Utilidades do Lar


Amiga Leitora Prendada Dadivosa, Amigo Leitor Esforçado Dadivoso…

Em nossa vida do lar, deparamo-nos com situações deveras embaraçosas:

  • casquinha de queijo derretido que gruda para sempre na sanduicheira;
  • embalagem de farinha de trigo fechada com pregador de roupa;
  • visita de sogra;
  • receita que desanda por falta da medição apropriada;
  • mancha de caneta esferográfica em nosso vestido preferido;
  • convivas gastronomicamente ortodoxos;
  • maionese que desandou
  • e muitos outros obstáculos ao pleno gozo do cotidiano doméstico.

Que maçada, não é mesmo?

Para que você supere esses inconvenientes e possa brilhar em sua casinha, entretendo suas visitas e entes queridos com muito esmero e afeição, dadivosa.org iniciará uma singela série de notas, conselhos e recomendações. Ficará tudo agrupado na categoria “Liberte sua Dadivosa“.

Oxalá esses pequenos truques lhes sejam convenientes e úteis!

Com carinho,

A Autora ;***

P.S.: Não se acanhem! Podem enviar suas dúvidas e aflições.

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Sopa de Alface Dadivosa


Estava há dias matutando sobre como usar toda aquela alface que chega com a cesta dos orgânicos. Fui pesquisar na minha mini-biblioteca: nos livros da vó, nos franceses, nos de R$ 1,99, nas revistas, nos recortes e nos cadernos. Achei algumas coisas interessantes, como mousse quente, suflê e refogado. Mas estava com vontade mesmo era de uma sopinha cremosa. Ontem, com o frio que fazia em São Paulo, resolvi botar a Dadivosa pra trabalhar e criar uma receita nova…

A receita rende 500ml, que eu devorei sozinha ;)

Ingredientes:
1 pé de alface
1 batata grande
½ colher de sopa de manteiga
1 xícara de chá de caldo de legumes caseiro aquecido(O industrializado não serve, porque mata todos os outros sabores. Se não tiver, pode usar água mesmo)
1/2 xícara de chá de água
Sal

Para servir (opcional):
1 ovo cozido em fatias
páprica
azeite de oliva
pão sírio integral

Como fazer:

  1. Lave bem a alface e descarte todas as folhas que estiverem machucadas, amareladas, secas ou feias. Seja implacável! Retire o talo das folhas, como se estivesse preparando couve (se não souber como faz, pode perguntar pra mim). Corte as folhas em tiras e reserve.
  2. Descasque e corte a batata em cubos bem miudinhos (para que cozinhem mais rápido).
  3. Leve a manteiga ao fogo baixo numa panela e, quando derreter, adicione as batatas. Coloque uma pitada de sal, assim as batatas começarão a liberar um pouco de água e não vão fritar.
  4. Quando o refogado estiver bem aquecido, adicione o caldo. Se você usar caldo de caixinha ou tablete, a receita vai ficar com gosto de sopa pronta e vai perder a delicadeza. Caso não tenha caldo de legumes ou frango caseiro, pode usar água mesmo.
  5. Deixe a batata em fogo baixo, até amaciar um pouco e engrossar o caldo.
  6. Adicione as folhas de alface e mexa delicadamente até elas murcharem. Tome cuidado para não deixar a alface queimar ao entrar em contato com os lados da panela. Quando a as folhas estiverem bem murchinhas e incorporadas ao caldo, tampe a panela e deixe ferver em fogo baixo por uns 10 minutos.
  7. Bata no liquidificador até virar um creme. Deve levar uns dois minutos para que todos os pedacinhos de alface desapareçam. Experimente e acerte o sal. Resista à tentação de usar pimenta nessa receita. Acredite, eu testei das duas formas e sem pimenta fica bem mais gostoso, dá pra sentir melhor os sabores da manteiga, da batata e da alface (sim, alface tem gosto!).
  8. Sirva com fatias de ovo cozido por cima, uma pitada de páprica e um fio de azeite por cima. Com o pão sírio, faça triângulos, toste rapidinho no forno e sirva à parte.
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Tapauér ou Tuperváre?

Eu adorava quando a mãe me levava praqueles encontros da Tupperware. Para quem não lembra, ou não teve a oportunidade de conhecer, a coisa funcionava mais ou menos assim:

Para cada região, existia uma representante-consultora-mestre-de-cerimônias. No nosso caso, acho que ela vinha de Blumenau, depois se mudou para Florianópolis. Essa representante ia na casa de alguém, que já tinha convidado pelo menos umas dez amigas, vizinhas, parentes ou afins para a “reunião”. Rolavam umas comidinhas, brincadeiras (sempre tinha bingo) e, claro, demonstrações de produtos maravilhosos com nomes compostos, tipo: pote mimoso, super instantânea, forma mágica, saladeira prática e por aí vai.

