Arroz Caldoso de Gim com Pepino Grelhado

Arroz Caldoso de Gim com Pepino Grelhado - Dadivosa

Arroz Caldoso de Gim com Pepino Grelhado, foto de Estevam Romera


Um prato para dois que também é um drink :)

Receita de Arroz Caldoso de Gim com Pepino Grelhado*

Ingredientes (para duas pessoas)

Arroz

  • 1 colher de sopa de azeite
  • 1/4 xícara de cebola bem picada
  • 1 dente de alho picado
  • 1 xícara de arroz arbório
  • 2 colheres de sopa de gim
  • 800 ml de caldo caseiro de frango
  • 4 a 6 grãos de zimbro
  • sal a gosto
  • 1 colher de sopa de azeite para finalizar
  • 1 colher de sopa de gim para finalizar
  • grãos de zimbro para servir (opcional)

Pepino

  • 1 pepino japonês
  • azeite para untar
  • flor de sal (opcional)

Azeite de Endro (dill)

  • 1/2 colher de sopa de endro (dill) bem picado
  • 1 colher de sopa de azeite

Como fazer:

Arroz

  1. Aqueça o caldo em uma panela com os grãos de zimbro picados. Deixe ferver e mantenha em fogo baixo.
  2. Refogue a cebola no azeite até murchar. Acrescente o alho e deixe refogar por 1 minuto. Junte o arroz, mexa, adicione o gim e deixe evaporar o álcool.
  3. Acrescente metade do caldo, mexa por 5 minutos.
  4. Acrescente o restante do caldo e deixe o arroz cozinhar por 10 minutos, mexendo uma ou duas vezes apenas. Corrija o sal, desligue o fogo e deixe descansar, com a panela coberta, por 2 minutos.
  5. Incorpore o azeite e o gim e sirva imediatamente, acompanhado de pepino grelhado, azeite de endro e grãos de zimbro.

Pepino

  1. Retire as pontas do pepino e corte-o em cilindros de 10 centímetros. Corte os cilindros ao meio, no sentido do comprimento.  Unte os pepinos com azeite e reserve.
  2. Aqueça uma chapa de ferro ou grelha. Grelhe rapidamente os pepinos, o suficiente para marcá-los nos dois lados. Salpique flor de sal na hora de servir.

Azeite de Endro (dill)

  1. Misture o endro e o azeite e sirva.

*Essa receita foi uma contribuição para a edição comemorativa de dez anos da revista Prazeres da Mesa.

Tem mais receitas da revista em:

Diga Maria: Risoto de Manga e Curry com Camarão Envolto em Bacon

Pimenta no Reino: Espetinho de Coq-au-Vin

Sem Medida: Costelinha Braseada com Angu de Milho Verde e Chips de Jiló

Estou longe e sem acesso à revista. Se você também participou dos 10 anos da Prazeres da Mesa, avise e mande o link do seu post. ;***

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Beterrabas Assadas em Crosta de Sal

Beterrabas Assadas em Crosta de Sal - Dadivosa

Beterrabas Assadas em Crosta de Sal

Chamá-la de receita é praticamente impostura, mas quem se importa? A foto desfocada, capturada de revista velha folheada num café qualquer em tarde de inverno, ficou perdida no celular por algumas semanas até que eu voltasse para aquela casa. E a foto meio tremida das beterrabas que fiz naquele mesmo dia ficaram perdidas no mesmíssimo celular por alguns meses (dois, três?), até que eu estivesse na outra casa.

Tão arrebatadoramente simples, é daquelas astúcias que respeitam e elevam o sabor do ingrediente. Não, não se pode dizer que é uma receita. É uma homenagem.

 Beterrabas Assadas em Crosta de Sal

Ingredientes:

  • Sal grosso
  • Beterrabas pequenas, bem lavadas e secas
  • Endro (dill)
  • Pimenta do reino moída na hora

Como fazer:

  1. Aqueça o forno a 200°C.
  2. Em refratário ou forma pequena, onde as beterrabas caibam juntas, mas não encostadas, faça uma cama de cerca de 2 cm com sal grosso. Moa pimenta por cima, distribua uns ramos de endro e acomode as beterrabas. Coloque mais sal grosso até cobri-las completamente.
  3. Asse por 1 hora e meia, retire do forno, quebre a crosta de sal e sirva. Ficam ótimas puras, em salada, com um fio de azeite, com creme azedo, com vinagrete de laranja… Eu gosto delas com casca mesmo, mas você pode esperar que esfriem um pouco e retirar a casca com cuidado.

