Da outra vó

Quando a vó Dinah morreu, eu tinha 4 para 5 anos. Éramos muito grudadas e a mãe conta que ela gostava muito de mim porque eu era quietinha e companheira. Lembro de assistir ao Sítio do Picapau Amarelo enquanto ela fazia tricô ou lia a Contigo.
Quando ela tava no hospital, minha tia deu um jeito de me esconder debaixo duma maca. Assim eu podia visitar a vó. Eu pedia pra ela apertar a minha mão pra dor ir embora. E ela choraaaava…

Vó Dinah cozinhava bem e muito. A família era grande, sempre tinham uns agregados, o vô tinha padaria e ela ainda cismava em fazer a comida para os padeiros todos. Mandava sobremesa e tudo!
Até que um dia soube que misturaram o pudim de leite com arroz e feijão. Pra quê?! Diante de tamanha ofensa, ela simplesmente parou de mandar comida. Deve ter feito um escarcéu, que ela era bem brava!

Tenho lembrança de passar o domingo (pra mim parecia o dia inteiro, mas devia ser umas poucas horas) ao lado dela enquanto ela fazia macarrão. Eu podia brincar com uma bolinha de massa e um toquinho de cabo de vassoura. Quando ela terminava de cortar e estender a pasta pra secar, vinha pro meu lado fazer vários modelos de chapéu com a massinha pra “vestir” o cabo da vassoura. Não lembro se ela desenhava olhinhos e boquinha, ou se eu que imaginava.
Engraçado que não me lembro do gosto do macarrão pronto, só de como ela fazia.

Notícias

Estou viva e bem, embora um pouco fora do ar e sem conseguir cozinhar direito por conta de um pequeno acidente de moto. Dizem que vaso ruim não quebra, né? :P

Beijo e daqui a pouco eu volto com mais receitas

Agosto é época de…


Essa pérola, de 1943, é uma espécie de almanaque culinário, com receitas, dietas, dicas e alguns reclames (como o do Luetyl). Estava no sótão da vó Nair e dia desses fui procurar nele alguma referência de safras e épocas de frutas e verduras. Não tinha. Acho que as mulheres daquela época tinham essa informação no DNA.

A vó, pelo menos, sabia sempre quando era a época das coisas (no sentido agrícola, emocional, familiar…)Mas eu não herdei essa sabedoria, não. Queria mesmo era achar um daqueles almanaques antiguinhos que traziam informações sobre as marés e safras, tinham adivinhações e piadas de salão. Enquanto o almanaque não vem, vou confiar no Google e deixar registrado aqui que esse mês é bom para:

  • Abóbora
  • Acelga
  • Agrião
  • Alface
  • Almeirão
  • Beterraba
  • Brócolis
  • Cará
  • Cenoura
  • Chicória
  • Couve
  • Couve-flor
  • Escarola
  • Espinafre
  • Inhame
  • Mostarda
  • Rabanete
  • Rúcula
  • Salsa
  • Abacaxi
  • Banana-prata
  • Laranja-pêra
  • Melão
  • Morango
  • Tangerina murcote

Como branquear vegetais


Branquear nada mais é do que fazer um pré-cozimento muito rápido para preservar melhor sabor, cor, vitaminas e minerais de vegetais que você vai usar mais tarde ou congelar.

O processo é bem simples, mas é importante seguir à risca o tempo de cozimento indicado para cada variedade. Isso por que: se você branquear de menos, corre o risco de superestimular umas enzimas danadas que aceleram a deterioração; e se branquear demais, vai acabar com uma verdura ou legume sem gosto, molenga, feia, sem-graça e sem valor nutritivo.

Para um maço de brócolis:
Lave bem, escorra, apare as folhas e corte os floretes como de costume.
Coloque água para ferver em fogo alto numa panela (média, suficiente para não ocorrer nenhuma superlotação).
Jogue os floretes na água fervendo (sempre em fogo alto) e comece a contar o tempo: são três minutos, cravados, a partir do momento em que as arvorezinhas caírem na água
Ao término dos três minutos regulamentares, escorra e despeje-os imediatamente em uma vasilha grande com bastante gelo e um pouco de água. Esse processo é fundamental, pois corta o cozimento na hora. Aguarde alguns minutos até que tudo esteja frio, escorra novamente e empregue. Você pode congelar em um pote hermético ou saco plástico (sem ar, por favor) ou guardar na geladeira para usar mais tarde.
Vegetais conservam-se bem por seis meses no freezer.