Acontece que a dona da casa tinha uma “meta de vendas” a cumprir, ou seja, as amigas e parentes precisavam comprar um valor X para que a reunião não fosse considerada um fracasso total e para que a dona recebesse um brinde. Aí tinha gente que ficava forçando a barra, empurrando coisa, obrigando mesmo as “convidadas” a fazer uma bela encomenda.

E a mãe, que começou a ficar fula da vida com a exploração, passou a me enviar como representante oficial. Que maravilha! Eu via as demonstrações de forminhas de gelatina com tampa de coração, anotava todas as receitas, arrasava nos joguinhos de memória, de vez em quando ganhava um mini-potinho ou outro brinde bacana no bingo e passava para a representante qual era a encomenda que a mãe queria fazer…

Eis que um dia (eu devia ter uns sete anos), chegou um pote quadrado e fundo, laranja, com uma espécie de escorredor branco por dentro e um jogo de quatro copinhos. A mãe tinha comprado uma iogurteira-mágica-prática-super-luxo! Durante um mês, mais ou menos, ela deve ter feito iogurte umas duas vezes. Como eu adorava! Ela batia no liquidificador com ameixa e aquilo era a melhor coisa do mundo. Mas logo logo a mãe perdeu a paciência e a iogurteira foi rebaixada a um reles contâiner para folhas de alface lavadas.

Fui me vingar do trauma faz uns dois anos, quando comprei uma daquelas iogurteiras da dona Aracy. Aquela mesma, que aparece em 11 entre 10 inserções de merchandising nos programas da tarde na TV aberta. E foi ótimo. Juro! Na verdade, o tal do kit-iogurteira não passa de uma caixa plástica térmica, com capacidade para 3 litros, uns potinhos plásticos, um termômetro e alguns fermentos probióticos. E eu continuo fazendo meu próprio iogurte natural, domingo sim, domingo não.

Acontece que não precisa dessa parafernália toda pra fazer iogurte em casa, não. Você pode comprar um termômetro culinário comum, se quiser, daqueles baratinhos. E seguir minha receita de Iogurte Caseiro.

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Iogurte Caseiro

(*receita atualizada em 30/07/2010*)

Ingredientes:

  • 1 copo de iogurte natural (200 ml) em temperatura ambiente (*use coalhada e evite aquelas que contém qualquer coisa além de leite e fermento lácteo no rótulo*) 
  • 1 litro de leite (*de saquinho, integral*)
  • (*1 colher de sopa de leite em pó*)

Como fazer:

  1. Leve o leite ao fogo até ferver e deixe amornar.
  2. Agora é que vem o pulo do gato. Seja com fermentos prontos, com um potinho comprado no supermercado, ou com uma “matriz” reservada de outra receita, é a temperatura do leite que vai determinar se mágica vai ou não vai acontecer. A temperatura correta, pelo que dizem meus manuais, deve estar entre 43 e 45 graus centígrados. Menos do que isso, os lactobacilos nem sentem cosquinhas e vão preferir ficar hibernando. Mais do que isso, você mata os bichinhos de calor. Você pode, então, usar um termômetro culinário, ou seu dedinho (limpo, claro), que é o método que vou explicar a seguir:
  3. Coloque o dedo indicador no leite morno. Ele deve estar quente, mas não muito. Se você sentir o calor e conseguir manter o dedo no leite por 10 segundos, é porque a temperatura está correta.
  4. Retire uma concha do leite morno, dissolva ali o leite em pó, misture bem com a coalhada. Despeje essa mistura no leite morno e misture mais uma vez. Guarde numa vasilha de vidro ou cerâmica (se não tiver, até plástico resolve), cubra e leve a um lugar quentinho e ao abrigo da luz. Se preferir, pode embrulhar o pote com panos de prato para proteger.
  5. Deixe o preparado no forno desligado da noite para o dia, depois guarde na geladeira.

Dadivosa Adverte!
Eesta não é uma receita 100% à prova de erro. São muitas as variáveis que influenciam na coagulação do leite, então não se acanhe se não acertar de primeira. Vale a pena tentar de novo, pois depois de acertar o ponto você não vai querer mais comprar iogurte pronto não.

Agora, se você acha esse negócio de enfiar dedo em leite uma trabalheira dos infernos, muita ciência pra pouco resultado, recomendo comprar pelo menos um termômetro culinário (custa 10, 15 reais).

P.S.1: O motivo da atualização está neste post
P.S.2: Apesar de nunca ter usado os tais bichinhos ou o kefir, nem saber que cara têm, deixo abertos os comentários para o caso de ter alguma serventia a quem doa-procura.