 

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Bolo de Limão Siciliano

Bolo de Limão Siciliano - Dadivosa

Bolo de Limão Siciliano – Dadivosa

Só chego quando ponho os pés na cozinha. Só aterrisso depois de cozinhar um almoço. Só estou em casa depois de assar um bolo batido à mão. Recauchutei uma receita antiguinha e fiz esse Bolo de Limão Siciliano. Cheguei, aterrissei, estou em casa.

Ingredientes:
Massa:

  • 1 xícara de manteiga (200g)
  • 1 ½ xícara de açúcar (270g)
  • 4 ovos
  • 2 xícaras de farinha de trigo (240g)
  • 1 colher de sopa de fermento em pó
  • raspas de dois limões sicilianos
  • ¼ de xícara de leite (60ml)
  • manteiga para untar a forma
  • farinha de trigo para polvilhar a forma

Cobertura: 

  • o sumo de dois limões sicilianos espremido na hora
  • 2 colheres de sopa de açúcar

Como fazer: 

  1. Preaqueça o forno a 180°C. Prepare a forma, untando-a com manteiga e polvilhando farinha de trigo.
  2. Prepare a massa: bata a manteiga com o açúcar até formar um creme. Acrescente aos poucos os ovos, um a um, batendo sempre.
  3. Adicione as raspas de limão e a farinha, misture bem, junte o leite, misture até ficar uma massa bem homogênea e, por último, incorpore o fermento. Leve ao forno por aproximadamente 35 minutos, ou até que, enfiando um palito no meio da massa, ele saia limpo. (procure não abrir o forno antes de 20 minutos).
  4. Retire o bolo do forno e, enquanto ele esfria um pouco, prepare a cobertura. Esprema os limões e misture bem o sumo com o açúcar. Usando um garfo, faça furinhos no bolo. Espalhe a cobertura com uma colher, aos poucos, para que a calda umedeça a massa de maneira uniforme.

Ligeira adaptação de outra receita que já apareceu por aqui, a dos Quadradinhos de Limão.

 

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Berinjela Defumada com Molho Oriental

Berinjela Defumada com Molho Oriental

Passei uma época com tremendo banzo de quase tudo o que era “gastronômico”. Na internet, na TV e nos cadernos de comida dos jornais daqui, principalmente (esses últimos, ainda não voltaram a me interessar por completo). Estava achando tudo muito repetitivo e pode até ser que um dos motivos daquela sensação fosse nada menos que a quantidade de horas em que me concentrava no tema. Outro poderia bem ser a moda de comida, ou “tendência”, ou marketing/relações públicas/assessoria de imprensa, ou as leis do mercado, ou tão simplesmente aquela preguiça generalizada que transforma uma coisa que você até gostaria em insuportavelmente ubíqua para, em seguida, pegar uma parte dela (geralmente a menos interessante) e repetir-repetir-repetir, e enfeiar e espalhar feito praga de vitrine de shopping com moda da novela em todos os sites, eventos, entrevistas, blogs, prêmios, concursos “ações em redes sociais” revistas, jornais, televisão. E quem consome/lê vira propagador imediato e a coisa parece não ter fim… até chegar a próxima onda, o que não demora muito, começa tudo de novo, ufa, amarguei.

Por perigo de rabugentice crescente, abstive-me de ler o que pude do que estava nessa grande bolha e não posso dizer que passei por um rehab porque o esforco em buscar informação e entretenimento em outros lugares – pois não deixei de me interessar pelo assunto em si, apenas me cansaram o viés e a repetição – não impediu que um pouco disso sempre chegasse a mim de uma forma ou de outra (ou alguém passou incólume pela carestia do tomate, que deu dinheiro e audiência, foi espremida e explorada à exaustão, sempre no rasinho, e fim virou notícia velha e piada ruim?).

Mas o que se diz, escreve, filma, fotografa, publica e emite sobre comida, seja bom ou ruim, me atrai demaisiado para conseguir ficar longe. E me pego grudada vendo reprise do Que Marravilha! Revanche do Claude Troigros e tenho ganas de fazer babaganoush de jiló só para brincar de queimar a casca na chama do fogão. E não tenho jiló, mas tenho berinjelas, fazia tempo que não chamuscava berinjelas no fogo para sentir depois a polpa macia, defumada, doce e amarguinha ao mesmo tempo.

