos substitui o bom e velho pilãozinho.
Multiprocessadores e robôs de cozinha podem parecer muito cômodos, mas não conseguem extrair de ervas, alhos, sal marinho, grãos de pimenta e de especiarias em geral todos aqueles óleos e aromas deliciosos.
Digo que podem parecer porque, no fim das contas, o pilão acaba sendo mais prático, rápido e divertido do que a estafante rotina de:

  • abrir o armário,
  • montar o aparelho,
  • espetar o plugue na tomada,
  • jogar os temperos lá dentro de qualquer jeito como se fossem uns quaisquer,
  • acionar o botão,
  • abrir a tampa,
  • desmontar o aparelho e…
  • o pior de tudo… ter de lavar as lâminas sem cortar os dedos!

É por isso tudo que Dadivosa usa e recomenda tão prosaico e simpático apetrecho culinário.

Enquanto não adquire um, a senhora dona-de-casa e o senhor leitor-dadivoso podem improvisar o preparo dos temperos usando:
1. o socador de madeira + vasilha pequena de alumínio ou outro material inquebrável para esmagar ervas, alhos, pimentas frescas e cebolas, ou
2. a lâmina da faca deitada para quebrar grãos (de pimenta, mostarda, coentro, cominho etc.)

Posso garantir que esses preciosos e lúdicos minutos de bate-soca-esmaga conferirão muito mais sabor às suas receitas!
;***

Asa ou Coxa?

Monday, September 4th, 2006


Louis de Funès.

Setembro é mês de…

Monday, September 4th, 2006
  • Acelga
  • Agrião
  • Alface
  • Alho nacional
  • Almeirão
  • Beterraba
  • Brócolis
  • Cebola
  • Cenoura
  • Chicória
  • Couve
  • Couve-flor
  • Escarola
  • Espinafre
  • Inhame
  • Cará
  • Mostarda
  • Rabanete
  • Repolho
  • Salsa
  • Salsão
  • Abacaxi
  • Acerola
  • Banana-maçã
  • Banana-da-terra
  • Caju
  • Coco
  • Goiaba
  • Laranja-pêra
  • Maçã
  • Mamão
  • Melão
  • Morango
  • Lima
  • Limão
  • Tangerina

Como cuidar das panelas de Inox?

Friday, September 1st, 2006

[Recuperada e mais atenta, posso agora iniciar a série de Utilidades do Lar]

Caro Leitor Dadivoso,

Realizei uma breve investigação e descobri que um fabricante muito simpático já previa este tipo de dúvida. No site da Tramontina você encontra uma lista com 12 “perguntas mais freqüentes” acerca da conservação de suas panelas de inox. Veja a página exata aqui.

Confesso que não sigo todas essas recomendações (ou não seguia, até hoje), mas procuro sempre secar as panelas tão logo sejam lavadas com esponja (do lado amarelo) e sabão ou detergente. Também costumo usar uma escovinha de cerdas de náilon para retirar aquelas sujidades mais resistentes.

Foi uma mania que adquiri na Inglaterra, onde a água é “dura” e forma essas manchinhas em tudo: pia, torneiras, copos, talheres, louças e até mesmo em utensílios de matéria plástica. Se a vista não me pisca, o nome desses terrores é lime scales e por lá existe toda uma indústria de artefatos e soluções químicas para lidar com o problema. O Scale Watcher é só um exemplo.

E por falar em produto químico, tenho uma desconfiança natural com relação a esses preparados milagrosos. Tendo a acreditar que fazem mais mal do que bem e na minha casa procuro reduzir a emissão de resíduos não biodegradáveis. Outrossim, caso seja de seu interesse, pode procurar por uma pasta de limpar inox, já disponível em vários supermercados.

Espero tê-lo ajudado a cuidar de seu belo acervo.

;***

Missiva aberta ao Leitor Dadivoso

Friday, September 1st, 2006

O estimado Julio, leitor assíduo e prendado, trouxe à tona uma questão é mister esclarecermos. Indignado, porém mui educadamente, salientou:

“Post-Scriptum: Enfureceu-me a idéia de nós, leitores macho-chôs, sermos rebaixados à categoria de “esforçados” quando, em deveras situações, superamos as senhoras em assuntos relacionados à supracitada atividade. Sem mais para o momento, despeço-me.”

Meu coração dadivoso entristeceu-se com tamanho descaso de minha parte. Como pude ignorar toda uma população masculina que, por muitas vezes, supera as moças em dadivosice, presteza, talento e apreço pela vida do lar?

Perdoe-me, Julio, pela absoluta falta de tato. Quando redigi a saudação provocadora do mal-estar, referia-me àqueles leitores que almejam alcançar a condição de Dadivoso e que estão apenas dando suas primeira pitadas rumo ao pleno gozo das alegrias culinárias.

De qualquer maneira, a distração não se justifica. Ao restringir os leitores à denominação de esforçados, acabei por olvidar-me de toda uma categoria de homens de elevadíssimo condão doméstico.

Posso dirigir-me aos senhores como “Amigo Leitor Habilidoso Dadivoso”? Estaria essa saudação a contento? Quedei-me no momento receiosa de incorrer em enganos mais uma vez.

Que esteja aqui registrado meu compromisso de ser mais zelosa de hoje em diante!

Com carinho,

A Autora