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Así Cocinan los Argentinos

Meu novo livro de cabeceira. Ainda estou na metade, mas já adianto que:

  • Para os argentinos, aparentemente, salgar a carne do churrasco antes de assá-la na parrilla é um pecado mortal. Na maioria das vezes recomenda-se que o sal seja adicionado somente na hora de servir, para que os sucos da carne não sejam desperdiçados durante o cozimento.
  • As receitas são simples e fáceis, com ingredientes frescos e baratos. O destaque vai para os molhos, as humitas e os recheios.
  • Quase todos os pratos levam salsinha (perejil).

A edição é bilíngüe: do lado esquerdo as receitas estão em espanhol, do lado direito num inglês “argentinizado”. As explicações em inglês mais confundem do que ajudam, mas são úteis para descobrir os nomes de alguns ingredientes.

O livro é bem simples e direto, mas talvez não seja muito fácil para quem nunca fritou um ovo na vida. Primeiro porque não tem fotos,  ilustrações, nem longas descrições do tipo passo-a-passo. Segundo porque muitas receitas partem do princípio que você sabe rechear e costurar uma galinha, escamar um peixe, despelar tomates e pimentões, amarrar um matambre…

Pensando bem, o livro vale, sim senhor,  para quem nunca esquentou a barriga no fogão. Afinal, nada que uma busca na Internet e/ou uma ligadinha para aquele(a) amigo(a) mais dadivoso(a) não resolvam ;)

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Casca 1 X 0 Lata

Essa história de receber orgânicos em casa tem me ensinado um bocado de coisa. Duas semanas atrás, a cesta veio com quatro espigas de milho com casca, cabelinho e tudo. Eu já tinha visto milho in natura na plantação, no supermercado e na feira. Mas não me lembro de ter debulhado um alguma vez na vida.

Confesso que na hora me bateu uma preguiça danada: ai não, que saco ficar descascando coisa, esses cabelinhos não vão sair nunca, pra quê que eu fui inventar essa onda natureba, que mal que tem comer uns conservantes e “agrotóchico” já que eu nem uso outros “tóchico”?

E foi logo após esse breve momento de hesitação que Dadivosa voltou ao normal e resolveu encarar o sabugo:

  • com as duas mãos, fui abrindo as folhas, mais ou menos como se estivesse descascando uma banana
  • elas ficaram todas presas no pé (sei lá como se chama a parte de baixo) da espiga
  • peguei uma faquinha e cortei esse pé fora
  • no meio das fileiras de grãos estavam aqueles cabelinhos
  • coloquei a espiga debaixo da torneira e fui arrancando com a mão sem maior esforço

O processo todo levou uns dois minutos, no máximo. Deve ser porque o milho era bem novinho e macio. Aí veio a segunda parte: eu precisava debulhar o milho, porque queria usar os grãos numa farofa. Fui passando a faca e eles saíram na boa.

Se você nunca fez isso, e/ou quer ver um tutorial bem bacana, assista ao podcast do Simply Ming. Já virei fã do cara e baixei todos os episódios. Os vídeos são de mais ou menos dois minutos, e ele dá dicas bem legais para iniciantes e iniciados na cozinha. A faca branca que ele usa é meu mais novo objeto de desejo.

Mas essa conversa toda foi pra contar que cheguei à conclusão de que, no final das contas:

  1. descascar e debulhar o milho nem dá tanto trabalho assim
  2. o gostinho e a textura são imensamente superiores ao do milho enlatado
  3. a “praticidade” de abrir uma lata já não me encanta mais

Para quem quiser saber mais sobre o Ming Tsai, pode ir no site dele: http://www.simplyming.org/

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Precisa ser sem sal?

O Raul queria saber se é obrigatório usar manteiga sem sal para fazer Beurre Maître d’Hôtel. ”Obrigatório” é uma palavra que não combina muito com o meu jeito de cozinhar, sabe? Eu usei sem sal, primeiro pelo hábito, segundo por gosto pessoal. 

Mas a pergunta me atiçou a curiosidade… fui pesquisar e não vi nenhuma orientação radical de que a manteiga tenha de ser sem sal. Muito pelo contrário! Existem muitos jeitos de fazer o preparado:com pimenta-caiena, do reino e até conhaque. Nessa brincadeira, aprendi também que:

  • aquela variação com diferentes ervas é chamada de “Café de Paris” ou “Beurre de Capitale”;
  • quando a gente adiciona ao beurre maître d’hôtel mais manteiga, estragão e uma colher de sopa de caldo, ele vira “Beurre Colbert”;
  • proporções iguais de manteiga e béchamel produzem “Beurre Allegé”;
  • é preciso derreter a manteiga no fogo até dourar e juntar um pouco de suco de limão para fazer “Beurre Meunière”;
  • os franceses tem, oficialmente, uma infinidade de pastas feitas à base de manteiga, a maioria tem como sobrenome o ingrediente que aromatiza a mistura: páprica, salmão, anchovas, alho, pimenta etc.

Então, faça sua manteiguinha com o que tiver em casa ou com o que der vontade. E você sempre pode dar um nome pomposo pra ela :)

Raul, adorei a pergunta!

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