Berinjelas Chamuscadas

Consciente ou inconscientemente, acrescentei ao doce e ao amargo o salgado, o picante, o ácido, o umami e o… por falta de nome melhor… o levemente alcóolico, ou melhor, o destilado do sochu. Fiz um molho que chamei de oriental. Mas berinjela defumada é coisa séria e muito da boa, vai ficar um espetáculo com qualquer caminho que se resolver seguir: italianado, afrancesado, texmexizado, arabizado, ou até mesmo o que estiver na modinha-féxion-gourmezaria da semana. Sem brincadeira nem julgamento. Mesmo!

Berinjela Defumada com Molho Oriental

Ingredientes:

  • 500 g de berinjelas (usei das minis)
  • 1 colher de chá de gengibre fresco ralado
  • 1 dente de alho pequeno esmagado
  • 1 colher de sopa de limão
  • 1 colher de sopa de shoyu
  • 1 colher de chá de mel
  • 1 colher de sopa de sochu (pode substituir por sakê, ou omitir)
  • 1 colher de sopa de óleo de gergelim claro

Como fazer:

  1. Lave e seque as berinjelas, retire a folha com cuidado e deixe os cabinhos. Coloque uma grade sobre a boca do fogão (ajuda bastante), ligue o fogo e deite ali três ou quatro berinjelas mini ou uma grande. Espere a casca queimar de um lado e vá virando até que ela fique completamente preta. 
  2. Embrulhe bem a berinjela em papel alumínio assim que tirá-la do fogo, deixe-a descansar e repita a operação com as restantes, se for o caso. Deixe-as quietas por uma meia hora.
  3. Abra o papel alumínio. A casca, fininha e esfarelenta, sai com facilidade, é só afastá-la da polpa. Faça isso com delicadeza, deixando a berinjela o mais intacta possível. Arrume as berinjelas em um prato de servir e esmague-as delicadamente com o garfo, achatando-as.
  4. Prepare o molho. Em uma tigela pequena, misture o gengibre, o alho, o suco de limão, o shoyu, o mel, o sochu e o óleo de gergelim. Regue as berinjelas com um pouco do molho. Sirva em temperatura ambiente, como petisco ou entrada.
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Muffin de Bacon

Muffin de Bacon

Muffin é aquela belezura. Fácil e rápido de fazer, suja pouca louça, rende bastante, agrada muita gente, um sucesso. O da vez foi muffin de bacon. Ficou levinho, prometo.

Receita de Muffin de Bacon

Ingredientes

  • 100 g de bacon picado em cubos bem pequenos
  • 2 xícaras de farinha de trigo
  • 1 colher de sopa (rasa) de fermento em pó
  • 1/2 colher de chá de sal
  • 1 colher de sopa (rasa) de açúcar
  • 1 xícara de leite
  • 2 ovos
  • azeite de oliva
  • manteiga para untar as formas (caso não use as de papel)
  • queijo ralado para polvilhar (opcional)

Como fazer

  1. Ligue o forno para preaquecer a 220°C. Unte as formas de muffin. Se for usar as de papel, não precisa untar, apenas coloque-as na forma de metal.
  2. Leve uma frigideira ao fogo brando com um fio de azeite, coloque ali o bacon e deixe dourar e derreter a gordura. Ele vai pular de vez em quando, cuidado!
  3. Escorra o bacon em uma peneira, reservando a gordura da frigideira. Deixe o bacon sobre papel toalha para secar um pouco.
  4. Em uma tigela grande, peneire a farinha, o fermento, o sal e o açúcar.
  5. Meça a gordura do bacon. Você vai usar duas colheres de sopa. Caso não tenha o suficiente, complete com azeite.
  6. Misture aos secos a gordura, o leite, os ovos e o bacon. Não precisa bater, apenas incorporar todos os ingredientes. Quanto menos mexer, mais fofinho fica. Pode deixar alguns grumos, não tem problema.
  7. Coloque a massa nas formas. Sabe aquelas colheres boleadoras de sorvete que tem uma alavanca? São ótimas para porcionar a massa sem fazer sujeira. Essa receita da certinho 12 colheres daquelas.
  8. Polvilhe queijo ralado sobre os muffins ainda crus.
  9. Leve ao forno e fique de olho. Dependendo do seu equipamento, pode levar de 15 a 25 minutos.
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Bolo de Baunilha de Verdade

Fosse uma pessoa, enfiaria um saco de pão na cabeça, ficaria trancado no quarto, choraria no chão da cozinha depois de escorregar as costas pela porta da geladeira, faria votos de clausura.

Ficou um filhote de cruz-credo, do avesso, infotografável, o pobre bolo de baunilha de verdade que testei já depois da meia-noite para um evento que farei na sexta. E a culpa não foi da receita, que a receita é das boas, apesar de tão diferente no modo de fazer. Nem do meu sono, que esse chegou já era quase dia. O desastre aconteceu simplesmente porque ignorei regra básica e tentei tirá-lo da forma ainda quente. Estava com a cabeça em outra coisa, às vezes acontece.

Desmoronou em partes, ficou irremediavelmente mal diagramado, assimetricamente escangalhado, com as vergonhas e entranhas ao léu. Mas ficou gostoso!

Fosse uma pessoa, diria que é sangue bom, gente fina, bacana, interessante, intrigante, tem personalidade e beleza interior!

Receita de Bolo de Baunilha de Verdade

Ingredientes:

  • 240 ml de leite integral
  • 4 claras
  • 1 ovo inteiro
  • as sementes de duas favas de baunilha
  • 315 g de farinha de trigo, peneirada
  • 300 g de açúcar
  • 20 g de fermento em pó
  • 5 g de sal
  • 170 g de manteiga sem sal, cortada em cubos

Como fazer:

  1. Com todos os ingredientes em temperatura ambiente, preaqueça o forno a 180°C. Unte e enfarinhe duas formas redondas de aproximadamente 20 cm de diâmetro.
  2. Em um recipiente junte 1/4 do leite com a baunilha, as claras e o ovo, batendo até homogeneizar. Reserve.
  3. Agora é que a receita fica diferente, mas tenha fé que funciona mesmo. Na tigela da batedeira, misture todos os ingredientes secos até incorporá-los bem. Ligue a batedeira em velocidade baixa, acrescente a manteiga e bata por uns 30 segundos. Acrescente os 3/4 do leite e bata em temperatura média por um minuto e meio, mais ou menos. Vai formar um creme fofo.
  4. Com uma espátula, raspe as paredes da tigela e misture a massa. Repita três vezes o seguinte procedimento: crescente 1/3 da mistura de leite e ovos, bata por meio minuto. E a massa está pronta.
  5. Divida a massa entre as duas formas preparadas e asse por 25 a 35 minutos. O tempo vai depender do seu forno. A partir dos 25 minutos, já pode abrir o forno para fazer o teste do palito (espete um palito no meio da massa, se sair limpo o bolo está pronto).
  6. Recheie/cubra com o que quiser. Eu recheei e cobri um dos bolos com ganache de chocolate e creme de avelã. E o outro voltou para a forma depois do acidente estético. Sim, não contente em destruir um, fui lá e desenformei o outro bolo ainda quente.

Receita foi uma mistura de várias daqui

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O que é que a banana tem?

Banana – Dadivosa

É amor em penca e só depois de mulher feita encontrei gente que não a suporta, meia dúzia de gatos pingados para confirmar a regra. Na receita de hoje a banana é grelhada em beurre noisette, uma manteiga aquecida até ficar marrom e liberar um cheirinho de avelã. É fácil, é simples, é barato, é prosaico, até. Mas olha, é bem bom!

Como fazer Beurre Noisette (ou manteiga marrom, ou brown butter, ou mantequilla avellana, vocês entenderam)

Ingredientes:

  • manteiga sem sal

Como fazer:

  1. Leve a manteiga ao fogo em uma panela de fundo claro, para que seja mais fácil perceber a mudança de cor. Fique vigiando que é coisa rápida.
  2. Deixe em fogo médio a baixo. Ela vai espumar e crepitar e estalar. É a água da manteiga indo embora.
  3. Vá girando a panela (ou mexendo com uma colher de pau). A manteiga vai mudar de cor. Quando estiver bronzeada, marrom claro, retire imediatamente do fogo e, com cuidado, passe por uma peneira para outro recipiente por dois motivos: 1) se continuar na panela quente ela vai continuar a escurecer e virar outra coisa (beurre noir, a versão mais amarga e escura, ou queimar) e 2) ao passar com cuidado pela peneira você separa os eventuais resíduos sólidos que possam ter queimado um pouco mais.
  4. Empregue (nos livros de receita da vó sempre tinha um “empregue”, adoro!) ou armazene na geladeira. Pode usar quente sobre aves, peixes e carnes, sozinha ou para compor molhos, em receitas de bolos, madeleines, financiers e o que mais quiser, pode usar fria (fica com cara e cor de doce de leite como na foto a seguir) sobre um pão quentinho com uma pitada de flor de sal, ou para grelhar banana :)

Beurre Noisette – Dadivosa

Banana Grelhada com Beurre Noisette (para dois)

Ingredientes:

  • 2 bananas-prata maduras
  • 2 colheres de chá de beurre noisette (ou manteiga marrom, ou brown butter, ou mantequilla avellana, aquela coisa toda)
  • açúcar de confeiteiro para polvilhar
  • sorvete ou creme de leite batido para servir (opcional)

Como fazer:

  1. Descasque e corte as bananas ao meio, no sentido do comprimento.
  2. Aqueça a manteiga em uma frigideira antiaderente.
  3. Grelhe as bananas na manteiga, em fogo médio, até dourar, dos dois lados.
  4. Transfira para o recipiente onde vai servi-las e polvilhe açúcar de confeiteiro.
  5. E é só. Se quiser, sirva com uma bola de sorvete de creme ou creme de leite batido.

 

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Oito.

Um é o cara. O primeiro, o único, o melhor. O mais solitário, um café e a conta, a saideira.

Dois é casal, parzinho, duo, díptico, dupla, olhos, orelhas, mãos, pernas.

Três é realeza, triunvirato, tríade, trindade, pai-filho-espírito-santo, sangue-suor-e-lágrimas.

Quatro é marcação de tempo, estações, cantos do mundo, patas, apoio.

Cinco é redondo, só mais cinco minutinhos, top five, outro primo, uma mão cheia.

Seis é metade, meio ano, meia dúzia. Seis graus de separação entre mim e qualquer vivente da face da terra.

Sete é cabalístico. Dias da semana, pecados capitais, cores do arco-íris, notas musicais, conta de mentiroso, sete léguas, sete vidas, sétima arte.

Oito é o quê? Octópode? Dois terços de um ano? Bola oito?

Bobagem. Oito trabalha na profundeza e na imensidão.

Oito deitado é infinito, matemático e filosófico (matemática é filosofia e vice-versa, em meu humilde entendimento de filha e irmã de matemáticos que filosofam), laço que se encerra em si mesmo. Finge ser banal na gravação da aliança, na tatuagem de amor-eterno-amor-verdadeiro-fulano, na bola preta da sinuca, no quadradinho de oito do funk carioca. Oito deitado, com um lado aberto, vira rabisco de peixe.

Com um oito de pé começa-se a desenhar um gato. Ou um gordinho. Ou uma mulher grávida. Um oito de pé também é laço que se encerra em si mesmo. Cérebro e vísceras. Razão e instinto. Cabeça e barriga. O que governa e de onde sai a fome. O que traduz em pensamento aquilo que se passa nas entranhas.

A l i m e n t o

C o z i n h a r

E s c r e v e r

D a d i v o s a

Oito letras.

Omeunome tem oito letras.

Omeuamor tem oito letras.

Oito.

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Borscht Gelado da Ana (ou quase) – Sopa Fria de Beterraba

Borscht Gelado/ Sopa Fria de Beterraba

Borscht Gelado/ Sopa Fria de Beterraba

Alardeei pelo Twitter e Facebook e, não estivesse convalescendo naquele e nos três seguintes dias, teria dado pulos e feito uma dancinha para comemorar o fato de encontrar a receita de meu borscht preferido, a sopa fria de beterraba da Ana Kaufmann, do restaurante ak/vila.

Precisei fazer adaptações, é verdade. Estava, como disse, convalescendo*, e não me dispus a descer e subir e cruzar a avenida e comprar creme de leite fresco e descer e subir de novo para fazer uma sopa gelada de beterraba que me nutrisse e aplacasse o desconforto de uma chatíssima cirurgia odontológica (pouparei leitor e leitora de quaisquer descrições sórdidas).

Fato é que ficou deliciosa, ajudou-me na recuperação, viveu bem por 3 dias na geladeira, e repetirei usando o creme assim que der.

Receita de Sopa Gelada de Beterraba

Ingredientes:

  • 250 g de beterrabas sem casca
  • 150 g de cenoura sem casca
  • 100g de tomate sem pele e sem sementes
  • 170 g de iogurte natural (e mais para servir)
  • suco de 1/2 limão tahiti
  • açúcar, sal e endro picado (dill) a gosto

Como fazer:

  1. Coloque a beterraba, a cenoura e o tomate em uma panela pequena. Cubra com água fria e leve ao fogo até a beterraba e a cenoura ficarem macias. Escorra reservando a água do cozimento.
  2. Bata os sólidos no mixer de mão ou liquidificador com 100 ml do líquido reservado. Tempere com sal e açúcar e leve para gelar.
  3. Sirva com uma colherada de iogurte e dill (endro) picado.

A receita original do Borscht Gelado da Ana Kaufmann está aqui. Obrigada, Ana!

* Estava, não estou mais. Um fim de semana de molho, com sopas frias, iogurte, frutas, antibiótico, analgésico sublingual (que bela invenção!) e muito sono depois, estou seminova em bom estado :)

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Por quê?

Coração ao vinho

Porque sim. Para distrair, passar o tempo, brincar. Inventa, cozinha, conta, escreve, compartilha, mostra aí.

Para mostrar coisas que são o que são, mas que podem revelar segredos para quem souber olhar e sentir. Para dar sentido ao mil-folhas de alegrias, desassossegos, intimidades e acontecimentos indizíveis. Para esquecer.

De todos os portos, daqueles braços, dos arrozes insossos, dos bolos solados. A gente não se esquece de nada não, a gente se acostuma, como diz o Jacques Brel. Por costume. Como rotina necessária. Um hábito de higiene.

Para limpar o entulho de pensamento, faxinar a cabeça, desapegar de receitas e histórias e saudades que vivem no lado de dentro, mas chega uma hora em que precisam ganhar mundo. Porque receitas e histórias e saudades encarceradas assim, ignoradas assim, são bem capazes de cavar um túnel, passar por vasos e veias, grudar nas artérias e arruinar o coração.

Porque no fim das contas é ele quem manda nisso aqui. É o coração quem inventa, cozinha, conta, escreve, compartilha, mostra aí. E se calhar de aparecer um vinho para amolecer as saudades e uma mini salada de cebola com hortelã para refrescar as ideias, tanto melhor.

 Receita de Coração de Galinha com Vinho

Ingredientes:

  • 300 g de coração de galinha muito limpos (sem vestígios de artérias ou pelancas)
  • 150 ml de vinho tinto
  • 2 dentes de alho espremidos
  • 2 folhas de louro
  • 1 galho de alecrim fresco
  • 1 colher de sopa de azeite
  • 1 colher de sopa de manteiga
  • sal e pimenta a gosto

Para a mini salada:

  • 1 cebola (se tiver da roxa, melhor ainda)
  • gelo
  • folhas de hortelã
  • 1 limão tahiti

Como fazer:

  1. Faça uma marinada misturando o coração, o vinho, o alho, o louro, o alecrim, um pouco de sal e de pimenta. Deixe descansar por 30 minutos.
  2. Aqueça no fogo forte o azeite e a manteiga em panela de fundo grosso. Enquanto isso, retire os corações da marinada com uma escumadeira e reserve-os separados, corações de um lado, líquido do outro.
  3. Doure os corações na manteiga. Acrescente o líquido da marinada. Abaixe o fogo e, vigiando de vez em quando, acrescentando um pouco mais de água quando o líquido secar, deixe cozinhar por uma hora. Corrija sal e pimenta.
  4. Meia hora antes de servir, corte a cebola em fatias finas, deixe no gelo com um pouco de água. Elas ficarão mais crocantes e suaves. Passada meia hora, escorra-as e misture com a hortelã rasgada grosseiramente e o sumo do limão.
  5. Sirva os corações sobre uma polenta mole, como a da foto, ou o que achar por bem (com purê de batatas fica muito bom). Cubra com um pouco da mistura de hortelã e cebola, polvilhe flor de sal.
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